Papo de Esportes

O adeus a Zagallo

25 de Janeiro de 2024, por Vanuza Resende 0

2024 começou com a lamentação pela partida de uma lenda do futebol brasileiro, Mário Jorge Lobo Zagallo. Aos 92 anos, Zagallo deixa um legado inigualável e uma história que ecoará pelos campos de futebol do Brasil e do mundo.

Um dos principais nomes do futebol brasileiro, Zagallo esteve presente na final da Copa do Mundo de 1950, mas trabalhando fora das 4 linhas. Ele estava em 16 de julho de 1950. Dia da primeira final de Copa disputada pelo Brasil, como soldado do exército em serviço. Zagallo viu o Brasil perder por 2 a 1 para o Uruguai. Naquela época, ele já jogava no juvenil do América, mas o garoto transformou o trauma do “Maracanaço” em motivação para um dia defender o Brasil em campo.

E, desde então, Zagallo foi muito mais do que um treinador e ex-jogador; ele era uma verdadeira referência, uma enciclopédia ambulante do futebol. Sua trajetória começou como jogador quando conquistou quatro Copas do Mundo (1958 e 1962 como jogador, 1970 como técnico e 1994 como coordenador técnico), sendo o único a ostentar esse feito. Por pouco, não foi penta: como técnico da seleção, chegou à final da Copa de 1998, mas a equipe foi derrotada pela França de Zidane.

Supersticioso como poucos, fez com que o número 13 fosse amado por muitos e odiado por outros também. “Brasil campeão tem 13 letras, e Argentina vice também”, disparou ao vencer nos pênaltis os rivais na final da Copa América de 2004. Zagallo eterno tem 13 letras!

O “Velho Lobo”, como carinhosamente era chamado, não era apenas um mestre tático, mas também um apaixonado pelo jogo. Sua voz rouca ecoava nos vestiários, motivando os jogadores a darem o melhor de si em campo. Personalidades que moldaram e influenciaram o esporte estão nos deixando, deixando um vazio difícil de preencher. Estamos perdendo não apenas ídolos, mas pedaços da história que construíram o futebol brasileiro. Zagallo representava a raça, a garra e a genialidade que fizeram do Brasil uma potência no futebol mundial.

O Brasil do futebol está, de alguma forma, se despedindo de sua própria essência e é preocupante a ausência de novos nomes por aqui. Ao Velho Lobo, nosso agradecimento eterno. Que seu exemplo continue inspirando as futuras gerações de jogadores, treinadores e amantes do futebol. Obrigada, Zagallo, por “nos fazer te engolir!”

O mais difícil da história...

20 de Dezembro de 2023, por Vanuza Resende 0

Como assim, gente? A matéria do dia após a final do brasileirão destaca que os palmeirenses viraram a noite na comemoração de mais um título brasileiro. Eu realmente não sei quem acreditava numa manchete dessas depois de um primeiro turno perfeito do Botafogo.

O glorioso que liderou o Brasileirão em 31 rodadas! Foram sete meses e com uma vantagem que chegou ser de 13 pontos em relação ao Palmeiras, campeão. É quase impossível acreditar, mas, para mim, mais do que as contas matemáticas que mostram que o Botafogo deixou o título escapar pelos confrontos com a parte debaixo da tabela, a sabedoria popular estava certa mais uma vez: tem coisas que só acontecem com o Botafogo!

O Galo terminou como eu acreditava que terminaria, mas foi difícil lidar com essa certeza no primeiro turno desastroso do Atlético. Se fica ou se sai o super-herói em 2024, eu prefiro ficar com a certeza de que Felipão é mesmo o mocinho, e mais uma vez mostrou o porquê de ser o nome escolhido pelas comissões.

O Cruzeiro ficou onde disputou para ficar. Ameaçou fazer mais, mas passou aperto para cumprir o mínimo. Salvo pelos resultados malucos do final do campeonato e ameaçado pela falta de pontaria de seus atacantes. Um ataque de dar orgulho às defesas adversárias. Mais um ano com um dinheiro em caixa, uma disputa internacional e um recado para o gestor: se não investir, vai cair.

E cai porque uma hora a conta chega. O Santos se junta à grande maioria dos times que têm uma Série B no currículo. É duro? Eu acho que até cruel. Na última rodada, dos três que capengavam, o que era mais certo de ficar despencou ao ver Bahia e Vasco fazerem a sua parte. Boa sorte em 2024, Santos, mas lembre-se de que não dá para contar só com ela.

Ouvi de muita gente que esse foi o Brasileirão mais difícil da história. As estatísticas tentam mostrar que a bola rolou pelas 38 rodadas mais difíceis dos últimos campeonatos de pontos corridos. Acho que mais do que a matemática, os botafoguenses e santistas acreditam na máxima. Enquanto os palmeirenses vendem os lenços para enxugar as lagrimas dos rivais, ou seria melhor vender o avião?!

Que venha o Brasileirão 2024!

O Fluminense conquista a América – título da Libertadores chega na era do Dinizismo

22 de Novembro de 2023, por Vanuza Resende 0

Tem quem reconhece, tem quem critica, mas todos são obrigados a dizer: “O campeão da América em 2023 é o Fluminense!” O Fluminense Football Club, na tarde histórica do dia 04 de novembro, no Maracanã, venceu o Boca Juniors (ARG) por 2 a 1, com gols de Germán Cano e John Kennedy, e conquistou o inédito e tão desejado título da Conmebol Libertadores 2023.

O primeiro título da história do tradicional clube das Laranjeiros veio em 2023, com um técnico amado por uns e contestado por outros. Se tiver que ficar fora ou dentro da bolha Dinizismo, eu escolho entrar. Para mim, Fernando Diniz pode até não ser o salvador da pátria de chuteiras, apesar de esperar que ele seja. Mas o técnico que levou o Fluminense à histórica conquista da Libertadores é ousado, inteligente e pensa fora da casinha. Coisa difícil de encontrar hoje em dia, no futebole fora dele.

O discurso do “4 de novembro” foi muito mais pé no chão do que quando o Flamengo cantava “Real Madrid, pode esperar, a sua hora vai chegar”. É trabalhar todos os dias pensando no que estava em jogo, na final de um campeonato que estava engasgado na garganta. É motivar sem soberba. E isso é saber trabalhar.

Eu, que não consigo torcer para times estrangeiros quando estão disputando com os brasileiros, acho que a torcida para o Fluminense foi válida. O Brasil também ganha. O resultado colocou o futebol brasileiro com um recorde: é o primeiro país a ganhar o torneio cinco vezes consecutivas. Desde 2019, o Brasil vem levantando a principal taça do futebol sul-americano, sendo duas vezes com o Flamengo (2019 e 2022), duas com o Palmeiras (2020 e 2021) e, agora, com o Tricolor das Laranjeiras. Já tínhamos conseguido o feito, mas os Hermanos também: entre 72 e 75 o Independiente de Avellaneda conquistou os quatro títulos.

Já a Argentina não perdeu só um título. Atos racistas, brigas e decisões ridículas, como a proibição de camisas do tricolor em Buenos Aires, tomadas pelo país vizinho, são verdadeiras derrotas. Ainda que a não permissão pelo uso do uniforme do Flu seja pautadas por questão de segurança, é ridícula.

Depois da América, que, gostando ou não, veste branco, grená e cinza, restam as tentativas para conquistar o mundo. Isso mesmo, tentativas... no plural. Com o título da Conmebol Libertadores, o Fluminense garantiu a vaga em duas edições do Mundial de Clubes. A equipe disputará a competição não só em 2023, mas também em 2025. A equipe brasileira foi a última a assegurar a vaga neste ano.

O Mundial de 2023, que acontecerá entre os 12 e 22 de dezembro na Arábia Saudita, pode ser o último disputado no atual formato. Em 2025, o Mundial de Clubes passará por uma mudança e será disputado nos Estados Unidos. A competição contará com 32 equipes e será disputada a cada quatro anos. E aí, nesse caso, além do Fluminense, Palmeiras e Flamengo, campeões da Libertadores em 2021 e 2022, também estão garantidos na competição.

Até lá, vamos conferir um pouco mais do Dinizismo com a Seleção Canarinho, na esperança de que garotos, assim como Jonh Kennedy, escutem do técnico que farão o gol do título, com a profecia se concretizando, e um Brasil inteiro sentindo o gostinho que a torcida tricolor brindou no dia 04 de novembro.

 

* Um abraço a todos os tricolores, em especial àqueles que não tiveram a oportunidade de comemorar o título em vida, e celebraram com o meu avô Nenego – tricolor fanático – em outro plano.

Rumo a Paris 2024: Brasil se prepara para os Jogos Olímpicos

25 de Outubro de 2023, por Vanuza Resende 0

As Olimpíadas de 2024, sediadas em Paris, estão no horizonte e o Brasil já se movimenta, com excelentes competidores, consagrando nomes e revelando outros. Os olhos do mundo estarão voltados para os atletas que irão representar suas nações, e o Brasil, que enfrenta tantas dificuldades para a valorização dos seus atletas, vai tentar, mais uma vez, dar orgulho a quem ama os esportes olímpicos. 

Uma das estrelas em ascensão e que está prometendo um espetáculo de habilidade e destreza é Rebeca Andrade. A jovem ginasta brasileira tem conquistado os corações dos amantes da ginástica artística e dos brasileiros em geral. Com uma atuação fenomenal no Mundial da Antuérpia, na Bélgica, Rebeca Andrade fez história ao conquistar cinco medalhas em uma única edição desse prestigiado campeonato. A brasileira emocionou todos ao garantir uma medalha de ouro, três de prata e uma de bronze, marcando seu nome na história do esporte nacional.

Além do talento individual de atletas como Rebeca Andrade, o Brasil também celebra a recente classificação de mais de 100 atletas para os Jogos Olímpicos de 2024. A delegação brasileira ganhou um impulso significativo com a classificação do vôlei masculino, que acrescentou 12 novos nomes ao time, depois de muito sufoco para a seleção canarinho. Com isso, no dia 08 de outubro, o país atingiu a marca de 104 atletas com passagem confirmada para os Jogos.

No atletismo já são 11 nomes confirmados, entre eles, Alison dos Santos, o Piu. “Treinou” nos 400m rasos durante a Liga Diamante de Silesia, na Polônia, e conquistou o índice olímpico em 16 de julho de 2023. Cinco dias depois, garantiu a vaga nos 400 m com barreiras. É um dos grandes nomes da modalidade. Na canoagem, Isaquias Queiroz, que trouxe medalha de ouro para casa nas últimas olimpíadas, vai ser o nosso representante.

Ginástica Artística e Rítmica, Hipismo, Natação, Rúgbi, Saltos Ornamentais, Surfe, Tênis de Mesa, Tiro com Arco, Tiro Esportivo, Vôlei e Vela também contam com atletas brasileiros já classificados. 

Assim como em Tóquio-2020, quando o Brasil foi representado por 302 atletas, a expectativa é de que a lista de brasileiros classificados para os Jogos Olímpicos de Paris alcance um número parecido. Uma particularidade importante a ser destacada é a diferença no programa de competições em relação aos Jogos de 2020.

Em Paris-2024, não teremos beisebol e caratê na programação, mas a grande novidade será o breaking – um estilo de dança que surgiu nos EUA e promete uma adição empolgante ao universo olímpico. A cerimônia de abertura está agendada para o dia 26 de julho.

O Time Brasil tem como objetivo principal superar as conquistas nos Jogos Olímpicos de Tóquio-2020. Na edição anterior, o país conquistou um total de 21 medalhas, sendo sete delas de ouro. Paris 2024 está se aproximando e o Brasil está determinado a fazer uma inesquecível marca no cenário olímpico. Com a certeza de que a torcida está cada vez maior, e já com muitos “ensaios recentes”, seja nas quadras do vôlei ou com as inúmeras conquistas da ginástica!

O tricampeonato brasileiro do Atlético em 2023

27 de Setembro de 2023, por Vanuza Resende 0

Acertada a decisão do Atlético de não bordar mais estrelas em seu uniforme com a conquista do bicampeonato em 2021, afinal dois anos depois o manto estaria mais uma vez desatualizado. E sem o time atual do Galo entrar em campo. Na verdade, o time que conquistou o feito, nem Galo ainda era.

Mas vamos por parte.

No dia 25 de agosto de 2023, a Confederação Brasileira de Futebol – CBF reconheceu o pleito do clube de transformar a conquista “Campeão dos Campeões”, de 1937, como título nacional, análogo à Série A do Campeonato Brasileiro. É claro que o reconhecimento foi motivo de festa por parte da torcida e de críticas dos adversários, que já sofreram para engolir a inauguração do novo estádio. Novo estádio e tricampeonato é demais na mesma semana!

O processo de reconhecimento começou, inclusive, bem próximo do início das obras da Arena MRV. No fim de 2021, logo após a conquista do Brasileirão e da Copa do Brasil, a gestão do presidente Sérgio Coelho passou a pensar seriamente no pedido de reconhecimento do título conquistado há mais de oito décadas.

Quando o Atlético foi Campeão Brasileiro de 1971, a cobertura do jornal O Globo trazia em uma de suas retrancas a manchete: “O Atlético obteve 1º título de Campeão Nacional em 37”, dando indícios de como era vista aquela façanha.

Não vou entrar no mérito de ser contra ou a favor do reconhecimento, porque acho minha opinião irrelevante perto da decisão da CBF; aliás, das decisões. Vale lembrar que o Galo utilizou o argumento de que, em 2010, a entidade máxima do futebol brasileiro reconheceu os títulos do Robertão e Taça Brasil de Bahia, Santos, Cruzeiro, Botafogo, Palmeiras e Fluminense como Campeões Brasileiros, por meio do princípio da isonomia. Se eles acumularam troféus em suas salas, porque não na do Atlético também?!

Agora, já que tenho o prazer e a satisfação de mês após mês escrever minha opinião aqui no JL, lá vai.

No ano em que o Atlético inaugura seu estádio, tem o melhor jogador individual do país em campo (vale lembrar que é minha opinião) e um ótimo plantel, não é o ideal que o título expressivo venha apenas com a conquista de 86 anos atrás. A torcida do Galo, que só passou a ser chamado assim em 1954 – após o tricampeonato Mineiro, merece mais!