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Do frio europeu ao calor brasileiro: Lucas Pinheiro Braathen entra para a história

25 de Fevereiro de 2026, por Vanuza Resende

No alto da montanha, cercado por neve, bandeiras verdes e amarelas tremulavam como se fosse arquibancada de futebol em tarde de domingo. E foi ali, no dia 14 de fevereiro, sábado de Carnaval no país tropical, que o Brasil viveu um daqueles momentos raros e inesquecíveis: Lucas Pinheiro Braathen conquistou o ouro no slalom gigante nos Jogos Olímpicos de Inverno de Milão-Cortina e escreveu o seu nome, e o do país, na história.

Primeiro brasileiro a subir ao pódio em Jogos de Inverno. Mais que isso: primeiro sul-americano. Um feito que parecia distante como as montanhas geladas da Itália agora têm sotaque misturado e alma brasileira.

Nascido em Oslo, na Noruega, filho de pai norueguês e mãe brasileira, Lucas cresceu entre duas culturas e dois mundos. Já havia até indicado o fim da carreira. Mas em 2024 decidiu algo que mudaria o rumo da própria trajetória e a do esporte nacional: escolheu defender o Brasil. O verde e amarelo virou pele, bandeira e propósito.

Chegou a Milão-Cortina cercado de expectativas. Segundo no ranking mundial do slalom gigante, dono de três pratas na temporada da Copa do Mundo, desembarcou como candidato real ao pódio. E entregou mais do que promessa: entregou ouro. O Brasil, agora, é o nono país a conquistar o título olímpico na prova, ao lado de potências como Áustria, Suíça, Itália, França, Noruega, Estados Unidos, Suécia e Alemanha.

Mas a medalha no peito é só parte da história.

Ao lado de Nicole Silveira, Lucas foi porta-bandeira do país na cerimônia de abertura. No desfile, abriu o casaco para mostrar um detalhe especial: a bandeira desenhada por dentro, como quem diz que carrega o Brasil no íntimo. “Quero sair desses jogos como fonte de inspiração”, afirmou. “Não importa de onde você seja, seu sotaque. O que importa é o que há por dentro.”

E o que há por dentro transborda carisma.

Antes mesmo do ouro, já era xodó da torcida. Em uma etapa na Áustria, ganhou brigadeiro e pão de queijo no meio da montanha. Desde então, virou rotina ver bandeiras brasileiras nas arquibancadas geladas da Europa. E, claro, suas danças após as provas, espontâneas, leves, quase carnavalescas, ajudaram a aproximar ainda mais o esquiador do público.

Lucas não venceu apenas uma corrida contra o cronômetro. Venceu a ideia de que certos esportes não são para nós. Provou que diversidade é força, que identidade não tem fronteira e que o Brasil pode, sim, brilhar onde antes parecia improvável.

Na neve de Milão-Cortina, o ouro reluziu. Mas o que aqueceu mesmo foi o sentimento: o Brasil, pela primeira vez, descobriu que também sabe deslizar rumo ao topo do mundo.

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