Aposta na “direita moderada”


Editorial

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O Brasil foi às urnas no dia 6 de outubro para escolher 5.569 cargos de prefeitos e cerca de 58 mil vereadores para compor as Câmaras Municipais. O saldo do primeiro turno mostrou o fortalecimento do chamado Centrão (PSD, MDB, PP, União Brasil, PL e Republicanos), que abocanhou cerca de 72 milhões de votos contra 23 milhões da esquerda (PSB à frente). Um “ajuntamento”, como disse um analista político, que passou ao largo da polarização entre bolsonaristas e lulo-petistas.

Da mesma forma, na microrregião do Campo das Vertentes (com sede em São João del-Rei), prevaleceu a centro-direita (ou direita moderada), conforme análise publicada nesta edição do Jornal das Lajes. Tendo em conta apenas o cabeça de chapa (não considerando as coligações), o Partido de Renovação Democrática (PRD) elegeu seis prefeitos, seguido do Partido Social Democrático (PSD) com cinco; do Movimento Democrático Brasileiro (MDB), três; do Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB), dois; e com um prefeito cada os partidos PL (Partido Liberal), REDE, Partido Socialista Brasileiro (PSB) e Solidariedade.

Em Resende Costa, os eleitores optaram por manter o projeto político iniciado em 2012, sob a liderança de Aurélio Suenes Resende, numa parceria envolvendo partidos como o MDB, o PSD, o PSDB (cujo diretório local atualmente se encontra desativado) e mais recentemente o PL. É nesse contexto que pode ser vista a eleição do vice-prefeito em exercício, Lucas Paulo. Para além da coligação com MDB e PL, ele teve o apoio do núcleo municipal do PSDB, que, enquanto partido em atividade, elegeu José Gouvea Filho, o Zinho Gouvea, nas eleições de 2020. “Entramos para a história, batemos recorde de votação. Mas a responsabilidade é grande, teremos que retribuir toda essa confiança da população”, declarou o prefeito eleito logo depois da eleição e em entrevista ao Jogo Aberto desta edição.  

Já Aurélio Suenes resolveu enfrentar um novo desafio, ao disputar a eleição em São João del-Rei, numa coligação bem alinhavada entre PL, NOVO e o PSDB de Aécio Neves e Rômulo Viegas. Um resultado, surpreendente para alguns, que representa a vontade de mudança por parte da maioria (mais de 50%) dos eleitores. Em entrevista a Fábio da Silva do Pop News (08/10/2024), Aurélio valorizou a sua experiência como vereador e, principalmente, prefeito (dois mandatos) em Resende Costa, pelo seu lado “bastante desafiador” em época de arrumação da casa e de crise econômica. “Isso nos deu clareza de como lidar com uma administração na qual as pessoas tinham esperança de renovação e ao mesmo tempo desconfiança (frente à velocidade aquém do esperado).” Mas parcerias e recursos de deputados e dos governos estadual e federal acabaram “ajudando bastante a organizar a casa e a dar resultado para a população”, o que aponta um caminho a seguir. Resta saber se a eleição de Aurélio representará o fim da era Nivaldo em São João del-Rei. O tempo dará esta resposta. 

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