Resende Costa tem 17 bairros. O mais antigo é o centro. A área central comporta, portanto, as primeiras vias públicas da cidade e que ficam no entrono da igreja Matriz de Nossa Senhora da Penha de França. Verificamos que há no centro 41 logradouros assim definidos: 4 avenidas, 6 praças, 28 ruas e 3 travessas, isto é, três ruas estreitas e curtas.[1] Uma delas, a Travessa Maria da Costa Fernandes, localiza-se atrás do Hospital Nossa Senhora do Rosário (Santa Casa), ligando a Praça Nossa Senhora de Fátima (lajes de cima, da matriz) à avenida Ministro Gabriel Passos. Nela há a Quadra Poliesportiva do Centro de Apoio Educacional Professor Sebastião Pascoal da Silva Melo – ligada à Escola Estadual Assis Resende – além de residências, principalmente. Destaca-se no lugar a pequena casa, hoje abandonada, onde morou o inesquecível Joaquim das Lajes.
No entanto, o que nos chama mais a atenção é o fato de que 38 dessas vias têm nomes de homens. Nomes de mulheres, somente três: Rosa Soares Penido, Maria Cândida de Andrade e Maria da Costa Fernandes. A respeito da Praça Rosa Penido (foi professora no povoado do Curralinho dos Paulas) e Maria Cândida de Andrade (mãe do ex-prefeito Ocacyr Alves de Andrade), já escrevemos em edições passadas deste jornal. Falta-nos dizer um pouco de Maria da Costa Fernandes, casada que foi com João Evangelista Fernandes Filho – o Joãozinho da Serraria -, com quem teve 12 filhos, sendo eles 7 mulheres e 5 homens. Sr. João aprendeu com a esposa a escrever seu nome. Sem frequentar a escola, não foi alfabetizado, o que não o impediu de se destacar como empresário de sucesso na cidade.
Maria e João, quando se casaram, não tinham nada. Começaram do zero, segundo nos disse Tida Fernandes, uma das filhas do casal. Moraram em um rancho de capim até o nascimento do primeiro filho, momento em que conseguiram comprar um sítio denominado Sítio dos Currais. Ela ajudava o marido cuidando da casa e dos filhos. Além disso, tecia, fazia crochê e costurava as roupas de toda a família enquanto o marido se dedicava a trabalhar com o comércio de carvão.
Noutro momento, adquiriram uma casa na Avenida Ministro Gabriel Passos, onde instalaram a Serraria e Madeireira Nossa Senhora da Penha, ainda em funcionamento. Maria, sempre trabalhadora, abriu um armarinho de aviamentos em frente à nova casa. Depois, abriu um depósito de material de construção em sociedade com um genro e um dos filhos. Com o sucesso dos empreendimentos, o casal, aos poucos, adquiriu outros imóveis ao lado da residência. De acordo com Tida, na estrada ao lado, pela qual mais circulavam cavaleiros, eles compraram a casa do Agenor e a demoliram. Posteriormente, adquiriram as da Elza, do Toninho, a do Joaquim e, por fim, o terreno do Zé do Chiquito, marido da Sudária. Assim é que conseguiram construir uma casa para cada um dos filhos. Todos os irmãos passaram a morar perto uns dos outros. Nesse lugar, tal como acontece em outros bairros da cidade, foi dado o nome de Maria da Costa Fernandes à rua e a uma travessa onde moram membros de uma mesma família.
Ela nasceu em Resende Costa no dia 09/06/1930 e faleceu em 25/03/1985, poucos meses antes de completar 55 anos de idade. O marido, com 73 anos de idade, faleceu em 2003. Dos 12 filhos que tiveram, 7 já faleceram. Para os que até então não sabiam, tanto a rua quanto a travessa Maria da Costa Fernandes têm esse nome em memória de uma mulher que se estabeleceu no lugar cuidando da família e se empenhando nas atividades de crocheteira, bordadeira, costureira e comerciante.
[1] https://resendecosta.mg.gov.br/texto_lei/74618. Na página da prefeitura municipal que Dispõe sobre as áreas de abrangência do Programa Saúde da Família – PSF para os PSF’s I, II e III no âmbito do município de Resende Costa, o texto não menciona a Praça Nossa Senhora de Fátima, já que nela não há residências, somente a gruta que leva o nome da Santa, a Biblioteca Pública Municipal, a Câmara dos Vereadores, um Passinho e a enorme caixa d’agua da Copasa que nunca deveria ter sido construída ali, mas em outro lugar.
