O mês de outubro celebra uma data importante, especialmente para os católicos: o dia (12) de Nossa Senhora Aparecida, a padroeira do Brasil. Além do Santuário Nacional, em Aparecida (SP), centenas de paróquias e comunidades espalhadas por todo o território brasileiro são dedicadas a Nossa Senhora Aparecida. Estima-se, de acordo com dados de 2016, mais de 570 paróquias que têm como padroeira Nossa Senhora Aparecida. Os números mostram a força da devoção à Virgem Maria no Brasil, cuja imagem negra foi resgatada por pescadores nas águas do rio Paraíba do Sul em 1717.
O JL traz nesta edição de outubro uma reportagem, de autoria da repórter Raquel Resende, sobre a Festa de Nossa Senhora Aparecida em Resende Costa. Uma capela situada no bairro 2 de Junho, na entrada da cidade, é dedicada à padroeira do Brasil. Em seu interior, um altar de madeira abriga a pequenina imagem envolta em seu manto azul, encimada com uma coroa dourada que identifica e confirma a realeza daquela que a imagem retrata. Sim, a Senhora da Conceição Aparecida foi proclamada em 1930, pelo papa Pio XI, rainha e padroeira do Brasil. Mas afinal, o que essa singela imagem significa para milhares de brasileiros? De onde vem o poder capaz de mudar vidas, converter pessoas, curar doenças?
No dia 12 de outubro último, uma grande procissão percorreu as ruas do bairro 2 de Junho. No centro do cortejo, lá estava a pequenina imagem em seu andor, ladeada e adornada por rosas e ramalhetes. A imagem era o centro dos olhares piedosos de devotos que a acompanharam, até a procissão chegar novamente no templo onde a Senhora Aparecida foi recebida por uma chuva de fogos de artifício, aplausos e vivas emocionados.
As manifestações de fé a Nossa Senhora Aparecida, que a cada ano vem crescendo em Resende Costa, sobretudo após a inauguração da capela no bairro 2 de Junho, é um microcosmo do que acontece na cidade de Aparecida, no Vale do Paraíba paulista. Inúmeras romarias (a pé, a cavalo, de bicicleta e de ônibus) partem de Resende Costa, todos os anos, rumo ao Santuário Nacional e de lá trazem a força de uma devoção que está presente em todos os recantos deste imenso Brasil, que, não à toa, é considerado a maior nação católica do mundo com mais de 182 milhões de fiéis. Aparecida traduz e ao mesmo tempo catalisa o sentimento religioso do povo brasileiro presente nas mais diversas comunidades e paróquias, cada uma com suas tradições e singularidades, porém unidas e identificadas pelo poder daquela imagem negra revestida pelo inconfundível manto azul.
Quem vai ao Santuário Nacional em Aparecida não sai de lá indiferente ao magnetismo da fé, do sagrado. É curioso, contudo, observar o contraste entre a grandiosidade da basílica nova - com seus magníficos monumentos arquitetônicos que revelam a beleza e a universalidade da arte sacra contemporânea - e a pequenina imagem exposta no interior do templo. Todavia, é justamente na simplicidade da imagem negra, que representa Maria, coroada rainha e padroeira do Brasil, que se encontra o poder de um manancial fecundo no qual milhares de fiéis se refrescam com o consolo da fé, encontrando nele a força, a esperança e paz para suas vidas.
Em Aparecida não há divisões ideológicas, polarizações políticas, tampouco incentivo ao ódio e à intolerância. Todos e todas que sobem a rampa de acesso ao nicho, onde singela e silenciosamente reina a padroeira do Brasil, dirigem seus olhares com um único propósito: rezar, simplesmente rezar.
Talvez seja somente na oração que encontremos a explicação do poder que a imagem de Aparecida possui. Ela, ícone brasileiro de Maria, a mulher simples de Nazaré e Mãe de Jesus, nos convida a ignorar as diferenças e os ruídos ensandecidos de uma sociedade adoecida pelo ódio e pelas divisões, para voltarmos à essência da vida que é amor, justiça, fraternidade e igualdade.
A pequenina imagem que reina no altar de Aparecida, aquela que inspira e multiplica a devoção a Maria (Maria de muitos nomes, de todas as raças e povos), continue a nos ensinar que a felicidade repousa nos pequenos detalhes de uma vida essencialmente simples.
André Eustáquio
Editor-chefe