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Turistas estrangeiros à vista

13 de Agosto de 2014, por Regina Coelho

De uns tempos para cá, impulsionado pelo crescimento do artesanato têxtil local, o turismo em Resende Costa ganhou força. Até então conhecido restritamente como a terra dos inconfidentes José de Resende Costa (pai e filho) ou a cidade assentada sobre rochas, de onde se vê em certo ponto da Laje belo pôr do sol, o município entrou na rota dos que viajam a passeio pela região do Campo das Vertentes.

Principal porta de entrada da cidade, a Avenida Alfredo Penido, que os resende-costenses costumam chamar de Asfalto ou Rua do artesanato, é um corredor por onde circulam geralmente os turistas que Resende Costa recebe, atraídos, é claro, pela grande variedade de produtos expostos nas lojas concentradas no local, à espera dos compradores em potencial.

E de onde vem essa gente? Logicamente, das mais variadas partes do estado e de outros estados brasileiros também. Dos que vêm do exterior, de acordo com o anunciado na edição passada, a coluna passa a tratar agora, sem qualquer pretensão de produzir uma análise mais aprofundada sobre o assunto. Conversas aqui e ali com o pessoal que mantém contato profissional com os nossos visitantes renderam informações interessantes e depoimentos como o do artesão Luís Cláudio. Segundo ele, Resende Costa já recebe turistas estrangeiros, mesmo antes de todo o movimento com relação à preparação para a Copa. “Já tive a oportunidade de presenciar a visita de franceses, argentinos, ingleses e portugueses. Quando estive à frente da Associação dos Artesãos, chegamos a efetuar vendas também para o Canadá e a Itália. Recentemente, recebemos um casal de americanos interessados na comercialização de artesanato”, afirma.

Considerando a origem desses turistas, o resultado de nossa breve pesquisa revelou a predominância de americanos (dos Estados Unidos) e de sul-americanos (principalmente do Chile e da Argentina) visitando Resende Costa, na maioria das vezes, viajando em grupos menores de amigos ou em família. Curiosamente, no dia da entrevista para esta matéria com as funcionárias Bianca Lombelo, Greicy Camila Resende e Thaís Bento de Andrade, que trabalham na DCorações Artesanato, a loja havia atendido três turistas espanholas acompanhadas de uma brasileira. No mesmo dia, 23 de julho próximo passado, a vendedora Adriana Coronel registrou a presença de um senhor japonês (que mora no Japão) na Oficina de Pijamas. Ela lembra que, acompanhado do filho (que vive em São Paulo) e sem falar português, o homem era só sorrisos, fotografando tudo.

Aliás, quando perguntados sobre como acontece a comunicação deles com os brasileiros, as respostas dos entrevistados não variam muito. Para Ermelinda Amaral, que trabalha como caixa na Churrascaria Ramona, "sempre tem um intérprete ou amigo que fala a nossa língua e faz o intercâmbio". Esse comentário é confirmado pelas meninas da DCorações Artesanato, acrescentando ainda que acontece também de eles só olharem os produtos, vendo eles mesmos os preços e conversando entre si. Já Adriana afirma que “muitos falam um pouco de português e que pelo menos o básico eles dão conta de perguntar e manejam bem o nosso dinheiro”. Luís Cláudio reforça ainda que, na maioria das vezes, esses visitantes chegam aqui através de agências de turismo, e elas disponibilizam profissionais para acompanhá-los, ou seja, são guias que atuam também como intérpretes.

E como é do conhecimento quase geral dos resende-costenses, esses e os turistas brasileiros que visitam nossa cidade saem, em grande parte, de Tiradentes e São João Del Rei, onde normalmente se hospedam e recebem indicação sobre o lugar, chegando a Resende Costa já informados sobre o nosso artesanato. No pacote, estão as cidades da região que oferecem outros atrativos para essas pessoas, garantem nossos entrevistados. Exemplo disso é o caso contado por Eurides Lopes Ferreira, garçom da Churrascaria Ramona, que atendeu um casal chileno e seus três filhos. Conforme relato do Eurides, o homem trabalha em uma multinacional, tendo sido transferido para Belo Horizonte. Quando chegou a Resende Costa, a família já havia passado por Tiradentes.

Nossos colaboradores na produção desta matéria observam que esses turistas vindos muitas vezes de tão longe são educados e curiosos, querendo saber o que é cada produto do artesanato e qual a utilidade de cada um. Simpáticos, eles sorriem quando não conseguem se comunicar com palavras ou gestos. Aliás, esse parece ser o perfil bem típico do turista, acrescido de outras características que não vêm ao caso agora.

Uma constatação final merece nossa reflexão. O turismo em Resende Costa vem se confundindo com o artesanato. Em outras palavras, muita gente que nos visita fica restrita à área das lojas do Asfalto sem andar pela cidade e conhecê-la de fato, o que é uma pena. Por que isso acontece? Em pauta, a vocação turística do município como um todo.

 

P.S.: Agradecimentos às pessoas citadas na matéria. E ao Heliando (garçom da Churrascaria Ramona), à Silvânia Machado (artesã) e à Solange e ao Iraci, proprietários do Irassol – Restaurante e Pousada.

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