Vocês e eu
09 de Outubro de 2009, por Regina Coelho 1
Completo agora em outubro dois anos como colunista do JORNAL DAS LAJES. Esta é a coluna de número 25. Parece pouco, não é? Não para mim. Nesse tempo todo, escrevi sobre os mais variados assuntos, não sem antes pesquisar aqui e acolá conferindo datas, nomes e indo atrás de pessoas que me pudessem prestar informações de que precisava, ou mesmo confirmar e até esclarecer determinados aspectos de uma situação. Como vocês podem ver, dá trabalho escrever. Isso sem contar as tentativas que fazemos para deixar o texto do nosso jeito, com a nossa cara. Acho que é por isso que jamais esqueci o que Fernando Sabino escreveu a respeito dessa questão. Mesmo sem o talento dele, contando apenas com meus modestos e despretensiosos escritos, julgo-me no direito de concordar com ele, que afirmou:
“Nada mais penoso para mim que a busca da expressão adequada, da propriedade vocabular. Há mil maneiras de dizer uma coisa e só uma é perfeita. Para descobri-la, a gente pode levar a vida inteira. (...) É preciso não duvidar da inteligência do leitor. Tenho a impressão de que, ou ele me valorizaria muito, ou passaria a ter por minha literatura o maior desprezo, se soubesse o que ela me custa: aquilo que ele levou alguns minutos para ler me custa dias, meses, às vezes anos para escrever.”
Essa opinião tão feliz e sincera do mineiríssimo Sabino me remete a um curioso episódio presenciado por mim alguns anos atrás. Estava viajando de ônibus, estando sentada perto de um homem que lia seu jornal. De repente, aquele leitor que me parecera tão entretido na leitura de tantos papéis simplesmente abriu a janela do veículo jogando-os fora. Ele não me deu tempo de lhe pedir emprestado o jornal. Tivesse o imprevisível senhor deixado o seu exemplar abandonado na poltrona, não faltaria quem pelo mesmo por ele se interessasse, como eu, por exemplo. Outros leitores também se apossariam daquele jornal.
Lamentei profundamente aquela atitude, pela falta de educação do sujeito de levar tão ao pé da letra a ideia de que jornal é artigo descartável (Hoje não é assim. É melhor dizer que ele é artigo reciclável.). Lamentei também o ocorrido pela oportunidade perdida de ler, ainda que de carona, as folhas que o vento literalmente levou para longe.
Hoje, como responsável por este CONTEMPLANDO AS PALAVRAS, alegro-me pela oportunidade que não perdi de poder escrever para tanta gente, ainda que sabendo da luta constante com as palavras e das páginas do nosso jornal já lidas ou não, muitas vezes esquecidas rapidamente num canto qualquer ou levadas também pelo vento. Que me perdoe o grande poeta Drummond por me apropriar do seu “Lutar com palavras/ é a luta mais vã/ entanto lutamos/ mal rompe a manhã./ São muitas, eu pouco./ Palavra, palavra/ (digo exasperado), / se me desafias,/ aceito o combate”.
De minha parte, prefiro dizer que a luta pode não ser vã quando a ela se junta o prazer de chegar às pessoas. Muitas delas a gente nem conhece pessoalmente. Nada disso, no entanto, impede que se estabeleça entre nós uma agradável relação de camaradagem. A todos os leitores deste espaço, em especial àqueles que se manifestam em demonstrações de carinho ao que escrevo, dedico a luta que acabei de travar com as palavras. Até a próxima edição. Fiquem com um caso interessante contado por Frei Betto.
Filosofia
No curso de filosofia, em São Paulo, tive um professor cuja pedagogia primava pela irreverência, ao contrário de outros da mesma matéria que, por considerá-la profunda, revestem-se de uma sisudez que mais espanta do que atrai.
O professor tinha por hábito escalar os filósofos como um time de futebol: pré-socráticos contra os socráticos; árabes em desafio aos cristãos; medievais na disputa da taça Sofia com os modernos; contemporâneos analíticos.
O mais curioso – o que nos facilitava o aprendizado – era o modo de ele tratar os filósofos: Pluto era Platão; Ari, Aristóteles; O Gordo, Tomás de Aquino; O das Cartas, Descartes; Chico Toucinho, Francis Bacon; O Espinhoso, Spinoza; Mané do Canto, Kant; Chope Raia, Schopenhauer; Nítido, Nietzsche; O Régua, Hegel; Guto Conta, Comte etc.
Assim, a filosofia deixou de ser, para nós alunos, um mistério, para ser o que é: uma análise racional e crítica da realidade.
“Nada mais penoso para mim que a busca da expressão adequada, da propriedade vocabular. Há mil maneiras de dizer uma coisa e só uma é perfeita. Para descobri-la, a gente pode levar a vida inteira. (...) É preciso não duvidar da inteligência do leitor. Tenho a impressão de que, ou ele me valorizaria muito, ou passaria a ter por minha literatura o maior desprezo, se soubesse o que ela me custa: aquilo que ele levou alguns minutos para ler me custa dias, meses, às vezes anos para escrever.”
Essa opinião tão feliz e sincera do mineiríssimo Sabino me remete a um curioso episódio presenciado por mim alguns anos atrás. Estava viajando de ônibus, estando sentada perto de um homem que lia seu jornal. De repente, aquele leitor que me parecera tão entretido na leitura de tantos papéis simplesmente abriu a janela do veículo jogando-os fora. Ele não me deu tempo de lhe pedir emprestado o jornal. Tivesse o imprevisível senhor deixado o seu exemplar abandonado na poltrona, não faltaria quem pelo mesmo por ele se interessasse, como eu, por exemplo. Outros leitores também se apossariam daquele jornal.
Lamentei profundamente aquela atitude, pela falta de educação do sujeito de levar tão ao pé da letra a ideia de que jornal é artigo descartável (Hoje não é assim. É melhor dizer que ele é artigo reciclável.). Lamentei também o ocorrido pela oportunidade perdida de ler, ainda que de carona, as folhas que o vento literalmente levou para longe.
Hoje, como responsável por este CONTEMPLANDO AS PALAVRAS, alegro-me pela oportunidade que não perdi de poder escrever para tanta gente, ainda que sabendo da luta constante com as palavras e das páginas do nosso jornal já lidas ou não, muitas vezes esquecidas rapidamente num canto qualquer ou levadas também pelo vento. Que me perdoe o grande poeta Drummond por me apropriar do seu “Lutar com palavras/ é a luta mais vã/ entanto lutamos/ mal rompe a manhã./ São muitas, eu pouco./ Palavra, palavra/ (digo exasperado), / se me desafias,/ aceito o combate”.
De minha parte, prefiro dizer que a luta pode não ser vã quando a ela se junta o prazer de chegar às pessoas. Muitas delas a gente nem conhece pessoalmente. Nada disso, no entanto, impede que se estabeleça entre nós uma agradável relação de camaradagem. A todos os leitores deste espaço, em especial àqueles que se manifestam em demonstrações de carinho ao que escrevo, dedico a luta que acabei de travar com as palavras. Até a próxima edição. Fiquem com um caso interessante contado por Frei Betto.
Filosofia
No curso de filosofia, em São Paulo, tive um professor cuja pedagogia primava pela irreverência, ao contrário de outros da mesma matéria que, por considerá-la profunda, revestem-se de uma sisudez que mais espanta do que atrai.
O professor tinha por hábito escalar os filósofos como um time de futebol: pré-socráticos contra os socráticos; árabes em desafio aos cristãos; medievais na disputa da taça Sofia com os modernos; contemporâneos analíticos.
O mais curioso – o que nos facilitava o aprendizado – era o modo de ele tratar os filósofos: Pluto era Platão; Ari, Aristóteles; O Gordo, Tomás de Aquino; O das Cartas, Descartes; Chico Toucinho, Francis Bacon; O Espinhoso, Spinoza; Mané do Canto, Kant; Chope Raia, Schopenhauer; Nítido, Nietzsche; O Régua, Hegel; Guto Conta, Comte etc.
Assim, a filosofia deixou de ser, para nós alunos, um mistério, para ser o que é: uma análise racional e crítica da realidade.
“Ouviram do Ipiranga as marens plácidas...”
16 de Setembro de 2009, por Regina Coelho 0
Não há como negar. A execução do hino nacional mexe mesmo com a emoção da maioria das pessoas. No nosso específico caso, ainda que haja uma geral dificuldade na memorização dos versos do Hino Nacional Brasileiro e um certo preconceito por parte de alguns em cantá-lo (associação aos tempos da ditadura?), nosso sentimento de brasilidade costuma falar mais alto, ou melhor, cantar mais alto quando o ouvimos. No esporte, então, quando nossos atletas conquistam pódios ou medalhas, a identificação povo-Hino Nacional Brasileiro é imediata. E quando se trata do futebol, que é o Brasil vencedor, aquele que dá certo, confundimos tudo. Chegamos a exagerar dizendo que “o Brasil é o país de chuteiras”. É só lembrar os dias de Copa do Mundo e a nação tomada por uma onda verde-amarela de “patriotismo”. Tudo embalado pelos acordes do hino nacional. Seleção brasileira em campo, jogadores perfilados fingindo que cantam, alguns levando a mão ao peito. Torcedores brasileiros devidamente paramentados ou pintados com as cores do escrete canarinho e dominados por uma comoção sem precedentes.
Toda essa introdução vem a propósito da comemoração, em outubro próximo, dos 100 anos de composição da letra desse nosso símbolo nacional, que tem como autor Joaquim Osório Duque Estrada. É bom lembrar que durante quase um século só a melodia (de Francisco Manuel da Silva) foi executada sem ter oficialmente um texto.
Como curiosidade, veja abaixo o que o jornalista Aldo Pereira, autor de um livro sobre o Hino Nacional, propõe: a letra da música lida na ordem direta para uma melhor compreensão da mesma. De quebra, ele apresenta também um glossário com os termos menos conhecidos. Confira!
Margens plácidas: “plácida” significa serena, calma. Esse é o tom desses versos. Ao contrário do hino de outras nações, o nosso não fala em guerras.
Ipiranga: é o riacho junto ao qual D. Pedro I teria proclamado a independência.
Brado retumbante: grito forte, que provoca eco.
Penhor: usado de maneira figurada, “penhor desta igualdade” é a garantia, a segurança de que haverá liberdade.
Imagem do Cruzeiro resplandece: o “Cruzeiro” é a constelação do Cruzeiro do Sul, que brilha, ou resplandece, no céu.
Impávido colosso: “Colosso” é o nome de uma estátua de enormes dimensões. Estar “impávido” é estar tranquilo, calmo.
Mãe gentil: a “mãe gentil” é a pátria. Um país que ama e defende seus “filhos”, os brasileiros, como qualquer mãe.
Florão: “Florão” é um ornato em forma de flor usado nas abóbadas de construções grandiosas. O Brasil seria o ponto mais importante e vistoso da América.
Garrida: enfeitada, que chama a atenção pela beleza.
Lábaro: “lábaro” era um antigo estandarte usado pelos romanos. Aqui é sinônimo de bandeira.
Clava forte: clava é um grande porrete, usado no combate corpo-a-corpo. No verso, significa mobilizar um exército, entrar em guerra.
Toda essa introdução vem a propósito da comemoração, em outubro próximo, dos 100 anos de composição da letra desse nosso símbolo nacional, que tem como autor Joaquim Osório Duque Estrada. É bom lembrar que durante quase um século só a melodia (de Francisco Manuel da Silva) foi executada sem ter oficialmente um texto.
Como curiosidade, veja abaixo o que o jornalista Aldo Pereira, autor de um livro sobre o Hino Nacional, propõe: a letra da música lida na ordem direta para uma melhor compreensão da mesma. De quebra, ele apresenta também um glossário com os termos menos conhecidos. Confira!
HINO NACIONAL |
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As margens plácidas do Ipiranga ouviram O brado retumbante de um povo heroico, E, nesse instante, o sol da Liberdade Brilhou, em raios fulgidos, no céu da Pátria. Se conseguimos conquistar com braço forte O penhor desta igualdade, Em teu seio, ó Liberdade, o nosso peito Desafia a própria morte! Ó Pátria amada, Idolatrada, Salve! Salve! Brasil, se a imagem do Cruzeiro resplandece II Ó Brasil, florão da América, Deitado eternamente em berço esplêndido, Ao som do mar e à luz do céu profundo, Fulguras iluminado ao sol do Novo Mundo! Teus campos lindos, risonhos, têm mais flores Do que a terra mais garrida; [e assim como] “nossos bosques têm mais vida,” [também] “nossa vida” no teu seio [tem] “mais amores”. |
Em teu céu formoso, risonho e límpido, Um sonho intenso, um raio vívido De amor e de esperança desce à terra. És belo, és forte, impávido colosso, Gigante pela própria natureza, E o teu futuro espelha essa grandeza. Ó Pátria amada, Brasil, [apenas] tu, Entre outras mil [terras], És terra adorada! Pátria amada, Brasil, És mãe gentil dos filhos deste solo! Ó Pátria amada... Brasil, o lábaro estrelado que ostentas Seja símbolo de amor eterno, E o verde-louro dessa flâmula diga: Paz no futuro e glória no passado. Mas, se ergues a clava forte da justiça, Verás que um filho teu não foge à luta, Quem te adora não teme nem a própria morte. Terra adorada... |
Margens plácidas: “plácida” significa serena, calma. Esse é o tom desses versos. Ao contrário do hino de outras nações, o nosso não fala em guerras.
Ipiranga: é o riacho junto ao qual D. Pedro I teria proclamado a independência.
Brado retumbante: grito forte, que provoca eco.
Penhor: usado de maneira figurada, “penhor desta igualdade” é a garantia, a segurança de que haverá liberdade.
Imagem do Cruzeiro resplandece: o “Cruzeiro” é a constelação do Cruzeiro do Sul, que brilha, ou resplandece, no céu.
Impávido colosso: “Colosso” é o nome de uma estátua de enormes dimensões. Estar “impávido” é estar tranquilo, calmo.
Mãe gentil: a “mãe gentil” é a pátria. Um país que ama e defende seus “filhos”, os brasileiros, como qualquer mãe.
Florão: “Florão” é um ornato em forma de flor usado nas abóbadas de construções grandiosas. O Brasil seria o ponto mais importante e vistoso da América.
Garrida: enfeitada, que chama a atenção pela beleza.
Lábaro: “lábaro” era um antigo estandarte usado pelos romanos. Aqui é sinônimo de bandeira.
Clava forte: clava é um grande porrete, usado no combate corpo-a-corpo. No verso, significa mobilizar um exército, entrar em guerra.
Paixão por Roberto Carlos
16 de Agosto de 2009, por Regina Coelho 0
Muito se tem falado sobre os cinquenta anos de vida artística do cantor Roberto Carlos, que estão sendo comemorados neste ano. Os meios de comunicação destacam sua carreira vitoriosa, os tempos de Jovem Guarda, os incontáveis sucessos ao longo de tantos anos e a linguagem tão característica desse artista, tido como o mais popular do país (“É uma brasa, mora”, “garota papo firme”, “bicho”).
E tome popularidade! A legião de fãs que o Rei possui pelo Brasil é coisa de impressionar. Aqui mesmo em Resende Costa, apesar de não haver um fã-clube formado oficialmente, há uma turma grande que curte Roberto Carlos. Isso significa acompanhar tudo o que diz respeito à sua trajetória profissional. Significa também ter todos os seus discos (isso mesmo, discos!), CDs e saber de cor letras e mais letras de suas músicas. E mais: programa anual do Rei na tevê é para ser gravado. E por que não ir ao show dele em Belo Horizonte ou mesmo em outro lugar? Coisas de fã. Gente como a Maria Moreira, a Leila (do Savinho), a Vanda Daher, a Ivoni (do Quincas), a Nhá (do Zé Henrique), a Maria (do Lico), o Camilo Vale, o José Alair (Jota Resende), o Edgar do Nico Resende (Kid), o Batista (professor Batistuta) e o saudoso Edmar Reis (do Antônio Damasceno).
Por desconhecimento meu, não posso citar nomes de outros fãs que o Rei conquistou em Resende Costa. Sintam-se, portanto, representados pelos “colegas” de tietagem citados e pelo que alguns deles disseram.
“O que ele canta em suas canções é como se eu tivesse vivido tudo aquilo. Ele é considerado, ao lado de Erasmo Carlos, um dos maiores compositores brasileiros. Admiro o Rei, que com sua simplicidade sempre ajudou os mais carentes através de shows beneficentes por todo o Brasil. Ele é um artista completo e se lembra em suas canções não só das mulheres, mas também da natureza, da fé em Deus e de vários profissionais (o caminhoneiro, o taxista...). Tive a honra de ir a um show dele em Belo Horizonte com os meus primos Camilo e Ilca, em 1998 e pretendo voltar ao próximo em BH, agora em 2009. Igual ao Roberto não existe outro. É o que penso.” (Edgar – Kid)
“Para mim ele realmente é o Rei da MPB. Foi o Rei da Jovem Guarda e ainda reina como melhor compositor e intérprete da nossa música. Comecei a gostar das músicas de Roberto Carlos quando ainda era criança. Tenho quase todos os seus discos no formato de LP (vinil) e vários CDs que completam a minha coleção. As músicas dele de que mais gosto são “Jesus Cristo”, “Amigo” e “Eu sou terrível”. Daí eu gostar de ser chamado de “o terrível Ratinho dos anos 80”, em referência a uma época em que eu comandava vários shows de calouros e surgiram muitos candidatos cantando músicas do Rei, o que para mim era uma grande alegria. Termino o meu depoimento dizendo que são muitas as emoções.” (Jota Resende)
“Para mim é o maior de todos dentro da MPB. Por vários motivos Roberto Carlos é merecedor de todo o sucesso. Muitas emissoras de rádio têm programas especiais com músicas do Rei, inclusive a nossa Rádio Inconfidentes FM, 87,9, com o programa “Encontro com o Rei”, todo sábado das onze ao meio-dia. A atração hoje é apresentada pela mais nova locutora da Inconfidentes, a Ana Paula, que curte muito Roberto Carlos.” (Camilo Vale)
“Coleciono tudo o que ele grava. Sempre que me procuram precisando de alguma música dele, consigo achá-la na minha coleção. Acompanho tudo sobre sua carreira e já fui assistir a um show dele em São João Del Rei.” (Ivoni de Assis Resende)
“Ele é o ídolo da minha juventude. Suas músicas emocionam, tocam o coração da gente. As letras possuem uma mensagem de amor. Roberto Carlos também homenageia Jesus Cristo. Ele é uma pessoa simples, humilde, um homem de fé. Recebi dele uma rosa quando assisti a um show em que ele se apresentou em São João. Roberto é o meu ídolo sempre.” (Vanda Daher)
Bacana isso, não? Roberto Carlos merece. Afinal de contas, manter-se no topo por tanto tempo não é mero acaso. É coisa de gente predestinada ao sucesso, nesse caso, garantido pelo enorme contingente de fiéis e alucinados fãs espalhados por aí. Pura paixão entre o Rei e seus súditos.
NOTA: Na produção dessa matéria, contei com a colaboração entusiasmada do Camilo Vale, a quem agradeço.
E tome popularidade! A legião de fãs que o Rei possui pelo Brasil é coisa de impressionar. Aqui mesmo em Resende Costa, apesar de não haver um fã-clube formado oficialmente, há uma turma grande que curte Roberto Carlos. Isso significa acompanhar tudo o que diz respeito à sua trajetória profissional. Significa também ter todos os seus discos (isso mesmo, discos!), CDs e saber de cor letras e mais letras de suas músicas. E mais: programa anual do Rei na tevê é para ser gravado. E por que não ir ao show dele em Belo Horizonte ou mesmo em outro lugar? Coisas de fã. Gente como a Maria Moreira, a Leila (do Savinho), a Vanda Daher, a Ivoni (do Quincas), a Nhá (do Zé Henrique), a Maria (do Lico), o Camilo Vale, o José Alair (Jota Resende), o Edgar do Nico Resende (Kid), o Batista (professor Batistuta) e o saudoso Edmar Reis (do Antônio Damasceno).
Por desconhecimento meu, não posso citar nomes de outros fãs que o Rei conquistou em Resende Costa. Sintam-se, portanto, representados pelos “colegas” de tietagem citados e pelo que alguns deles disseram.
“O que ele canta em suas canções é como se eu tivesse vivido tudo aquilo. Ele é considerado, ao lado de Erasmo Carlos, um dos maiores compositores brasileiros. Admiro o Rei, que com sua simplicidade sempre ajudou os mais carentes através de shows beneficentes por todo o Brasil. Ele é um artista completo e se lembra em suas canções não só das mulheres, mas também da natureza, da fé em Deus e de vários profissionais (o caminhoneiro, o taxista...). Tive a honra de ir a um show dele em Belo Horizonte com os meus primos Camilo e Ilca, em 1998 e pretendo voltar ao próximo em BH, agora em 2009. Igual ao Roberto não existe outro. É o que penso.” (Edgar – Kid)
“Para mim ele realmente é o Rei da MPB. Foi o Rei da Jovem Guarda e ainda reina como melhor compositor e intérprete da nossa música. Comecei a gostar das músicas de Roberto Carlos quando ainda era criança. Tenho quase todos os seus discos no formato de LP (vinil) e vários CDs que completam a minha coleção. As músicas dele de que mais gosto são “Jesus Cristo”, “Amigo” e “Eu sou terrível”. Daí eu gostar de ser chamado de “o terrível Ratinho dos anos 80”, em referência a uma época em que eu comandava vários shows de calouros e surgiram muitos candidatos cantando músicas do Rei, o que para mim era uma grande alegria. Termino o meu depoimento dizendo que são muitas as emoções.” (Jota Resende)
“Para mim é o maior de todos dentro da MPB. Por vários motivos Roberto Carlos é merecedor de todo o sucesso. Muitas emissoras de rádio têm programas especiais com músicas do Rei, inclusive a nossa Rádio Inconfidentes FM, 87,9, com o programa “Encontro com o Rei”, todo sábado das onze ao meio-dia. A atração hoje é apresentada pela mais nova locutora da Inconfidentes, a Ana Paula, que curte muito Roberto Carlos.” (Camilo Vale)
“Coleciono tudo o que ele grava. Sempre que me procuram precisando de alguma música dele, consigo achá-la na minha coleção. Acompanho tudo sobre sua carreira e já fui assistir a um show dele em São João Del Rei.” (Ivoni de Assis Resende)
“Ele é o ídolo da minha juventude. Suas músicas emocionam, tocam o coração da gente. As letras possuem uma mensagem de amor. Roberto Carlos também homenageia Jesus Cristo. Ele é uma pessoa simples, humilde, um homem de fé. Recebi dele uma rosa quando assisti a um show em que ele se apresentou em São João. Roberto é o meu ídolo sempre.” (Vanda Daher)
Bacana isso, não? Roberto Carlos merece. Afinal de contas, manter-se no topo por tanto tempo não é mero acaso. É coisa de gente predestinada ao sucesso, nesse caso, garantido pelo enorme contingente de fiéis e alucinados fãs espalhados por aí. Pura paixão entre o Rei e seus súditos.
NOTA: Na produção dessa matéria, contei com a colaboração entusiasmada do Camilo Vale, a quem agradeço.
Tempo de comemorar
13 de Julho de 2009, por Regina Coelho 0
No ano em que Resende Costa comemora seus 97 anos de emancipação política, uma importante história de 90 anos ligada à educação no município merece ser lembrada. Assim é que pelo Decreto 3885, de 20 de abril de 1913, com publicação no “Minas Gerais” do dia seguinte, foi criado o Grupo Escolar Assis Resende. Instalado oficialmente no dia 19 de julho de 1919, o Assis Resende representou o início do processo de democratização do ensino na cidade. Até então um privilégio de uma minoria que podia receber instrução particular em casa, a oportunidade de estudar no curso primário público da nova escola se abriu para as 424 crianças matriculadas naquele longínquo 1919. E para tantas outras que vieram depois.
As primeiras décadas do século passado viram surgir o trabalho desbravador das professoras primárias que passaram pelo educandário. Fiel a seus princípios de alfabetizar e instruir várias gerações de moradores da nossa cidade, o Grupo Escolar Assis Resende consolidou seu ideal ao longo dos anos, tornando-se também referência afetiva na vida de muita gente.
Em 1986, com o processo de estadualização do Ensino Médio ministrado na extinta Escola da Comunidade Nossa Senhora da Penha e com o novo nome de “Escola Estadual Assis Resende”, a instituição tomou para si outro desafio. Uma nova extensão de séries ocorreu em 1990 no que se chamava Primeiro Grau, agora Ensino Fundamental.
Não existem mais hoje as turmas do curso primário na escola, municipalizado que foi, a partir de 1998, mas a história continua. A cada ano novas turmas se formam e se desfazem, em processo de dinâmica caminhada para a qual a Escola Estadual Assis Resende se faz sempre presente. Comandada atualmente por Maria Luzia Resende, ela é sinônimo de Resende Costa. Ambas, cidade e escola, além de contemporâneas, são motivo de nosso orgulho.
Uma visita ao passado
Você quer conhecer um pouco de Resende Costa de outros tempos? Quer ver ruas hoje modificadas, casas que já nem existem mais, alguns elementos agora ausentes da nossa paisagem? Se respondeu “sim”, visite o site www.resendecostaturismo.com e clique no link “Fotos antigas”. Desenvolvido por Arlen Resende e Rafael Alves, este último nosso colega aqui do jornal, o trabalho dos dois é muito interessante. As imagens selecionadas são cópias de fotos originalmente expostas na Casa de Cultura, sendo retiradas de lá em razão das precárias condições atuais daquele espaço. Merecem figurar em local de destaque para que ganhem mais visibilidade e possam, assim, ser apreciadas por todos. A cidade agradeceria.
Quanto às fotos propriamente ditas, chamam a atenção, por exemplo, as Ruas Assis Resende (detalhe da antiga padaria) e Gonçalves Pinto (detalhe da construção da Praça Dr. Costa Pinto). Um simpático e raro automóvel (a quem pertencia?), a antiga bomba de gasolina e um lampião de carbureto podem ser vistos em fotos dos “Quatro Cantos”. Quanta mudança! Nem mesmo esse nome é tão usado como antes. Estão registrados ainda momentos históricos ligados à criação de Resende Costa. E o que dizer da belíssima igreja matriz em estilo neogótico e que deu lugar à atual construção? E como não ter os olhos voltados para uma procissão subindo a Praça Mendes Resende? Ou deixar de apreciar os sisudos músicos da Banda Municipal de uma época perdida no tempo?
Pois é. Faltam datas e nomes (os possíveis, é claro) na maioria das fotos, o que é uma pena. Até onde sei, elas pertencem à Paróquia Nossa Senhora da Penha, que as emprestou para reprodução. Méritos aqui para a Luísa Helena (do Murilo, filho do “seu” Zé Mendonça), que esteve à frente desse trabalho. Não posso deixar de mencionar o empenho do Alcides Lara (meu saudoso tio) e do Dr. Luiz (médico) na recuperação desse valioso material, transformado posteriormente em exposição a partir de 1992, na já citada Casa de Cultura. Na ocasião, os quadros com as cópias das fotografias foram patrocinados por pessoas da cidade que se mostraram sensíveis ao projeto.
De volta ao site dos meninos, a dica é navegar pela internet para uma visita ao passado. Confira!
As primeiras décadas do século passado viram surgir o trabalho desbravador das professoras primárias que passaram pelo educandário. Fiel a seus princípios de alfabetizar e instruir várias gerações de moradores da nossa cidade, o Grupo Escolar Assis Resende consolidou seu ideal ao longo dos anos, tornando-se também referência afetiva na vida de muita gente.
Em 1986, com o processo de estadualização do Ensino Médio ministrado na extinta Escola da Comunidade Nossa Senhora da Penha e com o novo nome de “Escola Estadual Assis Resende”, a instituição tomou para si outro desafio. Uma nova extensão de séries ocorreu em 1990 no que se chamava Primeiro Grau, agora Ensino Fundamental.
Não existem mais hoje as turmas do curso primário na escola, municipalizado que foi, a partir de 1998, mas a história continua. A cada ano novas turmas se formam e se desfazem, em processo de dinâmica caminhada para a qual a Escola Estadual Assis Resende se faz sempre presente. Comandada atualmente por Maria Luzia Resende, ela é sinônimo de Resende Costa. Ambas, cidade e escola, além de contemporâneas, são motivo de nosso orgulho.
Uma visita ao passado
Você quer conhecer um pouco de Resende Costa de outros tempos? Quer ver ruas hoje modificadas, casas que já nem existem mais, alguns elementos agora ausentes da nossa paisagem? Se respondeu “sim”, visite o site www.resendecostaturismo.com e clique no link “Fotos antigas”. Desenvolvido por Arlen Resende e Rafael Alves, este último nosso colega aqui do jornal, o trabalho dos dois é muito interessante. As imagens selecionadas são cópias de fotos originalmente expostas na Casa de Cultura, sendo retiradas de lá em razão das precárias condições atuais daquele espaço. Merecem figurar em local de destaque para que ganhem mais visibilidade e possam, assim, ser apreciadas por todos. A cidade agradeceria.
Quanto às fotos propriamente ditas, chamam a atenção, por exemplo, as Ruas Assis Resende (detalhe da antiga padaria) e Gonçalves Pinto (detalhe da construção da Praça Dr. Costa Pinto). Um simpático e raro automóvel (a quem pertencia?), a antiga bomba de gasolina e um lampião de carbureto podem ser vistos em fotos dos “Quatro Cantos”. Quanta mudança! Nem mesmo esse nome é tão usado como antes. Estão registrados ainda momentos históricos ligados à criação de Resende Costa. E o que dizer da belíssima igreja matriz em estilo neogótico e que deu lugar à atual construção? E como não ter os olhos voltados para uma procissão subindo a Praça Mendes Resende? Ou deixar de apreciar os sisudos músicos da Banda Municipal de uma época perdida no tempo?
Pois é. Faltam datas e nomes (os possíveis, é claro) na maioria das fotos, o que é uma pena. Até onde sei, elas pertencem à Paróquia Nossa Senhora da Penha, que as emprestou para reprodução. Méritos aqui para a Luísa Helena (do Murilo, filho do “seu” Zé Mendonça), que esteve à frente desse trabalho. Não posso deixar de mencionar o empenho do Alcides Lara (meu saudoso tio) e do Dr. Luiz (médico) na recuperação desse valioso material, transformado posteriormente em exposição a partir de 1992, na já citada Casa de Cultura. Na ocasião, os quadros com as cópias das fotografias foram patrocinados por pessoas da cidade que se mostraram sensíveis ao projeto.
De volta ao site dos meninos, a dica é navegar pela internet para uma visita ao passado. Confira!
Inventando moda
13 de Junho de 2009, por Regina Coelho 0

Paula Lara e a apresentadora Adriana Colin
A estilista Paula Lara mostra coragem ao trocar a advocacia pela moda, faz sucesso entre as famosas, mas diz que são muitas as armadilhas desse ramo de atividade.
Nascida e criada em Belo Horizonte, onde mora, a estilista e empresária PAULA LARA tem raízes resende-costenses. Ela é neta do saudoso casal José Jacinto Lara e Helena Fonseca Lara (ele, por muitos anos dentista e depois escrivão do crime na cidade; ela, professora primária do então Grupo Escolar Assis Resende, hoje Escola Estadual Assis Resende). Das muitas férias e festas passadas durante a infância e a adolescência aos dias atuais, muita coisa mudou na vida dessa profissional que vem despontando com força no cenário mineiro da moda feminina. Aos 27 anos, a criadora da marca “Atalena” comanda uma equipe de trabalho formada por 10 pessoas (chefe de produção, auxiliar de serviços gerais, passadeira, arrematadeira, pilotista, cortador, modelista, estagiária e duas vendedoras). Suas ideias em relação às atividades que desenvolve revelam a maturidade de quem já conhece o lado menos charmoso das confecções de roupas. É o mesmo que requer muito trabalho, gera milhares de empregos, movimenta a indústria e o comércio, fortalece a economia e faz surgirem talentos como Paula. Leia a seguir a entrevista que ela concedeu ao JORNAL DAS LAJES.
Quando surgiu o interesse por moda, profissionalmente falando?
O interesse por moda surgiu através de um certo desencanto com o Direito. Quando da minha formatura em 2004, percebi que deveria buscar outra profissão, pois senti que na área jurídica eu não seria feliz. Assim, entrei na faculdade de moda no começo de 2005 e me apaixonei. Primeiro veio o aprendizado teórico, ou seja, fiz o curso de design de moda pelo Instituto Marangoni, de Milão, e depois tive a experiência prática, que primeiramente ocorreu na Itália.
Como foi o começo, o primeiro trabalho?
O primeiro emprego na área de moda foi ainda na Itália. Trabalhei com um estilista que tinha uma linha de tênis na “Puma”, e para a Copa de 2006 desenvolveu o uniforme da seleção italiana, que saiu vencedora na disputa. Além dessa veia esportiva, tínhamos que gerenciar as linhas “femininas” e “homem clássico”. Foi muito válido, mas sabia que o masculino não era meu forte. Já no Brasil, meu primeiro emprego foi oferecido por uma amiga, que na época da minha ida à Itália foi uma grande incentivadora, e, quando retornei, colocou-me como sua assistente, na marca “Nef”. Ali permaneci por um ano, período em que pude conhecer o funcionamento de uma confecção de roupas, os fornecedores de tecidos, profissionais da área, etc.
E a escolha da marca Atalena, como você explica?
O nome “Atalena” surgiu ainda na época da faculdade de moda e é formado pelos nomes de minhas avós materna (Atalice) e paterna (Helena). Quando tive a oportunidade de montar a minha confecção, não hesitei em usar esse nome e, assim, homenagear minhas avós queridas.
Quais são suas principais motivações ao criar uma peça?
Difícil falar sobre motivação para a criação de uma peça. Na verdade, sofremos influências cotidianamente: vemos um filme, lemos um livro, andamos na rua e vemos algo que nos chama atenção, viajamos, lemos “blogs” (essa é a minha mais nova mania), assistimos televisão, e tudo isso serve como subsídio e inspiração para que se possa perceber o que as pessoas querem e almejam vestir. Exemplo dessa tendência comportamental, que é quase imperceptível, é a moda indiana, há tempos esquecida. Não é a toa que a Globo está explorando essa tendência. O lançamento do filme “Quem Quer Ser um Milionário?” colocou a Índia em evidência no cenário mundial cultural, o que é somente uma consequência de sua cultura milenar, e de seu enorme crescimento nos últimos anos. Esse crescimento mostrou ao mundo um país maravilhoso, com sua religião, costumes, hábitos, inclusive os de vestir. Assim, conseguimos entender por que as pessoas buscam cada vez mais os sáris e as calças “saruel”, além dos xales estampados. Ao criar uma peça, o estilista deve ter a sensibilidade de perceber o que as pessoas querem vestir, mas para isso ele deve buscar a informação e estar sempre atento às transformações sociais, culturais, comportamentais e econômicas.
Até que ponto o fato de ter morado e estudado em Milão, um dos mais importantes centros da moda no mundo, influenciou você?
Ter morado em Milão me mostrou que a moda não é nem um pouco glamourosa. Passei quase dois anos lá e tive pouco tempo para viajar, pois o curso demandava muita dedicação. Nas horas de folga, visitávamos exposições, museus, bibliotecas, atividades estas que nos ajudavam nos trabalhos do curso. Na verdade, quem escolhe essa profissão busca incessantemente a novidade, a informação, as mudanças sociais. Tudo se torna material de pesquisa. Esse “espírito de busca” trago sempre comigo, e foi algo que desenvolvi lá.
Considerando todos os processos por que passa cada trabalho seu, o que lhe dá mais prazer?
Duas etapas de meu trabalho me fazem muito bem: quando vejo a roupa pronta e gosto do resultado e quando vejo alguém na rua vestindo Atalena, alguém que não conheço, que somente viu uma roupa na arara de uma loja e gostou. Essa parte é muito prazerosa.
Basicamente, que tipo de mulher veste suas roupas?
A mulher Atalena é muito romântica, aprecia babados e laços. É madura, apesar de vestir vestidos bem pueris, gosta de uma novidade, de algo diferente, mas ao mesmo tempo é tradicional e bem delicada. Podemos dizer que a mulher “Atalena” pode ter 20 anos como pode ter 50 anos, pois o que importa é simpatizar com o estilo da marca.
De que forma a marca Atalena chega às consumidoras?
A “Atalena” ainda é uma marca muito pequena, e como em toda microempresa, a logística é um pouco diferente. Mas temos um showroom em Belo Horizonte, que atende somente ao atacado, ou seja, vendemos só para lojistas. E temos várias lojas que nos representam, espalhadas por Minas Gerais, tais como Uberlândia, Montes Claros, Ouro Branco, Conselheiro Lafaiete e em outros estados, como Amazonas, Piauí e Goiás.
A que você atribui o sucesso de suas criações, principalmente entre mulheres famosas que aparecem na tevê usando peças da Atalena?
Várias celebridades já apareceram em novelas usando Atalena, e isso se deve a um importante trabalho de assessoria de imprensa, que oferece nossas roupas aos produtores de figurino da Globo, que escolhem aquelas que mais se adaptam a um personagem ou outro. Assim, Vera Fisher, Débora Secco, Adriana Colin, Marjorie Estiano, além de jornalistas da Globo Minas já apareceram usando uma criação da Atalena.
O que significa para você fazer moda no Brasil hoje, lembrando ainda que vivemos um momento de crise econômica mundial?
Quem opta por trabalhar no ramo da confecção, de um modo geral, precisa ter o pé bem no chão, pois são muitas as armadilhas. Muitas são as fábricas que não conseguem sobreviver nesses tempos de instabilidade econômica, quando os riscos são maiores. A Atalena começou suas operações em 2008, um ano de reviravoltas econômicas, mas, como estamos em um período de adaptação ao mercado, não podemos ainda falar sobre os efeitos da crise. Tenho consciência também de que fazer moda é uma atividade que demanda muito cuidado, e por isso se deve ter toda cautela nas compras de matéria-prima e no controle de estoque, para que a empresa não passe por nenhuma dificuldade. Lembro-me sempre de uma frase cujo autor desconheço, que diz: “Em tempos de dificuldades e crise, temos a oportunidade de mostrarmos que somos fortes”.
Nascida e criada em Belo Horizonte, onde mora, a estilista e empresária PAULA LARA tem raízes resende-costenses. Ela é neta do saudoso casal José Jacinto Lara e Helena Fonseca Lara (ele, por muitos anos dentista e depois escrivão do crime na cidade; ela, professora primária do então Grupo Escolar Assis Resende, hoje Escola Estadual Assis Resende). Das muitas férias e festas passadas durante a infância e a adolescência aos dias atuais, muita coisa mudou na vida dessa profissional que vem despontando com força no cenário mineiro da moda feminina. Aos 27 anos, a criadora da marca “Atalena” comanda uma equipe de trabalho formada por 10 pessoas (chefe de produção, auxiliar de serviços gerais, passadeira, arrematadeira, pilotista, cortador, modelista, estagiária e duas vendedoras). Suas ideias em relação às atividades que desenvolve revelam a maturidade de quem já conhece o lado menos charmoso das confecções de roupas. É o mesmo que requer muito trabalho, gera milhares de empregos, movimenta a indústria e o comércio, fortalece a economia e faz surgirem talentos como Paula. Leia a seguir a entrevista que ela concedeu ao JORNAL DAS LAJES.
Quando surgiu o interesse por moda, profissionalmente falando?
O interesse por moda surgiu através de um certo desencanto com o Direito. Quando da minha formatura em 2004, percebi que deveria buscar outra profissão, pois senti que na área jurídica eu não seria feliz. Assim, entrei na faculdade de moda no começo de 2005 e me apaixonei. Primeiro veio o aprendizado teórico, ou seja, fiz o curso de design de moda pelo Instituto Marangoni, de Milão, e depois tive a experiência prática, que primeiramente ocorreu na Itália.
Como foi o começo, o primeiro trabalho?
O primeiro emprego na área de moda foi ainda na Itália. Trabalhei com um estilista que tinha uma linha de tênis na “Puma”, e para a Copa de 2006 desenvolveu o uniforme da seleção italiana, que saiu vencedora na disputa. Além dessa veia esportiva, tínhamos que gerenciar as linhas “femininas” e “homem clássico”. Foi muito válido, mas sabia que o masculino não era meu forte. Já no Brasil, meu primeiro emprego foi oferecido por uma amiga, que na época da minha ida à Itália foi uma grande incentivadora, e, quando retornei, colocou-me como sua assistente, na marca “Nef”. Ali permaneci por um ano, período em que pude conhecer o funcionamento de uma confecção de roupas, os fornecedores de tecidos, profissionais da área, etc.
E a escolha da marca Atalena, como você explica?
O nome “Atalena” surgiu ainda na época da faculdade de moda e é formado pelos nomes de minhas avós materna (Atalice) e paterna (Helena). Quando tive a oportunidade de montar a minha confecção, não hesitei em usar esse nome e, assim, homenagear minhas avós queridas.
Quais são suas principais motivações ao criar uma peça?
Difícil falar sobre motivação para a criação de uma peça. Na verdade, sofremos influências cotidianamente: vemos um filme, lemos um livro, andamos na rua e vemos algo que nos chama atenção, viajamos, lemos “blogs” (essa é a minha mais nova mania), assistimos televisão, e tudo isso serve como subsídio e inspiração para que se possa perceber o que as pessoas querem e almejam vestir. Exemplo dessa tendência comportamental, que é quase imperceptível, é a moda indiana, há tempos esquecida. Não é a toa que a Globo está explorando essa tendência. O lançamento do filme “Quem Quer Ser um Milionário?” colocou a Índia em evidência no cenário mundial cultural, o que é somente uma consequência de sua cultura milenar, e de seu enorme crescimento nos últimos anos. Esse crescimento mostrou ao mundo um país maravilhoso, com sua religião, costumes, hábitos, inclusive os de vestir. Assim, conseguimos entender por que as pessoas buscam cada vez mais os sáris e as calças “saruel”, além dos xales estampados. Ao criar uma peça, o estilista deve ter a sensibilidade de perceber o que as pessoas querem vestir, mas para isso ele deve buscar a informação e estar sempre atento às transformações sociais, culturais, comportamentais e econômicas.
Até que ponto o fato de ter morado e estudado em Milão, um dos mais importantes centros da moda no mundo, influenciou você?
Ter morado em Milão me mostrou que a moda não é nem um pouco glamourosa. Passei quase dois anos lá e tive pouco tempo para viajar, pois o curso demandava muita dedicação. Nas horas de folga, visitávamos exposições, museus, bibliotecas, atividades estas que nos ajudavam nos trabalhos do curso. Na verdade, quem escolhe essa profissão busca incessantemente a novidade, a informação, as mudanças sociais. Tudo se torna material de pesquisa. Esse “espírito de busca” trago sempre comigo, e foi algo que desenvolvi lá.
Considerando todos os processos por que passa cada trabalho seu, o que lhe dá mais prazer?
Duas etapas de meu trabalho me fazem muito bem: quando vejo a roupa pronta e gosto do resultado e quando vejo alguém na rua vestindo Atalena, alguém que não conheço, que somente viu uma roupa na arara de uma loja e gostou. Essa parte é muito prazerosa.
Basicamente, que tipo de mulher veste suas roupas?
A mulher Atalena é muito romântica, aprecia babados e laços. É madura, apesar de vestir vestidos bem pueris, gosta de uma novidade, de algo diferente, mas ao mesmo tempo é tradicional e bem delicada. Podemos dizer que a mulher “Atalena” pode ter 20 anos como pode ter 50 anos, pois o que importa é simpatizar com o estilo da marca.
De que forma a marca Atalena chega às consumidoras?
A “Atalena” ainda é uma marca muito pequena, e como em toda microempresa, a logística é um pouco diferente. Mas temos um showroom em Belo Horizonte, que atende somente ao atacado, ou seja, vendemos só para lojistas. E temos várias lojas que nos representam, espalhadas por Minas Gerais, tais como Uberlândia, Montes Claros, Ouro Branco, Conselheiro Lafaiete e em outros estados, como Amazonas, Piauí e Goiás.
A que você atribui o sucesso de suas criações, principalmente entre mulheres famosas que aparecem na tevê usando peças da Atalena?
Várias celebridades já apareceram em novelas usando Atalena, e isso se deve a um importante trabalho de assessoria de imprensa, que oferece nossas roupas aos produtores de figurino da Globo, que escolhem aquelas que mais se adaptam a um personagem ou outro. Assim, Vera Fisher, Débora Secco, Adriana Colin, Marjorie Estiano, além de jornalistas da Globo Minas já apareceram usando uma criação da Atalena.
O que significa para você fazer moda no Brasil hoje, lembrando ainda que vivemos um momento de crise econômica mundial?
Quem opta por trabalhar no ramo da confecção, de um modo geral, precisa ter o pé bem no chão, pois são muitas as armadilhas. Muitas são as fábricas que não conseguem sobreviver nesses tempos de instabilidade econômica, quando os riscos são maiores. A Atalena começou suas operações em 2008, um ano de reviravoltas econômicas, mas, como estamos em um período de adaptação ao mercado, não podemos ainda falar sobre os efeitos da crise. Tenho consciência também de que fazer moda é uma atividade que demanda muito cuidado, e por isso se deve ter toda cautela nas compras de matéria-prima e no controle de estoque, para que a empresa não passe por nenhuma dificuldade. Lembro-me sempre de uma frase cujo autor desconheço, que diz: “Em tempos de dificuldades e crise, temos a oportunidade de mostrarmos que somos fortes”.