Em pouco mais de uma hora, a administração municipal apresentou, no dia 8 de janeiro no Teatro Municipal, o balanço das ações do primeiro ano de gestão do prefeito Aurélio Suenes. O secretário de Governo, Marcelo Coutinho, destacou os resultados de 2025, com base nos quatro grandes desafios da atual gestão (transporte público, saúde, DAMAE e dívida herdada do município). Durante toda a apresentação, ele deixou em suspense a resposta para a pergunta: “E qual era o valor da dívida herdada?”
No transporte público, o Tarifa Zero permitiu reduzir o grau de insatisfação popular, de 16% (em 2024) para 1,8% em 2025. O número de linhas aumentou de 14 para 30 e o de passageiros, de 120 mil para 439 mil por mês. “Numa conta bem simplória, isto representa uma economia mensal média de R$ 285,00 (para o trabalhador)”, disse Coutinho.
Já na saúde, a insatisfação popular caiu de 38% (2024) para 24% (2025), com o tempo de espera na UPA (Unidade de Pronto Atendimento) diminuindo 60% e o nível de reclamações, 90%. “A UPA deixou de ser manchete de jornal (e das redes sociais)”, salientou Coutinho que ainda citou a queda no número de óbitos na UPA, de 8 para 0,7 ou “menos de uma morte por mês”.
Na Atenção Primária, a cobertura de ESF (estratégia de saúde da família) aumentou de 85% para 100%, com 16 novas equipes (médicos, enfermeiros, técnicos etc.) e investimento “pesado” na recuperação e ampliação das UBS e construção de novos postos de saúde. Como resultado, foram 485.530 atendimentos realizados.
Na Atenção Especializada, o início da nova Policlínica permitiu a melhoria do atendimento ao cidadão. E a adesão ao CISVER (Consórcio Intermunicipal de Saúde das Vertentes) contribuiu para reduzir as filas. A ampliação da parceria com as casas de saúde também melhorou a qualidade no atendimento.
DAMAE
No caso do DAMAE, a insatisfação popular caiu abruptamente de 21% de insatisfação para 2,2%, enfatizou Coutinho, com a autarquia “deixando de ser o maior problema para uma parcela significativa da população”. A dívida de R$ 111 milhões tornava o DAMAE o maior devedor individual da CEMIG, incluindo o Rio de Janeiro (onde a empresa é dona da LIGHT). Uma negociação com a assembleia de acionistas e a diretoria da CEMIG tornou a dívida pagável. Com isso, “nós aumentamos a receita do DAMAE em 20% (para R$ 37,24 milhões), pagamos todas as contas em dia e também fizemos investimento; tudo isso com recurso do DAMAE”, que “vai ser lucrativo a partir de 2026”, garantiu Coutinho.
No setor de obras, Coutinho citou realizações como a iluminação da Avenida Leite de Castro e do centro histórico; mais de 1800 km de estradas rurais; e extensão da limpeza da cidade aos distritos. Também destacou a transformação do lixão em “aterro controlado” (com base no Plano de Gestão de Resíduos Sólidos da UFSJ) e a coleta seletiva (em parceria com a Associação dos Catadores), ambos “mérito da equipe de Fábio Silva na Secretaria de Meio Ambiente”. Outra iniciativa foi o projeto de “Cidade Verde, Cidade Viva”, fruto de parceria entre as secretarias do Meio Ambiente e de Educação. “Esse trabalho começa nas escolas e é levado para as entidades, as empresas.”
Na educação, um dos principais resultados foi a elevação do indicador de criança alfabetizada (ICA), para 74% das crianças alfabetizadas na idade prevista, superando a meta do Ministério da Educação (59%). Também houve redução na fila de espera das creches, de 300 crianças para 74 crianças, a partir de ações, da construção e da parceria com o terceiro setor, que permitiram a ampliação de vagas. “Na virada do semestre, nós vamos zerar as filas de espera das creches”, assegurou Coutinho. Outro resultado foi o aumento no número de professores de apoio, de 80 para 176, permitindo melhorar o atendimento às 250 crianças especiais.
Nos esportes, foram realizados os JEMG (jogos escolares) pela primeira vez na etapa rural, para além das etapas municipal e regional. A cidade recebeu mais de três mil estudantes (80 ônibus) de outras cidades por uma semana. Ainda mereceram citação projetos como a Corrida da Cidade, o Enduro da Independência e a primeira 1ª Copa Del Rei de Jiu-Jitsu.
Nos projetos sociais, aumentaram as parcerias com o terceiro setor. Coutinho citou, na assistência social, à “política voltada para o acolhimento de moradores de rua”, que diminuíram de 51 moradores para 18 moradores de rua em São João del-Rei. Uma das medidas foi o aluguel social. Outro trabalho “sensacional” é o Banco de Alimentos, que coleta alimentos do setor privado (supermercados, sacolões etc.), para entregar à população necessitada. A quantidade saltou de 55 mil kg para 90 mil kg (de 3.600 para 7 mil pessoas atendidas). Esse trabalho foi reconhecido em Brasília com o "Prêmio Brasil sem Fome.
Turismo e economia
No agronegócio, a unificação dos serviços na Secretaria de Agropecuária (IMA, Emater, Serviço de Inspeção Municipal-SIM), programa de subsídio) facilitou o atendimento ao cidadão. Além disso, a Exposição Agropecuária reforçou seu o papel de evento gerador de negócios.
Na área de cultura, a integração entre secretarias municipais levou ao fortalecimento da cultura e do turismo em São João del-Rei. Coutinho enfatizou o restauro e a preservação de bens patrimoniais; e a descentralização para bairros e distritos em parceria com organizações sociais.
Ainda foi dado o pontapé do projeto “Descubra Minas, visite São João del-Rei”, liderado pela Secretaria de Cultura. Neste projeto, “nós trabalhamos São João del-Rei como destino turístico; os eventos, não apenas como entretenimento, mas muito mais como negócio”, salientou Coutinho. Decorrente disso, há uma série de ações, como a estruturação do Centro de Atendimento ao Turista e investimento em material visual (mapas, pontos turísticos etc.); “o que a Secretaria de Cultura fez foi transformar potencial em realidade”.
É assim que a equipe da Cultura começa a “vender São João del-Rei” em eventos nacionais, nas agências de turismo e na rede hoteleira, para relembrar a indústria de turismo de que São João del-Rei está no mapa. Eventos como “São João dos Queijos”, Carnaval”, Semana Santa”, Natal barroco, “tudo isso gera desenvolvimento”.
No setor de desenvolvimento econômico, destaque para a geração de empregos (mais 353 até novembro, segundo o CAGED), o movimento de vendas no mercado informal e o aumento de 12% no número de MEIs (Microempreendedores Individuais). Coutinho ainda destacou o programa “Contrata SJ”, em parceria com as associações e empresas, para acelerar a contratação (800 currículos cadastrados, 55 empresas participantes e 136 vagas disponíveis); e o programa REURB (regularização urbana), com entrega de títulos de propriedade para cidadãos (foram entregues 75, com previsão de “muito mais este ano”).
Nas finanças, houve aumento, nos impostos municipais em geral, de 16,3% (de R$ 69,76 milhões para R$ 81,16 milhões). No caso específico do ISS, a arrecadação cresceu 14% devido ao estímulo à geração de serviços (educação, saúde, turismo etc.). Isto permitiu fazer investimentos com recursos próprios, tanto em saúde (+18,4%, para R$ 45,16 milhões) quanto em educação (+25,7%, para R$ 66 milhões), em consonância com a Lei de Responsabilidade Fiscal.
Para estimular a arrecadação, a Secretaria de Finanças criou programas como o “Recuperação Fiscal” e o “Quem anda em dia, Del-Rei premia” (sorteios entre contribuintes adimplentes). Outro trabalho é o de informatização e desburocratização, “para tentar sair do papel”. Um dos instrumentos é o aplicativo “Minha São João” (“a cidade está na palma de todo mundo”), que já é utilizado por mais de 25 mil pessoas.
Suspense desvendado
O suspense criado ao longo da apresentação, com a pergunta “E qual era o valor da dívida herdada?”, foi respondido no final pelo prefeito Aurélio Suenes, depois de desafiar a plateia quanto ao valor. “Nós herdamos um passivo de R$ 182.700.000,00 - já reduzimos um pouco desse passivo (para R$ 125,5 milhões), mas ainda é desafiador, nós vamos ter de trabalhar ainda alguns anos para ficar zerado.”
“E como nós chegamos a esse número?” A dívida com a CEMIG é de R$ 111 milhões (“numa negociação feita, conseguimos reduzir para R$ 66 milhões); a dívida com o IMP (Instituto de Previdência Municipal) é de R$ 33,2 milhões, fruto de quatro anos sem pagamento; “nós pagamos R$ 7 milhões, reduzindo para 25,7 milhões; e os precatórios, de R$ 38,5 milhões (inclusive com a CEMIG), que caíram para R$ 33,5 milhões.
O que vem pela frente?
“Nós sonhamos alto, e não é promessa”, alertou Aurélio Suenes. “Nós temos o nosso plano de governo e tem muita coisa pra acontecer; e nós queremos realizar o que colocamos no papel, o que depende também da estabilidade da economia.”
De imediato, “temos obras importantes a serem feitas”. Na educação, há uma creche já licitada no Tijuco (R$ 4,5 milhões) e, na saúde, uma UBS licitada no Rio das Mortes (de R$ 2,2 milhões). Estão sendo retomadas duas obras de escolas paralisadas desde 2014 (a escola do Caíque e a escola de São Miguel do Cajuru, esta já licitada); duas ampliações de creches; reforma em todos os postos de saúde. Há uma obra importante e ousada, por meio da AMVER, de revitalização da Avenida 31 de março (“vai ser a última, podem ter certeza”, garante o prefeito). E ainda previsão de construção do campo do Nacional na Colônia; revitalização do trevo de entrada da Avenida 8 de dezembro; mercado municipal; desvio rodoviário até o trevo do aeroporto, “uma obra desafiadora (pelo menos, o primeiro trecho de 3km)”; reativação do aeroporto; distrito industrial; e criação da empresa municipal de obras e serviços (EMOPS), que “precisamos da Câmara de Vereadores”.
Veja aqui a íntegra da apresentação
