CIDADES RESENDENSES: A caminho do centenário, GD Resende busca profissionalização

O mineiro Peterson, de BH, foi um dos 11 estrangeiros da categoria sênior na última época.


Esporte

José Venâncio de Resende0

Campeão distrital de honra (Foto Ideal Resende).

Quase centenário, filial número 2 do Futebol Clube do Porto, 11 jogadores estrangeiros (dois brasileiros) no elenco e colhendo os primeiros frutos do investimento nas categorias de base. Este é o Grupo Desportivo de Resende, fundado no dia de Nossa Senhora de Fátima (13 de maio) do ano de 1928.

Com a pandemia, 2019-20 e 2020-21 foram temporadas atípicas, de acordo com o vice-presidente do GD Resende, Herculano Teixeira. Em março de 2020, as atividades do sênior e da formação foram suspensas. Em agosto, teve início a época 2020-21 da Associação de Futebol de Viseu (AF Viseu) da qual o clube faz parte, que foi interrompida em janeiro. Em abril, voltou a fase de apuramento de campeão do distrito. A época terminou em 13 de junho, com o GD Resende ficando em 7º lugar.

O GD Resende começou num campo de terra onde é hoje o Jardim 25 de Abril, em frente ao prédio da Câmara Municipal. Por volta de 1930, transferiu-se para o Estádio Municipal de Fornelos. Desde então, o sênior participa do campeonato distrital de honra da AF-Viseu, tendo sido campeão pela primeira vez em 1970-71. Seguiram-se outras vitórias (1981-82, 1988-89 e 2006-07), além de participações na Taça de Portugal (1990-91 e 2016-17) e de campeão sub-12 (formação) em 2013-14.

Categorias

A categoria sênior é a única que existe desde o início do GD Resende, conta Herculano. Mais tarde, a partir de 2000, surgiram novas categorias: formação (sub-12); iniciados (sub-15); juvenis (sub-16); juniores (sub-19); traquinas (8 aos 10 anos), petizes (6 aos 8 anos) e veteranos, estas três últimas por volta de 2005.

O mineiro Peterson Matheus Santos Ferreira, 23 anos, é um dos 11 jogadores estrangeiros, que jogaram pelo sênior do GD Resende na última temporada. O jogador iniciou a carreira na escolinha de futebol Sol Nascente, de Belo Horizonte. Passou três anos no América Mineiro, jogou no Santa Cruz de BH e no Democratas de Sete Lagoas onde foi campeão sub-15 do módulo II.

Peterson ingressou no profissional pelo Minas Boca Futebol (segunda divisão) e, em 2017, aceitou o desafio de jogar em Portugal. “Abracei a oportunidade e fui para o União da Madeira onde fiquei dois anos.” Passou pelo Cinfães, Resende, Castro Daire, todos na região norte do país, e voltou ao Resende para a temporada 2020-2021. “Essa época foi bastante difícil por causa da pandemia, o campeonato parou muitas vezes e ainda fomos prejudicados pelos pontos. Mas eu vejo nisso um aprendizado.”

O outro brasileiro é o mato-grossense João Luiz (médio de 35 anos) que, anteriormente, jogou pelo Club Sport Marítimo da ilha da Madeira e pelo Beira-Mar de Aveiro, bem como passou por times da Turquia e dos Emirados Árabes Unidos. Os demais estrangeiros são originários de países como Guiné Bissau, São Tomé e Príncipe, Nigéria e República Democrática do Congo.

Formação

Os resultados do trabalho de formação, com treinadores habilitados, já começam a aparecer. Além do título do sub-12, o GD Resende já tem três jogadores em busca de uma oportunidade nos principais clubes de Portugal. São eles: Dani Rodrigues (médio do sub-21 do Sporting); Diniz Bernardo (sub-12 do FC Porto); e José Diogo Saraiva (sub-11 do Benfica). A expectativa é que esses jogadores consigam um contrato e o clube resendense tenha uma compensação financeira, anseia Herculano.

Já os veteranos tiveram o seu time que durou cerca de quatro anos, fundado por Alexandre Bastos, Professor Marinho Almeida e Rui Magalhães, todos com ligação antiga ao clube. Um dos jogadores foi Joaquim Alves, presidente da Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Resende. Antes, ele jogou 27 anos no sênior, até 1991. “Passei por muitos treinadores e muitos presidentes de direção. Tirei curso de treinador em seguida e treinei os juniores do Resende.” Também foi treinador do Aregos, do São Martinho de Mouros “e depois treinei o sênior do Resende”.

Estádio

O Estádio Municipal de Fornelos começou com campo de terra, marcação era feita com cal e não havia escoamento de água das chuvas. Além disso, não havia bancadas e os balneários eram precários. Em 2011, foi implantada a grama sintética (padrão Fifa-3, que permite jogos inclusive do campeonato nacional), além de outras melhorias nos últimos anos. Recentemente, foi aprovada a candidatura para a instalação de nova iluminação (LED) pelo município, com a participação do Instituto Português da Juventude.

Com as melhorias no Estádio, o GD Resende é “quase profissional” na definição de Herculano Teixeira. O clube já atualizou os seus estatutos e dispõe de corpo clínico (médico, fisioterapeutas, enfermeiro e nutricionista), dois diretores desportivos, equipe técnica (três treinadores com cursos), diretor de comunicação e imagem, bem como contabilidade. “E agora vamos pedir o título de utilidade pública ao Conselho de Ministros (da República).”

Patrocínios

O principal financiador do GD Resende é o Município, mas antes da pandemia havia patrocinadores como estabelecimentos comerciais e empresas de construção civil, além das cotas anuais dos sócios. “Com a pandemia, foi tudo abaixo e agora é recuperar esses patrocínios e retornar os sócios (apenas 10% contribuem atualmente), para virar profissional”, conclui Herculano.

A direção do GD Resende, liderada pelo seu presidente Horácio Bernardino, foi reeleita, no dia 26 de junho, para mais um mandato (2021-2024), por ocasião das eleic?ões para a escolha dos órga?os sociais do clube.  

  

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