A praça Coronel Souza Maia é uma das mais importantes e movimentadas da cidade. Ampla e com canteiro central espaçoso, nela há de tudo um pouco. Há ainda algumas residências, que têm resistido ao crescente e variado comércio instalado no lugar: supermercado, loja de eletrodomésticos, gráfica, farmácias, lojas de móveis, pequena agência bancária, distribuidora de bebidas e um trailer que serve sanduíches. Há ainda espaço para feirantes que, aos sábados, vendem mel, queijos, verduras e legumes, principalmente. A praça serve como ponto de encontro de pessoas que saem da cidade em ônibus de turismo ou mesmo para aqueles ônibus que ligam a sede do município a um povoado, como é o caso de Jacarandira. Mas, o que nela mais se destaca: a igreja de Nossa Senhora do Rosário. E é por isso mesmo que ela é mais conhecida pelo nome da santa do que pelo nome do estimado Coronel Souza Maia.
João Evangelista de Souza Maia, filho de João Evangelista de Souza (Prados/MG – 08/08/1878) e dona Francisca Maria Cristina (? / ?), pelo que sabemos, faleceu aqui em Resende Costa no ano de 1945. Para alguns, o citado coronel veio residir em Resende Costa no ano de 1901; outros, como relata o memorialista Antônio Lara Resende, a chegada dele ao Arraial da Laje se deu depois de 1903. Souza Maia, “ao lado do doutor Domingos Alves Moreira da Rocha e do major Domingos Teodoro de Resende, participou anos antes da primeira Câmara Municipal de Tiradentes no regime republicano, vindo depois em 1903, a tomar assento no Conselho Distrital da Lage”. [1]
João Evangelista de Souza Maia, apesar do título de coronel, nunca foi militar. Durante a primeira República no Brasil (1889-1930), tornou-se comum conferir a determinadas pessoas, títulos como o de tenente, capitão, major, coronel, por exemplo, sem que elas tenham seguido carreira militar. Assim aconteceu com João Evangelista e outros munícipes que tiveram acrescentados aos seus nomes essas denominações honoríficas. Se observarmos, na cidade há ruas que receberam nomes desses conterrâneos, tidos como filhos ilustres: Tenente Francisco Marcos dos Reis, Capitão Marcos de Oliveira Braga, Major Joaquim Leonel de Resende Lara, Coronel Francisco Mendes de Resende são alguns deles.
João Evangelista de Souza Maia, portanto, mereceu ter seu nome perpetuado devido à sua habilidade em atuar como político em Resende Costa. Manteve residência nos “Quatro Cantos”, (travessa entre as avenidas Monsenhor Nelson, Prefeito Ocacyr Alves de Andrade e rua Assis Resende), tendo sua casa apelidada de “Senado”, pois era nela que muitas decisões tomadas por políticos locais eram previamente elaboradas. Atribuía-se ao coronel a habilidade em cuidar dos assuntos de interesse da comunidade, destacando-se como pessoa hábil em “desvencilhar-se das incômodas e inoportunas situações por que passam os homens públicos em face das complicações partidárias e dos pedidos de favor solicitados como troca ou compensação por prestígio político”. [2]
João Evangelista casou-se com dona Eufrásia Mendes de Resende Maia, da qual ainda não temos datas de nascimento e morte. Diz-se, no entanto, que não teve filhos. Os nomes de família Mendes, Resende e Maia também são muito presentes entre nós. Portanto, é comum vê-los estampados em placas de logradouros na cidade.
Em se tratando da praça Coronel Souza Maia, seu nome tem sido substituído por “Praça do Rosário” ou, simplesmente “Rosário” pelo povo. Isso, sem dúvidas, tem a ver com a construção da primeira capela dedicada a Nossa Senhora do Rosário em meados do século XIX. Ir à igreja do Rosário para missas e festas prevaleceu e tornou-se mais forte e falada do que a da praça Coronel Souza Maia. O uso da Praça Coronel Souza Maia tem servido mais para os Correios ou outros órgãos públicos ligados a registros de imóveis, em virtude de Rosário não ser um nome oficial escolhido pela Câmara Municipal nem reconhecido pela Prefeitura Municipal.
[1] CHAVES, José Maria da Conceição. Memórias do antigo Arraial de Nossa Senhora da Penha de França da Lage, atual cidade de Resende Costa: desde os proêmios de sua existência até os dias presentes; [org. Elaine Amélia Martins, Rosalvo Gonçalves Pinto] – Resende Costa/MG: Amirco, 2014, p.229.
[2] Idem, p. 229.
