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A mineração em Resende Costa

29 de Abril de 2026, por Instituto Rio Santo Antônio

Adriano Valério Resende

 

Resende Costa não é um município de grande expressão na mineração; no entanto, já foram extraídos vários minerais por aqui: ouro (no início da ocupação), cassiterita e granito ao longo do século XX. Nas duas últimas décadas presenciamos a ampliação da extração de areia e de minério de ferro. O minério de ferro localizado no norte/noroeste do município, nas proximidades de Jacarandira e Cajuru, e a areia extraída ao longo do rio Santo Antônio. Além desses, atualmente se extrai: cascalho, gnaisse, quartzo e manganês.

O cascalho e o gnaisse são bastante utilizados no município desde longa data. O primeiro é usado principalmente para a manutenção de estradas rurais e, em menor escala, na construção civil. A prefeitura realiza parceria com os proprietários rurais para extração desse material em vários pontos do município, já que é essencial na manutenção do pavimento primário das estradas rurais. O ganisse, rocha oriunda da metamorfização do granito, é utilizado como enchimento de caixas de alicerces, pequenos calçamentos particulares e revestimento rústico de pisos externos, paredes e fogões à lenha.

O quartzo é um material utilizado na siderurgia e na fabricação de ligas metálicas, sendo São João del-Rei, Conselheiro Lafaiete e Barbacena os polos consumidores na região. Por volta de 2010, ocorreu extração de quartzo nas proximidades do Curralinho dos Maias e da Micaela, mas durou poucos anos, devido a questões ambientais e de logística, pois os caminhões passavam por dentro da cidade. Em 2022, iniciou-se uma extração no povoado do Tabuado (situado nas divisas do município com Entre Rios de Minas e Desterro de Entre Rios) pela empresa Selomitral Serviços de Locações, Minerações e Transportes Ltda.

No entorno do povoado do Penedo, nas margens esquerda (Resende Costa e Coronel Xavier Chaves) e direita (Ritápolis), tem-se a extração de manganês nas fazendas Cambúia e Extrema, que remonta ao século XX. Inicialmente, a extração era realizada manualmente pela Mineração Cambúia, sendo comprada pela empresa Granha Ligas Ltda, que criou em 2008 a subsidiária EMFX Mineração Ltda para atuar no local, que atua até os dias atuais. O minério é utilizado para produção de ligas metálicas: Ferro-Sílico-Manganês.

A mineração de areia nos leitos e nas margens dos cursos d’água da bacia do rio Santo Antônio é histórica. A areia é um agregado muito utilizado na construção civil, na fabricação de pré-moldados e de pavimento intertravados (bloquetes, por exemplo) e nas bases do calçamento de ruas. Atualmente, a extração acontece no leito principal do rio Santo Antônio, no ribeirão do Mosquito (Barro Vermelho e Sumidouro) e no córrego Tabatinga (cabeceiras do ribeirão do Pinhão).

Anos atrás, a prefeitura extraía areia no Barracão (córrego do Mosquito, local chamado Valinhos) e no Val (como é conhecido parte do trecho médio do rio Santo Antônio). Na última década, porém, a extração de areia se expandiu para o trecho médio do rio Santo Antônio, já dentro do município. Além de abastecer o mercado local, a areia é enviada para cidades da região. Na prefeitura tem-se cinco empresas cadastradas: Comercial Rio do Peixe Ltda; M. A. Pinto Construtora, Topografia e Artefatos de Cimento; Luciano Antônio Narcisio Resende Ltda; NSC Mineração Ltda e Comercial Quartzo Barra Doce Ltda.

Nas últimas décadas aconteceu a expansão da extração do minério de ferro para áreas fora do Quadrilátero Ferrífero. As divisas dos municípios de Resende Costa, Passa Tempo e Desterro é uma dessas áreas. Atualmente, uma empresa tem minerado na serra da Água Limpa, divisa entre Resende Costa e Desterro (Prosper Mineração, sediada em Desterro), tendo cadastro na prefeitura. Próximo a Jacarandira, mas no município de Passa Tempo, registra a atuação da empresa Metais Mineração Ltda – MML. Ressalta-se que a Vale está atualmente fazendo sondagem na região, sendo a detentora da poligonal onde está localizada a serra da Galga, que é um patrimônio ambiental.

Cabe destacar que sobre a extração e o beneficiamento mineral incide a CFEM – Compensação Financeira pela Exploração de Recursos Minerais, sendo que 60% do valor fica com o município onde está o bem mineral. Resende Costa teve uma previsão em 2025 de arrecadar R$176.517,13, sendo que 96,16% é oriundo do manganês, o restante da areia (apenas uma empresa) e do quartzo. Assim, apesar de ser significativa a extração de areia, praticamente não contribui para os cofres municipais.

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