Voltar a todos os posts

Carta de Lisboa (2025): O filme de 1914 e a nova versão do sonambulismo (!?)

24 de Outubro de 2025, por José Venâncio de Resende

Meu encontro do ano com Maria Luisa, tataraneta de José de Resende Costa (filho).

Caro leitor,

Mais um ano que chega ao fim. Talvez esta seja uma das minhas últimas cartas de Lisboa. Tenho a sensação de que a Europa vive uma situação ambígua entre quase estagnação econômica e preparativos para uma grande guerra contra a Rússia, fruto de retroalimentação entre governantes (políticos, militares) e mídia (jornal, televisão, rádio, internet). Acredito que a Europa esteja entrando em estado de prontidão para um eventual conflito com os russos. Seria desastroso não apenas para a Europa, mas para o mundo em geral.

Ultimamente, os céus europeus (principalmente de países do leste e norte) andam infestados de drones de origem desconhecida (?). Até levou os países da União Europeia a estudarem a criação de um “escudo anti-drones”, numa política mais reativa do que pró-ativa. Não se resume apenas a invasão de drones. Já se fala de “guerra híbrida” que abrange corte de cabos submarinos, ciberataques em aeroportos e centros logísticos, presença de caças MIG em espaço aéreo e interferência em eleições.

O clima entre Europa e Rússia anda bastante crispado e, para azedar ainda mais o humor, o autocrata Vladimir Putin, numa entrevista recente, disse que Moscou não tem drones com capacidade para atingir Lisboa (na costa Atlântica) nem Lisboa tem os "alvos necessários". Ironia sinistra? Recado? Não bastasse isso, o primeiro-ministro húngaro Viktor Orbán, quinta-coluna russo na União Europeia, resolveu patrocinar um encontro, em Budapeste, entre os srs. Trump e Putin para discutir um acordo de cessar-fogo imediato (“congelamento da guerra”) na Ucrânia como primeira fase de um acordo de paz mais amplo.

Perda de tempo? O encontro foi cancelado porque o entusiasmo de Donald Trump se arrefeceu diante da manifesta intransigência do sr. Putin (o presidente norte-americano costuma dizer que conversas com o chefe russo são boas, mas não levam a lugar algum). Um alívio para a Europa que corria sério risco de ser desmoralizada em sua própria casa. Afinal, o sr. Putin teria de ser preso (e não festejado) na Hungria porque há um mandado de detenção emitido contra ele pelo Tribunal Penal Internacional.

Mas voltemos ao início. Recentemente, o renomado economista italiano e ex-presidente do Banco Central Europeu, Mário Draghi, autor há um ano de um relatório com propostas para a União Europeia, advertiu que o continente vive sob ameaça, não apenas na sua competitividade econômica como também na sua própria soberania. Uma ameaça que vem de dentro e de fora do continente. A Europa parece um gigante de pés de barro.

O que está em jogo? A tranquilidade dos cidadãos no seu cotidiano e o ambiente favorável a um crescimento sustentável e sadio que beneficie todos, inclusive os países fora das fronteiras europeias. O próprio Mário Draghi lamenta que a Europa esteja a se resignar a ficar, perigosamente, para trás dos concorrentes EUA e China. Mas não se pode esquecer que a Europa ainda é uma região rica; um grande mercado para produtos exportáveis de outros países inclusive o Brasil, embora o velho continente tenha perdido a ambição pelo crescimento econômico.

A ameaça interna (na Europa) é a falta de consenso entre os países que compõem o bloco inacabado (a União Europeia não é uma federação de estados como são os Estados Unidos e o Brasil). As decisões que contemplam todos são difíceis, demoradas, quando não equivocadas (basta ver a dificuldade de zerar a dependência de combustível da Rússia ou de se libertar do guarda-chuva militar dos Estados Unidos ou ainda de se utilizar os ativos congelados de milionários russos para pagar os custos da guerra). Os recursos dos fundos europeus são mal direcionados e muitas vezes desperdiçados em prioridades discutíveis. Daí porque os países mais ricos são resistentes em contribuir para alimentar estes fundos de apoio ao desenvolvimento dos países mais pobres (Portugal, por exemplo).

Ameaça externa

O problema não está apenas na economia. A Europa sente-se ameaçada militarmente pela Rússia do sr. Putin, que invadiu a Crimeia em 2014 e a Ucrânia, há pouco menos de quatro anos, com a ambição inicial de anexar o país vizinho em uma semana. A Europa nada fez no primeiro caso e manteve uma atitude frouxa na agressão russa contra a Ucrânia, deixando a liderança e as iniciativas para os Estados Unidos. A guerra se arrastou até hoje e a meta russa de anexação foi reduzida para cerca de 20% do território ucraniano (região do Donbass, Kherson e Zaporíjia) graças à resistência heroica dos ucranianos.

O sr. Putin criou a narrativa de que os culpados são o país invadido e os que o apoiam. Com a eleição do sr. Trump, “amigo” do sr. Putin, agora a Europa está pressionada por dois lados. De um lado, vive o dilema da constante ameaça russa às fronteiras europeias do leste e do norte; de outro, sofre pressão dos Estados Unidos para pagar a conta da sua defesa (e mesmo a da Ucrânia) no âmbito dos países-membros da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN ou NATO na sigla em inglês).

Terá a Europa acordado diante da real ameaça de um vizinho experiente, manhoso e perigoso? Nas reuniões mais recentes da União Europeia e da OTAN, parece que houve disposição de avançar com decisões concretas sobre a defesa do território continental (1.340 km de fronteira com a Rússia). Definiu-se um pacote de investimentos de 800 bilhões de euros, tendo como horizonte o ano de 2030, em áreas de capacidade militar como defesa aérea, Inteligência Artificial, mobilidade, drones e combate terrestre. Os objetivos são dissuasão e resposta a agressões externas e reforço da independência militar, sempre de olho nas ações russas e nas omissões americanas. O mais urgente seriam compras conjuntas (basicamente importações) de armas e equipamentos, representando 40% deste valor; já 55% seriam alocados em empresas europeias e ucranianas. *

Meu ceticismo passa por algumas dúvidas. Primeiro, quanto à capacidade de a Europa ter uma política única de defesa (investimentos maciços nas forças armadas e em equipamentos militares), dada a autonomia dos países-membros e a resistência dos “quintas-colunas” (governantes amigos do sr. Putin). Além das divergências políticas, os governantes europeus eleitos livremente terão de convencer seus cidadãos da premência em desequilibrar a balança de guns versus butter, em outras palavras, maiores despesas com armas no orçamento em prejuízo de programas sociais. A Europa continuará dependente do guarda-chuva dos Estados Unidos ainda por um bom tempo, o que mantém o risco da acomodação. E o humor e as decisões do sr. Trump continuarão a oscilar entre um telefonema e outro ao seu “amigo” sr. Putin, o que acresce incerteza quanto ao futuro.

Acredito em anos difíceis à frente, principalmente se os europeus forem incapazes de implantar um sistema autônomo de defesa, que ultrapasse os interesses domésticos dos países do continente. O alinhamento automático entre Estados Unidos e União Europeia está pendurado por um fio tênue. O sr. Trump não gosta do bloco (prefere tratar com países isolados) e, a depender do poder de persuasão do sr. Putin (o poder sedutor dos telefonemas), sucumbirá ao desejo do autocrata russo de isolar a Europa. Tendo sido palco de duas guerras mundiais, a Europa não estará livre de uma terceira em condições bastante desfavoráveis.

O inimigo

Para atender os objetivos de anexar territórios ucranianos e, possivelmente, de outros países fronteiriços, a Rússia mantém uma “economia de guerra” e intensifica as hostilidades contra a Ucrânia (a guerra é para continuar, defende a imprensa nacionalista russa em sintonia com o governo). Mesmo sofrendo boicotes econômicos em série (o mais recente impõe sanções duras contra a “frota-fantasma” e os setores bancário e energético) que a Rússia vai conseguindo atenuar com o apoio de China, Irã, Coreia do Norte e outros aliados dos BRICs (bloco que o Brasil integra).

A Europa passou a ser o verdadeiro inimigo russo na medida em que União Europeia e NATO assumiram o compromisso de defender a Ucrânia invadida. Por seu lado, a NATO e a União Europeia elegeram o autocrata russo seu principal inimigo, na crença de que as ambições de Putin não param nos territórios anexados da Ucrânia. Reuniões atrás de reuniões no espaço europeu discutem estratégias e ações para conter o ímpeto expansionista russo. Definidos, assim, quem são os inimigos, o continente fica mais perto de uma guerra mais ampla, versão Terceira Guerra Mundial.

A “coalizão da boa vontade”, criada por alguns países para contornar obstáculos no interior da NATO e da União Europeia e alargar o apoio à Ucrânia, ainda apresenta poucos resultados concretos, para além de reuniões e declarações aos meios de comunicação. De qualquer forma, os países-membros da União Europeia sentem-se impelidos a uma “economia de guerra”, que ironicamente poderá contribuir para aquecer a economia continental. Sempre de olho na experiência ucraniana no terreno à base de luta, sangue e perdas materiais. Até por questão de sobrevivência, a Ucrânia desenvolveu uma indústria bélica moderna, focada principalmente na produção de drones e mísseis mais baratos e mais eficientes. Mas não o suficiente para impedir a agressão russa porque depende de certos tipos de armamento que precisam ser importados.

Enquanto a Rússia intensifica a pressão sobre o território ucraniano, a Europa mantém-se cautelosa para evitar uma “escalada” e as ações dos Estados Unidos continuam a mercê do “capricho” e da “inconstância” do sr. Trump (definição da imprensa nacionalista russa) e talvez de novos telefonemas ao sr. Putin. A Rússia vai pagando pra ver ao invadir aqui e acolá o espaço aéreo dos países fronteiriços e ao provocar o caos, com a “mão do gato”, em sistemas eletrônicos vitais por meio da guerra híbrida. Esta “timidez” da NATO, como cita a revista The Economist, leva a Europa ao risco de entrar sonâmbula em uma guerra maior.

Qualquer que venha a ser o acordo entre os senhores Trump e Putin para parar a guerra – a condição russa é que o sr. Zelenski aceite perder territórios - a Europa será a grande derrotada. Desde que retornou à Casa Branca, o sr. Trump tem feito jogo duplo, quase sempre pendendo mais para o lado do sr. Putin, que busca neutralizar a pressão da União Europeia em favor da Ucrânia. Consiga (ou não) este intento, a Rússia do sr. Putin continuará a ser um vizinho incômodo e nada confiável para os europeus, sobretudo se houver a capitulação da Ucrânia. Daí porque a União Europeia não pode vacilar em se precaver contra uma próxima agressão russa, com grande probabilidade de a “vítima” ser algum território do continente europeu.

A invasão russa de territórios ucranianos, as movimentações dos quintas-colunas pró-Rússia no interior da União Europeia e a ambição imperial do sr. Putin deveriam levar a Europa a repensar seriamente o seu futuro. Mudar a forma de decisões no seio da União Europeia (acabar com a exigência de unanimidade, por exemplo), acelerar novas adesões ao bloco inclusive da Ucrânia, criar uma economia de guerra, tal como fez a Rússia, e se preparar para o pior.

Sonâmbulos

Isto me reporta ao livro Os Sonâmbulos (de Christopher Clark)**, que acabo de ler, sobre os anos anteriores à Primeira Guerra Mundial. A Sérvia era grande rival do império Habsburgo da Áustria-Hungria, que abarcava parte de territórios eslavos como a Bósnia-Herzegovina, contrariando assim o sonho de se criar a “Grande Sérvia eslava” na região balcânica. Depois da segunda Guerra dos Balcãs, a Sérvia fortaleceu-se e aumentou a pressão pela união dos povos eslavos do sul.

Defensora do pan-eslavismo, a Rússia apoiava a Sérvia na política nacionalista de unificação eslava baseada em uma “comunidade étnica, cultural e linguística”, que se estenderia a partes do império austro-húngaro. Para além do apoio à política nacionalista sérvia, a Rússia tinha outro objetivo em vista: conseguir o controle dos “Estreitos Turcos” (Bósforo e Dardanelos), estratégicos para o seu comércio. Assim, os seus inimigos eram o império austro-húngaro e o império otomano (que controlava os estreitos).

A Sérvia conspirava à luz do dia contra o império austro-húngaro, que anexara a Bósnia Herzegovina, e o governo sérvio fazia vista grossa à existência de redes terroristas como a Mão Negra (que estava infiltrada na burocracia do Estado). Movimento este que era sustentado fortemente pela imprensa nacionalista e chauvinista.

A Rússia, que apoiava a Sérvia, fazia parte da chamada Entente (tríplice aliança) com a França e a Grã-Bretanha. E a França fornecia créditos a rodo para a Rússia reformar as suas forças armadas (principalmente a marinha). Mas o verdadeiro inimigo francês (como também britânico) era a Alemanha (aliada do Império da Áustria-Hungria), que assombrava as duas potências colonialistas por sua inclinação expansionista.

Antes da Primeira Guerra Mundial, os dois blocos rivais difundiam a versão de que agiam reativamente, mas praticavam a “política de potência” (pró-ativa); estavam todos se armando até aos dentes e monitoravam uns aos outros para ver quem atacaria primeiro. Em outras palavras, preparavam-se para a guerra geral, sempre na expectativa de que o lado oposto tomaria a iniciativa, mas ao mesmo tempo esperavam qualquer pretexto para atacar.

Foi nesse ambiente tenso que aconteceu, em 28 de junho de 1914, o duplo assassinato, em Sarajevo (capital da Bósnia-Herzegovina), do herdeiro do império austro-húngaro, Francisco Fernando e sua esposa Sofia. A Áustria começou a investigar os responsáveis pelos crimes (vinculados à Mão Negra), mas enfrentou a resistência da Sérvia em colaborar. Eram manifestas a indiferença, a tergiversação e a falta de vontade do governo sérvio em investigar a conspiração, bem como a negação da existência de uma imprensa nacionalista, enquanto se multiplicavam comemorações populares aos assassinatos. 

O governo sérvio alegava não haver provas da existência de redes terroristas nem admitia o seu envolvimento, além de desconsiderar a ideologia dos assassinos e apontar a impopularidade do futuro imperador entre os eslavos do sul do império. O ultimato da Áustria para que a Sérvia colaborasse nas investigações levou, como consequência, à reação da Rússia, que considerava uma humilhação os sérvios se capitularem perante a pressão austro-húngara. A Sérvia respondeu os outros itens do ultimato, mas não atendeu à principal reivindicação, o que os austríacos consideraram insuficiente.

Assim, a Rússia passou a ver a questão como um conflito maior (não apenas entre sérvios e austro-húngaros) e buscou garantir o apoio da França (e vencer a resistência da Grã-Bretanha) numa eventual guerra contra a Áustria-Hungria, apoiada pela Alemanha. Os germânicos, por seu turno, acreditavam que o conflito seria limitado à Áustria-Hungria e à Sérvia e buscavam demover os britânicos a participarem da guerra geral. Mas foi a violação do território da neutra Bélgica pelos exércitos alemães, para atacar a França na frente ocidental, que levou a Grã-Bretanha a entrar na guerra da Entente contra as “potências centrais” (Alemanha, Áustria-Hungria e Império Otomano).

Enquanto o “som das botas, o ruído dos cascos de centenas de cavalos, o motor dos camiões e o ranger das rodas metálicas das peças de artilharia (…) passavam sob as janelas dos apartamentos”, certamente não apenas no centro de Paris, cidadãos “estavam deitados sem dormir ou assomavam sonolentos à janela assistindo àquele espetáculo noturno”. Era o início da Primeira Grande Guerra. Governantes diziam que se viram obrigados a tomar decisões “sob a pressão da opinião pública”. Mas soldados e civis dos Estados beligerantes não estavam persuadidos de que travariam uma guerra defensiva, “resultante do fato de os seus países terem sido deliberadamente atacados ou provocados pelo inimigo”, depois de seus governos terem feito de tudo para manter a paz. Com os grandes blocos de aliança às portas da guerra, perdia-se de vista a origem da conflagração. “Ninguém parece recordar que há poucos dias ainda a Sérvia desempenhava um papel determinante nos acontecimentos. Hoje, é como se tivesse desaparecido de cena”, registrou a 2 de agosto em seu diário um diplomata americano em Bruxelas. Em outras palavras, os convocados e suas famílias das potências envolvidas na guerra não sabiam quem era o inimigo, “Afinal contra quem estamos lutando?

Ao longo das décadas posteriores, ante as tentativas de buscar culpados, o autor conclui: “A crise que conduziu à guerra em 1914 foi fruto de uma cultura política partilhada. Mas foi também multipolar e autenticamente interativa: é isso que a torna o acontecimento mais complexo dos tempos modernos, e é por isso que o debate sobre as origens da Primeira Guerra Mundial continua, depois de passado um século desde que Gavrilo Princip desferiu os seus dois tiros mortais na Rua Francisco José”.

De qualquer forma, quaisquer que sejam as causas da Primeira Guerra Mundial, não se pode perder de vista o sonho acalentado da grande nação eslava e ortodoxa, que continua vivo, tanto por parte do governo russo quanto da Igreja Ortodoxa que sempre avalizou esta visão megalomaníaca. Ao ler a biografia de Dostoievski (por Joseph Frank), encontrei uma passagem na qual o escritor e religioso apoiava claramente a visão czarista da “Grande Rússia Eslava”, o que (se concretizada) açambarcaria territórios de grande parte da Europa oriental (ucranianos, poloneses, checos, eslovacos, búlgaros, sérvios, croatas, eslovenos, húngaros etc.). Ao invadir a Ucrânia, com o apoio decisivo da Igreja Ortodoxa, o sr. Putin foi beber desta água. Assim, está em jogo uma questão existencial tanto para a Rússia quanto para a Europa. Daí o temor europeu de que outras invasões estejam por vir; a acontecer isto, o velho manual dos capítulos seguintes já é conhecido de longa data.

Pílulas instigantes

-Este ano conheci a tataraneta do nosso José de Resende Costa (filho), Maria Luisa de Resende Tavares Neves Dias de Deus, que mora em Vila Nova de Santo André, no Alentejo português. Em seu degredo na cidade de Praia, capital do Cabo Verde, o inconfidente mineiro constituiu família; e seu descendente Marcelino de Resende Costa, militar, emigrou-se para Angola e em seguida para Portugal, fixando-se na freguesia de Cabanas de Viriato, município de Carregal do Sal, na região de Viseu. Maria Luisa, nascida em 9 de maio de 1946, no município português de Sabugal, é neta de Marcelino. O próximo passo será conhecer a sua irmã, Maria Isabel, que mora no Rio de Janeiro.

-Portugal realizou, em outubro deste ano, as eleições autárquicas (municipais), para renovar os mandatos de presidentes de Câmaras Municipais (Prefeituras) e Assembleias Municipais e de Freguesias. Em pronunciamento pouco antes das eleições, o presidente da República Marcelo Rebelo de Sousa reafirmou a importância das eleições municipais: “sem poder local forte, tudo o mais é como que um edifício sem alicerce”. Já o jornalista Miguel de Sousa Tavares, em seu comentário semanal na TVI (16/10/2025) logo depois das eleições, disse que “o poder autárquico está muito melhor, mudou de visão. E uma das coisas onde isso aconteceu é que eles estão a limpar quase que por completo o endividamento que tinham. (…) Há uma diferença engraçada: enquanto que a geração de políticos nacionais que está no parlamento ou no governo é pior do que as anteriores, a geração autárquica é melhor".

-O sonho acalentado por muitos de ver um dia tremulando a bandeira do estado palestino soberano no Oriente Médio, convivendo com o estado de Israel, ainda parece distante no horizonte. Após dois anos de guerra, um acordo de paz foi negociado ou “improvisado” pelos Estados Unidos com países como Egito, Catar e Turquia, portanto sem a presença da Palestina, do Hamas e de Israel, para pôr fim às mortes e à destruição na Faixa de Gaza. Mas continua capengando, na primeira fase, devido à entrega parcial dos corpos dos reféns e ações hostis das duas partes. Que pensar da segunda fase, mais difícil, que requer a desmilitarização da Faixa de Gaza, a criação de uma força de segurança e a instalação de um governo tecnocrata? Para além da aspiração geral por dois estados (Israel e Palestina), o sr. Trump está mais interessado em retomar os acordos bilaterais de Abraão (normalização árabe-israelense) até agora assinados entre Israel, Emirados Árabes Unidos e Barém, numa perspectiva de criar na região um ambiente favorável de negócios para os Estados Unidos.

*https://cnnportugal.iol.pt/videos/nao-existia-uma-estrategia-europeia-para-uma-russia-militarizada/68f0e38b0cf285ab53a61301

**Relógio D´Água Editores, julho de 2014, Lisboa, Portugal

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Deixe um comentário

Faça o login e deixe seu comentário