Vamos continuar nossa conversa sobre informações geográficas de Resende Costa. Partindo de um documento impresso elaborado pelo Estado de Minas Gerais em 1982, falaremos um pouco da história da extração mineral no município. Em Resende Costa já foi extraído: ouro (no início da ocupação), cassiterita e granito. Atualmente temos extração de areia, cascalho, gnaisse, manganês, minério de ferro e quartzo.
Conforme consta no documento: “O principal recurso mineral explorado é a cassiterita (minério de estanho), cuja reserva medida garante ao município a 3ª posição em Minas Gerais, com 3,7% da reserva do Estado (Anuário Mineral Brasileiro – 1980). Associada a esse mineral, ocorre a columbita (minério que possui nióbio e tântalo). A exploração desses bens minerais é realizada por particulares, no sistema de catas, principalmente nas áreas de Curralinho dos Paulas, Barro Vermelho e Viegas. A produção é enviada a São João del-Rei para beneficiamento, industrialização e distribuição a outros centros de comercialização ou consumo.”
Primeiramente, convém destacar que a formação geológica de Resende Costa proporciona uma tímida disponibilidade de recursos minerários de alto valor econômico. Conforme já fora dito em texto anterior, no município predominam as rochas graníticas (ígnea) e gnáissicas (rocha metamórfica do granito). Ao norte, nas proximidades do distrito de Jacarandira, há algumas áreas com ocorrência de itabirito, rocha com teor médio de minério de ferro, e ao sudoeste, na divisa com Ritápolis e Coronel Xavier Chaves, têm-se rochas metamórficas como o anfibólito e o gondito, dessa última é extraído o manganês.
Historicamente, o local onde foi assentado o arraial da Lage não era favorecido com abundância de ouro, como aconteceu em municípios vizinhos. Assim, a extração de ouro foi em pequena escala, não permitindo o acúmulo de fortuna com tal atividade. Segundo informações, na região do Jacaré, perto dos Campos Gerais, ainda existem marcas de uma antiga extração de ouro. Já no século XX, há menção à extração manual na região do Sumidouro e esporadicamente no Barro Vermelho.
O granito e o gnaisse são rochas muito utilizadas na construção civil em nossa região, tanto para produção de britas quanto para pedras de mão. Atualmente, em Resende Costa o gnaisse é extraído para ser utilizado como enchimento de caixas de alicerces, pequenos calçamentos particulares e revestimento rústico de pisos externos, paredes e fogões à lenha. Destaca-se que essas rochas foram utilizadas para calçamento de ruas da cidade, com os paralelepípedos e as chamadas pedras miúdas. Os paralelepípedos de granito foram assentados nos anos 70 por funcionários da Prefeitura e ainda estão visíveis em algumas ruas, como em frente à antiga delegacia, hoje quartel da Polícia Militar. Já as pedras miúdas, que comumente são pedaços quebrados de gnaisse, foram assentadas nos bairros mais afastados do centro da cidade na década de 90, por terem um custo mais barato se comparado a outros tipos de calçamentos. Recentemente, todos esses calçamentos foram revestidos com asfalto.
A extração da cassiterita, utilizada na fabricação do estanho, foi uma atividade econômica muito importante na região a partir de meados do século XX, estendendo-se até a década de 80. A importância foi tanta que até um município teve o nome de Cassiterita entre 1962 e 1989, atual Conceição da Barra de Minas. A descoberta do mineral na região amazônica, principalmente em Rondônia, na década de 70, fez com que empresas e pessoas (inclusive de Resende Costa) migrassem para o norte do país.
Em Resende Costa, a maior extração foi no Barro Vermelho, iniciada por volta da década de 40. No início, a extração era manual. Posteriormente introduziram o sistema motobomba para fazer o desmonte dos barrancos (taludes), o que deixou um significativo passivo ambiental no local, que atualmente encontra-se praticamente recuperado (recomposição topográfica feita com trator de esteira e revegetação com braquiária e eucalipto, além do aparecimento de vegetação nativa). Na década de 60 (1963 a 1968), uma empresa (Companhia Estanífera do Brasil – CESBRA) sediada em Volta Redonda-RJ, e que possuía uma filial em São João del-Rei, se instalou no local. Após a sua saída, mineradores locais continuaram trabalhando. Também foram extraídas a columbita e a tantalita, que vinham juntas e eram parecidas com a cassiterita, mas na época tinham pouco valor. No final da década de 80, o terreno foi vendido para um resende-costense (Zé da Pia) que, após curto período de continuidade da mineração, desativou a atividade.
Na mesma época houve extração de cassiterita em vários locais: Cachoeirinha, Curralinho dos Paulas, Ramos, Rochedo/Fartura, Sumidouro e Viegas. No Curralinho, a extração teve também significativa expressão. No primeiro quartel do século XX, a extração era manual, posteriormente, por volta do final dos anos 50, uma empresa paulista (Companhia Ferreira Carvalho) trouxe muito movimento e prosperidade econômica para o povoado. Nos anos 70, a empresa deixou a comunidade e um morador local (João do Bil) liderou alguns trabalhadores até o início dos anos 80, quando foi desativada. Como na mineração no Curralinho também foi utilizado o desmonte hidráulico dos barrancos, gerou-se um passivo ambiental, ainda visível em alguns lugares nas proximidades da comunidade. No Rochedo/Fartura, próximo à Ferrovia do Aço, utilizou-se o mesmo sistema, estando as marcas no terreno ainda visíveis. No Viegas, assim como em outras partes, a extração foi predominantemente manual, com uso de bateia e realizada ao longo dos leitos dos cursos d´água.
