O Campeão Mineiro do interior é o Athletic Club de São João del-Rei
20 de Abril de 2022, por Vanuza Resende 0

Time do Athletic campeão mineiro do interior em 2022 (foto Emmanuel Pinheiro)
Uma campanha para ninguém colocar defeito. O Athletic Club, o Esquadrão de Aço, fez uma história incrível no Estadual. Representando São João del-Rei e região, o time comandado por Roger Silva surpreendeu. Foi o único a ganhar de todos os clubes do interior, teve a melhor defesa na fase classificatória e um dos artilheiros do Campeonato Mineiro.
Mais do que isso, o Athletic evidenciou que ficamos muito tempo sem um representante na região para levar o nome do Campo das Vertentes ao cenário esportivo. Cidades de vários craques, dos famosos “bons de bola” e que acompanhavam a distância, as cidades do interior, no estadual.
O Athletic construiu vitórias mínimas que surtiram efeito. Foram seis vitórias por 1x0. E duas goleadas: Pouso Alegre por 4x1; e 4x0 em cima da URT. As derrotas ficaram somente contra aqueles que se classificaram na final: Cruzeiro e Atlético, duas derrotas por 1x0. Com uma derrota para o Galo – um tanto quanto polêmica –, pois a penalidade máxima foi assinalada de forma, no mínimo, duvidosa. Contra o América, o Athletic buscou o empate e voltou de Belo Horizonte com um ponto.
Na semifinal, pressionou o Cruzeiro jogando com o regulamento a seu favor. Precisava de dois resultados iguais, mas não deu. O Athletic perdeu o primeiro por 2x0 e o segundo por 2x1, mas o bom desempenho arrancou elogios de Pezzolano, técnico do Cruzeiro.
Com um regulamento meio confuso, a Federação Mineira de Futebol(FMF), que estabeleceu final única no Mineiro, propôs dois jogos para a final do interior. O título de Campeão do Interior é atribuído desde 1965, após a inauguração do Mineirão. Foi e continua sendo nítida a diferença de investimentos dos três times da capital, América, Atlético e Cruzeiro, quando comparados aos times do interior. Assim, a FMF declara oficialmente ao clube de melhor campanha no geral, exceto os times de Belo Horizonte, o título de Campeão Mineiro do Interior.
Como em 2022 Athletic e Caldense ficaram entre os quatro melhores na fase classificatória, o regulamento prevê que os times façam a final com dois jogos para a decisão do Campeão do Interior. As duas equipes empataram nos dois jogos. O primeiro, em Poços de Caldas, em 1x1, e o segundo, disputado em São João del-Rei, terminou em 0x0. Na decisão por pênaltis, o Athletic venceu por 5x4.
Festa para a região das Vertentes, que foi falada e visitada tantas vezes durante o Campeonato Mineiro. Com o calendário de 2022 encerrado, o Athletic empresta alguns jogadores, se despede de outros e agradece ao elenco. Fica o trabalho para 2023, que será de calendário cheio, com jogos na Copa do Brasil, Brasileiro Série D e Estadual. O desafio do clube, que é SAF, é arrumar a iluminação do estádio Joaquim Portugal para receber jogos noturnos.
Até 2023, fica a saudade de acompanhar os jogos “do lado de casa” e a expectativa de, mais uma vez, o preto e branco unir atleticanos, cruzeirenses e americanos. Afinal, a torcida no interior vestiu uma só camisa!
Xiiii, deu zebra!
16 de Marco de 2022, por Vanuza Resende 0
Olha eu aqui escrevendo sobre animais de novo, em plena coluna esportiva! Mas é que quando eu saía apressada para trabalhar pela manhã, me deparei com ela: a zebra. Estava estampada em todos os jornais, noticiários televisivos e radiofônicos. A zebra, que sequer é natural do Brasil, se instalou lá no Sul. Fiquei curiosa para saber se ela encontrou com o cavalo paraguaio que tratei aqui em colunas passadas, mas nem deu tempo de pesquisar.
Pela Copa do Brasil, o Grêmio perdeu na primeira fase, 3x2, bom placar. Melhor ainda para o time do interior paulista, Mirassol, que, mesmo jogando com um atleta a menos no segundo tempo, recebeu a premiação desejada por qualquer time que disputa a Série C do Brasileiro. Se a zebra foi pro Sul, parte de Minas Gerais respondeu dizendo quem tem mais Copa do Brasil: tem 6.
E o pasto lá no Sul parece ser mais atrativo que os pães de queijo de Minas (mas, aí, todo o estado quer a zebra bem longe). Logo depois da eliminação do Grêmio, o Internacional também deu boas-vindas ao bicho listrado. O Globo, time do Rio Grande do Norte, eliminou os colorados. E não foi um gol só não... foram 2!!!
E ouso dizer que, por pouco, o bicho não se acostuma mesmo com o clima tropical, fazendo uma visita pela região Sudeste. O São Paulo empatou em 0x0 com a Campinense. Foi por muito pouco – graças ao regulamento, com o qual não concordo – que a zebra não chegou por lá também. Empate para mim não deveria favorecer ninguém. Se um time com estrutura de Série A não consegue vencer quem disputa a Série C, a marca da cal precisa ser usada.
Tudo bem. Sei que muitos vão discordar e dizer que a marca da cal é quase invisível em alguns campos. Realmente, os gramados que pertencem a alguns times parece que foram banquetes para a família da dona zebra... mas não justifica, pessoal. E digo mais: só é assim porque o futebol do interior não consegue respirar com a mesma ajuda dos grandes e poderosos times das capitais.
E mesmo sem essa ajuda, as surpresas sempre acontecem. Diga-se de passagem o Athletic de São João del-Rei, que faz uma campanha sensacional no Mineiro, podendo ser um dos clubes a enviarem uma zebra para qualquer lugar do país na Copa do Brasil de 2023.
Mas até lá vamos seguindo, pois o futebol em 2022 está apenas começando. Apesar das listas pretas e brancas e da identificação com o vencedor do Campeonato Brasileiro, Copa do Brasil e Supercorpa, o Atlético está bem satisfeito de passar bem longe da amiguinha gremista e colorada. Aliás, depois daquela disputa de pênaltis que envolveu 12 cobranças e a conquista do primeiro título em 2022, eu acredito que nem zebra, nem cavalo paraguaio passarão pela cidade, que é do Galo!
O fim de uma era, a permanência de uma história: Fábio
19 de Janeiro de 2022, por Vanuza Resende 0

O goleiro Fábio, ídolo da torcida do Cruzeiro, com a camisa da torcida Sangue Azul de Resende Costa (foto arquivo pessoal)
O atraso de uma matéria para um periódico, como o Jornal das Lajes, pode acontecer por diferentes motivos: fonte que não conseguiu enviar as respostas a tempo, matéria que precisa de apuração mais aprofundada, decisões que precisam ser tomadas em último momento... Para o tema da coluna “Papo de Esportes” deste mês do JL, pensei em destacar o ano de 2022 para América, Atlético e Cruzeiro. A primeira Libertadores do Coelho, a missão do Galo de manter o alto nível e os desafios de uma Raposa que se tornou o primeiro clube empresa do Brasil. Porém, adiei a escrita a fim de esperar o que aconteceria com a renovação contratual do Cruzeiro com o goleiro Fábio. Não veio! Uma notícia foi recebida como uma bomba para todos que acompanham o futebol.
O Fábio que vestiu a camisa estrelada por 976 vezes. O Fábio que carrega dois Campeonatos Brasileiros, três Copas do Brasil e sete Campeonatos Mineiros. Foi fácil ser Fábio com 12 títulos. Difícil foi ser o Fábio por dois anos consecutivos na Série B. Esse mesmo Fábio jogou em um clube com uma dívida milionária e sentiu os reflexos, dentro e fora das quatro linhas, de uma crise política e financeira sem precedentes na história do Cruzeiro.
Ao longo de 17 anos, o Fábio não apenas vestiu a camisa 1. Ele fez, meus amigos e amigas, o que só quem marca a história faz: honrou a camisa, de peso, com toda certeza. Veio para tirar o que chamaram de maldição do Dida. E substituiu o goleiro com louvor. No entanto, com uma diferença: não vestiu a camisa Canarinho. Talvez por isso tenha escolhido fazer do Cruzeiro a sua seleção.
Fábio é de longe o maior jogador dos últimos tempos do Cruzeiro e do futebol brasileiro. Tornou-se líder dentro de campo e ídolo dos torcedores. Comemorou junto com os nove milhões a compra do clube por Ronaldo Fenômeno, que, por ter começado no Cruzeiro, acreditaram que a paixão, que move o futebol, ia se fazer presente em decisões de tamanho impacto.
Não foi assim, não vai ser assim. A torcida do Cruzeiro começa a viver um luto. A primeira fase é de não acreditar no que aconteceu. A raiva e a tentativa de negociação também vieram nos primeiros momentos da notícia de que Fábio encerraria seu ciclo na Raposa, por decisão da SAF Cruzeiro. Mas o que parece mesmo é que só resta aceitar o fim de uma era. Contudo, a aceitação terá um preço, meus caros, talvez maior do que a vultosa dívida do clube. Os cifrões que a atual diretoria precisa arrecadar não chegam perto do desrespeito e da ingratidão que a SAF Cruzeiro teve com um dos maiores nomes do futebol brasileiro.
Apesar de tudo, eu não diria o fim de uma história, porque o que foi construído entre Fábio e Cruzeiro e Cruzeiro e Fábio não tem fim. Os efeitos vão surgir, quem vier para defender as cinco estrelas do Camisa 1 vai carregar o peso do sucessor de Raul e Dida. E por mais que possa defender até as bolas indefensáveis, não vai ouvir da arquibancada do Mineirão, que “o Fábio é o melhor goleiro do Brasil”. Esse grito só será dirigido a ele.
Fábio, mesmo sem escrever os “palavrões de carinho”, a torcida do Cruzeiro garante: “é o melhor goleiro do Brasil, Fábiooo!”
O futebol e a expressão cavalo paraguaio
17 de Novembro de 2021, por Vanuza Resende 0
Entre tantos memes que recebi e acompanhei nas redes, o tal do cavalo paraguaio foi recordista. O amigo internauta sabia que o Galo tinha perdido alguma coisa, e os que gostam de futebol sabiam que o Atlético Mineiro tinha sofrido uma das maiores ironias do mundo da bola: perder, sem perder. Perdeu a chance de classificação, mas não perdeu nenhum jogo, empatou. E, sei lá, mas tenho pra mim que o “quase” é pior do que o “passou longe”. Pelo menos, tive essa impressão lá no 27 de setembro.
Um mês depois, estava lá na minha linha do tempo o cavalo paraguaio de novo. Mas que coisa! Eu já vi muito cachorro invadir campo, em especial na Libertadores, mas cavalo não, uai. E nem era Libertadores para ter um doguinho caramelo. Era Copa do Brasil. E, dessa vez, o animal era do Flamengo. Mudou de dono em trinta dias. E eu mudei a opinião.O ‘passar longe’ e ser goleado na semifinal – em que você era o favorito – é pior do que ficar no “quase”.
O programa de esportes, após a eliminação do Flamengo, poderia ter começado de tantas formas que eu nem sei calcular. Mas preferi começar explicando isso aqui: “Lá em 1933, contrariando todas as expectativas, ‘Mossoró’, um cavalo pernambucano de descendência paraguaia, acabou vencendo a prova no Hipódromo Brasileiro, situado no Rio de Janeiro, e arruinando o prognóstico dos mais experientes apostadores. E aí, toda vez que um time inesperadamente conquistava vitórias, os cronistas esportivos anunciavam a presença de um ‘cavalo paraguaio’. Nesse caso, espera-se do time chamado de ‘cavalo paraguaio’ uma queda de rendimento no final da competição. Dessa forma, acabam frustrando os seus torcedores e deixando que times de maior regularidade encabecem o campeonato”. Para falar verdade, acredito que depois da vitória de 1933, o Mossoró só perdeu, e já sabemos que perder pode significar empatar.Aí sim fica mais claro o porquê da expressão!
Entre justificar o motivo da eliminação dos favoritos e listar que nem mesmo a volta de Bruno Henrique e Gabigol ao time do Flamengo surtiram efeito para uma defesa espetacular do Athletico-PR. Um 2x2 em Curitiba não serviu de lição.Então, meu caro, receba aí um 3x0 para acordar para o jogo, os próximos, é claro. Do lado do Galo, a torcida elegeu seus culpados: Nathan Silva tinha mesmo que perder pro Véron? Até podia, se não fosse desse lance o gol palmeirense. E, claro, sem esquecer da pipoca que Hulk serviu e errou na marca da cal, não dá!
Por isso, ao invés de estender a justificativa, preferi explicar a tal expressão. Passadas as eliminações de Atlético na Copa Libertadores, e Flamengo na Copa do Brasil, espero fortemente que o Atlético largue para lá isso de querer ter outro bicho e fique apenas com o Galo. E por falar em bicho, entre Urubu e Porco, fico é com o Mossoró!
O Cruzeiro deve se tornar um clube empresa! E aí, o que muda?
15 de Setembro de 2021, por Vanuza Resende 0
Às vezes a única coisa que se quer é uma solução para uma fase que parece interminável. E é por isso que aqui eu chamo: “Alô, torcida cruzeirense! Tô escrevendo para vocês e, claro, para todos os torcedores das equipes de futebol endividadas.” E são muitas. Foi sancionada recentemente pelo presidente Jair Bolsonaro a lei do clube-empresa, que autoriza os clubes do futebol brasileiro a se transformarem em Sociedade Anônima do Futebol (SAF), o que pode ser o principal caminho para os clubes saírem da crise e tentarem uma reestruturação financeira.
O cruzeirense, que viveu momentos excepcionais em 2013 e 2014, não imaginava que o clube passaria, de forma tão rápida, para um estado drástico. Dívidas, cobranças de vários profissionais, a primeira queda para a segunda divisão do campeonato nacional e, pior ainda, a permanência na Série B. Com um futebol muito limitado, a torcida conta com os patrocinadores, em especial com o patrocínio máster do Pedrinho, dono da Rede Supermercados BH, que salva como dá. Como diria meu avô: “uma peleja que só”. Cá pra nós, os torcedores, que “não ganham nada” vendo o jogo, sofrem no grau máximo. Penso no que sente Pedrinho ao acompanhar as partidas...
Ainda há muitas especulações sobre as mudanças com a lei, mas o que podemos analisar nesse primeiro tempo é: o atual modelo, de acordo com o qual a maioria dos clubes brasileiros funciona hoje, é um convite para a corrupção. Geralmente, uma chapa é eleita por um grupo de sócios e os dirigentes eleitos assumem cargos administrativos não remunerados, pelo menos no papel. E aí surgem gestores mais preocupados com os resultados em campo do que fora dele. Foi exatamente o que aconteceu com o Cruzeiro. Enquanto a torcida celeste comemorava, na última década, dois Brasileiros, duas Copas do Brasil e quatro Estaduais, a corrupção corria solta. A cada grito de “é campeão”, os investimentos pesados em jogadores de alto nível com o tempo se mostraram impagáveis. A conta sobrou para os torcedores, que estão pagando caro por todos os títulos tão comemorados. Há quem diga que é a arrogância sendo castigada.
Entre os principais objetivos do clube-empresa, deveria constar a permissão da exploração econômica de ativos, incluindo estádios e centros de treinamento. Com isso, o Cruzeiro poderia fazer dinheiro com os patrimônios. Outro detalhe importante é a separação do Cruzeiro como instituição do Cruzeiro clube de futebol. Outra coisa: a lei prevê regras de parcelamento de dívidas, além de permitir que as obrigações civis sejam separadas das trabalhistas, sem repassá-las a essa nova empresa que será criada com as novas regras. Em 2020, os torcedores cruzeirenses se assustaram com a possibilidade do time começar do zero, ou melhor, na Série D, depois de decretar falência e se tornar clube-empresa. Mas a medida drástica de começar nas últimas competições não deve ser tomada, nem pelo Cruzeiro, nem por qualquer outro clube.
Eu ainda acho essas regras um tanto burocráticas, mas, ouvindo especialistas, dá para confiar que essa é a saída mais próxima para o Cruzeiro, enfim, se libertar dessa fase tão crítica. Mas futebol vai ser sempre futebol e a gente sabe que os bastidores importam e muito. No entanto, meus amigos e amigas, não há lei e brechas que possam resolver o apresentado dentro das quatro linhas. E se as leis são ainda confusas, dentro de campo é claro: o Cruzeiro vai precisar, e muito, dos ensinamentos do professor!