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Água subterrânea na região de Resende Costa

11 de Junho de 2013, por Instituto Rio Santo Antônio

Ciclo hidrológico é o nome dado ao processo de circulação da água no planeta. No solo, tal conceito comporta uma fase superficial e outra subterrânea. A fase superficial é representada pela bacia hidrográfica, que é uma área drenada por um rio principal e seus afluentes e delimitada por divisores de água, as áreas mais altas da paisagem. A fase subterrânea, a bacia hidrogeológica, representa as águas que estão no subsolo, armazenadas nas rochas ou nos vazios (poros) do solo. Destaca-se que os aquíferos ou sistemas aquíferos, que compõem a bacia hidrogeológica, quase sempre não coincidem com os limites dos divisores topográficos das bacias hidrográficas.

As águas subterrâneas quando chegam à superfície, em um ponto específico, recebem o nome de nascentes ou olhos d’água. As águas subterrâneas possuem ainda outra função muito importante: alimentar o fluxo dos rios no período da estiagem, o chamado de fluxo de base. Assim, as águas subterrâneas representam a parcela do ciclo hidrológico que transita pelo subsolo de um sistema hidrográfico, sendo muito importantes na regulação da quantidade de água disponível em uma região, principalmente no período seco.

Aquífero é o nome dado a uma litologia (rocha) porosa e permeável, capaz de conter água suficiente para que possa ser captada, por exemplo, por meio de um poço. Em outras palavras, o aquífero é um material geológico capaz de servir de depósito e de transmissor da água armazenada. Resumida e simplificadamente, tem-se o aquífero livre, onde a água está em equilíbrio com a pressão atmosférica e com a qual se comunica livremente, e o aquífero confinado, localizado entre duas camadas de rocha impermeáveis. Assim, quando se faz uma fossa ou buraco e se encontra água, este é o aquífero livre. Desse tipo de aquífero provêm ainda as águas das nascentes. Já a água de poços tubulares profundos provém de um aquífero confinado.

A quantidade e a qualidade das águas em uma bacia hidrogeológica dependem do clima e dos arcabouços geológicos e hidrogeológicos. Minas Gerais apresenta uma significativa diversidade de tipos litológicos (rochas) e, consequentemente, um grande número de unidades aquíferas com características próprias e distintas.

Nas áreas de embasamento cristalino, com rochas graníticas (os calçamentos de paralelepípedos) e gnáissicas (pedras de construção), geralmente não são encontrados bons lençóis d’água subterrâneos, exceto se a rocha for muito fraturada e as fraturas estiverem interconectadas. Nesses aquíferos, a água ocupa fraturas e fendas abertas em rochas ígneas e metamórficas, que possuem baixíssima permeabilidade. Esse é o caso dos aquíferos da região de Resende Costa, que possuem pouca água armazenada.

Um exemplo disso: quando o sistema de abastecimento de água da cidade era realizado pela prefeitura municipal (até início da década de 80), utilizavam-se três nascentes e dois poços tubulares perfurados em 1964, com vazões de 2,5 e l,0 litros/segundo. Em mais dois poços perfurados pela COPASA, em 1978 e em 1998, as vazões foram de 0,37 l/s e 0,46 l/s. Destaca-se que essas são vazões muito baixas.

A COPASA, na década de 90, realizou um estudo sobre as águas subterrâneas no Estado: “Disponibilidades Hídricas Subterrâneas no Estado de Minas Gerais”. O município de Resende Costa está localizado no Sistema Aquífero Granítico-Gnáissico, que abrange partes do centro-sul e a faixa leste do Estado. Sobre a qualidade das águas consta que são predominantemente bicarbonatadas, cálcicas a calco-magnesianas e pela falta de circulação e pelo tipo de rocha, a água é na maior parte das vezes salinizada.

Portanto, na região de Resende Costa há baixa favorabilidade hidrogeológica, isto é, há pouca água disponível no subsolo. Assim, nesse contexto, no período seco, o fluxo de base é pequeno, provocando uma visível diminuição do volume (vazão) nos cursos d’águas e nascentes. Dessa forma, destaca-se a importância da preservação das áreas de recargas, onde há infiltração e permanência de água no solo, sendo essas principalmente as áreas com cobertura florestal nativa.

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