Voltar a todos os posts

A qualidade da música na Igreja Católica

27 de Novembro de 2024, por Edésio Lara

A cada ano, em 22 de novembro, comemoramos o Dia do Músico. É o dia de Santa Cecília, a padroeira dos que se dedicam à arte da música. O ex-deputado federal e senador Artur da Távola (1936-2008) dizia que “música é vida interior, e quem tem vida interior jamais padecerá de solidão”. Segundo Padre Cândido da Silva (1946), Artur da Távola também afirmava: “Quem gosta de música tem sempre vida interior, isto é, está sempre feliz com a vida”. Ela está presente em muitos momentos de nossa vida. Se fazemos festa, tem música. Em funerais ela quase sempre está presente. Imagina um casamento, carnaval, Semana Santa sem ela. É possível um baile sem música? Não, não é.

Padre José Cândido, compositor, regente e organista, natural de Itabira/MG e por longo tempo pároco da Paróquia de São Sebastião, no bairro Barro Preto, em Belo Horizonte/MG, em entrevista concedida no Programa Retratos, da TV Horizonte,  em 9/10/2012, ao ser perguntado sobre a importância da música dentro da celebração, ele disse: “Olha, uma das coisas com que a Igreja Católica mais precisa se preocupar é a qualidade da música. A música é um veículo fantástico. Nós temos uma riqueza sacramental muito grande e não podemos descuidar da música. A música é o motor para qualquer atividade humana. Sem ela, a coisa não vai para frente.”

As religiões, praticamente todas, fazem da música um instrumento poderoso em suas celebrações. Independentemente de países e das muitas religiões existentes, a presença da música cantada, com acompanhamento de instrumentos musicais ou não, em seus cerimoniais, é fato. Moro ao lado de uma igreja da Assembleia de Deus. Além das falas dos pastores, o que mais se escuta é a música cantada pelos membros da Igreja. Poucos meses atrás, fui convidado a assistir uma cerimônia na sede da Congregação Cristã no Brasil, em Resende Costa. Fiquei encantado com o belo trabalho deles. Receberam uma orquestra vinda de Carandaí/MG, muito boa, por sinal, e todos, de hinário em mãos, entoaram várias canções com entusiasmo e emoção durante o culto.

Desde as primeiras décadas da Era Cristã, os católicos sempre se valeram da arte de pintores, escultores, arquitetos, escritores e músicos. Não há uma igreja, por mais simples que seja, que não tenha no seu interior imagens de santos, pinturas de cenas da Paixão e Morte de Jesus Cristo, por exemplo. Possui seus músicos integrando corais, tocando instrumentos musicais, necessários para suas celebrações.

Além das vozes, sempre houve atenção especial para o órgão de tubos, que, pelo volume e beleza da sua sonoridade, tornou-se o instrumento básico, fundamental para abrilhantar as cerimônias, tocar fundo no coração dos religiosos. Associadas a ele, havia as orquestras, conjunto necessário para a apresentação de obras escritas para serem interpretadas em missas, principalmente. Ah, não podemos nos esquecer dos harmônios, instrumentos menores, mas de real importância nas celebrações. Em Resende Costa, usávamos esses instrumentos na Matriz e na Igreja do Rosário. Infelizmente foram extintos, trocados, por vezes, por teclados com sonoridades que não se equiparam aos dos harmônios. E isso tem acontecido em muitas igrejas, em muitos lugares.

Surgiram também, principalmente a partir da década de 1960, práticas que têm implicado negativamente na qualidade dos repertórios e suas interpretações. Canções tradicionais, muitas delas publicadas em hinários, tal como a Harpa de Sião, que contém coleção de cantos sagrados para vozes e harmônio, foram abandonadas. Maltratado ficou o entusiasmo dos católicos que cantavam junto com o coro um repertório de qualidade que encantava a todos. Sobressaíram-se alguns compositores, tais como Padre Zezinho (1941), autor de “Oração pela Família” e “Amar como Jesus Amou”; Padre José Cândido (1946), autor do Hino da Jornada Mundial da Juventude, em 2013; Irmã Míria Kolling (1939-2017), que compôs mais de 600 obras; e Frei Fabreti (1954-1992), este último, autor de Pelos Prados, Cantar a Beleza da Vida, A ti, meu Deus, Oração pela Paz, e Eis-me aqui Senhor. Alguns, como esses quatro citados aqui, ainda conseguiram produzir trabalho de qualidade em virtude da sua sensibilidade e de bom preparo musical. De resto, poucos se destacam na arte de compor músicas, atividade essa que não é para todos.

Houve alterações profundas na maneira de cantar, tocar instrumentos musicais nas igrejas. O que era bom e bem-feito deu lugar a trabalhos de baixa qualidade que não emocionam nem contribuem para que os fiéis participem ativamente das missas e de outras cerimônias. 

Deixe um comentário

Faça o login e deixe seu comentário