Continuando nossa conversa sobre informações geográficas de Resende Costa, baseada num documento impresso elaborado pelo Estado de Minas Gerais em 1982, falaremos sobre os processos erosivos no município.
Regionalmente, a bacia hidrográfica do rio das Mortes é considerada, na sua quase totalidade, como área com alta susceptibilidade à erosão dos solos e com alta ocorrência de focos erosivos isolados ou concentrados. Localizada no trecho médio do rio das Mortes, a bacia do rio Santo Antônio, e em especial o município de Resende Costa, é conhecida na literatura (Moreira, 1992; Moreira et al., 2003; Larios e Calijuri, 2012) como uma área de referência em degradação ambiental devido a processos erosivos, sobretudo voçorocas. Para se ter uma ideia, na bacia do rio Santo Antônio foram identificados 754 focos de erosão, sendo 447 voçorocas ativas e 384 paleovoçorocas (que são processos erosivos antigos, já estabilizados e colonizados por vegetação).
A declividade do relevo, o alinhamento das falhas geológicas, o tipo de solo (com destaque para os cambissolos) e especialmente as questões antrópicas justificam porque a bacia do rio Santo Antônio está sujeita a fortes processos erosivos. Comumente chamadas de barrancos, as voçorocas fazem parte da paisagem do nosso município. No entorno da cidade elas estão visíveis, notadamente nas direções norte e oeste. No cartão- postal de Resende Costa, o Mirante das Lajes, pode-se ver as marcas das voçorocas na paisagem.
Antes de irmos ao texto do documento, convém fazermos alguns comentários e definições. Os processos erosivos são os maiores desencadeadores da degradação dos solos, o que contribui para a diminuição do potencial produtivo das terras, bem como para o assoreamento e decréscimo da qualidade dos recursos hídricos. Eles podem ser naturais ou antrópicos. Em ambientes com cobertura vegetal natural e sem pressão de fatores antrópicos, a erosão se manifesta de forma muito lenta, sendo perceptível após um longo período. Já a erosão antrópica ou acelerada é fruto da ocupação inadequada dos solos por atividades agropecuárias ou urbanas e está associada a solos sem cobertura vegetal, compactados ou recentemente movimentados.
Em termos técnicos, erosão é o processo de desprendimento e arraste acelerado de partículas do solo causado, entre outros fatores, pela ação da água da chuva, a chamada erosão hídrica, que se caracteriza por duas formas principais: erosão laminar e erosão linear. A primeira é a remoção, com certa uniformidade, da camada superior do solo, sendo comum até mesmo em áreas com pequeno grau de declividade.
Já a erosão linear é causada por concentração das linhas de fluxo das águas de escoamento superficial, o que resulta em incisões no solo na forma de sulcos, ravinas e voçorocas. A erosão em sulcos acontece quando a enxurrada escorre por pequenas irregularidades do terreno, formando riscos mais ou menos profundos. As ravinas são feições de maior porte, com profundidade variável e não atingindo o nível de água subterrâneo. As voçorocas são o estágio final dos processos erosivos, havendo deslocamento de grandes massas de solo e formação de grandes cavidades em extensão e profundidade.
Diante das colocações, podemos ir ao documento: “No município de Resende Costa, os processos erosivos são bastante atuantes, o que pode ser observado pela extensão e quantidade de voçorocas ativas e de erosões laminares. Os ravinamentos e as voçorocas colonizadas, embora presentes no município, não apresentam um quadro significativo.”
“As formas de erosão predominantes são as voçorocas ativas, ocasionadas pelo lençol de escoamento superficial. Essas formas erosivas distribuem-se por todo o município, exceto na porção central (o povoado do Ribeirão está praticamente no centro do município). Em alguns pontos, como as proximidades do Córrego do Retiro (perto do Curralinho dos Maias) e a oeste do núcleo urbano de Resende Costa, as voçorocas ocorrem em grande número e paralelas umas às outras.”
“As formas laminares apresentam-se também bastante difundidas no município, ocupando, na sua maioria, os topos das colinas, ou seja, as áreas de menor declividade. Aí os solos apresentam coloração mais clara e a vegetação rarefeita contribui para os processos mais ativos de lixiviação.”
