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Rua Padre Ézio de Melo Daher

24 de Dezembro de 2025, por Edésio Lara

Padre Ézio Daher, resende-costense e sacerdote salesiano (foto arquivo familiar)

A Rua Padre Ézio de Melo Daher é pequena, como tantas outras na cidade de Resende Costa, tendo início na praça onde se encontra a igreja de Nossa Senhora do Rosário e a rua Joaquim Leonel.  Filho de João Daher e de dona Alzira, ele passou seus primeiros anos de vida morando na residência de sua família que fica ao lado da rua que hoje leva seu nome. A casa, bem cuidada, guarda seus traços antigos e pertence à sua irmã Maria Alacoque Reis Daher, mais conhecida pelo apelido de Tote. A família era grande, tendo senhor João Daher dezessete filhos, sendo sete do primeiro casamento com dona Maria Alacoque Melo e outros dez, com dona Alzira Reis Daher.

Padre Ézio nasceu no dia 11 de novembro de 1924, em Resende Costa. Sua permanência no município foi curta. Ele saiu muito novo para estudar noutra cidade. Tinha doze anos de idade quando padres o levaram primeiro para Roseiras, próximo a Aparecida, Taubaté e Pindamonhangaba, em São Paulo. Ali teve início a sua formação junto aos Salesianos de Dom Bosco. Naquela primeira metade do século XX, era comum adolescentes serem encaminhados para seminários. Muitos tornavam-se sacerdotes, outros não. Os valores salesianos ele os levou até o dia da sua morte ocorrida em 23 de julho de 1986, quando estava com 62 anos de idade.

Em anotações que deixou, disse ter sido batizado no dia 30 de novembro de 1924. Treze anos depois, deu entrada em Lavrinhas/SP, em 13 de novembro de 1937. Desde a vestidura da batina até a ordenação sacerdotal em 8 de novembro de 1952, foram quinze anos de estudos, até tornar-se padre aos 30 anos de idade. Durante a primeira missa que celebrou em Resende Costa, o coro cantou: “sacerdote como és feliz, escutando grave e terno, a voz de Nosso Senhor que diz, tu és sacerdos in aeternum”. A partir de então, foram muitas as cidades que o receberam: Araxá, Cachoeira do Campo / distrito de Ouro Preto, Uberlândia, Pará de Minas e Belo Horizonte, no bairro conhecido como Cabana do Pai Tomás, um conglomerado (favela/bairro) próximo da cidade de Contagem. A pobreza do povo sofrido desta favela o entristecia, visto que, segundo dona Lúcia Daher, sua irmã, “ele tentava consertar coisas, mas, não conseguia.”

Padre Ézio, quando vinha a Resende Costa, fazia questão de visitar seus familiares. Tinha um gosto especial pela dona Hercília Reis e Sousa (Ciloca, esposa do Duque) e pelo seu amigo Oscar, (marido de dona Inácia) com o qual saía para apanhar frutas em fazendas do município. E para celebrar missa, preferia a igreja do Rosário por dois motivos: ficava ao lado da residência dos seus pais e irmãos e evitava sair a pé até a matriz de Nossa Senhor da Penha de França, devido a problemas sérios de saúde que já o atormentavam. Um persistente ferimento no tornozelo dificultava sua caminhada.

O sacerdote fez voto de pobreza; não possuía bens, patrimônio algum. Vestia-se de forma simples que chegava a incomodar seu pai, que não gostava de vê-lo com a batina remendada e desbotada. Andava com uma mala pequena, feita pelo próprio pai. Até para comprar uma clérgima (colarinho clerical), faltava-lhe dinheiro.

Em 22 de fevereiro de 1986, deixou a Cabana de Pai Tomás, tendo sido transferido para Pará de Minas, levando sua mudança em uma kombi.  Foi empossado na paróquia de Nossa Senhora Auxiliadora, no bairro Dom Bosco, como vigário paroquial em 17 de maio de 1986. Naquela época sua saúde já estava bastante comprometida.

Padre Geraldo M. Lisboa, em Pará de Minas/MG, ao apresentar aos irmãos de batina dados biográficos do padre Ézio - o inesquecível irmão - destacou-o como homem otimista e alegre. Impecavelmente ordenado, revelou-se ótimo cronista, bom sacerdote e confessor de uma paciência fora do comum. Padre Ézio foi professor de Dom José Eudes, atual bispo diocesano de São João del-Rei.

O homem simples e de voz mansa começou a luta contra os problemas cardíacos em 1971. Sofreu infarto em Araxá, extraiu a safena interna da perna direita em Ponte Nova/MG. Deixou anotado que em 1976, dia 11 de novembro, sofreu espasmo cerebral, com paralização do lado direito. Poucos dias depois, no dia 18, sofreu paralização do lado esquerdo. Esses distúrbios o acompanharam até o ano de 1986. Naquele ano, depois de uma Assembleia dos Salesianos em Cachoeira do Campo no dia 21 de julho, viajou no dia seguinte para as bodas de prata de seus amigos ex-paroquianos em Uberlândia. Lá, após um jantar, dizendo estar um pouco tonto, levantou-se da mesa para caminhar um pouco. Deu três passos e caiu, morrendo imediatamente.

Em Resende Costa seu corpo foi velado na igreja de Nossa Senhora do Rosário, da qual tanto gostava, até o dia 25 quando foi realizada missa de corpo presente, presidida pelo Monsenhor Nelson.   

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