O distrito de Jacarandira, a cerca de 45 km da sede de Resende Costa e 13 km do município de Passa Tempo, precisa tornar-se uma subprefeitura (criada por lei municipal), com funcionários permanentes e um subprefeito indicado pelo prefeito. O distrito faz divisa com Entre Rios de Minas, Desterro de Entre Rios, Passa Tempo, Oliveira e São Tiago.
Os números falam por si. Para além das distâncias díspares entre Jacarandira e a cidade de Resende e o município de Passa Tempo, a área do distrito (165 km²) é maior do que o município de Coronel Xavier Chaves e representa (26,7%) do território resende-costense (618 km²). Além da sede, o distrito é formado pelo povoado do Cajuru e por inúmeras localidades (pequenos núcleos de casas espaçadas na zona rural), como Micaela e Pombal. É difícil obter informações sobre a população; sabe-se que o número de eleitores é de 333.
Mais do que isso, importa a localização do distrito. Um visitante mais atento, ao conversar com os moradores, nota um sentimento de distanciamento da sede, para não dizer de “abandono”; inclusive alguns dizem que frequentam o comércio de cidades vizinhas como Passa Tempo. Percebe-se mesmo um clima de estagnação que contrasta com o ambiente da sede do município. Há deficiência de serviços como restaurantes, lojas e hotéis.
Portanto, a primeira razão deveria ser estratégica, ou seja, criar um mecanismo político mais eficiente de aproximação entre a sede do município e a sede do distrito. Isto permitiria reduzir as diferenças e os descompassos no processo de desenvolvimento econômico e social, buscando maior homogeneidade entre os munícipes. O que deve ser uma aspiração de todo governante.
Mas há outras razões, como a existência no distrito de um núcleo de bordadeiras do milenar tapete de Arraiolos, algo raro no Brasil, que está à espera apenas de um empurrão para ultrapassar as fronteiras municipais e estaduais, e mesmo alcançar o mercado internacional. Detalhe importante: não concorre com o artesanato da cidade, devido à maior complexidade no processo de produção e, consequentemente, preços mais elevados; não serão os turistas que visitam a Avenida dos Artesanatos a comprar tapetes de Arraiolos. Terão de ser vendidos nos mercados dos grandes centros urbanos e de países europeus e do norte da América (EUA, Canadá e México) onde há maior poder aquisitivo e grande número de imigrantes açorianos. Daí porque o presidente da Casa dos Açores de Minas Gerais, Claudio Motta, encantado com a arte dos Arraiolos, busca apoio para viabilizar um projeto social que ajude a levar as bordadeiras de Jacarandira para além-fronteiras municipais.
Além disso, o distrito está na iminência de, a qualquer momento, receber uma grande mineradora, como a Vale, que decida instalar na região para explorar a reserva de minério de ferro que lá existe. Como sabemos, mineração é uma atividade econômica complexa especialmente em termos ambientais. Daí porque, para além da fiscalização rigorosa, é preciso tirar o máximo benefício econômico e social de uma exploração mineral (antes que acabem as reservas) no menor espaço de tempo possível.
Assim, cumpre aproveitar as riquezas naturais de maneira sustentável; potencializar o núcleo de artesanato de Arraiolos, que pode catapultar Jacarandira e Resende Costa para o mundo; estimular as potencialidades agropecuárias de uma região que faz divisa com vários municípios; e criar um novo polo turístico na região. Em resumo, é preciso pensar Jacarandira no âmbito de uma visão estratégica.
