Microfones a postos
07 de Dezembro de 2008, por Regina Coelho 0
‘Sabemos que será um jogo muito difícil, mas confio muito no nosso grupo e faremos de tudo para sair com a vitória.’
‘Nada está decidido. É assim que temos de pensar, pois temos de estar mais concentrados do que nunca.’
‘Sei do meu potencial e, se o Professor precisar de mim, estou pronto para jogar.’
‘Vamos voltar para o segundo tempo com força total e reverter esse placar.’
‘Nós até que conseguimos marcar bem, mas falhamos em duas jogadas de bola parada.’
‘Eu juntamente com meus companheiros...’.
Essas e outras falas parecidas são construções lingüísticas largamente utilizadas pelos nossos atletas do futebol, respectivos treinadores e dirigentes no exercício de seu trabalho junto à imprensa. Indagados sobre o porquê de dizerem as mesmas coisas, muitos jogadores, os verdadeiros astros do esporte, por isso mesmo os mais visados, costumam se defender, dizendo que as perguntas são as mesmas, daí... Sobrou para os repórteres, mas a fama de falar coisas, digamos assim, óbvias, é do pessoal que faz a festa nos gramados brasileiros. E para nós é isso que interessa. Queremos é ver gols, belas jogadas e títulos, é claro, de preferência para o nosso time. É exigir muito que esses profissionais dominem o vernáculo. Como isso é possível se a grande maioria abandona cedo os bancos da escola para correr atrás de uma bola e do sonho de fazer a vida como jogador de futebol? Deles queremos que se revelem craques da bola e façam a alegria das torcidas, cumprindo bem o papel que lhes é reservado, o de donos do espetáculo.
Dito isso, devo admitir, no entanto, que não resisto a repassar algumas frases famosas pertencentes ao lado folclórico do esporte mais popular do país. Vamos a elas:
‘Somente três coisas param no ar: o beija-flor, o helicóptero e o Dadá.’
‘É Deus no céu, o Papa no Vaticano e o Dadá na grande área.’
‘Não me venham com a problemática que eu tenho a solucionática.’
(Dadá Maravilha, um dos grandes ídolos do Atlético)
‘Clássico é clássico e vice-versa.’ (Jardel, ex-atacante, do Grêmio)
‘Quem nunca agrediu uma mulher?’ (Josimar, ex-lateral do Botafogo)
‘Graças a Deus tive sucesso tanto na minha vida futebolística quanto na minha vida humana.’ (Nunes, ex-centroavante do Flamengo)
O mesmo Josimar, agora em situação mais amena, ao ser perguntado sobre o que achou de um certo jogo, saiu-se com esta:
-Bom, eu não achei nada, mas o meu companheiro ali achou uma correntinha, acho que é de ouro, dá para ele vender.
De uma outra vez, indagado pelo repórter de campo sobre o que faria com o Motorádio que iria receber como o melhor jogador em campo, disparou:
- A moto eu vou vender e o rádio vou dar para minha tia.
Já Claudiomiro, do Internacional, chegando a Belém (PA) para enfrentar o Paissandu, em 1972, teria dito:
- Tenho o maior orgulho de jogar na terra onde Jesus nasceu.
Surpreendente é este comunicado de Mengálvio, ex-meia do Santos, em telegrama mandado à família, quando em excursão à Europa:
- Chegarei de surpresa dia 15, às 2 da tarde, vôo 619, da VARIG.
E tem aquela do Ivair, ex-centroavante da Portuguesa, entrevistado por um daqueles repórteres de beira de gramado:
-Muita gente, muita chuva, muito obrigado!
E o Elivélton, um dos ciganos do futebol, aquele de quem os cruzeirenses se lembram bem, falando sobre a quantidade de faculdades existentes em sua cidade natal:
-Realmente, minha cidade é muito facultativa.
E tem ainda o Vladimir, ex-lateral do Corinthians, em entrevista à Rádio Record:
- Eu disconcordo de você.
Esta é mais recente. O zagueiro Fabão, ao ser contratado pelo Flamengo, não vacilou:
- A partir de agora, meu coração só tem uma cor: é rubro-negro.
Contam também que Pelé, perdido em meio a inúmeros garotos amontoados à sua volta tentando conseguir autógrafos do rei, ouviu esta de um colega:
-Isto aqui até parece um cardume de abelhas.
Fazer confusão com as palavras pode ser mesmo um perigo. Comprovem.
O volante Mingão, do Noroeste de Bauru, candidatou-se a vereador e, em um comício, tascou, empolgado:
-Se eleito, prometo apedrejar todas as ruas da cidade.
Outra do Nunes (lembram-se dele?) deixando o campo, contundido. O repórter pergunta se a contusão é grave. Ele simplesmente responde:
-Não, meu estado não inspira gravidez, não.
E outra do Jardel falando de sua preferência por partidas decisivas:
-Quando o jogo está a mil, minha naftalina sobe.
E tome mais troca de palavras. Um certo Luciano, jogador do juvenil da Portuguesa Santista, reclamando com o juiz sobre um gol anulado por impedimento, garantiu:
-Seu juiz, eu juro que o gol foi legível.
E também um certo Celinho, jogador do interior paulista, não deixou por menos:
-Nosso time é experiente, cheio de jogadores carimbados.
Um primor também foi o que disse Camilo (quem?), ex-zagueiro do Santos, deixando o campo e apertando fortemente a coxa:
-Estou sentindo uma figada na pantuvilha.
Não poderia faltar uma contribuição portuguesa, com certeza, ou melhor, duas, vindas do atleta João Pinto, antigo jogador da seleção de Portugal. A primeira:
-Não foi nada especial, só chutei com o pé que estava mais à mão.
A outra:
-Bem, a equipe estava à beira do abismo. Agora, graças a Deus, deu um passo adiante.
Pois é. Poupei os treinadores, os cartolas, juizes e mesmo os repórteres, por enquanto, só por enquanto. Afinal, ninguém está livre de produzir uma daquelas pérolas memoráveis. E vou ficando por aqui lembrando uma frase genial do artilheiro Dadá: NÃO EXISTE GOL FEIO, FEIO É NÃO FAZER GOL. Concordo com ele em gênero e número igual , ops!, em gênero, número e grau.
‘Nada está decidido. É assim que temos de pensar, pois temos de estar mais concentrados do que nunca.’
‘Sei do meu potencial e, se o Professor precisar de mim, estou pronto para jogar.’
‘Vamos voltar para o segundo tempo com força total e reverter esse placar.’
‘Nós até que conseguimos marcar bem, mas falhamos em duas jogadas de bola parada.’
‘Eu juntamente com meus companheiros...’.
Essas e outras falas parecidas são construções lingüísticas largamente utilizadas pelos nossos atletas do futebol, respectivos treinadores e dirigentes no exercício de seu trabalho junto à imprensa. Indagados sobre o porquê de dizerem as mesmas coisas, muitos jogadores, os verdadeiros astros do esporte, por isso mesmo os mais visados, costumam se defender, dizendo que as perguntas são as mesmas, daí... Sobrou para os repórteres, mas a fama de falar coisas, digamos assim, óbvias, é do pessoal que faz a festa nos gramados brasileiros. E para nós é isso que interessa. Queremos é ver gols, belas jogadas e títulos, é claro, de preferência para o nosso time. É exigir muito que esses profissionais dominem o vernáculo. Como isso é possível se a grande maioria abandona cedo os bancos da escola para correr atrás de uma bola e do sonho de fazer a vida como jogador de futebol? Deles queremos que se revelem craques da bola e façam a alegria das torcidas, cumprindo bem o papel que lhes é reservado, o de donos do espetáculo.
Dito isso, devo admitir, no entanto, que não resisto a repassar algumas frases famosas pertencentes ao lado folclórico do esporte mais popular do país. Vamos a elas:
‘Somente três coisas param no ar: o beija-flor, o helicóptero e o Dadá.’
‘É Deus no céu, o Papa no Vaticano e o Dadá na grande área.’
‘Não me venham com a problemática que eu tenho a solucionática.’
(Dadá Maravilha, um dos grandes ídolos do Atlético)
‘Clássico é clássico e vice-versa.’ (Jardel, ex-atacante, do Grêmio)
‘Quem nunca agrediu uma mulher?’ (Josimar, ex-lateral do Botafogo)
‘Graças a Deus tive sucesso tanto na minha vida futebolística quanto na minha vida humana.’ (Nunes, ex-centroavante do Flamengo)
O mesmo Josimar, agora em situação mais amena, ao ser perguntado sobre o que achou de um certo jogo, saiu-se com esta:
-Bom, eu não achei nada, mas o meu companheiro ali achou uma correntinha, acho que é de ouro, dá para ele vender.
De uma outra vez, indagado pelo repórter de campo sobre o que faria com o Motorádio que iria receber como o melhor jogador em campo, disparou:
- A moto eu vou vender e o rádio vou dar para minha tia.
Já Claudiomiro, do Internacional, chegando a Belém (PA) para enfrentar o Paissandu, em 1972, teria dito:
- Tenho o maior orgulho de jogar na terra onde Jesus nasceu.
Surpreendente é este comunicado de Mengálvio, ex-meia do Santos, em telegrama mandado à família, quando em excursão à Europa:
- Chegarei de surpresa dia 15, às 2 da tarde, vôo 619, da VARIG.
E tem aquela do Ivair, ex-centroavante da Portuguesa, entrevistado por um daqueles repórteres de beira de gramado:
-Muita gente, muita chuva, muito obrigado!
E o Elivélton, um dos ciganos do futebol, aquele de quem os cruzeirenses se lembram bem, falando sobre a quantidade de faculdades existentes em sua cidade natal:
-Realmente, minha cidade é muito facultativa.
E tem ainda o Vladimir, ex-lateral do Corinthians, em entrevista à Rádio Record:
- Eu disconcordo de você.
Esta é mais recente. O zagueiro Fabão, ao ser contratado pelo Flamengo, não vacilou:
- A partir de agora, meu coração só tem uma cor: é rubro-negro.
Contam também que Pelé, perdido em meio a inúmeros garotos amontoados à sua volta tentando conseguir autógrafos do rei, ouviu esta de um colega:
-Isto aqui até parece um cardume de abelhas.
Fazer confusão com as palavras pode ser mesmo um perigo. Comprovem.
O volante Mingão, do Noroeste de Bauru, candidatou-se a vereador e, em um comício, tascou, empolgado:
-Se eleito, prometo apedrejar todas as ruas da cidade.
Outra do Nunes (lembram-se dele?) deixando o campo, contundido. O repórter pergunta se a contusão é grave. Ele simplesmente responde:
-Não, meu estado não inspira gravidez, não.
E outra do Jardel falando de sua preferência por partidas decisivas:
-Quando o jogo está a mil, minha naftalina sobe.
E tome mais troca de palavras. Um certo Luciano, jogador do juvenil da Portuguesa Santista, reclamando com o juiz sobre um gol anulado por impedimento, garantiu:
-Seu juiz, eu juro que o gol foi legível.
E também um certo Celinho, jogador do interior paulista, não deixou por menos:
-Nosso time é experiente, cheio de jogadores carimbados.
Um primor também foi o que disse Camilo (quem?), ex-zagueiro do Santos, deixando o campo e apertando fortemente a coxa:
-Estou sentindo uma figada na pantuvilha.
Não poderia faltar uma contribuição portuguesa, com certeza, ou melhor, duas, vindas do atleta João Pinto, antigo jogador da seleção de Portugal. A primeira:
-Não foi nada especial, só chutei com o pé que estava mais à mão.
A outra:
-Bem, a equipe estava à beira do abismo. Agora, graças a Deus, deu um passo adiante.
Pois é. Poupei os treinadores, os cartolas, juizes e mesmo os repórteres, por enquanto, só por enquanto. Afinal, ninguém está livre de produzir uma daquelas pérolas memoráveis. E vou ficando por aqui lembrando uma frase genial do artilheiro Dadá: NÃO EXISTE GOL FEIO, FEIO É NÃO FAZER GOL. Concordo com ele em gênero e número igual , ops!, em gênero, número e grau.
No reino da criação
16 de Novembro de 2008, por Regina Coelho 0
Gérson, meia armador da seleção brasileira de futebol que se sagrou tricampeã na Copa do Mundo de 1970, no México, protagonizou em 1976 uma propaganda que veio a lhe render mais tarde muita dor de cabeça. Nela, o ‘‘Canhotinha de Ouro’‘ aparecia anunciando os cigarros ‘‘Vila Rica’‘ e defendendo a marca do produto, que dizia ser melhor e mais barata que as outras. Como arremate, ele afirmava: ‘‘Gosto de levar vantagem em tudo, certo? Por isso fumo Vila Rica. Leve vantagem você também’‘. Gérson, algum tempo depois, confessou arrependimento de ter associado sua imagem ao anúncio, visto que qualquer comportamento pouco ético foi sendo aliado ao seu nome através do que se convencionou chamar ‘‘Lei de Gérson’‘. Em outras palavras, a fala do então jogador virou sinônimo de tirar proveito próprio de todas as situações, sem preocupações morais. O que parecia uma simples propaganda, apesar de ter como personagem central um jogador profissional assumidamente fumante, coisa impensável nos dias de hoje, marcou a biografia de Gérson, que deve ser lembrado muito mais pela excepcional qualidade do futebol que jogou.
Por outras razões, bem mais felizes, diga-se de passagem, a história mais ou menos recente da propaganda brasileira registra peças que também marcaram época, consagraram marcas e elevaram o conceito dos profissionais do setor, como comprovam as premiações até internacionais a que fizeram jus nossos publicitários.
Numa extensa lista de trabalhos inesquecíveis, há aqueles que conquistam também pela música que divulga o anunciante. Muita gente ainda hoje se lembra daquele belo anúncio de Natal do Banco Nacional (que nem existe mais) em que um coral de vozes infantis entoava: ‘‘Quero ver você não chorar, não olhar pra trás, nem se arrepender do que faz...’‘ E aquele da Varig e também anúncio natalino? ‘‘Estrela brasileira no céu azul, iluminando de Norte a Sul...’‘ E o da Vasp?: ‘‘... A Vasp abre suas asas com a ternura, para você ganhar altura, viajar.’‘ O Bamerindus virou HSBC, mas o jingle antigo do banco permanece na memória: ‘‘O tempo passa, o tempo voa, e a poupança Bamerindus continua numa boa’‘. Não dá para esquecer o Guaraná Antarctica, que, fazendo dobradinha com a pizza ou com a pipoca é sempre recomendado: ‘‘Eu não vejo a hora de te cortar, te ver mais uma vez, te saborear... Adoro pizza com guaraná.’‘ ‘‘Pipoca na panela começa a rebentar. Pipoca com sal, que sede que dá. Pipoca e guaraná, que programa legal’‘. Nesses anúncios que aguçam o paladar, nem preciso dizer que as imagens são irresistíveis. E quem esquece as crianças vestidas de bichinhos mamíferos nos comerciais da Parmalat?: ‘‘O elefante é fã de Parmalat...’‘ Garanto também que ficou guardado o seguinte: ‘‘Quem bate? É o frio. Não adianta bater, que eu não deixo você entrar. Nas Casas Pernambucanas é que vou aquecer o meu lar...’‘
Há uma outra categoria de comerciais cujo mérito maior é criar bordões, frases que o povo passa a adotar. Alguns exemplos: ‘‘O importante é ter Charm.’‘ (marca de cigarro). ‘‘Tomou Doril, a dor sumiu.’‘ (analgésico). ‘‘Sempre cabe mais um quando usa Rexona’‘ (desodorante). ‘‘Não basta ser pai, tem que participar.’‘ (Gelol). ‘‘Compre batom. Seu filho merece Batom.’‘ (chocolate). ‘‘Ei, ei , você se lembra da minha voz? Continua a mesma. Mas os meus cabelos, quanta diferença!’‘ (Xampu Colorama).
Pela criatividade e sensibilidade, fica impossível não citar um comercial da Valisère, de 1987, que consagrou a então desconhecida Patrícia Luchesi, incorporando a garota que vê chegar a adolescência. A frase final ‘‘O primeiro sutiã a gente nunca esquece’‘ simboliza exemplarmente esse rito de passagem. Outra garota, a do refrigerante Sukita, em anúncio bem mais recente, entra no elevador e desconcerta o rapaz já maduro que tenta puxar papo com ela (ocupada com seu refri). O clima possível de paquera ou interesse por parte dele é quebrado com um singelo pedido dela: ‘‘Tio, aperta o 21 pra mim?’‘
E há os garotos-propaganda. Um deles é o insuperável garoto Bombril. Carlinhos Moreno está presente no livro dos recordes como o mais antigo garoto-propaganda de uma mesma marca. Foram 26 anos de exclusividade e o surgimento de uma vasta galeria de personagens ligados aos produtos ofertados. Uma história de verdadeiro sucesso. Longe de ser unanimidade, quem não se lembra do ‘‘Quer pagar quanto?’‘ Ou melhor, quem não se lembra do Fabiano Augusto? Para muitos é aquele chato das Casas Bahia. E não pode faltar o cachorrinho Cofap, não exatamente um garoto, mas um cão comprido e de pernas curtas (um Dachshund ou Teckel, segundo minhas pesquisas) defendendo a marca de amortecedores por cujo nome aquele cãozinho esperto dos anos 89 a 93 ficou conhecido.
Sem maiores aprofundamentos, é oportuno dizer ainda que a força de certas marcas faz com que elas, em algum momento, se transformem metonimicamente em sinônimos do próprio produto. Assim, Gillete (= lâmina de barbear), Brahma (= cerveja) e Bombril (= palha de aço). E quem não associa o termo Brastemp ao que há de melhor? Coisas do mundo da propaganda.
PRESENTE PARA RESENDE COSTA
Entregue oficialmente ao público no último dia 31, o novo espaço da Biblioteca Municipal de Resende Costa é um orgulho para a cidade, que há muito reivindicava um local que pudesse abrigar em condições dignas e à altura de uma de suas mais importantes instituições todo o acervo de que ela dispõe. O que se espera é que o imponente prédio recém-construído seja um marco na vida cultural de Resende Costa, aliando a boa tradição que nossa biblioteca representa ao moderno que naturalmente se impõe. Fazer de suas amplas e confortáveis instalações um atuante, dinâmico e adequado centro do saber é o desafio que agora se apresenta. Afinal de contas, bibliotecas são organismos vivos onde a história se constrói diariamente e se conserva para os que nos sucederão.
FESTIVAL DE CULTURA
Em razão do fechamento dessa coluna exatamente na semana do Festival de Cultura/2008, não foi possível comentar sobre o evento na presente edição. É necessário que iniciativas dessa natureza se mantenham. A cidade agradece.
Por outras razões, bem mais felizes, diga-se de passagem, a história mais ou menos recente da propaganda brasileira registra peças que também marcaram época, consagraram marcas e elevaram o conceito dos profissionais do setor, como comprovam as premiações até internacionais a que fizeram jus nossos publicitários.
Numa extensa lista de trabalhos inesquecíveis, há aqueles que conquistam também pela música que divulga o anunciante. Muita gente ainda hoje se lembra daquele belo anúncio de Natal do Banco Nacional (que nem existe mais) em que um coral de vozes infantis entoava: ‘‘Quero ver você não chorar, não olhar pra trás, nem se arrepender do que faz...’‘ E aquele da Varig e também anúncio natalino? ‘‘Estrela brasileira no céu azul, iluminando de Norte a Sul...’‘ E o da Vasp?: ‘‘... A Vasp abre suas asas com a ternura, para você ganhar altura, viajar.’‘ O Bamerindus virou HSBC, mas o jingle antigo do banco permanece na memória: ‘‘O tempo passa, o tempo voa, e a poupança Bamerindus continua numa boa’‘. Não dá para esquecer o Guaraná Antarctica, que, fazendo dobradinha com a pizza ou com a pipoca é sempre recomendado: ‘‘Eu não vejo a hora de te cortar, te ver mais uma vez, te saborear... Adoro pizza com guaraná.’‘ ‘‘Pipoca na panela começa a rebentar. Pipoca com sal, que sede que dá. Pipoca e guaraná, que programa legal’‘. Nesses anúncios que aguçam o paladar, nem preciso dizer que as imagens são irresistíveis. E quem esquece as crianças vestidas de bichinhos mamíferos nos comerciais da Parmalat?: ‘‘O elefante é fã de Parmalat...’‘ Garanto também que ficou guardado o seguinte: ‘‘Quem bate? É o frio. Não adianta bater, que eu não deixo você entrar. Nas Casas Pernambucanas é que vou aquecer o meu lar...’‘
Há uma outra categoria de comerciais cujo mérito maior é criar bordões, frases que o povo passa a adotar. Alguns exemplos: ‘‘O importante é ter Charm.’‘ (marca de cigarro). ‘‘Tomou Doril, a dor sumiu.’‘ (analgésico). ‘‘Sempre cabe mais um quando usa Rexona’‘ (desodorante). ‘‘Não basta ser pai, tem que participar.’‘ (Gelol). ‘‘Compre batom. Seu filho merece Batom.’‘ (chocolate). ‘‘Ei, ei , você se lembra da minha voz? Continua a mesma. Mas os meus cabelos, quanta diferença!’‘ (Xampu Colorama).
Pela criatividade e sensibilidade, fica impossível não citar um comercial da Valisère, de 1987, que consagrou a então desconhecida Patrícia Luchesi, incorporando a garota que vê chegar a adolescência. A frase final ‘‘O primeiro sutiã a gente nunca esquece’‘ simboliza exemplarmente esse rito de passagem. Outra garota, a do refrigerante Sukita, em anúncio bem mais recente, entra no elevador e desconcerta o rapaz já maduro que tenta puxar papo com ela (ocupada com seu refri). O clima possível de paquera ou interesse por parte dele é quebrado com um singelo pedido dela: ‘‘Tio, aperta o 21 pra mim?’‘
E há os garotos-propaganda. Um deles é o insuperável garoto Bombril. Carlinhos Moreno está presente no livro dos recordes como o mais antigo garoto-propaganda de uma mesma marca. Foram 26 anos de exclusividade e o surgimento de uma vasta galeria de personagens ligados aos produtos ofertados. Uma história de verdadeiro sucesso. Longe de ser unanimidade, quem não se lembra do ‘‘Quer pagar quanto?’‘ Ou melhor, quem não se lembra do Fabiano Augusto? Para muitos é aquele chato das Casas Bahia. E não pode faltar o cachorrinho Cofap, não exatamente um garoto, mas um cão comprido e de pernas curtas (um Dachshund ou Teckel, segundo minhas pesquisas) defendendo a marca de amortecedores por cujo nome aquele cãozinho esperto dos anos 89 a 93 ficou conhecido.
Sem maiores aprofundamentos, é oportuno dizer ainda que a força de certas marcas faz com que elas, em algum momento, se transformem metonimicamente em sinônimos do próprio produto. Assim, Gillete (= lâmina de barbear), Brahma (= cerveja) e Bombril (= palha de aço). E quem não associa o termo Brastemp ao que há de melhor? Coisas do mundo da propaganda.
PRESENTE PARA RESENDE COSTA
Entregue oficialmente ao público no último dia 31, o novo espaço da Biblioteca Municipal de Resende Costa é um orgulho para a cidade, que há muito reivindicava um local que pudesse abrigar em condições dignas e à altura de uma de suas mais importantes instituições todo o acervo de que ela dispõe. O que se espera é que o imponente prédio recém-construído seja um marco na vida cultural de Resende Costa, aliando a boa tradição que nossa biblioteca representa ao moderno que naturalmente se impõe. Fazer de suas amplas e confortáveis instalações um atuante, dinâmico e adequado centro do saber é o desafio que agora se apresenta. Afinal de contas, bibliotecas são organismos vivos onde a história se constrói diariamente e se conserva para os que nos sucederão.
FESTIVAL DE CULTURA
Em razão do fechamento dessa coluna exatamente na semana do Festival de Cultura/2008, não foi possível comentar sobre o evento na presente edição. É necessário que iniciativas dessa natureza se mantenham. A cidade agradece.
Tempos de campanha
11 de Outubro de 2008, por Regina Coelho 0
Quando você, leitor(a), estiver lendo este artigo, nós já seremos conhecedores dos candidatos vitoriosos nas eleições municipais deste ano. Parabéns a eles e, principalmente, um bom trabalho a todos. Quero voltar, no entanto, à época das campanhas para falar dos candidatos, ou melhor, da árdua batalha que eles precisam empreender em busca do precioso voto.
Ah, os candidatos! Que situação difícil deve ser a deles! Tudo começa quando a pessoa é oficialmente lançada para defender seu partido e seu número ou nome de guerra, ressaltando-se que há aquelas que saem na frente, precipitadamente autoproclamando-se candidatas a isso ou àquilo.
Bem, candidato que se preze vai à luta, ou seja, vai atrás dos votos que o elegerão. E é aí que as coisas se complicam porque, tirando a família (e olhe lá, nem sempre!), as pessoas comprometidas com os seus partidos e as simpatizantes dos mesmos, do outro lado estão os eleitores indecisos que querem ou não ser conquistados ou convencidos pelo coitado do candidato.
E o que faz ele? Se é simpático, cumprimenta todo mundo ou ri para todos, podem dizer que ele não é assim e só está agindo dessa forma com segundas intenções, o voto do eleitor, é claro. Se o candidato se retrai e não lhe pede o tão cobiçado voto, é antipático, fez pouco dele. Votar nele? Nem pensar!
Ah, os eleitores! O que a democracia do voto faz igualando todos os votantes no dia da votação, a campanha eleitoral, enquanto em andamento, de certa forma desfaz. Como que colocado na berlinda, disputadíssimo, o eleitor procura se valorizar ainda mais. Afinal de contas, o poder de decisão está em suas mãos.
E o que faz ele? Em meio a tantos candidatos a vereador, por exemplo (em Resende Costa foram cinqüenta e seis), há quem não veja um único que seja merecedor de ser votado por ele. Há quem afirme votar só naquele que lhe fizer uma visita em casa para o tal pedido do voto. E há o pior, que é a venda (ou a compra, como queira) do voto. Nesse caso, eleitor e candidato se merecem.
Voltando às campanhas propriamente, não posso deixar de comentar sobre o que foi visto e ouvido pela tevê e pelo rádio na forma do horário eleitoral gratuito e obrigatório e nas inserções ao longo da programação desses veículos de comunicação, tudo em conformidade com a legislação em vigor no país.
Aquilo que muitos consideram uma chatice ou mesmo um programa de humor pode render algumas constatações no mínimo interessantes. Vejamos!
Fica claro que leva vantagem quem tem bom domínio da palavra, possui texto bem articulado, sendo simples e objetivo. Aí pode morar o perigo, ou não. Se o sujeito se julga superior aos outros e tenta desqualificar os adversários, ninguém agüenta. Só ele é honesto, ético e capaz, como se isso fosse monopólio dele ou de seu partido. Conquistar através do apelo emocional é outra estratégia utilizada por muitos. Evocar a origem humilde (ou ter passado fome) pode provocar identificação com muita gente, aquela que vota, é claro. Declarar-se religioso ou defensor das minorias também. Espantoso ainda é ver candidato desconhecer atribuições do cargo que deseja assumir. E então promete o que não pode cumprir, mesmo querendo.
Isso tudo agora já é passado, por enquanto, pois 2010 vem aí e de novo candidatos e eleitores vão se encontrar. Novas eleições, caras desconhecidas, outras nem tanto, muitas manjadíssimas. Pode parecer que não, mas outra campanha já começou.
ÀS MESTRAS, COM CARINHO
Muita gente não sabe que existe uma semana em outubro denominada, no meio estudantil, de “Semana do Saco Cheio”, não sei exatamente por que, no entanto a gente imagina. Proximidade do final de ano escolar, estudantes e professores estressados e o dia 15 assinalando como a data dedicada ao professor. Uma desacelerada nos estudos é tudo o que se quer nesses dias.
Não pretendo falar sobre a importância dos profissionais da educação, muito menos do processo educacional no país. Chega de tanto discurso! Nem há tanto a comemorar assim, apesar de alguns reconhecidos e consideráveis avanços nessa área.
Quero mesmo é me permitir lembrar minhas três professoras primárias: a Lucinha do Goes, a dona Sílvia (na verdade, Antônia Silva) e a Ieda Melo, pessoas fundamentais no meu tempo de aluna do Conjurados. Tive a sorte de ser muito bem encaminhada por elas. Tenho a alegria de poder abraçá-las ainda hoje. De estilo e temperamento tão diferentes, as três souberam se fazer inesquecíveis para mim.
TRÂNSITO LEGAL
Dizem que o órgão mais sensível do ser humano é o bolso. Brincadeiras à parte, multas, taxas e impostos mexem mesmo com qualquer um. No trânsito então, a situação é exemplar. Certas posturas, como o uso do cinto de segurança (só para ilustrar), costumam ser adotadas apenas pela obrigatoriedade imposta pela lei, que muitas vezes prevê como punição ao infrator da mesma o pagamento em dinheiro, ou melhor, a temida multa.
Essa é a nossa realidade. Nada impede, entretanto, que sejam promovidas campanhas educativas como as que se vêem por aí. Melhor seria se só elas bastassem. Não é o caso.
Em se tratando de iniciativas voltadas para a sensibilização das pessoas nesse aspecto, é importante destacar a recente campanha da Polícia Militar intitulada: “Semana Nacional do Trânsito”. O conteúdo de uma das frases espalhadas por nossa cidade traduz o essencial: “CORTESIA, PRUDÊNCIA E EDUCAÇÃO TORNAM O TRÂNSITO MAIS HUMANO E SEGURO”. É isso aí.
Ah, os candidatos! Que situação difícil deve ser a deles! Tudo começa quando a pessoa é oficialmente lançada para defender seu partido e seu número ou nome de guerra, ressaltando-se que há aquelas que saem na frente, precipitadamente autoproclamando-se candidatas a isso ou àquilo.
Bem, candidato que se preze vai à luta, ou seja, vai atrás dos votos que o elegerão. E é aí que as coisas se complicam porque, tirando a família (e olhe lá, nem sempre!), as pessoas comprometidas com os seus partidos e as simpatizantes dos mesmos, do outro lado estão os eleitores indecisos que querem ou não ser conquistados ou convencidos pelo coitado do candidato.
E o que faz ele? Se é simpático, cumprimenta todo mundo ou ri para todos, podem dizer que ele não é assim e só está agindo dessa forma com segundas intenções, o voto do eleitor, é claro. Se o candidato se retrai e não lhe pede o tão cobiçado voto, é antipático, fez pouco dele. Votar nele? Nem pensar!
Ah, os eleitores! O que a democracia do voto faz igualando todos os votantes no dia da votação, a campanha eleitoral, enquanto em andamento, de certa forma desfaz. Como que colocado na berlinda, disputadíssimo, o eleitor procura se valorizar ainda mais. Afinal de contas, o poder de decisão está em suas mãos.
E o que faz ele? Em meio a tantos candidatos a vereador, por exemplo (em Resende Costa foram cinqüenta e seis), há quem não veja um único que seja merecedor de ser votado por ele. Há quem afirme votar só naquele que lhe fizer uma visita em casa para o tal pedido do voto. E há o pior, que é a venda (ou a compra, como queira) do voto. Nesse caso, eleitor e candidato se merecem.
Voltando às campanhas propriamente, não posso deixar de comentar sobre o que foi visto e ouvido pela tevê e pelo rádio na forma do horário eleitoral gratuito e obrigatório e nas inserções ao longo da programação desses veículos de comunicação, tudo em conformidade com a legislação em vigor no país.
Aquilo que muitos consideram uma chatice ou mesmo um programa de humor pode render algumas constatações no mínimo interessantes. Vejamos!
Fica claro que leva vantagem quem tem bom domínio da palavra, possui texto bem articulado, sendo simples e objetivo. Aí pode morar o perigo, ou não. Se o sujeito se julga superior aos outros e tenta desqualificar os adversários, ninguém agüenta. Só ele é honesto, ético e capaz, como se isso fosse monopólio dele ou de seu partido. Conquistar através do apelo emocional é outra estratégia utilizada por muitos. Evocar a origem humilde (ou ter passado fome) pode provocar identificação com muita gente, aquela que vota, é claro. Declarar-se religioso ou defensor das minorias também. Espantoso ainda é ver candidato desconhecer atribuições do cargo que deseja assumir. E então promete o que não pode cumprir, mesmo querendo.
Isso tudo agora já é passado, por enquanto, pois 2010 vem aí e de novo candidatos e eleitores vão se encontrar. Novas eleições, caras desconhecidas, outras nem tanto, muitas manjadíssimas. Pode parecer que não, mas outra campanha já começou.
ÀS MESTRAS, COM CARINHO
Muita gente não sabe que existe uma semana em outubro denominada, no meio estudantil, de “Semana do Saco Cheio”, não sei exatamente por que, no entanto a gente imagina. Proximidade do final de ano escolar, estudantes e professores estressados e o dia 15 assinalando como a data dedicada ao professor. Uma desacelerada nos estudos é tudo o que se quer nesses dias.
Não pretendo falar sobre a importância dos profissionais da educação, muito menos do processo educacional no país. Chega de tanto discurso! Nem há tanto a comemorar assim, apesar de alguns reconhecidos e consideráveis avanços nessa área.
Quero mesmo é me permitir lembrar minhas três professoras primárias: a Lucinha do Goes, a dona Sílvia (na verdade, Antônia Silva) e a Ieda Melo, pessoas fundamentais no meu tempo de aluna do Conjurados. Tive a sorte de ser muito bem encaminhada por elas. Tenho a alegria de poder abraçá-las ainda hoje. De estilo e temperamento tão diferentes, as três souberam se fazer inesquecíveis para mim.
TRÂNSITO LEGAL
Dizem que o órgão mais sensível do ser humano é o bolso. Brincadeiras à parte, multas, taxas e impostos mexem mesmo com qualquer um. No trânsito então, a situação é exemplar. Certas posturas, como o uso do cinto de segurança (só para ilustrar), costumam ser adotadas apenas pela obrigatoriedade imposta pela lei, que muitas vezes prevê como punição ao infrator da mesma o pagamento em dinheiro, ou melhor, a temida multa.
Essa é a nossa realidade. Nada impede, entretanto, que sejam promovidas campanhas educativas como as que se vêem por aí. Melhor seria se só elas bastassem. Não é o caso.
Em se tratando de iniciativas voltadas para a sensibilização das pessoas nesse aspecto, é importante destacar a recente campanha da Polícia Militar intitulada: “Semana Nacional do Trânsito”. O conteúdo de uma das frases espalhadas por nossa cidade traduz o essencial: “CORTESIA, PRUDÊNCIA E EDUCAÇÃO TORNAM O TRÂNSITO MAIS HUMANO E SEGURO”. É isso aí.
Pequenos notáveis
08 de Setembro de 2008, por Regina Coelho 0
Revelada pelo apresentador Raul Gil em um quadro de seu programa de sábado, exibido pela Band, a garotinha Maísa Silva é hoje um sucesso no SBT. A menina já vinha chamando a atenção de muita gente pela impressionante espontaneidade e igual desenvoltura frente às câmeras. E Sílvio Santos, com seu faro inconfundível para empreendimentos bem-sucedidos, viu em Maísa um talento a ser explorado, apostando nela como uma das atrações de sua emissora.
Seis anos de idade, carinha sapeca e uma vivacidade espantosa, a pequena estrela é, de fato, encantadora. E o que ela faz? Apresenta o “Sábado Animado”, programa infantil por meio do qual interage com quem telefona para participar de joguinhos e outras disputas. Aos domingos, ela brilha ao lado do “patrão” no “Pergunte pra Maísa”, uma série de perguntas variadas respondidas prontamente pela garota, ao que parece, de forma livre, e, sem dúvida, com muita presença de espírito e inteligência.
O talento precoce de Maísa faz lembrar o de outras crianças-prodígio. Uma delas é Shirley Temple, artista mirim que brilhou em Hollywood na década de 30. A menina que conquistou o mundo cantando, dançando e atuando transformou-se numa elegante senhora, atualmente contando 80 anos. A mídia brasileira tem afirmado que Sílvio Santos se inspira nela para fazer de Maísa uma nova Shirley Temple. Será? Os cabelos da brasileirinha e suas roupas bem comportadas parecem confirmar a intenção do apresentador. É esperar para ver.
Um outro caso de precocidade artística envolve a figura de ninguém menos que Wolfgang Amadeus Mozart, o genial compositor clássico nascido na Áustria, em 1756. Segundo consta em sua biografia, aos 3 anos de idade, ele já conseguia tirar melodias do cravo e chorava quando alguém tocava alto demais. Aos 4 anos, já tocava violino e cravo de forma tão fluente quanto uma criança com o triplo de sua idade e de tempo de estudos musicais. Aos 12 anos, já era considerado compositor de altíssima qualidade.
Por uma questão de justiça, não pode faltar aqui o nome do mineiro de Boa Esperança, o pianista Nélson Freire, que com apenas 3 anos, tocava, de memória, pequenas peças. O primeiro recital, realizado quando ele tinha 8 anos, foi uma homenagem a Mozart. Freire contava 12 anos quando participou do “Concurso Internacional de Piano do Rio de Janeiro”, obtendo a sétima colocação. A façanha do então garoto lhe valeu uma bolsa de estudos oferecida pelo governo do presidente Juscelino Kubitschek para estudar em Viena. E sua carreira deslanchou. Nelson Freire é hoje uma unanimidade internacional, para nosso orgulho brasileiro. A propósito, o documentário de João Moreira Salles, realizado em 2003, denominado “Nélson Freire”
, é uma boa oportunidade de conhecer mais sobre a obra desse excepcional artista.
Evidentemente, há inúmeras histórias de crianças que se revelam precoces nas artes e em outras áreas do conhecimento. Alcançando a maturidade, muitas dessas pessoas confirmam a fama e/ou o talento; há aquelas (em número expressivo) que simplesmente somem do noticiário ou tomam um outro rumo na vida; há também aquelas que só sabem viver das glórias do passado. Mas isso já é assunto para um outro artigo.
DESBRAVANDO O TEXTO
Mesmo distante das salas de aula, mantenho o interesse pelo estudo da língua portuguesa. Assim, aproveito a oportunidade para repassar a vestibulandos, concurseiros, estudantes em geral ou simplesmente leitores, texto de Dad Squarisi publicado em sua coluna “Dicas de Português”, do Estado de Minas, e por mim adaptado. Confiram abaixo!
Interpretar texto é treino
Como exercitar a compreensão de texto? Lendo. A leitura é sempre útil e proveitosa, mas ler com o objetivo de preparar-se para prova requer certo ritual. Siga estes passos:
1. Faça uma leitura panorâmica do texto – No primeiro contato, capte o assunto. Do que trata o escrito? Das eleições? Inflação? Condomínios? Orçamento?
2. Explore o vocabulário – Volte ao texto. Desta vez com lápis na mão para sublinhar as palavras de significado desconhecido ou pouco claro. Localize-as no dicionário. Cuidado. Você tem de encontrar o vocábulo mais adequado ao sentido da frase. Analise o enunciado. Depois, procure substituir a palavra assinalada pelos significados que lhe são atribuídos. Escolha o que traduz melhor o recado.
3. Faça a leitura compreensiva – Conhecido o vocabulário, você está apto a captar o plano de desenvolvimento do texto: a forma como o autor organizou as idéias. Elas obedecem a uma hierarquia. Há o general, os coronéis, os majores e os sargentos.
É o general – a idéia principal – que traça a estratégia do texto. Ela se destaca e está presente ao longo da leitura. As idéias secundárias (os coronéis, majores, sargentos, que no texto aparecem como causas, conseqüências, exemplos, comparações) só fazem sustentar o general.
O texto tem introdução, desenvolvimento e conclusão. Em outras palavras: começo, meio e fim. Leia com cuidado a introdução (em geral o primeiro parágrafo) e a conclusão a confirma.
Os outros parágrafos (do desenvolvimento) trazem as idéias secundárias. Cada um só tem uma, em geral expressa na primeira frase. Sublinhe-a. Depois pergunte-se: o que ela tem a ver com a idéia central? É uma causa? Conseqüência? Exemplo? Comparação?
Volte ao texto e releia-o cuidadosamente. Você é capaz, agora, de “conversar” sobre ele: dizer o ponto de vista que o autor defende e os argumentos utilizados por ele para convencer o leitor. Pode, também, questionar-se: ele tem razão? Concordo com tudo que ele disse? Por quê? O que eu acho a respeito do assunto?
Exercite um texto por dia. Ler é habilidade, como nadar, esculpir ou escrever. Com o treinamento, você lerá melhor e se sentirá mais seguro na hora da prova. Comece já.
NOVIDADE
Tenho visto pela cidade anúncio sobre a criação de um centro de instrução de futsal em Resende Costa. Li também todo o material envolvendo o projeto do João Vitor e do Alex Rodrigo, dois jovens apaixonados pelo esporte. Gostei muito da idéia que eles vão começar a colocar em prática agora em setembro. Torço para que tudo dê certo. Em tempos de sedentarismo infanto-juvenil provocado pela tecnologia do computador, vídeo-game e da televisão, nada como uma atividade física bem dosada. Alias, para todos.
É bom lembrar que os alunos serão divididos nas seguintes categorias: Chupetinha, Fraldinha, Pré-Mirim e Mirim. Quanto às atividades do Galaxy, o espaço é a Kaessy. Boa sorte, meninos!
Seis anos de idade, carinha sapeca e uma vivacidade espantosa, a pequena estrela é, de fato, encantadora. E o que ela faz? Apresenta o “Sábado Animado”, programa infantil por meio do qual interage com quem telefona para participar de joguinhos e outras disputas. Aos domingos, ela brilha ao lado do “patrão” no “Pergunte pra Maísa”, uma série de perguntas variadas respondidas prontamente pela garota, ao que parece, de forma livre, e, sem dúvida, com muita presença de espírito e inteligência.
O talento precoce de Maísa faz lembrar o de outras crianças-prodígio. Uma delas é Shirley Temple, artista mirim que brilhou em Hollywood na década de 30. A menina que conquistou o mundo cantando, dançando e atuando transformou-se numa elegante senhora, atualmente contando 80 anos. A mídia brasileira tem afirmado que Sílvio Santos se inspira nela para fazer de Maísa uma nova Shirley Temple. Será? Os cabelos da brasileirinha e suas roupas bem comportadas parecem confirmar a intenção do apresentador. É esperar para ver.
Um outro caso de precocidade artística envolve a figura de ninguém menos que Wolfgang Amadeus Mozart, o genial compositor clássico nascido na Áustria, em 1756. Segundo consta em sua biografia, aos 3 anos de idade, ele já conseguia tirar melodias do cravo e chorava quando alguém tocava alto demais. Aos 4 anos, já tocava violino e cravo de forma tão fluente quanto uma criança com o triplo de sua idade e de tempo de estudos musicais. Aos 12 anos, já era considerado compositor de altíssima qualidade.
Por uma questão de justiça, não pode faltar aqui o nome do mineiro de Boa Esperança, o pianista Nélson Freire, que com apenas 3 anos, tocava, de memória, pequenas peças. O primeiro recital, realizado quando ele tinha 8 anos, foi uma homenagem a Mozart. Freire contava 12 anos quando participou do “Concurso Internacional de Piano do Rio de Janeiro”, obtendo a sétima colocação. A façanha do então garoto lhe valeu uma bolsa de estudos oferecida pelo governo do presidente Juscelino Kubitschek para estudar em Viena. E sua carreira deslanchou. Nelson Freire é hoje uma unanimidade internacional, para nosso orgulho brasileiro. A propósito, o documentário de João Moreira Salles, realizado em 2003, denominado “Nélson Freire”
, é uma boa oportunidade de conhecer mais sobre a obra desse excepcional artista.
Evidentemente, há inúmeras histórias de crianças que se revelam precoces nas artes e em outras áreas do conhecimento. Alcançando a maturidade, muitas dessas pessoas confirmam a fama e/ou o talento; há aquelas (em número expressivo) que simplesmente somem do noticiário ou tomam um outro rumo na vida; há também aquelas que só sabem viver das glórias do passado. Mas isso já é assunto para um outro artigo.
DESBRAVANDO O TEXTO
Mesmo distante das salas de aula, mantenho o interesse pelo estudo da língua portuguesa. Assim, aproveito a oportunidade para repassar a vestibulandos, concurseiros, estudantes em geral ou simplesmente leitores, texto de Dad Squarisi publicado em sua coluna “Dicas de Português”, do Estado de Minas, e por mim adaptado. Confiram abaixo!
Interpretar texto é treino
Como exercitar a compreensão de texto? Lendo. A leitura é sempre útil e proveitosa, mas ler com o objetivo de preparar-se para prova requer certo ritual. Siga estes passos:
1. Faça uma leitura panorâmica do texto – No primeiro contato, capte o assunto. Do que trata o escrito? Das eleições? Inflação? Condomínios? Orçamento?
2. Explore o vocabulário – Volte ao texto. Desta vez com lápis na mão para sublinhar as palavras de significado desconhecido ou pouco claro. Localize-as no dicionário. Cuidado. Você tem de encontrar o vocábulo mais adequado ao sentido da frase. Analise o enunciado. Depois, procure substituir a palavra assinalada pelos significados que lhe são atribuídos. Escolha o que traduz melhor o recado.
3. Faça a leitura compreensiva – Conhecido o vocabulário, você está apto a captar o plano de desenvolvimento do texto: a forma como o autor organizou as idéias. Elas obedecem a uma hierarquia. Há o general, os coronéis, os majores e os sargentos.
É o general – a idéia principal – que traça a estratégia do texto. Ela se destaca e está presente ao longo da leitura. As idéias secundárias (os coronéis, majores, sargentos, que no texto aparecem como causas, conseqüências, exemplos, comparações) só fazem sustentar o general.
O texto tem introdução, desenvolvimento e conclusão. Em outras palavras: começo, meio e fim. Leia com cuidado a introdução (em geral o primeiro parágrafo) e a conclusão a confirma.
Os outros parágrafos (do desenvolvimento) trazem as idéias secundárias. Cada um só tem uma, em geral expressa na primeira frase. Sublinhe-a. Depois pergunte-se: o que ela tem a ver com a idéia central? É uma causa? Conseqüência? Exemplo? Comparação?
Volte ao texto e releia-o cuidadosamente. Você é capaz, agora, de “conversar” sobre ele: dizer o ponto de vista que o autor defende e os argumentos utilizados por ele para convencer o leitor. Pode, também, questionar-se: ele tem razão? Concordo com tudo que ele disse? Por quê? O que eu acho a respeito do assunto?
Exercite um texto por dia. Ler é habilidade, como nadar, esculpir ou escrever. Com o treinamento, você lerá melhor e se sentirá mais seguro na hora da prova. Comece já.
NOVIDADE
Tenho visto pela cidade anúncio sobre a criação de um centro de instrução de futsal em Resende Costa. Li também todo o material envolvendo o projeto do João Vitor e do Alex Rodrigo, dois jovens apaixonados pelo esporte. Gostei muito da idéia que eles vão começar a colocar em prática agora em setembro. Torço para que tudo dê certo. Em tempos de sedentarismo infanto-juvenil provocado pela tecnologia do computador, vídeo-game e da televisão, nada como uma atividade física bem dosada. Alias, para todos.
É bom lembrar que os alunos serão divididos nas seguintes categorias: Chupetinha, Fraldinha, Pré-Mirim e Mirim. Quanto às atividades do Galaxy, o espaço é a Kaessy. Boa sorte, meninos!
Os nomes
12 de Agosto de 2008, por Regina Coelho 0
A escolha do nome para a criança que, muitas vezes, ainda não nasceu ou nem mesmo foi concebida quase sempre é feita com carinho por aqueles que podem consumir grande tempo na busca da melhor opção. Mas tudo isso é pessoal, envolvendo, portanto, gosto ou falta dele, vai se saber. Os critérios são muitos e vão do uso de um nome de família como homenagem a um ascendente querido ou ilustre, passando pela preferência por nome de santo, de artista ou de atleta de fama. Pode-se optar também por um nome estrangeiro ou aquele resultante da combinação de parte do nome da mãe e parte do nome do pai. Ainda há casos que são verdadeiras aberrações. Observe estas pérolas: “Oceano Atlântico Linhares”, “Na Ida Na Vinda Na Volta Pereira” ou “Restos Mortais de Catarina”.
Sobre isso bastante já se falou, mas o assunto é amplo, apresenta variáveis, o que pode render muita prosa interessante.
A existência dos homônimos, por exemplo, pode trazer embaraços para os seus donos. Afinal de contas, ter um nome igual a de um sujeito enrolado com a Justiça ou com outro tipo de problema pode levar a pessoa a ser confundida com o seu homônimo. E até que ela prove que não é a outra... Ainda que se trate de confusão envolvendo a identidade de alguém com a de um indivíduo “gente fina”, é confusão do mesmo jeito.
Uma outra curiosidade referente aos nomes das pessoas diz respeito a um grupo de anônimos carregando o peso de pessoas famosas. John Kennedy, Grace Kelly, Rui Barbosa, Marta Rocha e mesmo Adolf Hitler são alguns deles. Tive uma colega de faculdade com o “modestíssimo” nome de Elizabeth Taylor. Imagine só estar associada à imagem da hoje quase esquecida e septuagenária atriz inglesa, outrora famosa pela beleza, em que se destacavam os olhos violeta e a cabeleira negra. Os amantes do cinema, na certa, já puderam ver Liz Taylor vivendo papéis inesquecíveis como o de Cleópatra, poderosa rainha do Egito.
Voltando à questão onomástica, é interessante observar que há também casos de famosos que ganharam apelidos ou nomes de registro inspirados em criaturas igualmente famosas. Assim, o ex-nadador profissional brasileiro Fernando Scherer virou o Xuxa, provavelmente por sua semelhança física com a apresentadora da Globo. Já o lateral-esquerdo Roberto Carlos, que hoje atua no futebol turco, recebeu o nome que o consagrou nos gramados como uma homenagem do pai ao cantor homônimo, de quem ambos são fãs.
No reino animal, a situação é digna de algumas considerações. Começando pelos cães ferozes de grande porte, é quase inevitável que sejam chamados de Saddan, Nero, Átila e nomes de outros líderes que entraram para a História não exatamente por seus métodos pacifistas. Mas justiça seja feita. O simpático gorila Idi Amin, do Zoológico de Belo Horizonte, deve ter sido assim “batizado” só por causa de seu tipo físico avantajado, o que faz lembrar o sanguinário ex-presidente de Uganda. Impossível não citar o nome Napoleão, um dos preferidos para chamar aquele que dizem ser, com a minha discordante opinião, o melhor amigo do homem. Será que todo Napoleão é valente e audacioso como foi Napoleão Bonaparte? E como explicar a singeleza de nomes como Mimosa, Estrela, Esmeralda para tantas vacas que existem por aí?
Sejam óbvios, criativos, simples ou complicados, os nomes com os quais nos reconhecemos como pessoas são mesmo uma necessidade, mesmo nos dias de hoje, quando, infelizmente, somos cada vez mais identificados por números, senhas, certas combinações de signos e outras impessoalidades.
O NOME
Podemos gostar ou não do nome que escolheram para nós. Fato é que ele nos distingue tão logo nascemos e nos acompanha ao longo da vida, transformando-se em marca fortíssima. Tanto isso é verdade que a simples menção dele já nos aproxima de quem o chama.
Ninguém precisa ser psicólogo para saber que as pessoas gostam de ser tratadas pelo nome. Isso pessoaliza, valoriza a criatura que simplesmente cumprimentamos ou com quem convivemos. É claro que não somos obrigados a conhecer todo mundo pelo nome. Muito menos precisamos agir como alguns que nunca viram a cara da gente e perguntam “- Qual é o seu nome mesmo?” - e a pretexto de nos oferecer algum serviço, forçam uma intimidade que não existe e irrita, repetindo nosso nome exaustivamente.
Quanto aos apelidos, há quem os prefira aos verdadeiros nomes ou seja bem mais conhecido por eles. Não é mesmo Márcio Daniel de Souza, Geraldo Maia de Oliveira e José Geraldo de Oliveira? Ou melhor: Brizola, Pimpa e Menguele, três de nossos muitos resende-costenses cujos apelidos sufocam seus respectivos nomes.
OS NOMES
(Manuel Bandeira)
Duas vezes se morre:
Primeiro na carne, depois no nome.
A carne desaparece, o nome persiste mas
Esvaziando-se de seu casto conteúdo
__ Tantos gestos, palavras, silêncios __
Até que um dia sentimos,
Com uma pancada de espanto (ou de remorso?)
Que o nome querido já nos soa como os outros.
Santinha nunca foi para mim o diminutivo de Santa.
Nem Santa nunca foi para mim a mulher sem pecado.
Santinha eram dois olhos míopes, quatro incisivos claros à flor da boca.
Era a intuição rápida, o medo de tudo, um certo modo de dizer “ Meu Deus,
[valei-me”.
Adelaide não foi para mim Adelaide somente
Mas Cabeleira de Berenice, Inominata, Cassiopéia.
Adelaide hoje apenas substantivo próprio feminino.
Os epitáfios também se apagam, bem sei.
Mais lentamente, porém, do que as reminiscências
Na carne, menos inviolável do que a pedra dos túmulos.
Petrópolis, 28/02/1953
Sobre isso bastante já se falou, mas o assunto é amplo, apresenta variáveis, o que pode render muita prosa interessante.
A existência dos homônimos, por exemplo, pode trazer embaraços para os seus donos. Afinal de contas, ter um nome igual a de um sujeito enrolado com a Justiça ou com outro tipo de problema pode levar a pessoa a ser confundida com o seu homônimo. E até que ela prove que não é a outra... Ainda que se trate de confusão envolvendo a identidade de alguém com a de um indivíduo “gente fina”, é confusão do mesmo jeito.
Uma outra curiosidade referente aos nomes das pessoas diz respeito a um grupo de anônimos carregando o peso de pessoas famosas. John Kennedy, Grace Kelly, Rui Barbosa, Marta Rocha e mesmo Adolf Hitler são alguns deles. Tive uma colega de faculdade com o “modestíssimo” nome de Elizabeth Taylor. Imagine só estar associada à imagem da hoje quase esquecida e septuagenária atriz inglesa, outrora famosa pela beleza, em que se destacavam os olhos violeta e a cabeleira negra. Os amantes do cinema, na certa, já puderam ver Liz Taylor vivendo papéis inesquecíveis como o de Cleópatra, poderosa rainha do Egito.
Voltando à questão onomástica, é interessante observar que há também casos de famosos que ganharam apelidos ou nomes de registro inspirados em criaturas igualmente famosas. Assim, o ex-nadador profissional brasileiro Fernando Scherer virou o Xuxa, provavelmente por sua semelhança física com a apresentadora da Globo. Já o lateral-esquerdo Roberto Carlos, que hoje atua no futebol turco, recebeu o nome que o consagrou nos gramados como uma homenagem do pai ao cantor homônimo, de quem ambos são fãs.
No reino animal, a situação é digna de algumas considerações. Começando pelos cães ferozes de grande porte, é quase inevitável que sejam chamados de Saddan, Nero, Átila e nomes de outros líderes que entraram para a História não exatamente por seus métodos pacifistas. Mas justiça seja feita. O simpático gorila Idi Amin, do Zoológico de Belo Horizonte, deve ter sido assim “batizado” só por causa de seu tipo físico avantajado, o que faz lembrar o sanguinário ex-presidente de Uganda. Impossível não citar o nome Napoleão, um dos preferidos para chamar aquele que dizem ser, com a minha discordante opinião, o melhor amigo do homem. Será que todo Napoleão é valente e audacioso como foi Napoleão Bonaparte? E como explicar a singeleza de nomes como Mimosa, Estrela, Esmeralda para tantas vacas que existem por aí?
Sejam óbvios, criativos, simples ou complicados, os nomes com os quais nos reconhecemos como pessoas são mesmo uma necessidade, mesmo nos dias de hoje, quando, infelizmente, somos cada vez mais identificados por números, senhas, certas combinações de signos e outras impessoalidades.
O NOME
Podemos gostar ou não do nome que escolheram para nós. Fato é que ele nos distingue tão logo nascemos e nos acompanha ao longo da vida, transformando-se em marca fortíssima. Tanto isso é verdade que a simples menção dele já nos aproxima de quem o chama.
Ninguém precisa ser psicólogo para saber que as pessoas gostam de ser tratadas pelo nome. Isso pessoaliza, valoriza a criatura que simplesmente cumprimentamos ou com quem convivemos. É claro que não somos obrigados a conhecer todo mundo pelo nome. Muito menos precisamos agir como alguns que nunca viram a cara da gente e perguntam “- Qual é o seu nome mesmo?” - e a pretexto de nos oferecer algum serviço, forçam uma intimidade que não existe e irrita, repetindo nosso nome exaustivamente.
Quanto aos apelidos, há quem os prefira aos verdadeiros nomes ou seja bem mais conhecido por eles. Não é mesmo Márcio Daniel de Souza, Geraldo Maia de Oliveira e José Geraldo de Oliveira? Ou melhor: Brizola, Pimpa e Menguele, três de nossos muitos resende-costenses cujos apelidos sufocam seus respectivos nomes.
OS NOMES
(Manuel Bandeira)
Duas vezes se morre:
Primeiro na carne, depois no nome.
A carne desaparece, o nome persiste mas
Esvaziando-se de seu casto conteúdo
__ Tantos gestos, palavras, silêncios __
Até que um dia sentimos,
Com uma pancada de espanto (ou de remorso?)
Que o nome querido já nos soa como os outros.
Santinha nunca foi para mim o diminutivo de Santa.
Nem Santa nunca foi para mim a mulher sem pecado.
Santinha eram dois olhos míopes, quatro incisivos claros à flor da boca.
Era a intuição rápida, o medo de tudo, um certo modo de dizer “ Meu Deus,
[valei-me”.
Adelaide não foi para mim Adelaide somente
Mas Cabeleira de Berenice, Inominata, Cassiopéia.
Adelaide hoje apenas substantivo próprio feminino.
Os epitáfios também se apagam, bem sei.
Mais lentamente, porém, do que as reminiscências
Na carne, menos inviolável do que a pedra dos túmulos.
Petrópolis, 28/02/1953