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Agropecuária e a emissão de gases do efeito estufa

04 de Agosto de 2025, por Instituto Rio Santo Antônio

Júlia Fernandes*

Adriano Valério Resende**

Sabemos que o efeito estufa é um processo natural e essencial para a vida no planeta, uma vez que, por meio dele, é retida parte do calor irradiado pela superfície, o que mantém o equilíbrio térmico do planeta e a sobrevivência da biosfera. O gás carbônico é o mais importante nesse processo. Ele é emitido, por exemplo, pela respiração dos seres vivos, queimadas naturais e até mesmo na liberação de pólen pelas plantas. Um detalhe é que o gás carbônico é essencial para a realização da fotossíntese das plantas, portanto, para a vida no planeta.

Já o chamado aquecimento global é o aumento descomedido e progressivo da temperatura do planeta que vem acontecendo após a primeira Revolução Industrial, realizada no século XVIII. A intensa ação humana sobre a natureza, especialmente pela queima de combustíveis fósseis e pela alteração do uso do solo, tem liberado excessivamente os chamados Gases do Efeito Estufa (GEE), principalmente gás carbônico, metano, óxido nitroso e clorofluorcarbonetos. O aquecimento global é, sem dúvida, o protagonista das mudanças climáticas, cujos efeitos mais visíveis são as temperaturas cada vez mais altas e as alterações nos padrões climáticos, como as chuvas intensas, o que têm provocado cada vez mais transtornos à população.

Mundialmente, a queima de combustíveis fósseis, especialmente para obtenção de energia, é o maior responsável pela emissão dos GEEs. Já no Brasil, para 2023, segundo dados do Sistema de Estimativa de Emissão de Gases de Efeito Estufa (SEEG), os setores que mais contribuíram foram: mudança de uso da terra e floresta (46,2%), agropecuária (27,5%) e energia (18,3%). Para se ter uma ideia, a agropecuária no Brasil liberou cerca de 631 milhões de toneladas de CO². Os Estados que mais contribuíram para as emissões totais de GEEs foram: Pará, Mato Grosso, Maranhão, Minas Gerais, São Paulo e Bahia. Minas contribuiu com 7,4% do total de GEEs, o que representou quase 170 milhões de toneladas de CO². No estado, os setores que mais emitiram gases foram: agropecuária (35,2%), mudança de uso da terra e floresta (21,7%) e energia (21,1%). Destaca-se que nas regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste o setor predominante na emissão de gases estufa foi a agropecuária, seguido dos setores de energia (predominante em SC, SP, RJ e ES) e mudança de uso da terra e floresta (MT). Esse último setor foi o predominante nas regiões Norte e Nordeste, exceto nos Estados de AL, SE e PE.

A criação de animais, principalmente o processo de fermentação entérica nos bovinos, gera o gás metano, que é 30 vezes mais estufa que o CO2 e é responsável por cerca de 30% do aquecimento global. O principal fator para a emissão do metano envolve a dieta dos bovinos com alta porcentagem de concentrados, alimentos de baixa fibra e alto teor energético, como o milho. Um bovino pode produzir até 109,5 kg/ano de metano e um ovino 14,4 kg/ano. Como melhoria técnica para os dejetos da pecuária há os biodigestores, que são decompositores anaeróbios de matéria orgânica que possui a capacidade de reduzir a emissão GEE em 40% e de transformar dejetos dos animais em biogás (o próprio metano usado como energia). Além da pecuária, a agricultura (plantios inundados), disposição de resíduos sólidos urbanos (lixo) e queima de combustíveis fósseis produzem metano.

Cabe destacar que tanto o agronegócio quanto a agricultura tradicional causam malefícios diretos ao meio ambiente. Além dos já conhecidos desmatamentos e queimadas, uma prática agrícola muito prejudicial é a aração profunda do solo, que consiste em trazer partes inferiores do solo para a superfície, alterando seus fatores químicos e removendo a matéria orgânica superficial. Outra questão é a aplicação excessiva de fertilizantes químicos nitrogenados, que além de prejudicar o solo e os lençóis freáticos, o nitrogênio liberado forma o óxido nitroso (N2O), um agente 298 vezes mais agressivo que o CO2 e responsável por cerca de 6% do aquecimento global. Hoje existem diversas maneiras de mitigar a emissão de GEE na agricultura, como, por exemplo, a substituição de produtos químicos, como agrotóxicos e fertilizantes, por alternativas mais naturais (manipulação de vírus ou bactérias, biofertilizantes etc.), a rotação e intercalação de culturas, o que ajuda a melhorar a qualidade do solo, assim como o plantio direto.

Por fim, é preciso reconhecer a importância da agropecuária para a alimentação da humanidade; no entanto, temos o iminente desafio de tornar suas práticas mais sustentáveis.

 

*Aluna do Curso Técnico de Meio Ambiente – CEFET/MG

**Professor CEFET/MG

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