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Sessenta anos do Mineirão e o interior que também vibra

29 de Outubro de 2025, por Vanuza Resende

Quantas gerações trocaram o cheiro da terra pelo da grama molhada lá na Pampulha? Em 5 de setembro de 1965, nasceu o Gigante da Pampulha: o Mineirão! E com ele, uma casa para o futebol mineiro, mas também um altar para os sonhos de quem veio do interior.

Era pouco mais de cinco décadas atrás, no Brasil dos anos de mudanças, quando Belo Horizonte precisava de um estádio à altura da sua história e ambição. O Mineirão inaugurou-se com a Seleção Mineira enfrentando o River Plate: gol de Buglê, casa lotada, pavimento da Pampulha tremendo, bola e juiz chegando de helicóptero.

Mas não era apenas Belo Horizonte. Do interior vinham ônibus que rangiam pelas estradas, torcedores com bandeiras, camisas e histórias. O Mineirão, gigante entre gigantes, abriu suas portas também para quem morava em cidades menores: para o menino que pegava boleia, para o artesão que chegava cedo pra garantir ingresso, para a família que preparava almoço com cheiro de domingo e depois rumava para a arquibancada.

Dentro desse estádio cabem rivalidades históricas de Atlético, Cruzeiro e América, mas também as vitórias silenciosas de times do interior que pisaram o gramado à sombra dos gigantes. Segundo levantamento, 19 times do interior já mandaram jogos no novo Mineirão. Incluindo, o Athletic de São João del-Rei.

Sessenta anos depois, o estádio segue sendo mais que cimento, arquibancada e grama: é memória, identidade, rito. Ainda que a memória doa com a lembrança e a lambança dos 7x1, em Copa do Mundo, em casa. Entre a era coração de mãe, com 132.834 pessoas espremidas para assistir Cruzeiro 1x0 Villa Nova em 1997 até o conforto do Novo Mineirão que colocou 61.853 torcedores no maior clássico de Minas em 2014, quando o espetáculo ficou por conta da torcida que saiu frustrada com o 0x0 no placar.

E se o Atlético hoje tem o estádio dele, o Mineirão nunca vai deixar de ser memória para os atleticanos. Reinaldo com 157 gols, e Hulck com 59 são os que mais marcaram gols no Gigante da Pampulha. Foi lá também aquele feito de 1969: o Atlético venceu a seleção brasileira, com Pelé e companhia e a base que seria tricampeã em 1970, por 2 a 1, com um gol de Dario e outro de Amauri. Pelé fez o gol da seleção.

E mesmo antes de só o Cruzeiro ser o mandante dos clássicos no maior estádio de Minas, os números já mostram a festa da torcida azul: foram 252 clássicos, desde a inauguração, em 1965. São 90 vitórias do Cruzeiro, 80 do Atlético e 82 empates. O Cruzeiro tem um ataque mais efetivo, com 292 gols em clássicos no Mineirão, contra 273 do Atlético.

Quem nasce no interior entende que esperar o ônibus bater às cinco da madrugada, viajar até quatro horas, chegar com frio e ver o sol se pôr no Mineirão é parte de ritual sagrado, que envolve um tropeiro e uma cerveja. E que dentro desse ritual às vezes se toca o céu: em títulos, gols ou mesmo em três taças erguidas numa noite.

O Mineirão hoje abraça shows, exposições, eventos culturais, ele já não é só estádio, é plenário da cidade, palco da emoção coletiva. E mesmo para quem nunca pisou lá, sua silhueta se ergue na paisagem da Pampulha como símbolo de que o interior existe, importa e vibra. É vir em Belo Horizonte e dizer: ‘olha o Mineirão ali’, mesmo sem nunca ter entrado ou vestido uma camisa de futebol. É o Mineirão!

Então cantam as vozes que já se confundem com o assobio da torcida: “esse estádio é nosso”. E talvez seja mesmo: o Mineirão não se limita à cidade grande. Ele faz parte do mapa emocional das muitas Minas!

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