Bandas de música de Minas Gerais passaram a integrar oficialmente o patrimônio cultural imaterial do estado, de acordo com Rodolpho Bohrer, do site maisMinas (13/12/2025)*. A decisão foi aprovada pelo Conselho Estadual do Patrimônio Cultural, em reunião no dia 22 de novembro de 2025 no Instituto Estadual do Patrimônio Histórico e Artístico de Minas Gerais (IEPHA-MG). É a consolidação de “uma das expressões culturais mais presentes na história e no cotidiano das cidades mineiras”.
Estima-se que existam, atualmente, no estado de Minas Gerais mais de 700 bandas ativas, muitas delas com mais de cem anos de existência. Essas corporações estão espalhadas por áreas urbanas e rurais, participando de festas religiosas, atos cívicos, celebrações populares e eventos oficiais. Elas funcionam como espaços de formação musical e de convivência social.
O processo de registro teve início em 2024 e envolveu uma ampla pesquisa técnica (IEPHA-MG, 18/07/2024).** Foram realizadas entrevistas com músicos e regentes, registros audiovisuais, levantamento de repertórios e a elaboração de um dossiê detalhado sobre a atuação histórica das bandas no estado. O material subsidiou a decisão do conselho e fundamenta as ações futuras de preservação.
Bandas das Vertentes
De acordo com informação atualizada em 19 de dezembro, entre as bandas do Campo das Vertentes já cadastradas no IEPHA-MG encontram-se as corporações: Banda de Música Santa Cecília e Lira São Sebastião (distrito de Jacarandira), de Resende Costa; e as seguintes corporações de São João del-Rei: Banda Municipal Santa Cecília, Banda Sinfônica do Santuário de Matosinhos, Lira do Oriente Santa Cecília (Rio das Mortes) e Sociedade Musical Lira Santa Cecília (São Miguel do Cajuru).
Ainda na região, foram cadastradas no IEPHA-MG a tradicional Banda Lira Ceciliana, de Prados; a Banda de Música Municipal Santa Cecília, de Coronel Xavier Chaves; a Sociedade Musical Lyra Lagoense, a Associação Musical do Arame e a Associação Musical Santo Antônio, de Lagoa Dourada.
Banda Santa Cecília
A Banda Santa Cecília, de Resende Costa, surgiu durante a emancipação política da cidade, em 1911. É possível que já houvesse uma outra corporação musical anterior a ela na localidade, observa o maestro Luiz Carlos Assunção Martins Júnior. “Desde a sua fundação, a banda conta com a ajuda do poder público municipal de Resende Costa para a manutenção de um maestro.”
Na década de 1980, formou-se a Associação Musical Amadora de Resende Costa (AMARC), sem fins lucrativos, que gere e “representa” a banda. “Dessa forma, a associação recebe subvenção anualmente do poder público municipal para a realização de eventos e a manutenção das atividades e da escola de música”, explica Luiz Carlos. Esse recurso inclui a manutenção dos instrumentos, bem como outras despesas cotidianas da corporação.
Atualmente, a Banda tem mais de 50 componentes ativos, amadores no sentido de que “fazem música com amor, sublimando a expressão simbólica da música para o lugar que é dela, numa linguagem sutil e das emoções”, define o maestro. Já a escola de música conta com mais de 20 alunos e recebe novos alunos constantemente; “Este ano, a proposta é que uns 10 alunos façam sua estreia na banda, na Semana Santa de 2026”.
O maestro é o responsável pela coordenação da escola de música. “Toda pessoa é capaz de aprender música, ela é inerente a nós seres humanos. Para vermos se alguém tem vocação para a música, observamos sua presença e assiduidade nas atividades da banda; ou seja, a vocação vista como talento é secundária, a questão central é a dedicação e o envolvimento que a pessoa tem para se tornar músico.”
A corporação realiza cerca de 50 apresentações por ano, participando de vários eventos em locais públicos e abertos, majoritariamente procissões religiosas no centro e bairros da cidade e nos povoados rurais. O repertório é “o mais plural e de acordo com os gostos dos músicos e do público”, resume Luiz Carlos. Eles executam músicas nas solenidades, como hinos patrióticos e religiosos, marchas e dobrados. Nas retretas e shows, o repertório aborda vários estilos, como samba, pagode, forró, clássico, sertanejo e pop rock.
Luiz Carlos considera que o projeto do IEPHA-MG tem o mérito de reconhecer os saberes que as bandas portam, além de viabilizar projetos que possam ajudar efetivamente uma banda com repasse de recursos. “As bandas de música têm saberes artísticos musicais, sociais e culturais. Apesar de em muitos casos não terem o incentivo financeiro, continuam realizando suas atividades musicais e sociais”.
Lira São Sebastião
O projeto do IEPHA-MG “preserva a cultura e a identidade mineira, fomenta a arte e a educação e promove a inclusão social e o turismo cultural, valorizando a música como parte fundamental da sociedade mineira”, reforça o maestro Geson Edinilson dos Santos, da Lira São Sebastião, do distrito de Jacarandira.
Fundada em 1976 por Geraldo Neri Gouveia, a banda é uma associação que se sustenta, financeiramente, por meio de convênio com a prefeitura e eventos para os quais é contratada. Atualmente, reúne 33 componentes, os quais atuam como voluntários. Os músicos, em geral, são formados pelo próprio maestro, que identifica nos alunos “a vontade de aprender e permanecer até o fim em nossas aulas até pegar o instrumento”.
O repertório da corporação varia entre música sacra e sertaneja, dobrado, músicas populares e marcha, entre outras. A banda faz, em média, de 10 a 15 apresentações por ano, participando de festas religiosas e eventos cívicos e culturais, como o tradicional encontro de bandas.
Prados
A Lira Ceciliana, sociedade dos músicos de Prados, remonta a 1858, segundo a tradição. Mas o primeiro registro paroquial da presença musical em festa religiosa na cidade é de 1726. Em 1732, há a primeira referência à Semana Santa.
A Lira é herdeira do movimento musical que se desenvolveu em Minas Gerais a partir do século XVIII, ajudando a manter a Música Sacra Mineira e a tradição das bandas de música. Mantém em funcionamento um coro, uma orquestra, uma banda de música e uma pequena escola de iniciação musical para a formação de novos integrantes.
Os grupos musicais da Lira Ceciliana participam da maioria das festas religiosas, cívicas e populares de Prados. A entidade oferece à comunidade aulas de música, concertos e outras apresentações congêneres. A banda de música, a orquestra ou o coral da Lira Ceciliana também se apresentam em outras cidades em diversas ocasiões.
Desde 1977, a Lira Ceciliana promove, em parceria com músicos ligados à Universidade de São Paulo (USP), os Festivais de Música de Prados. Neles são oferecidos cursos/oficinas gratuitos de canto, instrumentos de cordas e de sopros, iniciação musical para crianças e prática de conjuntos (coro, orquestra e banda de música). Também realiza concertos abertos ao público nas cidades de Prados, Resende Costa e Coronel Xavier Chaves (no Campo das Vertentes), além de retretas da banda de música e apresentações musicais infanto-juvenis.
A Lira possui um rico acervo de partituras, que contém composições dos séculos XVIII, XIX e XX, sacras e profanas, de diferentes estilos e para diferentes formações musicais, de compositores locais, mineiros, brasileiros e estrangeiros. (Fonte: https://www.liraceciliana.com.br).
São João del-Rei
Uma das mais antigas corporações musicais da região, a Banda Lira do Oriente Santa Cecília do Rio das Mortes foi fundada oficialmente em 1895 por uma dissidência de dois músicos da Lira Sanjoanense (Pedro Sapo e João da Mata), diz o seu presidente Nilton de Carvalho Rios. “Mas acreditamos que a banda é mais antiga, pelo fato de nossa igreja de Santo Antônio ser datada de 1723. Ao buscarmos estudos na Antropologia Cultural, vemos a réplica de nossos dominadores portugueses, tendo vista o acontecido religioso das procissões, no qual fazia parte desse cortejo a banda de música.”
Para além do maestro Diolene Rafael de Souza, são cerca de 45 componentes distribuídos em cantores e músicos. O repertório musical é bem variado, desde o sacro (“participamos das missas de nossos padroeiros, Santo Antônio e Santa Cecília, cantadas em latim”) até dobrados, marchas e as músicas tocadas nos encontros de bandas ou festividades urbanas. A corporação apresenta-se nas festividades locais, em outras localidades do município e em outras regiões, quando convidada, principalmente, para encontros de bandas.
A banda teve seu estatuto renovado em junho de 2025 “para aderirmos à nova conjuntura que o Estado (Brasil) nos cobra”. É uma associação sem fins lucrativos, que presta serviços na comunidade e na região, “quando somos convidados”. Um dos projetos para 2026 é a criação de uma escola de canto e de música para os jovens do distrito do Rio das Mortes, por meio de incentivo da Lei Rouanet, revela Nilton Rios.
Bem mais nova é a Banda Sinfônica do Santuário do Matosinhos, fundada oficialmente em 14 de setembro de 2008, dia do Bom Jesus de Matosinhos “que empresta seu nome à Banda”. Segundo o maestro Ronaldo de Oliveira Medeiros, a aula inaugural foi em 15 de março de 2007, ainda como escola de música.
A corporação é um grupo musical, vinculado ao Santuário do Senhor Bom Jesus de Matosinhos, porém com CNPJ independente, atuando de forma laica autônoma. “A Banda recebe uma ajuda de custo (pró-labore) da Paróquia do Sr. Bom Jesus de Matosinhos; conta, também, com apoio de empresas locais, como Unimed São João del-Rei, Conecta e Depósito Jomar; e promove eventos para a arrecadação de fundos”, detalha Ronaldo Medeiros. Quando a Banda é solicitada para alguns eventos, “nós também pedimos um pró-labore”.
Atualmente, a Banda tem 72 integrantes, mais 28 alunos, que atuam como coralistas no coral da missa das crianças. “Os músicos são assistidos e o corpo docente, voluntário”, acrescenta o maestro. O repertório estende-se do erudito ao popular e do profano ao religioso, tendo como base marchas e dobrados.
O público varia de acordo com o evento, informa Ronaldo. “Nossas apresentações se dão em encontros de bandas, retretas, concertos, eventos religiosos (procissões, motetos, missas...).” Em média são quatro eventos mensais. Bem mais nova é a Banda Sinfônica do Santuário do Matosinhos, fundada oficialmente em 14 de setembro de 2008, dia do Bom Jesus de Matosinhos “que empresta seu nome à Banda”. Segundo o maestro Ronaldo de Oliveira Medeiros, a aula inaugural foi em 15 de março de 2007, ainda como escola de música.
A corporação é um grupo musical, vinculado ao Santuário do Senhor Bom Jesus de Matosinhos, porém com CNPJ independente, atuando de forma laica autônoma. “A Banda recebe uma ajuda de custo (pró-labore) da Paróquia do Sr. Bom Jesus de Matosinhos; conta, também, com apoio de empresas locais, como Unimed São João del-Rei, Conecta e Depósito Jomar; e promove eventos para a arrecadação de fundos”, detalha Ronaldo Medeiros. Quando a Banda é solicitada para alguns eventos, “nós também pedimos um pró-labore”.
Atualmente, a Banda tem 72 integrantes, mais 28 alunos, que atuam como coralistas no coral da missa das crianças. “Os músicos são assistidos e o corpo docente, voluntário”, acrescenta o maestro. O repertório estende-se do erudito ao popular e do profano ao religioso, tendo como base marchas e dobrados.
O público varia de acordo com o evento, informa Ronaldo. “Nossas apresentações se dão em encontros de bandas, retretas, concertos, eventos religiosos (procissões, motetos, missas...).” Em média são quatro eventos mensais.
*CULTURA VIVA: Bandas de música passam a integrar o patrimônio cultural imaterial de Minas Gerais
** Cadastro do Patrimônio Cultural - Saberes e Expressões das Bandas de Minas como Patrimônio Cultural


