Contemplando as Palavras

A voz do rádio em Resende Costa

13 de Novembro de 2012, por Regina Coelho 0

Você sabe o que o Edson Tancão, a Dora Silva e o Elmo Coelho têm em comum? Quem os conhece bem vai certamente dizer que os três são atleticanos fanáticos. Ok! Isso é público e notório, mas eles cultivam também uma outra paixão, talvez menos conhecida por muitos: são ouvintes assíduos de rádio. Indagados sobre a média de horas diárias passadas na companhia fiel de seus aparelhos em funcionamento, as respostas variam bastante. “Como estou aposentado, acho que ouço diariamente duas horas de rádio. Quando ainda trabalhava e morava em Belo Horizonte, ouvia o Jornal da Manhã e o das 12:30 horas da Rádio Itatiaia. Ouço também a Itatiaia pelo canal 411 da Sky e quando viajo para fora de Minas, ouço a emissora pela internet”, afirma Elmo. Já Dora garante passar “umas dez horas por dia” na escuta de um de seus cinco rádios. Surpreendente é a resposta que Tancão dá ao dizer que passa vinte horas diárias ouvindo rádio. Espera aí, não é muito não, Tancão? Dormir deixando o rádio ligado (são quatro aparelhos que ele tem) não vale. Verdade é que gosto é gosto. Isso deve explicar também os oito aparelhos que o Elmo tem em casa (cinco aqui em Resende Costa e três em B.H.) e a revelação de que não pode ver um rádio que logo se interessa em comprá-lo.

Mas como esses ouvintes tão cativos levam a vida antenados a seus inseparáveis aparelhos de rádio? Veja o que eles contam aqui.
 
O começo                  

- Ouço rádio desde os 15 anos. (Tancão)

- Ouço rádio desde pequena. Aprendi a gostar disso com minha mãe. (Dora)

- Ouço rádio desde pequeno em razão de dois motivos: primeiro, porque ia diariamente à residência de meu avô materno (Sr. Alcides Lara), que gostava muito de ouvir rádio. Em segundo lugar, porque o meu pai (senhor Adenor Coelho) era comerciante e vendia rádios. Ele nos orientava (filhos que o ajudavam no comércio) a saber localizar as emissoras mais importantes da época (Rádio Aparecida, Rádio Globo, Rádio Nacional e Rádio Inconfidência) para que as mostrássemos aos clientes interessados na compra dos referidos aparelhos. (Elmo)
 
As favoritas

- A Rádio Inconfidência, pois ela só toca música popular brasileira. O programa “Bazar Maravilha” é o meu preferido. Gosto também da Rádio Itatiaia. Além do esporte, seus jornais são completos. Tem o programa “Café com Notícia”, de madrugada, de que gosto muito. São notícias de política, esporte, dicas de saúde, previsão do tempo e manchetes dos grandes jornais do país. E cito também a Alvorada, uma boa rádio com muita música e notícias. Todas são de B.H. (Dora)

- Itatiaia, Inconfidência, Record, Tupi, São João e outras. (Tancão)

- Minha emissora preferida sempre foi a Itatiaia, com seus noticiários e programas esportivos. Outras emissoras de que também gosto: CBN, e Globo. (Elmo)

Dizendo-se ouvinte assíduo da Rádio Itatiaia pela credibilidade e imparcialidade que ela passa ao ouvinte em seus noticiários e nas brilhantes jornadas esportivas que empreende, Elmo resume a opinião dos dois colegas de entrevista, que elegem “esporte e notícia” nas palavras de Dora e “mais informação e entretenimento”, segundo Tancão, como as justificativas principais na preferência deles e de muita gente pela “rádio de Minas”, a poderosa Itatiaia, uma das maiores do Brasil.
 
O rádio e o futebol

- Quem gosta de rádio e entende de futebol sabe direitinho os lances de emoção ou desespero. E ouvindo a Itatiaia, você fica sabendo os resultados de outros jogos também em tempo real. (Tancão)

- Eu gosto mais de ouvir futebol do que assistir. Acho mais emocionante. (Dora)

- Acompanhar o futebol pelo rádio é, com certeza, mais emocionante. Basta você ouvir os narradores da televisão e o Mário Henrique (da Itatiaia) narrando um jogo. A diferença é gritante. Você se sente dentro do estádio, participando de tudo. (Elmo)

Considerando a importância que o rádio representa na vida de cada um dos nossos entrevistados, Dora e Tancão lembram que através dele tomam conhecimento do que acontece no mundo inteiro, ao mesmo tempo em que não deixam de lado seus afazeres do cotidiano. Já Elmo destaca o indispensável papel que esse veículo de comunicação desempenha como prestador de serviços de utilidade pública. E mais uma vez a Itatiaia é exaltada por ele, que, quando vai a Belo Horizonte e se o trânsito fica complicado na chegada, deixa-se orientar pelas informações precisas emitidas pelos repórteres da emissora mineira.

Com a atenção voltada agora para a radiofonia local, não posso deixar de ressaltar a atuação da Rádio Inconfidentes, fazendo-se presente na vida de tanta gente em Resende Costa, nas redondezas e longe daqui pela internet. Mesmo sem a estrutura e a tradição e, consequentemente, a força e o alcance das gigantes aqui mencionadas, a Inconfidentes cumpre com acerto os objetivos a que se propõe em adequada sintonia com a sua já consolidada audiência junto à comunidade em geral.

A voz do rádio no Brasil

16 de Outubro de 2012, por Regina Coelho 0

Pesquisas recentes revelam que o rádio está presente em 52,1 milhões de domicílios brasileiros. Isso representa 171,9 milhões de ouvintes domiciliares e 91,3% dos lares de todo o Brasil equipados com o praticamente indispensável aparelho que propaga informações sonoras por meio de ondas eletromagnéticas. Embora hoje tenha sido suplantado pela televisão aberta, que é vista por 178,8 milhões de pessoas abrigadas em 54,2 milhões de domicílios, num total de 95,1% deles, o rádio segue firme como o companheiro diário de muita gente. E tem mais. Segundo estimativas, cerca de 80% dos automóveis, caminhões, camionetes e furgões possuem rádio AM/FM. Os números aqui mencionados são impressionantes pelo que representam num país de proporções continentais como é o Brasil, que celebra no corrente ano seus 90 anos de rádio.

Numa volta ao tempo, o 7 de setembro de 1922 ficou registrado como o dia em que foi realizada a primeira transmissão radiofônica oficial no país como parte das comemorações do Centenário da Independência. Na ocasião, o discurso do presidente da república Epitácio Pessoa foi transmitido para receptores instalados em Niterói, Petrópolis e São Paulo, através de uma antena instalada no Corcovado, Rio de Janeiro, então capital da república. Na verdade, precisamente 80 aparelhos de rádio captaram a programação daquele dia histórico. Naquele mesmo dia, além da abertura da Exposição dos 100 anos de Brasil independente, à noite, a ópera “O Guarani” (de Carlos Gomes) foi transmitida do Teatro Municipal para alto-falantes instalados no local da exposição, assombrando o público lá presente. Era o começo da primeira estação de rádio do Brasil, a Rádio Sociedade do Rio de Janeiro. Fundada por Edgar Roquete Pinto, a emissora foi doada ao governo federal em 1936, que a transformou na Rádio MEC.

O mesmo assombro diante daquela “caixa que falava” pôde ser observado aqui em Resende Costa anos depois. De acordo com meu primo Alair, um estudioso entusiasmado da história da cidade, os três primeiros rádios resende-costenses tiveram como proprietários o Abraão Hannas, o Alcides Lara (meu avô materno) e o Ozório Chaves. Tratava-se de um modelo chamado rádio-capela, de um metro de altura e um de largura, um móvel da casa, praticamente. Nos lares onde eles foram instalados, o povo fazia fila para conhecer aquela novidade. E havia o Pedro Maia, fazendeiro do Curralinho dos Paula, que, maravilhado com o aparelho e cético ao mesmo tempo, achava que tinha alguém dentro dele. Ressalte-se que, inicialmente, o preço de um aparelho e a demora na implantação de retransmissoras foram impedimento para que muitas famílias adquirissem um rádio.

Na trajetória histórica desse hoje poderoso meio de comunicação de massas (considerado agora como emissora), merece destaque a instituição, em 1935, do programa oficial do governo de Getúlio Vargas, “A Voz do Brasil”, transmitido até hoje em todo o país. Marcando época no rádio (e mais tarde na tevê), surgiu em 1941 o “Repórter Esso”, o primeiro radiojornal brasileiro. Sucesso total também tiveram os programas de auditório e seus ídolos da década de 40, a época de ouro, quando o rádio se tornou um veículo popular. Nesse cenário, as radionovelas foram um capítulo à parte, com adaptações de tramas internacionais, muitas vezes, como “O direito de nascer”, do cubano Félix Caignet, que ficou três anos no ar e chegou a ser chamada popularmente de “O direito de encher”. E bem antes de a televisão chegar ao país, o que ocorreu em 1950, o rádio já fazia suas transmissões esportivas levando o torcedor ao delírio com narrações antológicas, como as que marcaram os dois primeiros títulos mundiais para o Brasil, em 1958 (na Suécia) e 1962 (no Chile). Levar o torcedor a “ver” a partida pelo rádio é a mágica que os mestres da locução esportiva conseguem fazer.

É oportuno considerar que, apesar de ter sofrido um certo declínio em virtude do advento da televisão, o rádio no Brasil soube se adaptar aos novos tempos. E se nos seus primórdios as próprias características físicas do aparelho receptor faziam com que ele se mantivesse como um objeto de escuta coletiva em torno do qual a família se reunia, hoje ele pode ser levado facilmente a qualquer parte, até mesmo carregado no bolso do usuário. E se agora, em razão das muitas atribulações desta vida agitada, as pessoas já não se juntam mais para ouvir o rádio e conversar sobre as notícias do dia, elas o têm como a companhia fiel, seja para o trabalho, para o lazer ou para a solidão de certos momentos, especialmente o das madrugadas com seus insones ouvintes ou quase inevitáveis temores. E pensar que muitos decretaram o fim do rádio com a entrada da televisão no país, tornando-se também ela acessível à maioria dos brasileiros. Diferenças à parte ou por isso mesmo, o fato é que um não exclui a outra. Ainda bem!

Dando voz ao ouvinte, a presente matéria continua na edição de novembro próximo. Até lá!

Abreviações, abreviaturas e siglas

13 de Agosto de 2012, por Regina Coelho 0

As motos estão espalhadas hoje por toda parte. Consideradas antes um meio de transporte urbano, elas invadiram também a zona rural, substituindo muitas vezes carros e cavalos. Isso é público e notório, mas o termo “motocicleta” praticamente caiu em desuso. Por opção do falante, a forma reduzida “moto” vem ganhando espaço também entre os não tão jovens. O mesmo ocorre em abreviações como foto (fotografia), extra (extraordinário), pólio (poliomielite), quilo (quilograma), otorrino (otorrinolaringologista), endócrino (endocrinologista) e outras mais. Questão de praticidade ou de informalidade, como queiram. Em se tratando de nomes próprios, é sinal de intimidade também: Manu (Manuela), Rose (Roselene, Roseane...), Edu (Eduardo), Fred (Frederico), Lu (Luciana, Luciene, Luísa...), Belô (Belo Horizonte), Pelô (Pelourinho), Sampa (São Paulo), Floripa (Florianópolis) são uma pequena amostra disso. E até na linguagem do futebol as abreviações estão presentes no anúncio de clássicos como Fla - Flu (Flamengo x Fluminense), Gre - Nal (Grêmio x Internacional), Atletiba (Atlético Paranaense x Coritiba) e Bavi (Bahia x Vitória) formando uma composição interessante.

Também garantindo a economia de letras, é possível contar com as abreviaturas, ou seja, a redução na escrita de certas palavras, limitando-as à letra inicial ou às letras iniciais e/ou finais dos vocábulos representados graficamente. Assim, “h” é hora(s), “séc.” é século e “cel.” é coronel. Perigoso nisso é o sujeito desconhecer o código da abreviatura e ler, por exemplo, como já me garantiram ter acontecido numa cerimônia de formatura, “Ilmo” (em vez de Ilustríssimo) Fulano de Tal, dirigindo-se ao paraninfo.

Essas observações me vieram a propósito das siglas, ou melhor, da profusão delas nos dias atuais. Formadas a partir da reunião de letras ou sílabas iniciais dos vocábulos fundamentais de uma denominação ou título, elas se multiplicam por aí. Partindo daquelas que já são tradicionais e representam nomes de estados da federação (MG, RS, PA...), órgãos públicos ou não (IBGE, SESI...), tributos (IPVA, IPTU...) e afins, pelo presente momento eleitoral, ganham visibilidade obrigatória as siglas dos 30 partidos políticos brasileiros registrados no TSE (Tribunal Superior Eleitoral). Dispostas às vezes em improváveis e surpreendentes coligações ou em posição de confronto, elas são ingredientes de uma encorpada sopa de letrinhas. Vejam: PMDB, PTB, PDT, PT, DEM, PC do B, PSB, PSDB, PTC, PSC, PMN, PRP, PPS, PV, PT do B, PRTB, PP, PSTU, PCB, PHS, PSDC, PCO, PTN, PSL, PRB, PSOL, PR, PSD, PPL e PEN.

Uma breve análise sobre o uso das siglas deixa claro que muitas delas estão em alta. DNA (em inglês: DeoxyriboNucleic Acid – ADN, em português: Ácido DesoxirriboNucleico), por exemplo é faladíssima. Tudo por causa do exame que leva esse nome, que é usadíssimo. BO (Boletim de Ocorrência) também. Parece que o termo já virou até sinônimo de barraco, confusão. E tem também SAMU (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência), PAC (Programa de Aceleração do Crescimento), UPA (Unidade de Pronto Atendimento). MMA (Mixed Martial Arts – em português, artes marciais mistas) e GPS (Global Positioning System – em português, geoposicionamento por satélite), entre outras.

Especificamente entre os adolescentes, BV (Boca Virgem), BVL (Boca Virgem de Língua), BFF (Best Friend Forever = melhor amigo para sempre) e MP (Mente Poluída) estão bombando. Novidade pra mim foi saber que S.O.S. (Só o Olho Salva) é o comentário feito pelas meninas quando o cara é feio. Deve continuar valendo também como pedido de socorro (Save Our Souls = salve nossas almas).

Nesse universo de siglas que compõem um vocabulário à parte, destacam-se aquelas há muito consagradas pelo uso geral. Entre elas CD (Compact Disc – em português, disco compacto), DVD (Digital Versatile Disc – em português, disco digital versátil), CTI (Centro de Terapia Intensiva), UTI (Unidade de Terapia Intensiva) e SUS (Sistema Único de Saúde). Outras vão surgindo sem que as pessoas delas se deem conta. Aí estão as embalagens PET (de Polietileno Tereftalato) e o TNT (Tecido Não Tecido), material usado na confecção de sacolas, toalhas de mesa, cortinas e demais peças em substituição às matérias têxteis tradicionais.

Pois é, por todos os lados estamos cercados de siglas. De nomes de famosos como JK (Juscelino Kubitschek), FHC (Fernando Henrique Cardoso), ACM (Antônio Carlos Magalhães), BB (Brigite Bardot), J. Lo (Jennifer Lopez) e PC Farias (de triste memória) a programas de tevê como o CQC (Custe o Que Custar) e o BBB (Big Brother Brasil). E de termos ligados à área médica como AVC (Acidente Vascular Cerebral), HA (Hipertensão Arterial), DST (Doença Sexualmente Transmissível), e TB (Tuberculose).

Ufa! Deu canseira fazer esse levantamento. E nem coube tudo aqui, inclusive a linguagem abreviada que se vê na internet e no celular, assunto para uma possível futura matéria.

Resende Costa: 1912 – 2012 (Parte final)

12 de Julho de 2012, por Regina Coelho 0

No início da década de 50, um empreendimento de vulto surgiu na cidade. Com toda pompa e circunstância, foi inaugurado no dia 7 de setembro de 1952 o Salão Paroquial Padre Adelmo (C.P.P.), importante espaço multiuso idealizado por aquele que lhe empresta o nome, palco de eventos cívicos religiosos e artísticos.

Os anos 60 trouxeram boas novas na área da educação. Administrado por Miled Hannas, o município passou a contar com os serviços do Ginásio Nossa Senhora da Penha, o que corresponde hoje às quatro séries finais do Ensino Fundamental. Nas comemorações de formatura da primeira turma, em 1963, muita festa e uma curiosidade: o lançamento na cidade de “O Inconfidente” compondo parte dos festejos daquele importante momento. Atuando como diretor-redator do jornal, destacou-se o professor José Procópio da Silva, professor do ginásio e brilhante latinista. Tal feito se deveu ao empenho do prefeito Adenor de Assis Coelho, na administração de quem foi inaugurado o Grupo Escolar Conjurados Resende Costa (depois, Escola Estadual e, atualmente, Escola Municipal).

Além da importância natural que essas duas escolas passaram a ter para a vida do município, elas foram embriões de um crescimento significativo no setor com a consequente implantação do segundo grau (o Ensino Médio de hoje) em 1972 e a extensão de séries nas escolas da cidade e no Ribeirão.

Um olhar mais atento sobre a lista que encabeça a primeira parte da presente matéria com os nomes dos prefeitos e vice-prefeitos de Resende Costa revela que num curto período de seis anos a cidade teve três prefeitos: Cici Alves, Geraldo Monteiro e Aristides Coelho. O primeiro cumpriu mandato de dois anos, o que valeu no país todo com o objetivo de tornar coincidentes os mandatos eletivos. O segundo renunciou ao cargo, fato que transformou em prefeito o “Coelho” (então vice), por igual período exercido por aquele a quem sucedeu. Em contrapartida, entre 1977 a 1988, ou seja, em doze anos, o município teve dois prefeitos com mandatos de seis anos: Cici Alves novamente e sucedendo-o Gilberto Pinto. Depois disso, até o momento atual, os mandatos para o executivo municipal voltaram a ter quatro anos de duração, havendo possibilidade de o candidato disputar uma reeleição desde a disputa do ano 2000. A propósito, com tantas mudanças na legislação em se tratando de vigência dos mandatos eletivos, vez ou outra ganha força a ideia de unificação das eleições gerais e municipais, que hoje ocorrem alternadamente a cada dois anos.

Dois momentos especiais marcaram os primeiros anos da década de 80. Assim é que o surgimento da Associação Cultural Movimento Raízes e suas cinco edições anuais do “Encontro de Inverno de Resende Costa” caracterizaram um período de grande efervescência na vida cultural da cidade. Também o Jornal Novo (periódico idealizado e comandado pelo Toninho Melo Dr. Antônio Pedro, hoje promotor de Justiça na vizinha São João) foi destaque naqueles produtivos anos.

Na gestão do prefeito Camilo Lélis, o Teatro Municipal passou por uma reforma, o que acontece novamente neste ano do centenário da cidade, agora administrada pelo prefeito Adilson Resende. Paralelamente aos trabalhos de restauração do teatro, foi criada a “Fundação Casa de Cultura”, solenemente instalada no mesmo prédio e tendo como coordenadores gerais José Márcio Resende e Luiz Antônio Pinto. Este último, por sinal, como prefeito eleito na disputa seguinte, pôde concretizar muitos dos propósitos da Casa de Cultura.

No final de 2008, um sonho antigo de muitos resende-costenses virou realidade quando a cidade, sob a administração de Gilberto Pinto, pôde comemorar a inauguração do prédio da Biblioteca Municipal, bela e imponente construção erigida ao lado do casarão da Câmara Municipal, no Mirante das Lajes.

Sem deixar de considerar a importância dos fatos aqui apresentados, ressaltando ainda o caráter subjetivo do que foi selecionado, bem como sem deixar de reconhecer o mérito dos homens que em momentos distintos conduziram os destinos de Resende Costa, elejo dois símbolos ligados à sua história centenária: o Teatro Municipal e o Salão Paroquial. Na construção de ambos, a participação popular. Em mutirão, pessoas carregando pedras para a obra do teatro, que foi inaugurado sem forro, o que provocou novos esforços coletivos. O mesmo ocorrendo tempos depois, com a mobilização de tanta gente para conseguir erguer não um simples salão, mas um ousado edifício para a época.

Neste ano de comemorações do aniversário de cem anos da cidade da laje, contando com a atuação brilhante da Banda de Música Santa Cecília (corporação mais antiga que a própria Resende Costa, uma vez que foi fundada em fins do século XIX), registre-se a homenagem de reconhecimento da coluna a todos os cidadãos de bem deste município tão querido.

Nascer ou não em Resende Costa, viver e/ou trabalhar aqui ou fora daqui guardando no coração sentimentos de amor e orgulho por esta cidade são formas de conferir nossa verdadeira identidade resende-costense e sustentar a sensação que temos de pertencimento a esta terra.

Resende Costa: 1912 – 2012

13 de Junho de 2012, por Regina Coelho 0

 
PERÍODO PREFEITO VICE
Até 1935 Francisco Mendes deResende -
1935-1946 José Vilela daCosta Pinto -
1945 Pedro Muzzi do Espírito Santo -
1945 Padre Nelson Rodrigues Ferreira -
1945 José Vilela daCosta Pinto -
1946 Alcindo Resende -
1946 Sebastião Lara -
1946-1947 José Gabriel de Resende -
1947-1950 Antônio de Souza MaiaJúnior Olíndio Argamin de Freitas
1951-1954 Geraldo Monteiro de Oliveira- 1º mandato Antônio da Silva Barbosa
1955-1958 Antônio (Honório) de Resende - 1º mandato José Augusto dos Reis
1959-1962 Miled Hannas José da Conceição Vale
1963-1966 Adenor de Assis Coelho José Benedito de Sousa
1967-1970 Antônio (Honório) de Resende - 2º mandato Plestes de Oliveira Resende
1971-1972 Ocacyr Alves de Andrade - 1º mandato José Celso da Silva
1973-1974 Geraldo Monteiro de Oliveira- 2º mandato  (incompleto) Aristides Coelho dos Santos
1975-1976 Aristides Coelho dos Santos - (posse do vice) -
1977-1982 Ocacyr Alves de Andrade - 2º mandato Marcos de Oliveira Neto
1983-1988 Gilberto José Pinto- 1º mandato Aquim Coelho de Resende
1989-1992 Camilo Lélis de Resende Chaves José Asterak Moreira
1993-1996 Luiz Antônio Pinto João de Paiva Filho
1997-2000 José Rosário Silva Silvério Nivaldo de Assis
2001-2004 Gilberto José Pinto- 2º mandato Antônio Aparecido de Sousa
2005-2008 Gilberto José Pinto- 3º mandato Paulo César Fortuna Dias
2009-2012 Adilson Avelino de Resende João de Paiva Filho
 
Neste junho de 2012, o centenário de emancipação política de Resende Costa, como não poderia deixar de ser, é pauta quase inevitável. Optei por fazer uma abordagem despretensiosa ligada às pessoas cujos nomes constam na relação acima na condição de prefeitos e vice-prefeitos por esses cem anos. A análise crítica sobre cada momento histórico fica a cargo dos especialistas no assunto ou estudiosos da história do município. Fico com particularidades que julguei interessantes, especialmente aquelas relacionadas à educação e à cultura. Possíveis imprecisões em datas e nomes bem como omissão de fatos se devem à escassez de fontes fidedignas e à limitação normal de espaço no Jornal das Lajes.

Diante do exposto, mãos à obra. Considerando os dois primeiros mandatários, é possível observar o longo período de permanência deles no poder, especialmente o do coronel Mendes. Eleito inicialmente presidente da primeira Câmara Municipal, tornou-se, na prática, chefe do Executivo. Entre seus incontáveis feitos, destaque para a criação do Grupo Escolar Assis Resende (hoje Escola Estadual Assis Resende), da Biblioteca Pública Municipal e a edificação do Teatro Municipal, que fez de Resende Costa, à época, um dos poucos municípios mineiros a abrigar um teatro. Sucessor e homem de confiança de Mendes Resende, doutor Costa Pinto cumpriu dois mandatos (nomeado e eleito) e foi um verdadeiro mecenas. Com o patrocínio da municipalidade, possibilitou a vinda de inúmeras e qualificadas companhias artísticas à cidade. É oportuno assinalar ainda a fundação do Grêmio Literário, espaço instalado nos “Quatro Cantos” (hoje o imóvel é propriedade do Luizinho Chaves) e a movimentação de alguns valorosos grupos teatrais como fatos importantes no contexto cultural das primeiras décadas do século XX.

Em relação aos anos 40, louve-se o idealismo de alguns resende-costenses para a criação de alguns jornais: “O Papagaio”, “A Araponga” (sugestivos os nomes, não?) e “O Resende Costa”, periódicos altamente literários, portanto, distantes da linha convencional de jornais. Destaco também o Cine Santa Teresa, empreendimento arrojado para a época, instalado no prédio do Teatro Municipal, cenário de anteriores exibições cinematográficas.

Com a ditadura do Estado Novo (1937-1945), os prefeitos (nova designação para os governantes municipais) passaram a ser nomeados pelos interventores dos estados. 1945 foi um ano politicamente tenso para Resende Costa. Em 24 de novembro de 45, assumiu o poder doutor Pedro Muzzi (primeiro juiz municipal). Sobre esse momento de indefinição constitucional assim se expressou o Padre Nelson, que chegou a tomar posse como prefeito de Resende Costa: “Verificando-se pouco depois que os snrs. Juízes, por serem Juízes Eleitorais, não podiam ser prefeitos, foi o Vigário da Paróquia, não sem muita relutância nossa, indicado para responder pelo expediente da Prefeitura até o dia 3 de Dezembro. Devido à permanência do tempo, não houve consultas ao Snr Arcebispo, mas sim, ao Rev.mo Forânea, que concordou aceitássemos a indicação. Fomos empossado como Prefeito no dia 28 de Novembro. Passadas as eleições de 2 de Dezembro, passamos a Prefeitura ao Snr. Prefeito Dr. Costa Pinto, no dia 3 de Dezembro às 12 horas”. (Livro do Tombo da Paróquia Nossa Senhora da Penha). Com a renúncia do Dr. Costa Pinto em 14 de junho de 1945, foi nomeado prefeito, Alcindo Resende, então secretário da Prefeitura e que permaneceu no cargo até novembro de 1946, retirando-se voluntariamente. Ato contínuo, em reunião presidida pelo Padre Nelson no Teatro Municipal, às 19 horas do dia 1º de novembro de 1946, foi indicado o nome do Dr. Sebastião Lara (médico), por maioria dos votos, para ocupar a cadeira de chefe do executivo municipal.

No que diz respeito à permanência do senhor José Gabriel de Resende como prefeito, dona Aparecida (filha dele, esposa do Élcio Maia) me revelou que, por pressão de um grupo de correligionários liderados por Tancredo Neves, o pai se viu obrigado a aceitar aquele encargo até 1947.

(A matéria continua em julho.)