Uma exposição denominada “Puxadinhos entre Nós” aconteceu, pela primeira vez, entre 13 de novembro e a última semana do mês no Centro de Atendimento ao Turista (CAT) de Resende Costa. Esta exposição é uma parte da primeira etapa do projeto Artesania Entre Nós. “Esse projeto visa trabalhar a cadeia produtiva do artesanato têxtil com as mulheres da zona rural”, resume Marina Moreira Rocha, extensionista da EMATER. A expectativa é que este projeto (de médio e longo prazo) continue, e para isso “teremos que captar recursos para conseguir trabalhar a cadeia produtiva toda”.
O projeto só foi possível graças ao Programa C3 (Conscientize, Coopere e Cresça) do Sicoob Credivertentes por meio da ARCOSTA (Associação de Pequenos Produtores e Trabalhadores Rurais de Resende Costa), em parceria com a EMATER, e ainda o apoio da Israel Tecelagem, explica Marina. “Na operacionalização da exposição, contamos com o auxílio da turma da Secretaria de Artesanato, Turismo e Desenvolvimento Econômico.”
A ideia da exposição surgiu no âmbito do projeto com as tecelãs da zona rural, conta Marina. “Inicialmente, foi feito um diagnóstico no qual caracterizamos condições socioeconômicas, pessoais, de matéria-prima e produção, comercialização e gestão. Em seguida, priorizamos a contratação de um designer têxtil (com recursos do Programa C3) para que pudesse fazer outro diagnóstico (sob a perspectiva artística) do trabalho das tecelãs. Com a visita desse designer, optamos por fazer oficina com essas mulheres para que aprendessem a técnica ´puxadinho´.” A exposição, assim, foi uma forma de mostrar o aprendizado obtido e o resultado do trabalho delas.
Assim, essa parte foi para “fazer um reconhecimento das possibilidades de trabalho que essas mulheres podem desenvolver a partir do tear que elas têm, do material que elas usam e do conhecimento prévio que elas tinham”, prossegue Marina. “Nas próximas etapas, pretendemos trabalhar a questão de gestão, comercialização, rede social, desenvolvimento de outros produtos a partir do que elas fazem no tear. Pretendemos também trabalhar outras técnicas, então é só o início.” E no processo de evolução, “é nosso objetivo trabalhar melhor a inovação de produtos”.
Do diagnóstico inicial, participaram mulheres do Povoado dos Pintos, Ribeirão de Santo Antônio (incluindo região das Tabocas), Curralinho dos Maias, Curralinho do Andrade, Barracão e Cajuru. Já na oficina com o designer têxtil compareceram o Povoado dos Pintos, Ribeirão de Santo Antônio (incluindo região das Tabocas), Curralinho dos Maias, Alto Jacarandá e Cajuru. Os mesmos (exceção do Povoado dos Pintos) foram representados na exposição Puxadinhos entre Nós.
Para Thaís Socorro Pena, do Curralinho dos Maias, participar do projeto “tem sido uma experiência bem bacana, pois estamos aprendendo novas técnicas onde um tapetinho comum pode se tornar uma peça diferente, como almofadas, bolsas, caminhos de mesas... algo que vem acrescentando em nosso trabalho”. Ela começou ainda criança a fazer tapetes, por influência de “minha tia Simone”, e “então não parei mais. Teço para mim mesma e busquei vender os tapetes fora da cidade para ter uma renda melhor” Para ela, o mais importante é “ter esse apoio voltado às mulheres rurais”, que trabalham nos afazeres do dia a dia na roça “e ainda encontram um tempinho para se dedicarem ao artesanato”. No seu caso, espera “aprimorar ainda mais o trabalho no tear com as novas técnicas” e conquistar novos clientes, com maior variedade.
Érika Gonçalves da Silva Ribeiro, também dos Maias, considera o projeto “incrível”, pois “estamos aprendendo novas técnicas, o que proporciona criar peças diferenciadas, mas sem perder a essência do trabalho manual. Esse projeto tende a valorizar nosso trabalho por morar na zona rural e não ter muitas oportunidades”. Oriunda de São Paulo, há cerca de quatro anos, tece tapetes por conta própria, atividade que aprendeu com a amiga Creusa, que são vendidos na cidade e em São Paulo. “Minha expectativa para o futuro é aprender novas técnicas, para melhorar as minhas vendas com uma combinação de estilo, qualidade e inovação.”
Sobre o Programa C3
O apoio ao projeto foi efetivado por meio da Associação de Pequenos Produtores e Trabalhadores Rurais de Resende Costa (ARCOSTA), explica Diego Tadeu da Silva Santos, gerente de desenvolvimento social do Sicoob Credivertentes. “O Programa C3 é um edital social, que somente apoia projetos das entidades do terceiro setor, ou seja, instituições sem fins lucrativos.” Este ano, além da ARCOSTA, receberam o apoio (por meio do edital do C3) o Hospital Nossa Senhora do Rosário, o Conselho Comunitário São Geraldo (Povoado dos Pintos), o Coral e Orquestra Mater Dei, a Loja Maçônica e a Rádio Inconfidentes.
Este edital é bem amplo, segundo Diego Santos, e contempla projetos ligados a todas as áreas, como saúde, esporte, empreendedorismo, meio ambiente e cultura. “Então, nós abrimos o edital, normalmente em abril, e durante uns 45 dias captamos essas propostas (divulgando e recebendo as inscrições). Os projetos escolhidos são contemplados em até R$ 10 mil cada projeto.
Em 2025, a cooperativa apoiou 64 projetos de instituições em 17 municípios da sua área de atuação. “Enfim, é um projeto que tem dado ótimos frutos – este ano foi a terceira edição.”


