Quem participou do Carnaval de Resende Costa, encerrado recentemente, ficou perguntando o motivo de terem colocado imagens de algumas pessoas afixadas ao longo da Rua Gonçalves Pinto (que insistimos em nos referir a ela como avenida). Lá estavam: Márcio Daniel (Brizola), Camilo do Tomé (Bananeira), Deizinho, Lili Tatú, Antônio Resende (dentista prático), Laurita, Dico, Mário, Paga Luz, Galdino, Barbacena, Didi da Nina, dona Lia e Jesus Barbeiro. Sem dúvida, foram pessoas que se tornaram conhecidas devido ao jeito como tocavam a vida na cidade. Não foram políticos, líderes religiosos, professores, militares ou grandes empresários, os quais, muitas vezes são lembrados em edifícios, placas de ruas ou avenidas espalhadas pelo município com seus nomes. Alguns estão vivos, tais como Zezinho do Célio e Chiano. O Zezinho deixou de se vestir de palhaço e desfilar com sua vaca no carnaval, o que era uma para alegria das crianças, principalmente. Já o Chiano, continua firme à frente da Bateria do Rifugo, que desfila há anos durante os festejos carnavalescos de Resende Costa. Portanto, as fotos colocadas não se referem somente aos já falecidos
A imagem do Jesus Barbeiro chamou a atenção dos foliões. Seu nome: Jesus Maria José, casado que foi com dona Maria José de Jesus. Com ela teve um filho: José Constantino, que herdou do pai a barbearia até hoje instalada na Rua Gonçalves Pinto, n° 32. Zé barbeiro faleceu em 2010 e a barbearia continua funcionando, agora a cargo do seu filho Cláudio (Cláudio do Zé Barbeiro). Essa barbearia, a mais antiga da cidade, serve também como ponto de encontro de pessoas que comparecem para um bate-papo com o Cláudio, ler um jornal ou assistir a alguns vídeos de rock, gênero musical que ele aprecia.
O avô do Cláudio foi uma pessoa especial. Muito simpático, adorava o Carnaval. Era também benzedeiro muito solicitado, que atendia pessoas sem lhes cobrar nada pelos atendimentos que fazia. Amava também o futebol, chegando a ser membro da diretoria do Expedicionários Sport Club.
Até meados da década de 1980, a cidade via desfilarem na avenida dois blocos. Um nos vinha das bandas da Rua Sete de Setembro e outro, da hoje mais conhecida como Avenida dos Artesanatos (Av. Alfredo Penido). Era uma festa linda que se encerrava com os foliões buscando entrada nos bailes carnavalescos que aconteciam no Teatro Municipal. Jesus barbeiro desfilava com a turma que vinha da região do Varginha, do Zé Padeiro (Avenida dos Artesanatos) e que tinha como destaque o Bié do Lindoufo e Darci Ramos. Dele, há uma foto de 1978, na qual desfila junto com o bloco carnavalesco que acompanhava, estando atrás de Darci Ramos, a primeira mulher a desfilar na cidade somente de biquini. “Festeiro, Jesus Barbeiro adorava Carnaval. Solange, sua neta, lembra-se dele organizando e liderando um bloco de crianças que desfilava pelos “Quatro Cantos”, após a concentração no Teatro Municipal¨. (Cf. JL de 12 de julho de 2012, por João Magalhães).
Suas ações não se limitavam a ajudar a organizar desfiles de blocos carnavalescos. Foi pedreiro, benzedeiro e membro da diretoria do Expedicionários Sport Club, como já dito. Além disso, não deixava de participar da Festa do Rosário, acompanhando grupo de congado que ajudava a organizar. Jesus Maria José, o Jesus Barbeiro, bem que merecia ser lembrado através de um nome de prédio público, rua, praça ou avenida da cidade.
