O frenesi aumenta na medida em que a contagem regressiva avança. É assim desde o início do ano, no número 405, da Rua São José, no Tijuco, sede da escola de samba Vem me Ver, campeã do Carnaval de 2024 de São João del-Rei. O movimento de voluntários (dirigentes e membros da comunidade) vai se avolumando, principalmente à noite, com a confecção das fantasias coloridas no barracão e os ensaios de rua.
“Permeando todo o valor e a riqueza que os tapetes representaram nas histórias de suas nações, a Vem Me Ver entra na avenida em 2025 (1º de março) para homenagear e honrar mais uma manifestação de arte, que é aquilo que nos move”, segundo texto no Instagram da escola.
Tudo começou em junho do ano passado, com o início das pesquisas para o enredo do Carnaval de 2025: “Do tear imortal a Capital Nacional: Resende Costa”. Para a construção da sinopse, optou-se pela ordem cronológica, ou seja, da Pérsia a Resende Costa, passando por importantes momentos da história, de acordo com a Comissão de Carnaval. A partir daí, criou-se o samba-enredo.
Para além da comissão de frente e dois casais de mestre-sala e porta-bandeira, as oito alas vão representar os períodos históricos. Completam a história a bateria e três carros alegóricos. “Os tapetes contam histórias e transcendem seus povos, unindo culturas e materializando sonhos” (do Instagram).
O enredo começa pelos tapetes na Pérsia antiga, “com seus intrincados desenhos e símbolos de poder”, que “teciam narrativas de amor e guerra” (do Instagram). Veja a descrição da sinopse.
“Surge a arte dos tapetes, um sonho que seduz.
“Nasce um legado tecido, um conto sem fim no mundo.
“Desde os dias dos reis, em palácios dourados, / A trama é um conto, um mistério revelado…
“Os desenhos falam de um passado glorioso, / “Os tapetes carregam a alma de um povo…
“Passam-se os séculos, mas o encanto persiste, / Na arte do tapete, o passado existe, / Através de gerações, o saber perpetua, / E a beleza do tapete persa continua.
“Os tapetes indianos, vibrantes e coloridos, cada um uma obra-prima de detalhamento” (do Instagram). É a Índia dos vayxias (comerciantes) e das verdadeiras obras-primas que são os tapetes com estampas de elefantes e outros símbolos. Retomemos a sinopse:
“Nas terras da Índia, sob o céu anil, / Tecem-se sonhos com arte sutil, / Em tapetes de cores, padrões a brilhar, / Histórias e tradições que nunca vão se apagar.
De Kashan a Agra, nas oficinas a dançar, / Cada nó é um conto, cada fio a cantar, / Com seda e lã, em beleza imortal, / Os tapetes da Índia são um tesouro celestial.
No Egito antigo, há o conto da fuga de Cléopatra, enrolada num tapete e “suas (dos tapetes) cores vívidas (que) adornavam os rituais sagrados” (do Instagram). Voltemos à sinopse:
“Em cada fio, uma promessa de salvação, / Para Cleópatra fugir de sua cruel condenação.
“Assim, o tapete, em sua jornada sem fim, / Carrega o mito da rainha em seu destino assim, / Cleópatra e o tapete, uma dança e um sonho, / Na vasta história do Egito, um conto soberano.
“Em um mundo tecido por fios de sonhos e tradições, os tapetes contam histórias de terras distantes e corações ancestrais” (do Instagram). É o caso do tapete vermelho de rosas na Corte de Makeda, a Rainha de Sabá. De novo, a sinopse:
“Na África antiga, sob o sol dourado, / Makeda, a rainha, com um destino encantado, / Em tapetes de rosas, seu reino resplandece, / Cada fio e cor, um conto que enaltece.
Sobre um tapete de flores, em seda e graça, / A rainha de Sabá desliza e abraça, / A beleza e o poder em cada padrão, / Um símbolo de sua realeza e paixão.
A ala da rota da seda passa por Constantinopla, ligação entre a Europa e a Ásia, no antigo Império Otomano.
“Na Rota da Seda, trilhas de comércio antigo, / Tapetes de Isfahan desdobram-se como sonhos, / Lã e seda entrelaçadas, histórias de impérios, / Passam pelas dunas do deserto e picos do Pamir.
De Constantinopla a Pequim, o luxo viaja, / Tapetes otomanos e padrões bizantinos encantam, / Poetas como Rumi contemplam o destino, / Onde cada fio é uma metáfora do mundo.
“Os tapetes permanecem, eternos, em sua beleza.
E os tapetes chegam ao Novo Mundo. “Em cada nó e cada laçada, um eco do passado ressoa, como um cântico ancestral que atravessa séculos e fronteiras” (Instagram). A vinda para o Brasil da corte de D. Maria I, a “Maria Louca”.
“Do Oriente ao Ocidente, a arte a dançar, / Nos lares portugueses, um legado a vibrar.
Entre nós e o passado, a tradição se entrelaça, / Nos tapetes que falam, a cultura se abraça.
A colonização, com seu peso e sua luz, / Teceu a identidade que a todos seduz.
“Em meio aos fios de sonhos e tradições, surge Resende Costa, uma cidade onde a arte dos tapetes ganha vida. Lá, artesãos habilidosos tecem histórias nas cores vivas e padrões intricados, seguindo uma tradição que atravessa gerações” (do Instagram). Voltemos à sinopse:
“Surge a Vila de Nossa Senhora da Penha, / Arraial da Laje.
Na Inconfidência Mineira, / Conjuras e planos em noites enluaradas, / O grito de liberdade nas vozes caladas.
Mas a traição espreita, o destino é cruel, / O sonho se desfez sob o peso do fel.
Ainda assim, a memória não se apagará, / No coração do povo, a luta a ecoar.
Inconfidência, herança de amor e de dor, / Um hino à liberdade, um grito de clamor.
De José de Resende Costa, pai, o nome a se homenagear!
“É festa, alegria e emoção!
É fundada a capital do nosso coração!
Evoé, Resende Costa.
O surgimento dos tapetes, no Povoado dos Pintos, zona rural de Resende Costa. “Os tapetes portugueses, com padrões florais e geométricos que contam histórias do Velho Mundo” (do Instagram). De novo, a sinopse:
“Na zona rural de Resende Costa, / O tear vibrava, fios a entrelaçar, / Memórias de um povo, arte que se aposta, / Traduzindo em cores o que é amar.
A cerâmica moldada com mãos de saber, / Argila que canta em formas e texturas, / Um legado antigo que insiste em viver, / Guardando a cultura em suas fissuras.
O gado pastando, força a sustentar, / Na lida diária, a vida a pulsar, / Economia simples, mas cheia de valor, / Resende Costa, um campo de amor.
O tear chega à área urbana de Resende Costa e o tapete ganha os mercados. “Lá, artesãos habilidosos tecem histórias nas cores vivas e padrões intricados, seguindo uma tradição que atravessa gerações. Nas ruas tranquilas desta cidade mineira, o som dos teares ecoa, enquanto os artistas trabalham meticulosamente, entrelaçando memórias e sonhos nas fibras dos tapetes” (do Instagram). À sinopse:
“O tear, antes singelo na zona rural, / Começa a ganhar vida na cidade, afinal.
Fios entrelaçados, tradições a brotar, / A arte do tecer começa a prosperar.
Na cidade, os ateliês surgem em flor, / Mãos criativas transformam o labor.
Produção organizada, a cultura a expandir, / Cada peça tecida é um sonho a existir.
Feiras e mercados, a arte a encantar, / O povo se une para valorizar.
Resende Costa, agora um polo a brilhar, / O passado e o futuro juntos a dançar.
O tear que começou no campo a pulsar, / Hoje é símbolo de um novo despertar.
E em cada trama, um eco de amor, / Na cidade, a tradição se torna clamor.
Sob o manto protetor da padroeira Nossa Senhora da Penha de França, orações são tecidas. “Inspirados pela rica cultura local e pelas paisagens exuberantes que os cercam, os artesãos transformam simples fios em tesouros que contam histórias de amor, fé à Virgem da Penha e tradição” (do Instagram). Mais uma vez, a sinopse:
“Na serra que abriga a cidade amada, / Resende Costa se une em fervor e emoção.
Em cada lar, a fé é luz iluminada, / Nossa Senhora da Penha, padroeira do coração.
Com flores e promessas, o povo a saudar, / Em romarias, a devoção a renovar.
Nos momentos de dor, um abrigo e consolo, / Ela é proteção, amor que se faz colo.
A festa se aproxima, a cidade a vibrar, / Sinos ressoando, corações a aclamar.
A imagem sagrada, com graça e esplendor, / É símbolo de força, esperança e amor.
Na oração sincera, no olhar que se eleva, / A devoção resplandece, o espírito se atreva.
Em Resende Costa, em cada amanhecer, / Nossa Senhora da Penha, sempre a proteger.
“Resende Costa carrega consigo todo esse passado e tradição nas mãos de suas tecelãs, que ainda utilizam as mesmas máquinas de tear, as quais, séculos atrás, deram origem a esse artesanato tão rico de cultura e arte” (do Instagram). Culmina-se, assim, com a conquista do título de Capital Nacional do Artesanato Têxtil. Retornemos à sinopse:
“Resende Costa, capital do tear, / Onde arte e tradição se entrelaçam com fervor.
Fios que dançam, cores a brilhar, / Um legado de amor, pulsando em cada labor.
Nos ateliês, mãos habilidosas criam, / Peças que narram histórias, que nos guiam.
O tear é símbolo de identidade e união, / Na capital do tear, a cultura em celebração.
Feiras vibrantes, um povo a se unir, / Em cada trama, um sonho a ressurgir.
Com tecido e dedicação, os corações se entrelaçam, / Resende Costa, onde a alma e o trabalho se abraçam.
As ruas ecoam canções de celebração, / Na festa da tecelagem, brota a emoção.
Resende Costa, um canto de valor, / Capital do tear, um lar repleto de amor.
“Assim, entre as terras distantes e os corações ancestrais, os tapetes de Resende Costa encontram seu lugar, adicionando um capítulo vibrante à história global dessa arte milenar” (do Instagram da escola).
Samba-enredo: https://www.facebook.com/gres.vem.me.ver/videos/886911803365445?locale=pt_BR