Resende Costa abriga um espaço onde a saúde mental é cuidada com escuta, arte e convivência. O Bem Viver, localizado no bairro Jardim, é mais do que um centro de atendimento: é um ponto de encontro para quem precisa de acolhimento e novas possibilidades.
Com mais de 20 anos de história no município, o Bem Viver hoje acolhe também o projeto estadual do Centro de Convivência e Cultura. De acordo com as psicólogas Clara da Mata e Jaqueline Gonçalves, a cidade já possuía estrutura física e equipe profissional para receber o repasse do Estado, o que possibilitou a ampliação das atividades oferecidas à população.
As atividades
O espaço, mantido com apoio da Prefeitura Municipal, oferece oficinas culturais, artísticas e terapêuticas ministradas por uma equipe terceirizada. Entre elas, estão aulas de flauta doce, pintura, musicalização, artesanato e horta comunitária. Além disso, o Bem Viver conta com três psicólogas e um trabalho específico com a Cisver (Consórcio Intermunicipal de Saúde das Vertentes), realizado semanalmente com acompanhamento de um terapeuta ocupacional. “É um espaço de acolhimento”, define Osvaldo Otelo, músico e responsável pelas oficinas. “As pessoas podem vir, tomar um café, conversar, se sentir à vontade para participar do que quiserem. O convívio social que se forma aqui é muito importante.”
Mais do que atividades, o espaço promove encontros e afetos. A professora de pintura, Adriana, descreve como “gratificante” fazer parte do projeto. Cristina Magalhães, que ministra a oficina de artesanato, observa que os laços criados ali vão além dos muros do espaço. “Quando os grupos começam a interagir, criam vínculos e formam redes de apoio fora daqui”, diz. As psicólogas também percebem os impactos profundos do trabalho. “Essas vivências atravessam as questões pessoais de cada um. Com o tempo, os problemas deixam de ser enfrentados sozinhos e passam a ser ressignificados coletivamente”, afirma Clara.
A transformação
Para participar das oficinas, é feita uma triagem individual, respeitando o tempo e a necessidade de cada um. A entrada é gratuita, e mesmo com uma lista de espera, o espaço está de portas abertas a quem quiser conhecer.
O espaço funciona com uma programação semanal dividida entre o público infanto-juvenil e adulto. Oficinas, como artesanato, musicalização, pintura, flauta doce e horta comunitária, acontecem de segunda a quinta-feira, em horários alternados, tanto pela manhã quanto à tarde.
Em breve, aulas de teatro também devem compor a programação das oficinas do Bem Viver. E há planos para se incentivar a economia solidária, com a venda de produtos confeccionados pelos próprios participantes — muitos deles pessoas com deficiência. “Isso traz valorização e reconhecimento”, comenta Osvaldo.
Transformar vidas não exige fórmulas complexas. Às vezes, tudo começa com uma escuta atenta e a chance de se expressar com as próprias mãos. No Espaço Bem Viver, isso acontece todos os dias.
*Estagiária, estudante de Jornalismo.

