Incentivo de café em São João del-Rei


Economia

José Venâncio de Resende0

A implantação de um Programa Municipal de Incentivo à Cafeicultura foi aprovada pela Câmara Municipal de São João del-Rei. A iniciativa tem o objetivo de fomentar a implantação e o desenvolvimento da cultura do café no município visando à produção de cafés especiais, à diversificação das atividades agropecuárias e ao fortalecimento da agricultura familiar.

O programa tem como foco os agricultores familiares domiciliados e com produção localizada no Município de São João del-Rei, desde que apresentem projeto acompanhado de laudo técnico emitido pela EMATER-MG, atestando a viabilidade da área para a cafeicultura. Para isso, será concedido auxílio financeiro em parcela única no valor de R$ 10.000,00 (dez mil reais) por produtor rural para a formação de meio hectare, limitado ao atendimento de até 10 (dez) produtores por exercício anual.

O recurso será destinado exclusivamente à aquisição de mudas e insumos necessários para a implantação da lavoura cafeeira. O beneficiário do auxílio deverá atender a exigências, como residir e exercer atividade agropecuária no município por no mínimo um ano e apresentar regularidade fiscal. A prioridade será para produtores com Cadastro da Agricultura Familiar (CAF) ativo, preferencialmente mulheres e/ou jovens produtores rurais.

Para o extensionista agropecuário Breno José Oliveira Terra, da EMATER-São João del-Rei, o município tem grande potencial para a cultura cafeeira devido ao clima favorável, à qualidade dos solos e às áreas que permitem a mecanização. O município tem tradição muito forte na pecuária de leite, mas o objetivo do programa é “dar uma alternativa aos produtores”.

“A diferença de temperatura entre dia e noite melhora a qualidade do café, o teor de açúcar no grão etc.”, explica Breno. A altitude, predominante entre os 1.000 metros, também é favorável, destaca o extensionista da EMATER.

Segundo Breno, atualmente existem oito produtores em São João del-Rei, a maioria de café commodity, além de um cultivo em implantação e de uma pequena área que deverá produzir café especial. Isso corresponde a cerca de 450 a 500 hectares de café plantado no município.

 

Mapeamento

Um produtor de café commodity pode mapear a qualidade do grão produzido na sua lavoura e obter uma parte com qualidade superior, podendo obter um café especial, explica Breno. Já um novo produtor que busca o café especial também pode obter um lote de café com qualidade inferior, que pode ser direcionado para a indústria do setor. “Por isso é importante fazer o mapeamento da qualidade do café dentro da lavoura.” 

O produtor de café consegue, dentro da lavoura já implantada, colher e beneficiar parte da produção como especial, “desde que ele faça tratos culturais adequados, adubação equilibrada e uma colheita criteriosa, visando ao acúmulo de açúcares nos grãos etc.”. Por sua vez, o produtor de café especial pode ter a qualidade do produto comprometida e não conseguir classificá-lo como café especial, mesmo tomando todos esses cuidados durante o ciclo de produção e no pós-colheita, dependendo das condições ambientais daquele ano ou de algum fator adverso durante a colheita ou secagem dos grãos, detalha Breno. “Pode acontecer de o produtor obter um lote de café especial e outro não, no mesmo ano e na mesma lavoura. É importante, então, mapear a qualidade do café para separar o lote que vai ser vendido como especial do lote que será vendido como commodity.”

Outro objetivo é incentivar a verticalização da atividade para além da produção do grão, explica Breno. “Nós queremos explorar o fato de São João del-Rei ser uma cidade turística que tem muitas cafeterias. Já pensando no futuro, o produtor poderá torrar e beneficiar seu próprio café e fornecer (ao mercado).”

A Secretaria Municipal de Agropecuária será o órgão gestor do Programa, contando com a colaboração técnica da EMATER-MG, mediante convênio de cooperação.

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