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Portugal x Brasil, o sonho frustrado

22 de Julho de 2026, por José Venâncio de Resende

A surpreendente atuação de Vozinha no empate com a Espanha (foto: SIC Notícias).

Espanha, campeã por merecimento; Cabo Verde, campeão simpatia!

Se na Copa do Mundo não aconteceu um esperado Brasil x Portugal, de volta mais cedo pra casa as duas seleções tomaram rumos diferentes. O Brasil optou por manter o italiano Carlo Ancelotti no comando até o Mundial de 2030; já Portugal resolveu trocar um espanhol pela prata da casa Jorge Jesus. Quem ganha e quem perde? O tempo dirá.

Críticos como ex-técnicos, técnicos e comentaristas esportivos consideraram que Ancelotti não convocou bem, fez lambança no caso de Neymar e não conseguiu construir um padrão de jogo para a seleção. De qualquer forma, a atual safra de jogadores brasileiros está longe dos tempos gloriosos, e falta espírito coletivo. Isto, apesar da predominância de jogadores da Premier League (oito) e do Brasileirão (sete), e de se integrarem a clubes como Liverpool, Arsenal, PSG, Roma, Barcelona, Real Madri e Flamengo, entre outros. Fico a imaginar o que aconteceria se o Brasil enfrentasse seleções do porte da francesa, da espanhola e mesmo argentina.

O caso de Portugal ainda é mais gritante. A seleção campeã da última Liga das Nações é considerada uma das melhores gerações do futebol português. Estima-se que cerca de 80% dos jogadores atuam no estrangeiro, espalhados por campeonatos de Inglaterra, França, Espanha, Itália e Arábia Saudita. Jogam em clubes como Manchester City, Chelsea, PSG, Barcelona, Milan e Juventus, entre outros. Quem não se lembra de Gonçalo Ramos, João Neves, Nuno Mendes e Vitinha, campeões da Liga dos Campeões pelo PSG? Além da falta de padrão de jogo e da má gestão nas substituições (principalmente de Cristiano Ronaldo), uma crítica recorrente ao técnico Roberto Martínez é a de que ele nunca conseguiu extrair o máximo de seus jogadores.

Na ausência do rei D. Sebastião, Portugal resolveu buscar Jorge Jesus para salvar a “pátria de chuteiras” (expressão cunhada pelo jornalista Nelson Rodrigues). Na sua apresentação, Jesus prometeu uma seleção portuguesa com nova identidade e dinâmica, compatível com a sua ideia de jogo, e com o dobro da produtividade em campo, para ser condizente com a qualidade dos jogadores. Já com Carlo Ancelotti, a dúvida permanece quanto ao futuro da seleção, corre-se o risco de ser mais do mesmo. No mínimo, um comentário de Jesus sobre Neymar causa um certo desconforto para Ancelotti. O novo treinador português, ao dizer que treinou dois dos três melhores jogadores do mundo, revelou a última conversa que teve com o jogador brasileiro: “Tu, finished” (“Tu estás acabado”).

Se Brasil e Portugal foram frustrantes, deu gosto ver as seleções de Espanha e França jogarem, até que os franceses foram superados pelo futebol envolvente dos espanhóis. Por coincidência, a França foi eliminada pela Espanha, no dia da festa de celebração da queda da Bastilha (14/07/1789), 237 anos depois. Já o ressentimento argentino venceu em campo a Inglaterra, com exibição de faixa de cunho político contra a perda das ilhas Malvinas (Falkland, para os britânicos) - “Las Malvinas son argentinas” – em desobediência ao regulamento da FIFA.

Nem a agressividade irritante argentina nem a magia de Messi foram suficientes para ultrapassar a qualidade técnica e tática do coletivo espanhol, embora a disputa pelo terceiro lugar entre França e Inglaterra tenha sido mais emocionante com 10 gols no período normal. Quem não deve ter gostado do resultado é o presidente Donald Trump, que certamente era mais simpático ao país do presidente Javier Milei do que à Espanha do primeiro-ministro Pedro Sánchez. Apesar de, no final, pegar carona na foto oficial dos vencedores.  

A campeã simpatia desta Copa foi a seleção do pequeno arquipélago de Cabo Verde, os Tubarões Azuis do goleiro Vozinha, únicos a não perder para a Espanha. Um conceituado comentarista português, diante das exibições de Cabo Verde, em momento de euforia chegou mesmo a proclamar que, mesmo eliminados, os Tubarões Azuis são os verdadeiros campeões do Mundial.

Um lembrete: nosso José de Resende Costa (filho) viveu na cidade de Praia, capital do Cabo Verde, no século XVIII, castigado que foi pela Coroa portuguesa por ter participado da Inconfidência Mineira. Lá constituiu família que está espalhada por Angola, Portugal continental e Brasil (Rio de Janeiro). 

 

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