Já próximo à Semana Santa, no entanto, a edição deste mês do JL destaca o Carnaval 2025 em Resende Costa e São João del-Rei com reportagens especiais. O RC Folia durou doze dias com uma programação diversa, oferecendo ao público desfiles de blocos, shows, apresentações de DJs e atrações infantis entre os dias 21 de fevereiro e 4 de março.
Neste ano, uma homenagem uniu São João del-Rei e Resende Costa através do samba. A G.R.E.S Vem Me Ver, tetracampeã do Carnaval são-joanense, levou à Avenida Tancredo Neves o enredo com o tema “Tapetes: do tear imortal a capital nacional”. A escola de samba desfilou no dia 1º de março e encantou o público com uma fascinante “viagem por diferentes épocas e continentes, mostrando o papel dos tapetes e tecidos na construção de impérios, no fortalecimento de economias e na manifestação artística dos povos. ‘Da Pérsia antiga à Índia, do Egito à Rota da Seda, chegamos ao Brasil, onde a tecelagem encontrou solo fértil, especialmente em Resende Costa, a Capital Nacional do Artesanato Têxtil.’”
O pentacampeonato estava nos horizontes da Vem Me Ver, que, por quatro décimos (0,4), perdeu o título para a Bate Paus, quebrando-se uma era de hegemonia no Carnaval de São João del-Rei. O desfile das escolas de samba revelou a potência cultural da cidade histórica que investiu recursos financeiros e criatividade por meio da Secretaria de Cultura e Turismo, tanto no desfile quanto no carnaval de rua. O resultado desse investimento, promovido pela nova administração municipal, é o retorno do tradicional carnaval são-joanense na mídia e no gosto dos foliões. A cidade merece ter novamente a cultura como destaque após longos anos relegada ao ostracismo por sucessivas administrações municipais.
Em Resende Costa, o destaque foi, mais um ano, o pré-carnaval com os tradicionais blocos, a bateria do Rifugo e a fanfarra Furiosa arrastando e animando os foliões pelas ruas da cidade. O sucesso dos blocos, durante oito dias consecutivos, confirma o gosto do público pelo carnaval tradicional, que vem se consolidando por todo o país, desde as cidades históricas de Minas até as grandes capitais, como Belo Horizonte, Recife, Rio de Janeiro e Salvador. Por ser uma festa popular, a cada ano surgem novas tendências e ritmos para todos os gostos. O axé e o samba ainda predominam, mas o contestado funk vem garantindo o seu espaço na folia, ratificando a pluralidade cultural brasileira presente na música e em tantas outras manifestações artísticas.
Reportagem da edição de 28 de fevereiro da revista Veja mostra a pujança econômica e cultural da festa momesca no Rio de Janeiro, que caminha a passos largos rumo ao que a matéria chama de “profissionalização do carnaval”. A cidade planejou receber neste ano 8 milhões de foliões, sendo 300 mil estrangeiros. A previsão era de injetar 5,5 bilhões de reais na economia, fazendo o carnaval carioca consolidar o título a ele atribuído de “o maior espetáculo da Terra”.
O carnaval é uma eclética vitrine da cultura popular brasileira. Se bem administrado pelo poder público e instituições organizadoras, pode se tornar um grande atrativo turístico, além de impulsionar a economia de diversas cidades de pequeno e médio portes, como Resende Costa e São João del-Rei. Nessas cidades turísticas da região das Vertentes - que neste ano se irmanaram em torno de um mesmo samba-enredo em reverência à história milenar do tapete e do artesanato têxtil -, a festa de Momo já é consagrada, conhecida e procurada pelos foliões. Basta, portanto, incentivar as tradições e investir em projetos inovadores capazes de melhorar a infraestrutura e a segurança do evento. Quando, pois, o poder público valoriza a cultura e acredita no seu potencial transformador e agregador, o sucesso pede passagem.