Mulheres ao volante (3) - Final
10 de Janeiro de 2011, por Regina Coelho 0
O carro em questão era um Volkswagen 57, de cor branca. Mas faltava o principal, que era “botar a mão na massa”, ou melhor, no volante, para finalmente aprender a dirigir. Penha revela que, naquele tempo, ela não sabia nem quantos pedais havia num carro, muito menos que havia o câmbio, alavanca responsável por ditar as marchas. Vieram então as primeiras instruções dadas logicamente pelo Né e também pelo primo Amadeu e sucedidas por bastante treinamento. Em setembro de 1977 e cumpridas as exigências de praxe, Maria da Penha se tornou motorista oficialmente habilitada, completando, portanto, em 2010 33 anos de habilitação. “Fui a primeira mulher resende-costense, residente aqui, habilitada...Na época havia outras, mas não residiam em Resende Costa”, assegura ela com natural e indisfarçável satisfação.
Mas, entre tantas viagens pela nossa região, houve uma que lhe trouxe um certo aborrecimento. Maria da Penha conta que um dia, ao contornar o praça da Matriz da Piedade, em Barbacena, foi surpreendida por uma motorista que subia uma rua através da qual se chegava até a praça. A tal mulher acabou batendo na traseira do carro dirigido pela Penha, quebrando o farol traseiro da direita. Segundo ela, o susto foi grande, pois, além de tudo, no banco de trás estava uma criança, que naturalmente, chorou muito por tudo aquilo.
Momento ruim à parte, nossa conversa agora se volta para as lembranças curiosas ligadas às reações das pessoas quando viam aquela principiante e já cautelosa motorista dirigindo seu carro pela cidade. Enquanto algumas se espantavam com a cena e diziam simplesmente “que coragem!”, outras afirmavam num misto de pessimismo ou mesmo de uma certa inveja (como saber?) que ela não conseguiria tirar a carteira por não ter coragem para tal. Reação bonita vinha dos que ficavam felizes vendo a Penha ao volante: “Que chique! Nossa professora tem carro”. Tinham razão os alunos daquela professora de matemática. Não tanto pelo carro, mas é mesmo chique a gente ter a coragem de enfrentar desafios.
Outra forma (quase obrigatória até) de entender a ligação pioneira das mulheres de Resende Costa com o carro é conhecer um pouco da história de Maria das Graças Vieira Mendes, a popular Gracinha do Zé Padeiro. 62 anos, comerciante ambulante aposentada, ela conta que na família todos os homens, exceto o pai, eram motoristas. Vendo os irmãos dirigindo, principalmente o Nonô e o Paulo, foi aprendendo com eles. Antes dos 18 anos, já dirigia os carros que o “seu” Zé Padeiro comprava.
Tanta naturalidade em sair simplesmente dirigindo deve explicar o entusiasmo pela aquisição do primeiro veículo, um modelo Vemaguete marrom que Gracinha, ainda sem carteira, comprou de um rapaz de Barbacena. Mais tarde, o DKW Vemag (nome oficial da perua) foi substituído por uma Rural comprada do Zé Manganga. A condição de motorista precoce, no entanto, não lhe valeu de imediato a obtenção da carteira de habilitação, que foi tirada em 1980. Segundo ela, o exame de rua foi realizado em Barbacena, “num caminhão Detroit” pertencente à Serveng Civilsan, empresa dos irmãos Penidos (de Resende Costa) e responsável pelas obras do nosso asfalto (entroncamento da BR 383, batizado oficialmente Rodovia Alfredo Penido). Naquela época, a pessoa candidata a uma carteira levava o carro no qual o teste de rua era feito. Como Gracinha era fornecedora de frangos para a Serveng e administrava a cozinha da firma, conseguiu que o Karimata, um engenheiro da firma, emprestasse a ela o tal caminhão. E por mera curiosidade, só para situar melhor os leitores mais jovens ou mais esquecidos: o acampamento da companhia funcionava em área alugada pelo João do Cornélio, onde é hoje a casa do Carlinhos do Ivan.
Sem qualquer história pessoal para contar sobre eventuais acidentes ao dirigir e revelando que, além de carro, dirigia moto e andava a cavalo pra todo lado, Gracinha (“um monumento de Resende Costa” nas palavras de César da farmácia) afirma que “ninguém nunca falou nada” sobre tais ousadias. Ela sabe, porém, que indiretamente muitos a chamavam de meio louca ou mulher macho. E acha graça disso a Gracinha, detentora orgulhosa de carteira de motorista categoria D. Louca ela? Só se for pelas boas aventuras da vida, uma marca dessa verdadeira profissional do volante. Pela valentia, uma mulher-macho sim, senhor.
Mulheres ao volante (2)
14 de Dezembro de 2010, por Regina Coelho 0
Um fato curioso, ao mesmo tempo compreensível para aqueles anos, é que essa motorista de tantos préstimos para muita gente, principalmente numa época em que os carros não eram tão comuns como agora, não tirou sua carteira de habilitação. Ela até começou a fazer o curso de legislação ou a “estudar a sinalização”, como prefere dizer, mas “encravou” no exame de vista. Adoeceu e ficou descrente de ir até o fim naqueles testes todos. E como reforço à sua convicção de que aquele documento não lhe seria tão necessário, ouviu de uma pessoa ligada àquele ambiente de exames que ficasse tranquila, pois mulher e padre nunca eram parados nas operações de fiscalização. Mesmo assim, por precaução, quando viajava para longe, Dona Dalva levava um motorista habilitado para garantir a tranquilidade da viagem. Entre eles, lembra os que lhe deram as instruções sobre como dirigir: o Zé do Alípio, um filho do Zé do Nico cujo nome esqueceu e o Cici do Joaquim Batista.
Quando indagada a respeito de algum possível acidente que pudesse ter sofrido ao volante, a provável mais antiga motorista de Resende Costa recorda-se de um passeio a Ritápolis, na companhia do Padre Antenor (seu irmão). Já na volta, por um vacilo seu, o carro saiu da estrada, bateu numa pedra e arrebentou o radiador. Nada mais grave, só que eles tiveram de voltar em outro carro.
Hoje, aos 79 anos, aposentada, Dona Dalva não dirige mais, por isso a bonita Rural Willys azul com tração nas quatro rodas, companheira fiel de inúmeras jornadas, foi vendida. Saudades daqueles tempos? Pode ser, mas acima de tudo orgulho de quem até “trocava roda” (pneu) e nunca ficou parada na estrada.
Quem também guarda uma boa história para contar é Elzi Lara Santos, 73 anos, aposentada, que afirma ter se tornado proprietária de um Volks branco por puro acaso, já que não sabia nada de carros e nem tinha interesse por isso. O responsável pela mudança foi o Toninho da Dona Zizina, quando sugeriu que ela comprasse um carro e ele mesmo o trouxe para Resende Costa.
Final da década de 70. Era o tempo da Pensão da Elzi. E chegou o dia de encarar o desafio de dirigir pela primeira vez. Elzi estava acompanhada de sua filha (a Mara) e do Bita do João de Paiva, que simplesmente lhe passou o carro. O resultado não foi dos melhores. Depois, a Maria Helena da Dona Zizina lhe deu algumas boas explicações e também o Ercílio da Anita do Lado.
Na pensão, o pessoal se divertia com as histórias dos insucessos que aquela aprendiz de motorista contava. Foi aí que o Clóvis, hóspede da casa e mecânico que prestava serviços à Serveng Civilsan, em razão das obras do asfalto, então em andamento, recomendou-lhe o seguinte:
- Não conte suas mancadas para ninguém, todo mundo comete as suas.
Recomendação aceita, aulas já menos desastrosas e ensinamentos finais com o Élcio Maia e a tão merecida carteira de motorista foi tirada em 1980. Na condição de habilitada, Elzi passou a dirigir sozinha e sem deixar de observar como as pessoas ficavam admiradas com aquela situação. Verdade seja dita! Algumas piadinhas machistas ela também ouvia. Conhecem aquela manjadíssima? “Mulher ao volante,...” Pois é!
Faltava, porém, ir a São João del-Rei dirigindo, um teste quase obrigatório para quem mora em Resende Costa, tira carteira e quer dirigir na estrada. Estava tudo planejado. A ideia inicial era chegar até a rodoviária velha e chamar o Jair Chaves, ali perto, para levar o carro ao centro. Um bêbado inoportuno e insistente impediu que a Elzi deixasse a filha pequena e com a perna engessada sozinha no carro, ainda que por alguns minutos. O jeito foi enfrentar o trânsito até o hospital para que a Mara se livrasse daquela “bota” incômoda. Da segunda ida a São João, mais adrenalina. Um rapaz bateu no carro dela e ainda se achou no direito de lhe dizer besteiras. “Muito homem acha que a gente por ser mulher vai ter medo deles”, afirma Elzi, que lembra ainda que, naquele dia, contou com a ajuda do Luizinho Chaves e do Almênio (que tinha sido coletor estadual em Resende Costa), que presenciaram aquela cena. O moço criador de caso? Ah, rápido, rápido mudou a afinação do seu discurso.
- Ando devagar, finaliza nossa tranquila motorista, com a certeza dada pelos muitos anos rodados por aí de que mais importantes mesmo são o cuidado com a vida e a volta segura para casa.
Mulheres ao volante (1)
12 de Novembro de 2010, por Regina Coelho 0
No Brasil, a Braspress, empresa pioneira na abertura do mercado de trabalho do transporte de carga à mão de obra da mulher, prefere adotar a acertada filosofia de que “competência não tem sexo”. Daí a presença das mulheres também nesse competitivo ramo dos negócios. E que não se fale em privilégios, uma vez que a empresa realiza programa de treinamento específico para que elas se transformem em profissionais do volante, respeitadas em suas características próprias, mas sujeitas ao que é determinado a todos.
Os controles internos da Braspress mostram que as motoristas mulheres têm maiores cuidados operacionais com os veículos, colaborando para a conservação e, consequentemente, manutenção dos caminhões. Sabem ser educadas no relacionamento com os clientes e mantêm com eles um diálogo muito mais eficaz. No trânsito, são pacientes, o que levou à redução de batidas e de custos de manutenção dos carros, incluindo funilaria.
Em Resende Costa, como não poderia deixar de ser, mulheres em número bastante expressivo podem ser vistas na condução de grande parte da crescente frota de veículos da cidade. Dados do Centro de Formação de Condutores Lara comprovam o que já é visto na prática. Assim, em relação às matrículas de primeira habilitação, em 2008, 31% delas foram de mulheres; em 2009, 35% e em 2010, 40%. No exame de legislação, elas têm desempenho melhor, pois 95% são aprovadas de primeira (serão mais estudiosas?). No entanto, no exame de rua, os homens estão em vantagem, uma vez que levam menos tempo para tirar a carteira de habilitação.
Ao afirmar que 90% das mulheres chegam à autoescola para aprender a dirigir, Alexandre Lara Rodrigues, instrutor de legislação e proprietário da Autoescola Lara, esclarece que o mesmo não acontece com os rapazes. Segundo ele, a maioria deles chega sabendo alguma coisa ou quase tudo sobre como dirigir. Coisas da nossa cultura. É aquela velha história de que menino gosta é de carrinho, e logo, logo vai se interessar pelo carro do pai ou da mãe. E vai começar aprender a dirigir a partir daí. Isso talvez explique o fato de os homens serem mais rápidos na obtenção da tão sonhada habilitação.
Se, de um modo geral, a mulherada chega para aprender dirigir a partir dos 20 anos, muitos meninos mal aguentam esperar a idade mínima exigida por lei (18 anos) e cumprir o que é obrigatório, incluindo o que já é por eles dominado, isto é, as aulas práticas de direção.
Curiosamente, quando se trata de efetuar os pagamentos devidos à autoescola, as mulheres são mais rápidas, afirma Alexandre. Em bom e popular português, isso quer dizer que elas são “boas de conta”. Que os candidatos a motorista não se sintam ofendidos com essa constatação. Como sempre, há exceções, também entre as mulheres.
Uma informação final fornecida pelo CFC Lara dá bem a ideia de como as coisas mudaram, considerando-se o número de mulheres motoristas em Resende Costa até a década passada. Para o Curso Obrigatório de Reciclagem de motoristas habilitados em Minas antes de 1994 e em outros estados antes de 1998, as matrículas aqui na cidade não passaram de 10% entre as motoristas.
Como se pode ver, a realidade hoje é outra em Resende Costa e no Brasil todo, que tem, de acordo com o Departamento Nacional de Trânsito (DENATRAN), 33% de motoristas do sexo feminino, ou seja, 1/3 dos motoristas habilitados do país.
Trata-se de um contingente expressivo de brasileiras menos propensas à prática da conduta perigosa álcool e volante ou ao “esquecimento” no uso do cinto de segurança. E quanto à expressão que certas pessoas aplicam às mulheres: “mulheres ao volante, perigo constante”, evocando o conhecido ditado popular, seria mais verdadeiro chamar de necessária prudência o jeito feminino de dirigir (só faltou a rima).
Em tempo: na próxima edição, os leitores vão conhecer um pouco da história de algumas das primeiras mulheres motoristas de Resende Costa.
Amor pelos livros
11 de Outubro de 2010, por Regina Coelho 0
“Carro-Biblioteca comemora 50 anos com acervo de 12 mil obras literárias. Com parada obrigatória em cinco bairros carentes de BH, a iniciativa leva saber, cultura e diversão a mais de 15 mil pessoas por ano”.
Devo confessar a vocês que me surpreendi com a matéria “Conhecimento itinerante”, publicada no Estado de Minas, caderno Gerais (21 de setembro de 2010) e de onde extraí o trecho acima.
Campanhas de incentivo à leitura hoje em dia são até comuns em nosso meio, o que não as torna menos necessárias ou importantes. No presente caso, o detalhe que me chamou a atenção especialmente foi a longevidade vitoriosa do Carro-Biblioteca. Não há aqui nada de modismo ou de estar na onda do politicamente correto. Sustentar uma ideia por tanto tempo só se justifica por sua própria força e pelo acerto na sua condução.
Coordenado pela Superintendência de Bibliotecas Públicas da Secretaria de Estado da Cultura, o projeto itinerante abre as portas da literatura e do conhecimento para quem se aventura por entre prateleiras repletas de livros, revistas e periódicos. Portas abertas literalmente também, já que esse material todo é transportado por um caminhão-baú. “É onde o livro encontra o leitor. A iniciativa é uma forma de democratizar o acesso à leitura. A cada três anos, mudamos os bairros beneficiados e percebemos que o projeto ajuda a comunidade para criar bibliotecas e espaços de leitura próprios”, explica a diretora de Extensão e Ação Regionalizada da Superintendência, Márcia Caldas de Melo.
Muito interessante isso, não? No mês das crianças e dos professores, aproveito o embalo a fim de repassar 10 dicas valiosas do Instituto EcoFuturo (organização não governamental criada em 1999) para despertar, principalmente entre a criançada, o amor pelos livros. Confiram!
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Leia em voz alta com as crianças. Explore com elas os livros e outros materiais de leitura: revistas, jornais, folhetos, almanaques, manuais de instruções, cartazes, placas. Todo material impresso pode ocasionar momento de troca centrado na leitura.
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Ofereça a elas ambiente rico em termos de letramento: faça atividades com leitura, mesmo com bebês e crianças bem pequenas. Continue fazendo com as crianças e jovens que estão na escola.
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Converse com elas e escute-as quando falam. O diálogo ajuda muito no desenvolvimento da linguagem oral.
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Peça-lhes que recontem histórias ou informações que você leu em voz alta. Cuidado para que a atividade não acabe virando aula. Não é esse o espírito da proposta. O encontro precisa ser agradável e descontraído.
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Incentive-as a desenhar e fazer de conta que escrevem histórias que ouviram. Peça, depois, que “leiam” em voz alta. Parece absurdo? Pois não é. Afinal, elas passam o tempo fazendo de conta que cozinham, que dirigem carros, que lutam com inimigos perigosos, que são médicos e professores. Não se esqueça: a ideia é brincar de ler.
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Dê o exemplo: faça com que elas vejam você lendo e escrevendo. E, por favor, não faça a bobagem de dizer que elas devem aprender a ser diferentes de você, que não gosta de ler. O que conta não é o que você discursa sobre a leitura, escrita, estudo. É o que você oferece como exemplo.
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Vá à biblioteca regularmente com as crianças. Se for uma biblioteca de empréstimo, é bom cada uma ter a própria ficha de inscrição.
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Crie uma biblioteca em casa e uma biblioteca pessoal para a criança, onde ela se acostume a guardar os livros e a buscá-los. Na hora de comprar presentes para seu filho, lembre-se dos livros. De quebra, ele ganha competência para lidar com o mundo e abertura da imaginação.
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Faça mistério para aguçar a curiosidade. Por exemplo: você tem três livros na mão e diz à criança que ela pode escolher entre dois. Ela certamente vai dizer que são três e não dois.
Na berlinda eleitoral
13 de Setembro de 2010, por Regina Coelho 0
Dizem por aí que “uma imagem vale por mil palavras”, certo? Em se tratando dos atuais candidatos às eleições de outubro, a máxima parece ser verdadeira. É lógico que “as aparências enganam”, levando-se em conta ainda as possíveis edições e montagens de imagens. Quanto à pessoa propriamente dita, a aparência que ela tem nem sempre revela o que ela é, mas uma “boa estampa” (eta expressão polêmica!) pode ajudar. Isso é fato comprovado e explorado pelos profissionais que coordenam as campanhas políticas. E a julgar pelo visual dos três principais concorrentes à cadeira de Lula, a ação dos marqueteiros já começou há um bom tempo.
Exemplo bem claro disso é o trabalho de transformação física pelo qual passou a candidata Dilma Rousseff ao longo, talvez, de um ano. O que foi feito com ela parece um daqueles famosos quadros de alguns programas de televisão em que a pessoa passa por uma metamorfose estética radical, tudo graças à intervenção de especialistas da beleza e da saúde. Quase sempre o resultado é altamente positivo. No caso da petista Dilma, quanta mudança! E para melhor, justiça seja feita. Cirurgia plástica e realinhamento dos dentes efetuados anteriormente, sem os pesados óculos de grau, produzidíssima, ela é hoje pura elegância. Os terninhos que usa atualmente são muito bem cortados, a maquiagem e os cabelos, impecáveis.
E não me venham dizer que isso é coisa de mulher. Conhecem o José Serra, agora chamado na propaganda eleitoral do rádio e da tevê de Zé? É aquele sujeito carrancudo? Não, isso é coisa do passado. O hoje sorridente candidato tucano arrisca até algumas brincadeiras com os repórteres que o abordam informalmente. Parece uma tentativa de obter uma imagem menos formal, mais descontraída. Quanto à silhueta, nada mudou. Serra continua magro. Nada de especial nas roupas, com uma forte preferência por ternos escuros e de ombros mais largos.
O trio se completa com Marina Silva. Simplesmente não dá para deixar de reparar na sua figura mirrada, de longos cabelos, geralmente presos em coque, e sobrancelhas fartas. O estilo despojado é mantido com as já tradicionais saias longas e batas ou casaquinhos mais sóbrios. Uma marca característica de Marina são os colares, os mais variados, sempre grandes, feitos com sementes ou materiais de artesanato, o que é facilmente associado à sua principal bandeira, a defesa do meio ambiente. Dos três, parece ser a que se produz de modo mais genuíno, menos sujeito aos palpites dos assessores de campanha.
Está tudo muito bom, muito bonito, mas ... e o discurso dos candidatos, as propostas de cada um? E como chegar até o povo e se fazer entender por ele? Aí a situação pode se complicar porque ninguém vive só de imagem, muito menos na conquista pelo voto dos eleitores. Os tropeços, nesse aspecto, costumam ser inevitáveis.
Em suas viagens pelo Brasil, principalmente por Minas, Goiás e Pernambuco, o candidato do PSDB não tem conseguido ouvir ou compreender o que dizem jornalistas da imprensa desses estados. A alegação? Segundo ele, o problema está no sotaque. Será? “Essa fala de vocês, eu não entendo. Eu tenho que prestar atenção”, chegou a afirmar publicamente Serra, em ato de campanha na capital dos mineiros. Uai, sô, e agora?
Quem também enfrenta dificuldades linguísticas é a representante do PT. Provavelmente, por inexperiência em falar de improviso publicamente, Dilma costuma usar frases desconexas ou incompletas. E tome ainda o achismo: “Eu acho que o Brasil...” “Eu acho que os cargos da administração pública...” “Eu acho que conseguimos...” Isso enfraquece o enunciado.
Do ponto de vista da clareza e da eficiência, sinal verde (com o perdão do trocadilho) para a candidata do PV. Sem muito jogo de cintura para brincadeirinhas com a imprensa e com alguns escorregões na gramática, Marina apresenta desempenho satisfatório no quesito comunicação.
Não se cobra, é óbvio, que os candidatos aqui superficialmente analisados e os demais postulantes a todos os cargos eletivos mostrem uma bela estampa aos olhos dos eleitores ou sejam exímios articulistas da palavra. Espera-se, acima de tudo e entre outras condições, que tenham postura e compostura compatíveis com o trato da missão pública.