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A fama em foco

27 de Janeiro de 2026, por Regina Coelho

É possível dizer com relativa facilidade o que há em comum entre os brasileiros Roberto Carlos Braga, Xuxa Meneghel e Neymar Jr. Muitos provavelmente dirão que os três são ricos. É quase certo que sim, mas desconheço, por desinteresse mesmo, esse aspecto da vida de cada um deles e os parâmetros usados para defini-los como tal. Seguindo uma outra lógica, pode-se afirmar, sem qualquer questionamento, que eles são famosos, muito famosos. E por assim serem, são conhecidos do grande público e reconhecidos pelo que fizeram (fazem) profissionalmente.

Dono de uma impressionante popularidade e com uma legião fiel de fãs, RC vem desenvolvendo há décadas no Brasil e fora dele uma sólida carreira de sucesso na música como cantor e compositor, por isso, não à toa é chamado de Rei e considerado por tantos uma verdadeira instituição nacional. A Rainha dos Baixinhos, ainda hoje uma referência histórica no entretenimento brasileiro e no latino-americano, viveu o auge da fama nos anos 1980 e 1990, época em que foi apresentadora de programas infantis na tevê e alcançou recordes de vendas de discos com gravações de seus inúmeros hits musicais, mesmo sem ser exatamente uma cantora. E o Menino Ney, agora um jovem senhor, com talento precoce para o futebol e estilo de jogo espetacular, com o tempo, viu seu nome ser aclamado mundo afora.

Esse reconhecimento coletivo, independentemente de ter sido sonhado um dia por quem o conquistou, vem e se mantém (ou não) como consequência da aprovação de um trabalho e da admiração por quem o faz. Coisa muito diferente do que se vê na busca a qualquer custo da fama pela fama, um fenômeno contemporâneo impulsionado principalmente pelas redes sociais. Sendo espaços onde já famosos, novos famosos e anônimos se dão bem com seus bons serviços, as mídias sociais são também ferramentas de comunicação largamente exploradas pelos que só querem aparecer, ter fama.

O problema é que existe também a má fama, ou melhor, existem aqueles indivíduos que têm uma reputação ruim, uma imagem pública negativa em razão de seu caráter (duvidoso ou inexistente) ou de suas ações. Criminosos como Fernandinho Beira-Mar e certos nomes sujos da política e do empresariado que passam a frequentar o noticiário policial são alguns desses famosos. De forma mais amena, nos círculos sociais mais restritos, talvez da cidade, entre os mais ou menos desconhecidos, sempre tem gente que ganha, então, e carrega algum tipo de fama: de má pagadora, de avarenta, de mentirosa, de fofoqueira, de sortuda, de preguiçosa, de estúpida, de “criadeira de caso”...

Oportuno recorrer à “Minha fama de mau” (1964), música eternizada na voz de Erasmo Carlos (1941-2022), com letra que brinca com a ideia de que, para ser respeitado ou admirado, o namorado precisa sustentar uma pose de durão, até em situações simples, como recusar um convite da namorada para o cinema ou um pedido de desculpas a ela. Isso tudo porque ele tem de manter sua “fama de mau”. Outros tempos aqueles, de pressão social para essa forma de pensar. Na verdade, trata-se de uma leve e irreverente crítica à necessidade de manutenção da aparência, no caso, a tal “fama de mau”.

De ditados populares sobre o presente tema – “papagaio come milho, periquito leva a fama”; “ganha fama e deita-se na cama”, entre outros, chega-se inevitavelmente à famigerada frase atribuída (erroneamente, dizem) ao artista pop Andy Warhol: “No futuro, todos serão mundialmente famosos por quinze minutos”. Impressa (pela primeira vez) no catálogo de uma exposição de Warhol, ela refere-se à publicidade midiática de curta duração ou à celebridade efêmera. Muitos acreditam que tenha sido usada na época (1968) por combinar com a visão de arte de Andy.

Virar celebridade, eis o sonho dourado de boa parcela da população em toda parte. Para tanto, como uma potencial possibilidade, estão aí os realities, como o BBBrasil, que sem contar sua premiação, é esperança de fama, ainda que passageira e nem sempre tão positiva para os BBBs.

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