Vida de canhoto
12 de Abril de 2010, por Regina Coelho 0
Nossa, você é canhoto? Nossa, como você escreve engraçado! Ah, eu acho tão legal quem é canhoto! Ah, eu queria tanto ser canhoto! Todo canhoto tem letra bonita. Com certeza, toda pessoa canhota já ouviu um desses comentários acima ou coisa parecida.
É, essa, digamos assim, preferência do pessoal que usa naturalmente a mão esquerda para suas atividades do dia a dia chama mesmo a atenção da maioria destra. E se os canhotos ficaram estigmatizados por muito tempo como pessoas, no mínimo, diferentes e esquisitas, isso já não é mais assim.
E felizmente também não são mais castigados ou convencidos a trocarem de mão. E se a mentalidade predominante na Idade Média ligava a pessoa que fazia suas tarefas com a mão esquerda a práticas de bruxaria ou a ter pacto com o demônio, isso hoje soa como uma piada. O que não se pode negar, no entanto, é a existência de uma certa discriminação, ainda que velada, contra o canhotismo.
Vejamos: levanta-se bem a cada manhã com o pé direito, cumprimenta-se alguém com a mão direita, corta-se o alimento com a faca posta na mão direita. Em compensação, o coração fica guardado no lado esquerdo do peito. Ocorre que até mesmo a religião oferece apelo de peso ao preconceito. Segundo a Bíblia, Jesus Cristo se sentava ao lado direito de Deus.
Quanto ao diabo, não apenas seria canhoto, como batizava seus seguidores com a mão esquerda, isso tudo de acordo com o pensamento do século XVII. Que chato, não é mesmo? Não sei se há fundamento nas informações de que os canhotos vivem menos e são sempre inteligentes.
Que consolo! E até mesmo o genial poeta Drummond deu uma mãozinha (suponho que tenha sido a direita) para reforçar essa ideia de desajeitamento esquerdista. Os versos iniciais do seu Poema de Sete Faces são a comprovação de tal pensamento. Observem:
Quando nasci, um anjo torto
Desses que vivem na sombra
Disse: Vai, Carlos! Ser gauche na vida.
NOTA: A palavra “gauche” tem origem francesa e significa lado esquerdo, errado, sinistro. Aplicada à dimensão humana, é o ser às avessas, o torto, aquele que não consegue se comunicar com a realidade que o rodeia. Além dessas questões de natureza conceitual, a verdade é que ser canhoto no mundo real é fazer um esforço a mais para realizar coisas tão banais que, na verdade, não deveriam exigir esforço algum.
Todo mundo sabe, por exemplo, que torneiras, maçanetas, tudo o que gira, gira para a direita, seguindo a ditadura dos destros. E como usar a mão esquerda abridores de lata, tesouras, mouses, colheres tortas para bebês e cadernos de espiral (caderno de arame), entre outros objetos? E aquelas carteiras escolares com a mesinha lateral à direita? E como tocar certos instrumentos musicais, como o violão ou a guitarra, reconhecendo a posição correta das cordas? É, não é fácil para os cerca de 10% dos canhotos existentes no mundo a adaptação aos padrões destros da sociedade.
Há um outro tipo de dificuldade que essas criaturas precisam enfrentar. As escritas alfabéticas, de modo geral, indiscutivelmente, favorecem os não canhotos porque correm da esquerda para a direita. Nessa direção, o canhoto cobre com a própria mão o que está escrevendo e suja os dedos, ao mesmo tempo que pode borrar o papel. Ou acaba torcendo o punho, segurando o lápis ou a caneta, ficando em forma de gancho a mão.
Hoje a ciência sabe que ser canhoto é mais uma tendência natural. Alguns cientistas até arriscam afirmar que o canhotismo pode ter causa genética. Sem dúvida, ele é determinado pelo cérebro, não pelas mãos. As respostas de cada mão aos estímulos são originadas no hemisfério cerebral oposto, ou seja, se a pessoa usa a mão direita, isso significa que a parte que está controlando suas atividades é o lado esquerdo do
cérebro e vice-versa.
Conheço muita gente que gostaria de ser ambidestra, isto é, utilizar as mãos direita e esquerda e/ou um ou outro pé com a mesma facilidade. Só que andei especulando sobre o assunto e dei de cara com uma curiosa teoria desfavorável ao ambidestrismo. Segundo a própria, se não houvesse preferência, os dois lados do corpo, igualmente capazes, poderiam entrar em disputa em momentos como alcançar a chave do carro, pegar o lápis e escrever, chutar a bola ou começar a andar.
Finalizando, apresento-lhes, por mera ilustração, uma breve listagem de nomes de famosos canhotos: Leonardo da Vinci, Isaac Newton, Machado de Assis, Marilyn Monroe, Ayrton Senna, Pelé, Einstein, Picasso, Mozart, Maradona, Bill Gates, Paul Mc Cartney, Charlie Chaplin, Angelina Jolie, Barack Obama...
Em tempo, embora não seja famosa, eu também sou canhota.
É, essa, digamos assim, preferência do pessoal que usa naturalmente a mão esquerda para suas atividades do dia a dia chama mesmo a atenção da maioria destra. E se os canhotos ficaram estigmatizados por muito tempo como pessoas, no mínimo, diferentes e esquisitas, isso já não é mais assim.
E felizmente também não são mais castigados ou convencidos a trocarem de mão. E se a mentalidade predominante na Idade Média ligava a pessoa que fazia suas tarefas com a mão esquerda a práticas de bruxaria ou a ter pacto com o demônio, isso hoje soa como uma piada. O que não se pode negar, no entanto, é a existência de uma certa discriminação, ainda que velada, contra o canhotismo.
Vejamos: levanta-se bem a cada manhã com o pé direito, cumprimenta-se alguém com a mão direita, corta-se o alimento com a faca posta na mão direita. Em compensação, o coração fica guardado no lado esquerdo do peito. Ocorre que até mesmo a religião oferece apelo de peso ao preconceito. Segundo a Bíblia, Jesus Cristo se sentava ao lado direito de Deus.
Quanto ao diabo, não apenas seria canhoto, como batizava seus seguidores com a mão esquerda, isso tudo de acordo com o pensamento do século XVII. Que chato, não é mesmo? Não sei se há fundamento nas informações de que os canhotos vivem menos e são sempre inteligentes.
Que consolo! E até mesmo o genial poeta Drummond deu uma mãozinha (suponho que tenha sido a direita) para reforçar essa ideia de desajeitamento esquerdista. Os versos iniciais do seu Poema de Sete Faces são a comprovação de tal pensamento. Observem:
Quando nasci, um anjo torto
Desses que vivem na sombra
Disse: Vai, Carlos! Ser gauche na vida.
NOTA: A palavra “gauche” tem origem francesa e significa lado esquerdo, errado, sinistro. Aplicada à dimensão humana, é o ser às avessas, o torto, aquele que não consegue se comunicar com a realidade que o rodeia. Além dessas questões de natureza conceitual, a verdade é que ser canhoto no mundo real é fazer um esforço a mais para realizar coisas tão banais que, na verdade, não deveriam exigir esforço algum.
Todo mundo sabe, por exemplo, que torneiras, maçanetas, tudo o que gira, gira para a direita, seguindo a ditadura dos destros. E como usar a mão esquerda abridores de lata, tesouras, mouses, colheres tortas para bebês e cadernos de espiral (caderno de arame), entre outros objetos? E aquelas carteiras escolares com a mesinha lateral à direita? E como tocar certos instrumentos musicais, como o violão ou a guitarra, reconhecendo a posição correta das cordas? É, não é fácil para os cerca de 10% dos canhotos existentes no mundo a adaptação aos padrões destros da sociedade.
Há um outro tipo de dificuldade que essas criaturas precisam enfrentar. As escritas alfabéticas, de modo geral, indiscutivelmente, favorecem os não canhotos porque correm da esquerda para a direita. Nessa direção, o canhoto cobre com a própria mão o que está escrevendo e suja os dedos, ao mesmo tempo que pode borrar o papel. Ou acaba torcendo o punho, segurando o lápis ou a caneta, ficando em forma de gancho a mão.
Hoje a ciência sabe que ser canhoto é mais uma tendência natural. Alguns cientistas até arriscam afirmar que o canhotismo pode ter causa genética. Sem dúvida, ele é determinado pelo cérebro, não pelas mãos. As respostas de cada mão aos estímulos são originadas no hemisfério cerebral oposto, ou seja, se a pessoa usa a mão direita, isso significa que a parte que está controlando suas atividades é o lado esquerdo do
cérebro e vice-versa.
Conheço muita gente que gostaria de ser ambidestra, isto é, utilizar as mãos direita e esquerda e/ou um ou outro pé com a mesma facilidade. Só que andei especulando sobre o assunto e dei de cara com uma curiosa teoria desfavorável ao ambidestrismo. Segundo a própria, se não houvesse preferência, os dois lados do corpo, igualmente capazes, poderiam entrar em disputa em momentos como alcançar a chave do carro, pegar o lápis e escrever, chutar a bola ou começar a andar.
Finalizando, apresento-lhes, por mera ilustração, uma breve listagem de nomes de famosos canhotos: Leonardo da Vinci, Isaac Newton, Machado de Assis, Marilyn Monroe, Ayrton Senna, Pelé, Einstein, Picasso, Mozart, Maradona, Bill Gates, Paul Mc Cartney, Charlie Chaplin, Angelina Jolie, Barack Obama...
Em tempo, embora não seja famosa, eu também sou canhota.
Dia internacional da mulher
14 de Marco de 2010, por Regina Coelho 0
Todos nós conhecemos de sobra a força do apelo comercial presente em certas datas do calendário. Por si próprios carregados de emoção e significado, esses momentos são explorados exaustivamente pelo sistema capitalista em que vivemos. De recente memória, o Natal não nos deixa mentir. Anunciado e propagado como festa maior da cristandade, ele mexe com o bolso e o coração de milhões de pessoas. Misturado a tantas compras, pode surgir um desejo de ser bom, algo como fazer alguma coisa bacana por alguém, ou então simplesmente cumprir uma função social. Não dá para esquecer também o 12 de outubro, que soa como mágica para as crianças, o que faz muitos olhinhos brilharem de alegria em razão dos brinquedos, guloseimas e brincadeiras a elas especialmente oferecidos nesse dia. E como ignorar o segundo domingo de maio, o das mães, lembram-se? Afinal de contas, ninguém merece mais agradecimento e respeito do que elas, as antigas rainhas do lar, hoje sufocadas no desempenho de múltiplos papéis na sociedade. Seja lá da maneira que for, o fato é que quase todo mundo se rende ao encanto ou mesmo à imposição dessas datas.
Diferentemente dos exemplos expostos acima, há aqueles casos que não rendem dinheiro, não envolvem necessariamente cifras astronômicas, mas rendem boa discussão, como ocorre com datas tidas como não comerciais (dia do índio, da árvore, do professor, da consciência negra...).
Curiosamente, há quem questione ter que haver uma data específica para isso ou para aquilo, quando o ideal seria que as causas embutidas nessas comemorações fossem motivações naturais, diárias ou constantes. Costumam não ser. E se isso não acontece ainda, é porque precisamos de ocasiões especiais para a reflexão sobre nossas ações cotidianas.
Tudo isso me veio a propósito do Dia Internacional da Mulher. Celebrado em oito de março, ele tem origem nas manifestações femininas por melhores condições de trabalho e direito de voto, no início do século XX, na Europa e nos Estados Unidos. A data foi instituída pelas Nações Unidas em 1975, para lembrar tanto as conquistas sociais, políticas e econômicas das mulheres, como as discriminações e as formas de violência a que muitas delas ainda estão sujeitas em várias partes do mundo.
Em se tratando do Brasil, onde a presença das mulheres no mercado de trabalho é significativa e grande parte das famílias tem comando feminino, essa situação é ainda injusta, uma vez que nossas trabalhadoras, em relação aos homens, recebem salários menores, pelo mesmo serviço. Se as mulheres ocupam atualmente parte maior das vagas nas boas instituições públicas de ensino, inclusive em cursos antes praticamente restritos aos rapazes, ou se mostram competência ao serem aprovadas em muitos dos concursos mais concorridos do país, o mesmo não ocorre na política. Nessa área, a participação das mulheres não é condizente com o tamanho do eleitorado constituído por elas. Mesmo considerando possíveis candidaturas femininas para as eleições deste ano, incluindo a presidencial, o mundo político parece não ter seduzido ainda grande parte das eleitoras brasileiras.
Um outro aspecto dessa questão diz respeito a atitudes criminosas contra as mulheres, muitas delas vítimas eternas de companheiros truculentos e covardes, quando não são simplesmente assassinadas. Nem mesmo nossa pacata Resende Costa se salva nessa estatística. Que o diga o caso da moça Daniela, só para ficar no crime mais recente. E o que dizer dos maníacos sexuais agindo com requintes de crueldade e causando pânico a todos nos locais onde agem?
Mas voltemos ao lado bonito da vida, à convivência harmoniosa entre homens e mulheres, tão diferentes entre si, ao mesmo tempo iguais como seres humanos. Voltemos ao tempo da delicadeza!
Nas águas do Rio Santo Antônio
Não posso deixar passar a oportunidade de cumprimentar o compositor Wander Morais, autor do grande sucesso que embalou o Bloco Cabeção 2010. Apresentando um ritmo contagiante, sua música caiu no agrado geral. Quanto à letra, atualíssima.
Devo dizer apenas que não me surpreendi com o feito do Wander, pois já o conheço de outros carnavais, sendo assim, testemunha do seu grande talento musical.
Diferentemente dos exemplos expostos acima, há aqueles casos que não rendem dinheiro, não envolvem necessariamente cifras astronômicas, mas rendem boa discussão, como ocorre com datas tidas como não comerciais (dia do índio, da árvore, do professor, da consciência negra...).
Curiosamente, há quem questione ter que haver uma data específica para isso ou para aquilo, quando o ideal seria que as causas embutidas nessas comemorações fossem motivações naturais, diárias ou constantes. Costumam não ser. E se isso não acontece ainda, é porque precisamos de ocasiões especiais para a reflexão sobre nossas ações cotidianas.
Tudo isso me veio a propósito do Dia Internacional da Mulher. Celebrado em oito de março, ele tem origem nas manifestações femininas por melhores condições de trabalho e direito de voto, no início do século XX, na Europa e nos Estados Unidos. A data foi instituída pelas Nações Unidas em 1975, para lembrar tanto as conquistas sociais, políticas e econômicas das mulheres, como as discriminações e as formas de violência a que muitas delas ainda estão sujeitas em várias partes do mundo.
Em se tratando do Brasil, onde a presença das mulheres no mercado de trabalho é significativa e grande parte das famílias tem comando feminino, essa situação é ainda injusta, uma vez que nossas trabalhadoras, em relação aos homens, recebem salários menores, pelo mesmo serviço. Se as mulheres ocupam atualmente parte maior das vagas nas boas instituições públicas de ensino, inclusive em cursos antes praticamente restritos aos rapazes, ou se mostram competência ao serem aprovadas em muitos dos concursos mais concorridos do país, o mesmo não ocorre na política. Nessa área, a participação das mulheres não é condizente com o tamanho do eleitorado constituído por elas. Mesmo considerando possíveis candidaturas femininas para as eleições deste ano, incluindo a presidencial, o mundo político parece não ter seduzido ainda grande parte das eleitoras brasileiras.
Um outro aspecto dessa questão diz respeito a atitudes criminosas contra as mulheres, muitas delas vítimas eternas de companheiros truculentos e covardes, quando não são simplesmente assassinadas. Nem mesmo nossa pacata Resende Costa se salva nessa estatística. Que o diga o caso da moça Daniela, só para ficar no crime mais recente. E o que dizer dos maníacos sexuais agindo com requintes de crueldade e causando pânico a todos nos locais onde agem?
Mas voltemos ao lado bonito da vida, à convivência harmoniosa entre homens e mulheres, tão diferentes entre si, ao mesmo tempo iguais como seres humanos. Voltemos ao tempo da delicadeza!
Nas águas do Rio Santo Antônio
Não posso deixar passar a oportunidade de cumprimentar o compositor Wander Morais, autor do grande sucesso que embalou o Bloco Cabeção 2010. Apresentando um ritmo contagiante, sua música caiu no agrado geral. Quanto à letra, atualíssima.
Devo dizer apenas que não me surpreendi com o feito do Wander, pois já o conheço de outros carnavais, sendo assim, testemunha do seu grande talento musical.
S.O.S. Saúde Pública
11 de Fevereiro de 2010, por Regina Coelho 0
Do inacabado e abandonado prédio do Cardiominas em Belo Horizonte, surgiu o moderno e imponente Centro de Especialidades Médicas, cenário de muitas histórias de vida que envolvem aqueles que para lá se dirigem em busca do mesmo objetivo: a recuperação da saúde ou parte dela.
O nosso destino agora é o setor de ortopedia, especificando melhor, o de joelho. Os corredores são amplos e funcionam como sala de espera. E que espera! Claro, há cadeiras para todos, inclusive para acompanhantes, minha situação naquele dia. Aliás, pela própria condição de quem aguarda pelo médico, é quase impossível chegar ao consultório sem a ajuda de alguém, o que faz crescer bastante o número de pessoas no local.
Iniciado o atendimento médico, cada um trata de se ajeitar em seu lugar da melhor maneira possível, enquanto aguarda sua vez de ser chamado pelo próprio especialista. Ao anunciar o nome da pessoa a ser contemplada com a consulta, ele surge à porta munido de uma lista e, verdade seja dita, de um sorriso e uma paciência constantes para todos. Isso e, evidentemente, sua competência profissional provavelmente expliquem os fartos elogios de muitos àquele médico que parece atender seus clientes por atacado, pelo menos ali, tal a quantidade de pacientes (alguns impacientes) padecendo de males tão parecidos.
Paciência é a palavra de ordem para um dia como aquele. E o que fazer para passar o tempo? Conversar é uma boa pedida, mesmo que não se conheça quem está sentado por perto. Fala-se de tudo, mas quase sempre a prosa é iniciada com o motivo de estarem ali aquelas pessoas. Aí ocorre, de lado a lado, uma série de informações sobre exames médicos, cirurgias, tratamentos e remédios do dia a dia. De repente, aquela estranha do começo da manhã virou uma velha conhecida em questão de horas. Confidências e números de celulares podem ser trocados. As pessoas mais cautelosas trocam singelas receitas culinárias. Há quem prefira contar para quem quiser ouvir os detalhes de um acidente, como o senhor que desmaiou dirigindo sua moto, que bateu no carro da frente. Os joelhos do pobre homem bateram numa boca de lobo e aí... Os prevenidos se distraem com a leitura de livros e jornais, que podem ser eventualmente emprestados. Há aqueles que simplesmente cochilam ou dormem mesmo e uma moça que faz bicos de crochê em panos de prato. A turma dos dependentes do celular marca presença. E tome falação! Lanches são trazidos da rua para os que não podem andar livremente. Um casal não se faz de rogado e reparte um almoço em marmitex que simplesmente eles abrem e pronto. Bom apetite!
Circulando entre as pessoas, as muletas e as cadeiras de rodas, uma mulher falante desfia também seus problemas ortopédicos. Espertinha, ela tira discretamente de uma sacola um creme que oferece como amostra e jura ser um alívio para dores no joelho, uma espécie do famoso “doutorzinho”. Não deu para saber se vendeu alguma coisa.
Finalmente dentro do consultório, após uma espera absurda de cinco horas e meia, eis o médico. Ainda sorridente, paciente e reservando o vocativo “minha princesa” para cada senhora atendida, ele mal consegue disfarçar um bocejo. Uma maratona que ainda não acabou. Para nós também não, porque o tratamento nem é para agora. É preciso aguardar um ano, talvez mais, o que é desumano.
A constatação parece óbvia. Nosso sistema público de saúde ainda é precário, de segunda categoria, resguardadas as devidas exceções. O cidadão brasileiro não espera um atendimento principesco, isso nem combina com a gente. Nobreza melhor é o respeito aos direitos básicos de todos nós. Saúde já!
Sobrenomes
A sociedade alemã sempre foi a mais estratificada do mundo. Desde a Idade Média, só tinham sobrenome as pessoas da nobreza, da classe militar, do clero e do alto escalão do governo. Os demais cidadãos adotavam sobrenomes indicativos das profissões que exerciam – costume passado de pai para filho. Atualmente, o exemplo mais conhecido é o de Michael Schumacher, ex-campeão mundial da Fórmula I, cujo nome quer dizer Miguel Sapateiro. Os sobrenomes alemães mais comuns são Schneider (alfaiate), Bauer (camponês), Schmidt (ferreiro), Mauer (pedreiro), Müller (moleiro) e Becker (padeiro). A referência, feita a título de curiosidade, foi provocada pelo sucesso da modelo brasileira Raquel Zimmermann, considerada a top model nº 1 ao lado de Gisele Bündchen. Zimmermann significa carpinteiro. Além de soar bem, a palavra ganha charme, força e encanto nas passarelas.
(Estado de Minas)
O nosso destino agora é o setor de ortopedia, especificando melhor, o de joelho. Os corredores são amplos e funcionam como sala de espera. E que espera! Claro, há cadeiras para todos, inclusive para acompanhantes, minha situação naquele dia. Aliás, pela própria condição de quem aguarda pelo médico, é quase impossível chegar ao consultório sem a ajuda de alguém, o que faz crescer bastante o número de pessoas no local.
Iniciado o atendimento médico, cada um trata de se ajeitar em seu lugar da melhor maneira possível, enquanto aguarda sua vez de ser chamado pelo próprio especialista. Ao anunciar o nome da pessoa a ser contemplada com a consulta, ele surge à porta munido de uma lista e, verdade seja dita, de um sorriso e uma paciência constantes para todos. Isso e, evidentemente, sua competência profissional provavelmente expliquem os fartos elogios de muitos àquele médico que parece atender seus clientes por atacado, pelo menos ali, tal a quantidade de pacientes (alguns impacientes) padecendo de males tão parecidos.
Paciência é a palavra de ordem para um dia como aquele. E o que fazer para passar o tempo? Conversar é uma boa pedida, mesmo que não se conheça quem está sentado por perto. Fala-se de tudo, mas quase sempre a prosa é iniciada com o motivo de estarem ali aquelas pessoas. Aí ocorre, de lado a lado, uma série de informações sobre exames médicos, cirurgias, tratamentos e remédios do dia a dia. De repente, aquela estranha do começo da manhã virou uma velha conhecida em questão de horas. Confidências e números de celulares podem ser trocados. As pessoas mais cautelosas trocam singelas receitas culinárias. Há quem prefira contar para quem quiser ouvir os detalhes de um acidente, como o senhor que desmaiou dirigindo sua moto, que bateu no carro da frente. Os joelhos do pobre homem bateram numa boca de lobo e aí... Os prevenidos se distraem com a leitura de livros e jornais, que podem ser eventualmente emprestados. Há aqueles que simplesmente cochilam ou dormem mesmo e uma moça que faz bicos de crochê em panos de prato. A turma dos dependentes do celular marca presença. E tome falação! Lanches são trazidos da rua para os que não podem andar livremente. Um casal não se faz de rogado e reparte um almoço em marmitex que simplesmente eles abrem e pronto. Bom apetite!
Circulando entre as pessoas, as muletas e as cadeiras de rodas, uma mulher falante desfia também seus problemas ortopédicos. Espertinha, ela tira discretamente de uma sacola um creme que oferece como amostra e jura ser um alívio para dores no joelho, uma espécie do famoso “doutorzinho”. Não deu para saber se vendeu alguma coisa.
Finalmente dentro do consultório, após uma espera absurda de cinco horas e meia, eis o médico. Ainda sorridente, paciente e reservando o vocativo “minha princesa” para cada senhora atendida, ele mal consegue disfarçar um bocejo. Uma maratona que ainda não acabou. Para nós também não, porque o tratamento nem é para agora. É preciso aguardar um ano, talvez mais, o que é desumano.
A constatação parece óbvia. Nosso sistema público de saúde ainda é precário, de segunda categoria, resguardadas as devidas exceções. O cidadão brasileiro não espera um atendimento principesco, isso nem combina com a gente. Nobreza melhor é o respeito aos direitos básicos de todos nós. Saúde já!
Sobrenomes
A sociedade alemã sempre foi a mais estratificada do mundo. Desde a Idade Média, só tinham sobrenome as pessoas da nobreza, da classe militar, do clero e do alto escalão do governo. Os demais cidadãos adotavam sobrenomes indicativos das profissões que exerciam – costume passado de pai para filho. Atualmente, o exemplo mais conhecido é o de Michael Schumacher, ex-campeão mundial da Fórmula I, cujo nome quer dizer Miguel Sapateiro. Os sobrenomes alemães mais comuns são Schneider (alfaiate), Bauer (camponês), Schmidt (ferreiro), Mauer (pedreiro), Müller (moleiro) e Becker (padeiro). A referência, feita a título de curiosidade, foi provocada pelo sucesso da modelo brasileira Raquel Zimmermann, considerada a top model nº 1 ao lado de Gisele Bündchen. Zimmermann significa carpinteiro. Além de soar bem, a palavra ganha charme, força e encanto nas passarelas.
(Estado de Minas)
Do direito de sonhar ao dever de desconfiar
14 de Janeiro de 2010, por Regina Coelho 0
Toda virada de ano faz surgir uma infinidade de rituais e simpatias. Certas de que só serão felizes no ano novo (na verdade, logo, logo nada novo) se adotarem determinados procedimentos no dia 31 de dezembro, muitas pessoas preferem não arriscar a felicidade e fazem coisas no mínimo curiosas.
Segundo a crença popular, as simpatias devem ser feitas para afastar maus fluidos, para a pessoa ter dinheiro o ano inteiro, ter paz, tranquilidade e prosperidade, para atrair ou manter um amor, para o amor voltar, para ter sorte no amor, ter felicidade, enfim.
E vocês, caros leitores, como resolveram encarar o 1º de janeiro de 2010? Andei pesquisando e fiquei sabendo de muita gente que não perde a oportunidade de receber o ano que começa cercando-se de alguns cuidados. Entre eles, usar branco e deixar a casa bem iluminada com luzes e velas para receber com muita luz o novo ano. Ou subir em um degrau de uma escada ou em uma cadeira, com o pé direito, assim que dá meia-noite, para subir na vida. Ou ainda, caso a comemoração seja na praia, a dica é entrar no mar e pular sete ondas fazendo sete pedidos, um para cada onda.
A lista do que fazer ou não no último dia do ano é longa. Estamos em janeiro. Falar disso agora já era. Independentemente de acreditar nessas coisas ou de achar tudo isso uma bobagem, o mais importante é cultivar bons pensamentos e sentimentos, manter a fé e apostar no que a gente quer. Isso deve valer para todos os dias.
Saindo do âmbito restrito das simpatias típicas do final de ano e considerando também as outras (para curar bronquite, fazer criança andar ou falar, emagrecer...), chega-se facilmente aos inúmeros golpes aplicados por toda parte. Segundo especialistas, cresce muito nesta época do ano a incidência de casos envolvendo pessoas passadas para trás, ou seja, ludibriadas pelos espertinhos de plantão. Em comum entre as duas práticas, há apenas a boa fé de quem espera ter sorte para se dar bem. No entanto, se as simpatias se mostram inofensivas (a maioria, ao que parece, segundo a sabedoria do povo, quando não funciona também não prejudica ninguém), o mesmo não se pode dizer das inúmeras modalidades de golpes rondando os cidadãos, ainda que estejam em casa, supostamente a salvo dos golpistas, mas atacados via internet ou telefone.
Fazer a vítima acreditar, por exemplo, que ganhou um prêmio é golpe manjadíssimo, mesmo assim há quem nele caia. O “sortudo” precisa apenas fazer uma doação para ajudar uma criança doente e poder receber seu merecido carro ou moto. Simples assim. Em matéria recente, o Jornal Hoje (TV Globo) transcreveu parte de um desses telefonemas fajutos. Observem: “Um quilo de alimento não perecível. Agora o senhor vai ter três opção para fazer um depósito de um valor de R$300,00, ou num valor de R$400,00, ou num valor de R$600,00. O senhor vai opcionar para fazer uma criança feliz, que sofre síndrome de dálmata”.
Sorteios sem sentido e erros de português à parte, há muitas armadilhas ardilosamente preparadas por aí à espera dos incautos, dos desprevenidos e mesmo dos gananciosos. É isso mesmo, porque muitas vezes quem se ilude com planos e promessas mirabolantes de ganho fácil espera obter vantagens extraordinárias, o que pode tirar da pessoa a condição exclusiva de vítima.
Há aquele ditado que diz que “todo dia um bobo sai de casa”. Há também um outro que afirma coisa semelhante: “é preciso que haja bobos para os ativos viverem”. Ativos, no mau sentido da palavra, já que os que são ativos na boa acepção do termo sabem que as coisas boas não batem à porta de ninguém. Elas são conquistadas, jamais oferecidas como um negócio de ocasião. Como sempre, vale a velha máxima: “quando a esmola é muita, até o santo desconfia”.
PARA REFLETIR
AUSÊNCIA
Por muito tempo achei que a ausência é falta
E lastimava, ignorante, a falta.
Hoje não a lastimo.
Não há falta na ausência.
A ausência é um estar em mim.
E sinto-a branca, tão pegada, aconchegada nos meus braços,
Que rio e danço e invento exclamações alegres,
Porque a ausência assimilada,
Ninguém a rouba mais de mim.
(Carlos Drummond de Andrade) .
Segundo a crença popular, as simpatias devem ser feitas para afastar maus fluidos, para a pessoa ter dinheiro o ano inteiro, ter paz, tranquilidade e prosperidade, para atrair ou manter um amor, para o amor voltar, para ter sorte no amor, ter felicidade, enfim.
E vocês, caros leitores, como resolveram encarar o 1º de janeiro de 2010? Andei pesquisando e fiquei sabendo de muita gente que não perde a oportunidade de receber o ano que começa cercando-se de alguns cuidados. Entre eles, usar branco e deixar a casa bem iluminada com luzes e velas para receber com muita luz o novo ano. Ou subir em um degrau de uma escada ou em uma cadeira, com o pé direito, assim que dá meia-noite, para subir na vida. Ou ainda, caso a comemoração seja na praia, a dica é entrar no mar e pular sete ondas fazendo sete pedidos, um para cada onda.
A lista do que fazer ou não no último dia do ano é longa. Estamos em janeiro. Falar disso agora já era. Independentemente de acreditar nessas coisas ou de achar tudo isso uma bobagem, o mais importante é cultivar bons pensamentos e sentimentos, manter a fé e apostar no que a gente quer. Isso deve valer para todos os dias.
Saindo do âmbito restrito das simpatias típicas do final de ano e considerando também as outras (para curar bronquite, fazer criança andar ou falar, emagrecer...), chega-se facilmente aos inúmeros golpes aplicados por toda parte. Segundo especialistas, cresce muito nesta época do ano a incidência de casos envolvendo pessoas passadas para trás, ou seja, ludibriadas pelos espertinhos de plantão. Em comum entre as duas práticas, há apenas a boa fé de quem espera ter sorte para se dar bem. No entanto, se as simpatias se mostram inofensivas (a maioria, ao que parece, segundo a sabedoria do povo, quando não funciona também não prejudica ninguém), o mesmo não se pode dizer das inúmeras modalidades de golpes rondando os cidadãos, ainda que estejam em casa, supostamente a salvo dos golpistas, mas atacados via internet ou telefone.
Fazer a vítima acreditar, por exemplo, que ganhou um prêmio é golpe manjadíssimo, mesmo assim há quem nele caia. O “sortudo” precisa apenas fazer uma doação para ajudar uma criança doente e poder receber seu merecido carro ou moto. Simples assim. Em matéria recente, o Jornal Hoje (TV Globo) transcreveu parte de um desses telefonemas fajutos. Observem: “Um quilo de alimento não perecível. Agora o senhor vai ter três opção para fazer um depósito de um valor de R$300,00, ou num valor de R$400,00, ou num valor de R$600,00. O senhor vai opcionar para fazer uma criança feliz, que sofre síndrome de dálmata”.
Sorteios sem sentido e erros de português à parte, há muitas armadilhas ardilosamente preparadas por aí à espera dos incautos, dos desprevenidos e mesmo dos gananciosos. É isso mesmo, porque muitas vezes quem se ilude com planos e promessas mirabolantes de ganho fácil espera obter vantagens extraordinárias, o que pode tirar da pessoa a condição exclusiva de vítima.
Há aquele ditado que diz que “todo dia um bobo sai de casa”. Há também um outro que afirma coisa semelhante: “é preciso que haja bobos para os ativos viverem”. Ativos, no mau sentido da palavra, já que os que são ativos na boa acepção do termo sabem que as coisas boas não batem à porta de ninguém. Elas são conquistadas, jamais oferecidas como um negócio de ocasião. Como sempre, vale a velha máxima: “quando a esmola é muita, até o santo desconfia”.
PARA REFLETIR
AUSÊNCIA
Por muito tempo achei que a ausência é falta
E lastimava, ignorante, a falta.
Hoje não a lastimo.
Não há falta na ausência.
A ausência é um estar em mim.
E sinto-a branca, tão pegada, aconchegada nos meus braços,
Que rio e danço e invento exclamações alegres,
Porque a ausência assimilada,
Ninguém a rouba mais de mim.
(Carlos Drummond de Andrade) .
Mais uma reta final
13 de Dezembro de 2009, por Regina Coelho 0
Simplesmente não dá para deixar de perceber e de viver o clima de fim de ano, de todo fim de ano, diga-se de passagem. Espalhado por toda parte, ele contagia a maioria das pessoas, que precisam mostrar fôlego para cumprir uma verdadeira maratona de atividades típicas dessa época. Nas escolas, o aperto é geral. Aqueles alunos que conseguiram garantir seus valiosos pontos ao longo do ano letivo respiram aliviados, antecipadamente vitoriosos. Outros buscam desesperadamente alcançar o mínimo exigido para aprovação. Nessa hora, contas e mais contas são feitas, refeitas e qualquer pontinho que vier é abençoado. Haja promessa também! E arrependimento pela malandragem escolar de quase todo mundo que se vê nessa situação. E o que dizer dos meus colegas professores “atolados até o pescoço” de tanto serviço? Essa parte prefiro esquecer. E os vestibulandos? Chega a ser desumana a carga de estudos a que muitos deles são submetidos. Mas também é muita pressão sobre os coitados.
Além dos limites escolares, encontra-se em curso uma corrida desenfreada e generalizada em busca mesmo do quê? Bom, as festas de confraternização não podem faltar, com elas, a quase sempre presença do amigo-oculto ou secreto, quase sempre nem tão amigo assim. Vá lá, seja tudo pelo espírito de Natal. E por falar nisso, é preciso comprar os presentes (ou lembrancinhas, como queiram). E a ceia natalina? Mais compras à vista. Olhe aí uma possível ambiguidade. Refiro-me a outros gastos iminentes, não ao acerto de contas. É que o impulso de comprar pode ser irresistível levando o consumidor a empurrar o pagamento em “suaves parcelas” para o ano seguinte.
É tempo também de formaturas. E tome mais correria! Lojas cheias, compras, grande agitação pelas ruas, encontros de despedida, preparativos de viagem com a turma da escola... Ufa! Que canseira! Acabou? Claro que não! E o réveillon, você vai passar onde? Quando é que você vai para a praia? Ah, chega! Fico por aqui.
Turma da Vaquinha
Não foi possível incluir na matéria da edição 79 do JL a colaboração do Rafael (filho da Terezinha e do Zé do Socorro) sobre a sua turma, a da Vaquinha. Faço isso agora.
No início deste século, como todo resende-costense que gosta de participar de uma turma, um grupo de amigos que se encontrava todo dia na “avenida” para tomar umas cervejas ou mesmo para aprontar qualquer peripécia que resultasse em boas risadas resolveu criar uma turma de Carnaval, dessas com camisa própria e com um nome divertido. Mas qual seria? Como já era cantado pelos amigos o grito de Carnaval “picisa, num picisa, é do leitinho, é da vaquinha...”, ficou então a Turma da Vaquinha.
A concentração do grupo acontecia na lanchonete do Alessandro (Totó, Lagartão). Depois que ela fechou, o QG se transferiu para o Theatro (bar nos Quatro-cantos), que também fechou as portas. O destino seguinte foi o Bar da Maura (na “avenida”), mas, com a mudança de lugar deste, o bar do Bruxo (o Ricardo da Clarita) passou a acolher o pessoal. Só que, adivinhem! Esse ponto também fechou. Parecia maldição. Agora a turma se encontra com mais frequência no bar do Toru (o Danilo) e em outros como os do Fumega, da Maura e do Didi.
Hoje a Turma da Vaquinha tem aproximadamente 30 integrantes, que se reúnem para organizar eventos como o Pingaril (futebol no Carnaval) e o Vaks Fest, este já na quarta edição. Idas a outras cidades para exposições, festivais e encontros também ocorrem. E mesmo quando não há nenhum evento, a turma não deixa de se reunir, pois cada integrante no mês de seu aniversário tem que doar para o grupo uma caixa de cerveja, o que ajuda a garantir mais uma festa, um churrasco... “picisa, num picisa, é do leitinho, é da vaquinha...”
Nota Final
Agradeço, sensibilizada, ao padre Josué as palavras elogiosas a respeito do artigo de setembro próximo passado (“Ouviram do Ipiranga...”). Faço o mesmo em relação a Sildes (do Bacana), que tem levado nosso jornal para a escola onde trabalha, na vizinha Lagoa Dourada. É muito bom chegar às pessoas pela palavra, melhor ainda é saber que nosso trabalho pode ser útil a alguém. Espero continuar sendo merecedora da atenção e do carinho de todos vocês e dos demais leitores deste cantinho do JL.
Além dos limites escolares, encontra-se em curso uma corrida desenfreada e generalizada em busca mesmo do quê? Bom, as festas de confraternização não podem faltar, com elas, a quase sempre presença do amigo-oculto ou secreto, quase sempre nem tão amigo assim. Vá lá, seja tudo pelo espírito de Natal. E por falar nisso, é preciso comprar os presentes (ou lembrancinhas, como queiram). E a ceia natalina? Mais compras à vista. Olhe aí uma possível ambiguidade. Refiro-me a outros gastos iminentes, não ao acerto de contas. É que o impulso de comprar pode ser irresistível levando o consumidor a empurrar o pagamento em “suaves parcelas” para o ano seguinte.
É tempo também de formaturas. E tome mais correria! Lojas cheias, compras, grande agitação pelas ruas, encontros de despedida, preparativos de viagem com a turma da escola... Ufa! Que canseira! Acabou? Claro que não! E o réveillon, você vai passar onde? Quando é que você vai para a praia? Ah, chega! Fico por aqui.
Turma da Vaquinha
Não foi possível incluir na matéria da edição 79 do JL a colaboração do Rafael (filho da Terezinha e do Zé do Socorro) sobre a sua turma, a da Vaquinha. Faço isso agora.
No início deste século, como todo resende-costense que gosta de participar de uma turma, um grupo de amigos que se encontrava todo dia na “avenida” para tomar umas cervejas ou mesmo para aprontar qualquer peripécia que resultasse em boas risadas resolveu criar uma turma de Carnaval, dessas com camisa própria e com um nome divertido. Mas qual seria? Como já era cantado pelos amigos o grito de Carnaval “picisa, num picisa, é do leitinho, é da vaquinha...”, ficou então a Turma da Vaquinha.
A concentração do grupo acontecia na lanchonete do Alessandro (Totó, Lagartão). Depois que ela fechou, o QG se transferiu para o Theatro (bar nos Quatro-cantos), que também fechou as portas. O destino seguinte foi o Bar da Maura (na “avenida”), mas, com a mudança de lugar deste, o bar do Bruxo (o Ricardo da Clarita) passou a acolher o pessoal. Só que, adivinhem! Esse ponto também fechou. Parecia maldição. Agora a turma se encontra com mais frequência no bar do Toru (o Danilo) e em outros como os do Fumega, da Maura e do Didi.
Hoje a Turma da Vaquinha tem aproximadamente 30 integrantes, que se reúnem para organizar eventos como o Pingaril (futebol no Carnaval) e o Vaks Fest, este já na quarta edição. Idas a outras cidades para exposições, festivais e encontros também ocorrem. E mesmo quando não há nenhum evento, a turma não deixa de se reunir, pois cada integrante no mês de seu aniversário tem que doar para o grupo uma caixa de cerveja, o que ajuda a garantir mais uma festa, um churrasco... “picisa, num picisa, é do leitinho, é da vaquinha...”
Nota Final
Agradeço, sensibilizada, ao padre Josué as palavras elogiosas a respeito do artigo de setembro próximo passado (“Ouviram do Ipiranga...”). Faço o mesmo em relação a Sildes (do Bacana), que tem levado nosso jornal para a escola onde trabalha, na vizinha Lagoa Dourada. É muito bom chegar às pessoas pela palavra, melhor ainda é saber que nosso trabalho pode ser útil a alguém. Espero continuar sendo merecedora da atenção e do carinho de todos vocês e dos demais leitores deste cantinho do JL.