Poucos vão se lembrar de Geraldo Monteiro de Oliveira. Ele nasceu em 02/08/1915, na Fazenda do Retiro de Cima, localizada no povoado do Cajuru, zona rural do município de Resende Costa, e lá foi criado juntamente com seus nove irmãos, sendo duas meninas e oito meninos. Pois ele, na terceira década do século passado, conseguiu tornar-se técnico agrícola na cidade de Viçosa-MG antes de retornar ao Retiro de Cima, em 1937, com a idade de vinte e dois anos.
Inquieto, o jovem Geraldo Monteiro, já transitando entre sua cidade natal e a capital mineira, onde veio morar no bairro Lagoinha, bem próximo da rodoviária, se empenhou em liderar um grupo capaz de abrir caminho, isto é, uma estrada que ligasse o distrito de Jacarandira à cidade sede. É sabido que o serviço foi feito com muito esforço, fazendo cortes no chão com enxada e outras ferramentas, como enxadão, arado e pá de cavalo, que puxava a terra. Com apoio da Prefeitura Municipal, o trabalho durou quatro anos. Concluída a construção da estrada, Geraldo Monteiro foi morar na cidade do Rio de Janeiro. Na capital fluminense, ingressou na Aeronáutica e tornou-se administrador do aeroporto Santos Dumont, localizado no centro da cidade.
Essa empreitada liderada por Geraldo Monteiro contribuiu, sem dúvida, para que o jovem se envolvesse com a política em Resende Costa. Elegeu-se vereador pelo Partido Social Trabalhista (PST) e, posteriormente, a prefeito municipal, exercendo mandato entre os anos de 1951 a 1955 pela coligação da UDN (União Democrática Nacional) com o PTB (Partido Trabalhista Brasileiro), tendo Antônio da Silva Barbosa como vice-prefeito. Noutro momento, em 1972, Geraldo Monteiro de Oliveira voltou à prefeitura, tendo Aristides Coelho dos Santos como vice, desta vez pelo Movimento Democrático Brasileiro (MDB). Dois anos após ter sido eleito, renunciou ao cargo, ficando para Aristides Coelho a incumbência de assumir o Executivo nos dois anos seguintes.
Retornando a Belo Horizonte, onde trabalhou como funcionário da base aérea do aeroporto local cursou engenharia, revelou-se uma pessoa apaixonada pela aviação. O gosto por aeronaves ele o transferiu para Emerson, um de seus dois filhos (o outro chamava-se Edson). Emerson, além de pilotar pequenos aviões, fazia manutenção em aeronaves. Segundo familiares, costumava fazer testes sobrevoando áreas próximas a Belo Horizonte, às vezes chegando até Resende Costa. E foi em uma dessas viagens que veio a falecer, quando o avião que pilotava caiu na Lagoa dos Ingleses, localizada a 30km de Belo Horizonte.
Júlia Monteiro, sobrinha-neta de Geraldo Monteiro, tem algumas lembranças dele. Segundo ela, ele recebia muito bem as pessoas em casa localizada na praça Mendes de Resende e não se cansava de ajudar os outros. Era muito alegre. Gostava de andar de jeep, sem capota, quando ia cumprimentando pessoas por onde passava, independentemente de conhecê-las ou não. Júlia ouviu de familiares que seu tio-avô não gostava de beber água filtrada; preferia a natural, costume que, certamente, adquiriu morando na roça.
Enquanto eu e Júlia conversávamos, seu primo Márcio André nos enviou uma mensagem curiosa. Segundo ele “o tio Ladico era uma pessoa que gostava de apicultura e que as pessoas achavam muito engraçado, ou curioso ele aparecer com uma roupa que mais lembrava a figura de um astronauta”. Outro caso é o de que “na construção da estrada, citada aqui, eles tinham uma máquina (possivelmente um trator) que tinha um farol muito forte. Naqueles lugares ainda intransitáveis e vistos à noite, “muitas pessoas se referiam à famosa luz como sendo fantasma, luz de pedra”.
Geraldo Monteiro faleceu em 09/07/2009, com 93 anos de idade. Para homenageá-lo, a Câmara e a Prefeitura Municipal deram o nome do ex-prefeito ao “Conjunto Habitacional Prefeito Geraldo Monteiro de Oliveira”, inaugurado no bairro Tijuco, no dia 29 de junho de 2014, e uma pequena rua, que começa na Rua Dr. Abeilard e termina na Rua Pérsio Babo de Resende, em frente à agência dos Correios. O conjunto habitacional atendeu a muitas famílias que precisavam ter casa própria e a pequena rua, de 60 passos – ou 60 metros – contados por mim, fixam na memória do povo a figura de Geraldo Monteiro de Oliveira, que amava a nossa cidade e a ela prestou importantes serviços.