Yasmine Santos Mesquita*
Adriano Valério Resende**
Nas últimas décadas, houve um aumento da população morando em cidades e concomitantemente os problemas ambientais urbanos vêm se acumulando. A ideia de cidades sustentáveis parece ser um dos caminhos mais promissores para mitigar esses problemas. Um exemplo são as chamadas cidades-esponja. Sendo assim, vale pensar um pouco mais sobre a questão.
Atualmente, cerca de 55% da população mundial reside em áreas urbanas, conforme estimativas da Organização das Nações Unidas (ONU-Habitat) e esse percentual tende a aumentar, alcançando aproximadamente 68% até 2050. O Brasil se tornou um país urbano na década de 1970 e, de acordo com o Censo Demográfico de 2022 do IBGE, a população urbana chegou a 87,4%. Assim, há perspectiva de uma crescente urbanização no mundo e de estabilização da população urbana no Brasil nas próximas décadas.
Com a tendência de aumento do contingente de pessoas vivendo em cidades no mundo, há também uma ampliação dos problemas ambientais que impactam o meio ambiente urbano. Na maioria das situações, esses fenômenos possuem causas naturais, mas são potencializados pelo processo de intervenção antrópica, assim como pela acentuada transformação da natureza. O Brasil já convive com muitos problemas que estão ligados à expansão desordenada dos centros urbanos. Por exemplo, São Paulo e Rio de Janeiro, as maiores cidades do país, são exemplos de metrópoles que acumulam problemas ambientais urbanos devido à aglomeração de indústrias e de pessoas. Dentre esses problemas, destacam-se: poluição do ar e da água, ilhas de calor, inversão térmica, chuvas ácidas, enchentes e deslizamentos de terra.
As cidades sustentáveis são uma alternativa para a diminuição da poluição em centros urbanos, pois têm como foco central reordenar o seu funcionamento para evitar o esgotamento e a deterioração do meio ambiente, mas mantendo as cidades habitáveis para as gerações futuras, adotando várias práticas inteligentes para o aprimoramento da qualidade de vida da população e a preservação ambiental.
Um modelo de cidade sustentável são as chamadas cidades-esponja - conceito baseado na integração de infraestruturas verdes e azuis em paisagens urbanas (como parques alagáveis, telhados verdes, jardins de chuva e pavimentos permeáveis) para absorver, limpar, infiltrar e armazenar a água da chuva no próprio solo urbano, evitando escoamento superficial, reduzindo enchentes, recarregando aquíferos e, assim, aumentar a resistência das cidades frente a eventos climáticos extremos.
O conceito de cidade-esponja foi desenvolvido pelo arquiteto paisagista e urbanista chinês Kongjian Yu. A partir de 2013, essa ideia vem se transformando numa iniciativa governamental adotada na China para enfrentar os problemas de inundação urbana causados pelos rios locais. Recentemente, foi lançado um programa para criar 30 cidades-esponja em todo o país, com o objetivo de garantir que 80% das áreas urbanas possam absorver e reutilizar pelo menos 70% da água da chuva até 2030. Desde então, esse modelo de cidade sustentável, ou pelo menos alguns de seus princípios, vêm sendo aplicado em vários locais ao redor do mundo, como em Bangkok, Berlim, Cardiff, Copenhague, Nova York, Roterdã e Curitiba, aqui no Brasil.
Por fim, enfrentar os problemas ambientais urbanos é um processo complexo e caro, mas é possível solucionar os desafios a partir de um planejamento sustentável que combine infraestrutura verde, gestão eficiente de recursos, tecnologia e participação social. A expansão de áreas verdes urbanas contribui para a redução das ilhas de calor, melhoria da qualidade do ar e absorção de água da chuva, enquanto a modernização da gestão de resíduos previne a saturação dos aterros e reduz impactos ambientais. A adoção de soluções com o design urbano sensível à água, como as cidades-esponja, também é uma abordagem eficiente no combate aos obstáculos da resolução da poluição na zona urbana, contribuindo para a mitigação de enchentes e otimizando o uso do recurso hídrico. Somado a isso, ações de educação ambiental, em parceria com a participação ativa da comunidade, são fundamentais para a sensibilização e o engajamento dos cidadãos e de gestores públicos na realização de práticas sustentáveis.
*Aluna do Curso Técnico de Meio Ambiente – CEFET/MG.
**Professor CEFET/MG.