De olho na cidade

Rua e Travessa com nome de Maria da Costa Fernandes

30 de Setembro de 2026, por Edésio Lara 0

Maria da Costa Fernandes (foto arquivo familiar)

Resende Costa tem 17 bairros. O mais antigo é o centro. A área central comporta, portanto, as primeiras vias públicas da cidade e que ficam no entrono da igreja Matriz de Nossa Senhora da Penha de França. Verificamos que há no centro 41 logradouros assim definidos: 4 avenidas, 6 praças, 28 ruas e 3 travessas, isto é, três ruas estreitas e curtas.[1]  Uma delas, a Travessa Maria da Costa Fernandes, localiza-se atrás do Hospital Nossa Senhora do Rosário (Santa Casa), ligando a Praça Nossa Senhora de Fátima (lajes de cima, da matriz) à avenida Ministro Gabriel Passos. Nela há a Quadra Poliesportiva do Centro de Apoio Educacional Professor Sebastião Pascoal da Silva Melo – ligada à Escola Estadual Assis Resende – além de residências, principalmente. Destaca-se no lugar a pequena casa, hoje abandonada, onde morou o inesquecível Joaquim das Lajes.

No entanto, o que nos chama mais a atenção é o fato de que 38 dessas vias têm nomes de homens. Nomes de mulheres, somente três: Rosa Soares Penido, Maria Cândida de Andrade e Maria da Costa Fernandes. A respeito da Praça Rosa Penido (foi professora no povoado do Curralinho dos Paulas) e Maria Cândida de Andrade (mãe do ex-prefeito Ocacyr Alves de Andrade), já escrevemos em edições passadas deste jornal. Falta-nos dizer um pouco de Maria da Costa Fernandes, casada que foi com João Evangelista Fernandes Filho – o Joãozinho da Serraria -, com quem teve 12 filhos, sendo eles 7 mulheres e 5 homens. Sr. João aprendeu com a esposa a escrever seu nome. Sem frequentar a escola, não foi alfabetizado, o que não o impediu de se destacar como empresário de sucesso na cidade.

Maria e João, quando se casaram, não tinham nada. Começaram do zero, segundo nos disse Tida Fernandes, uma das filhas do casal. Moraram em um rancho de capim até o nascimento do primeiro filho, momento em que conseguiram comprar um sítio denominado Sítio dos Currais.  Ela ajudava o marido cuidando da casa e dos filhos. Além disso, tecia, fazia crochê e costurava as roupas de toda a família enquanto o marido se dedicava a trabalhar com o comércio de carvão. 

Noutro momento, adquiriram uma casa na Avenida Ministro Gabriel Passos, onde   instalaram a Serraria e Madeireira Nossa Senhora da Penha, ainda em funcionamento. Maria, sempre trabalhadora, abriu um armarinho de aviamentos em frente à nova casa. Depois, abriu um depósito de material de construção em sociedade com um genro e um dos filhos. Com o sucesso dos empreendimentos, o casal, aos poucos, adquiriu outros imóveis ao lado da residência.  De acordo com Tida, na estrada ao lado, pela qual mais circulavam cavaleiros, eles compraram a casa do Agenor e a demoliram. Posteriormente, adquiriram as da Elza, do Toninho, a do Joaquim e, por fim, o terreno do Zé do Chiquito, marido da Sudária. Assim é que conseguiram construir uma casa para cada um dos filhos. Todos os irmãos passaram a morar perto uns dos outros. Nesse lugar, tal como acontece em outros bairros da cidade, foi dado o nome de Maria da Costa Fernandes à rua e a uma travessa onde moram membros de uma mesma família.

Ela nasceu em Resende Costa no dia 09/06/1930 e faleceu em 25/03/1985, poucos meses antes de completar 55 anos de idade. O marido, com 73 anos de idade, faleceu em 2003. Dos 12 filhos que tiveram, 7 já faleceram. Para os que até então não sabiam, tanto a rua quanto a travessa Maria da Costa Fernandes têm esse nome em memória de uma mulher que se estabeleceu no lugar cuidando da família e se empenhando nas atividades de crocheteira, bordadeira, costureira e comerciante.

 

[1] https://resendecosta.mg.gov.br/texto_lei/74618. Na página da prefeitura municipal que Dispõe sobre as áreas de abrangência do Programa Saúde da Família – PSF para os PSF’s I, II e III no âmbito do município de Resende Costa, o texto não menciona a Praça Nossa Senhora de Fátima, já que nela não há residências, somente a gruta que leva o nome da Santa, a Biblioteca Pública Municipal, a Câmara dos Vereadores, um Passinho e a enorme caixa d’agua da Copasa que nunca deveria ter sido construída ali, mas em outro lugar.

Avenida Prefeito Adenor de Assis Coelho: você sabe onde fica?

26 de Agosto de 2026, por Edésio Lara 0

Resende Costa é uma cidade pequena. Ultimamente, tem crescido muito. Novos bairros e loteamentos surgem chamando atenção tanto pela beleza dos imóveis, sejam eles comerciais ou residenciais, quanto pela localização. Alguns deles, que não chegam a constituir um bairro, recebem o nome dos proprietários de grandes áreas que acabam sendo divididas em lotes para serem colocados à venda. É o loteamento do Júlio, da Maria Melo, dos Mendes, do Zé Padeiro, do Zé Eli e por aí vai. O famoso ditado “quem compra terra não erra” parece funcionar aqui. Os loteamentos surgem e em pouco tempo são vendidos rapidamente. O número daqueles que compram para investir parece ser maior do que aqueles que querem construir uma casa, um prédio ou galpão destinado a atividades comerciais. Fato curioso é que a cidade cresce, mas a população nem tanto. Em 2022, data de realização do último censo, o número de moradores era de 11.230, segundo dados apurados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Passados quatro anos, estamos com um número estimado de 11.544 moradores, um aumento de 314 pessoas.

Há pessoas que, morando na cidade, não conhecem bem seus bairros. Quase sempre se limitam a circular por perto de suas casas, seus locais de trabalho. Quem reside na área central da cidade, em se tratando de Resende Costa, nem sempre se dirige aos bairros Várzea ou Tijuco. Pois é neles que se encontram duas vias públicas centrais desses bairros que possuem comércio próprio, apesar de limitado. Quem ali reside sempre se dirige ao centro da cidade para o trabalho ou por ali passar para ir até São João del-Rei, Belo Horizonte, por exemplo. Já quem mora e trabalha na área central poucas vezes vai à Várzea e ao Tijuco. Mas, quando por ali passa, se surpreende com o crescimento da região. Depara-se com ruas e avenidas bem cuidadas, limpas e de onde se tem uma vista maravilhosa do ponto mais alto da cidade, onde fica a Matriz de Nossa Senhora da Penha de França.

A Avenida Prefeito Adenor de Assis Coelho, a qual destacamos aqui e que se localiza no bairro Tijuco, tem seu início na Rua Pau Brasil e estende até o fim do bairro. Recentemente, a avenida, que possui mão dupla, recebeu cobertura asfáltica, tem passarelas destinadas à travessia de pedestres e uma ciclovia. O trabalho ficou muito bom. Quem segue em direção ao distrito de Jacarandira e percorre toda a avenida tem à sua direita o Centro Municipal de Educação Aquarela (CMEI) e, mais adiante, o Conjunto Habitacional Prefeito Geraldo Monteiro. Do outro lado da avenida, só há duas edificações no final dela: uma obra enorme destinada a uma pousada – é o que parece – e uma chácara.

Adenor, filho de Maria José de Assis Coelho (dona Cotinha) e de Antônio de Assis Coelho (Tonico Chalé), nasceu em Resende Costa no dia 24 de abril de 1921. Desde menino começou a trabalhar com o pai até tornar-se alfaiate. Ainda jovem, foi apelidado de “Lorinha”, devido ao fato de gostar da marcha carnavalesca Linda Lorinha, composta por Braguinha entre os anos de 1933 e 1934. Desde então, tornou-se mais conhecido pelo apelido que lhe foi dado. Em 1º de março de 1946, já próximo de completar 25 anos de idade, casou-se com Olga Resende Lara. Dessa união nasceram dez filhos, sendo que um faleceu no dia seguinte ao do nascimento. Magda, a filha mais velha, já faleceu; os demais estão aqui entre nós.

O senhor Adenor (Lorinha) foi, por longo tempo, provedor da Santa Casa. Além de alfaiate e dono de comércio que tinha na parte de baixo da residência da família, localizada na Rua Gonçalves Pinto, nº 206. Católico fervoroso, parte dos 2179 eleitores o elegeu prefeito municipal em 7 de outubro de 1962. A posse ocorreu em 31 de janeiro de 1963. Muito dos seus feitos como prefeito trouxeram benefícios marcantes para o município, tais como: Inauguração da Cemig (em substituição à Luz do Azevedo), perfuração de poços artesianos, visto que abastecimento de água sempre foi um grande problema para o povo; prosseguimento das obras de instalação em Jacarandira de uma usina elétrica. Foi ainda durante seu mandato que a cidade acompanhou a construção da gruta de Nossa Senhora de Fátima (na Laje de Cima), a aquisição de terreno para a construção da sede do Ginásio (atualmente ocupado pela Prefeitura Municipal), a construção da Praça Dr. Costa Pinto e a construção e a inauguração do Grupo Escolar Conjurados Resende Costa. Ele ainda fundou o Jornal O Inconfidente e contribuiu para que as pessoas pudessem tomar por empréstimo livros na Biblioteca Municipal Antônio Gonçalves Pinto.

Pelos bons serviços prestados ao município, a Câmara Municipal em 2016 aprovou o nome da avenida localizada no bairro Cohab/Tijuco de Av. Prefeito Adenor de Assis Coelho. Aos leitores deste jornal, interessados em saber mais sobre o sr. Adenor (Lorinha) e família, sugiro a leitura do livro Adenor de Assis Coelho – Centenário de Nascimento, escrito pela sua filha Regina Maria de Resende Coelho, professora, escritora e colunista deste jornal. A biblioteca municipal tem volumes dessa obra para empréstimo. Vale a pena ler!

Nome de praça eterniza a memória do prefeito José Vilela da Costa Pinto

29 de Julho de 2026, por Edésio Lara 0

Quem visita a biblioteca municipal nem sempre observa um painel que contém fotos de ex-prefeitos da cidade de Resende Costa. As fotos registram os homens que assumiram o cargo de prefeito municipal desde o ano de 1912. Não se vê entre as fotografias nenhum negro, nenhuma mulher. Alguns permaneceram no cargo por longo tempo. As regras, em épocas passadas, para a escolha de vereadores e prefeitos, eram diferentes da forma como são adotadas atualmente. Entre 1912 e 1935 o Coronel Francisco Mendes de Resende permaneceu no cargo de presidente do Conselho Municipal, ou distrital, equivalente ao de prefeito municipal. Foi substituído pelo Doutor Costa Pinto (José Vilela da Costa Pinto) em 1936. O mandato dele durou nove anos, sendo encerrado em 1945 e ser substituído por Antônio de Souza Maia Júnior. Entre esses senhores, não há dúvida de que os dois primeiros mandatários exerceram papel de destaque como líderes políticos no município. Foram 34 anos de trabalhos em que os dois se envolveram em prol do desenvolvimento do município.

José Vilela da Costa Pinto, filho de Antônio da Costa Pinto e de Mariana Augusta de Andrade Pinto, nasceu em Lavras/MG em 1890 e faleceu em Barbacena/MG no dia 30 de abril de 1962, quando tinha 72 anos de idade. Boa parte da sua vida se deu em Resende Costa atuando como médico e político. Homem de confiança de Francisco Mendes de Resende, sucedeu-o no comando do cargo de prefeito municipal. A principal praça da cidade leva seu nome, localizada no centro. Durante sua estada em Resende Costa, foram muitos os bons serviços que prestou ao município.

Coube ao prefeito Costa Pinto, durante seu mandato, abrir estrada ligando Resende Costa a Coronel Xavier Chaves. E foi durante seu o seu mandato a realização dos serviços de calçamento da avenida Presidente Vargas (atual Av. Monsenhor Nelson) por volta dos anos de 1942 e 1943. Na época, Costa Pinto contratou serviço de um especialista em trabalho com paralelepípedos para efetuar o calçamento. “Benedito. Homem sisudo. De tez parda. E que só andava de tamancos”, segundo relato de Agenor Gomes Neto.

Foi do dr. Costa Pinto o primeiro automóvel que chegou à cidade. E foi do seu filho Antônio (que também se tornou médico e foi residir em Barbacena) uma das duas primeiras bicicletas adquiridas por moradores da cidade. Doutor Costa Pinto mostrou-se assíduo frequentador, até quando aqui permaneceu, de alguns especiais saraus, tanto no Teatro Municipal como nas casas de família.

Amante das artes, dispôs-se a mandar reformar o Teatro Municipal, construído durante o governo de Francisco Mendes Resende. Além dos cuidados com o edifício, mandou colocar uma lira na parte mais alta e frontal dele. Nesse espaço destinado às encenações de peças teatrais, exibição de filmes e apresentações de espetáculos musicais, o médico e prefeito municipal contribuiu para o desenvolvimento das artes em nosso município.

Nomes de ruas e praças perpetuam a memória de ex-vereadores do município

01 de Julho de 2026, por Edésio Lara 0

Quadro que retrata a primeira Câmara Municipal de R. Costa empossada em 2 de junho de 1912 (arquivo Câmara Municipal)

Resende Costa, no último dia 2 de junho, completou 114 anos de emancipação política. Sua origem remonta a meados do século XVIII, quando, em 12 de dezembro de 1749, foi inaugurada uma capela de Nossa Senhora da Penha de França, construída por aqueles que se instalaram pequeno arraial, com destaque para as famílias Resende Costa, Pinto Lara e Pedrosa de Morais. Ponto privilegiado pelo encontro de dois caminhos (estradas) que ligavam Goiás ao Rio e outra que vinha do Sul da Província em direção ao Norte, nele abrigavam-se tropeiros em um rancho durante suas viagens. Surgia, pois, naquele momento, o Arraial da Lage, constituído de oito casas pertencentes a fazendeiros estabelecidos na região, ligado ao Arraial de Santo Antônio do Rio das Mortes, atual cidade de Tiradentes.  Passados 162 anos, o Arraial da Lage se emancipou de Tiradentes, através da Lei Estadual nº 556, de 30 de agosto de 1911, tendo sua instalação oficial decretada em 2 de junho de 1912. Em 1923 o município passou a adotar o nome oficial de Resende Costa, em homenagem ao inconfidente José de Resende Costa (filho).

A primeira Câmara Municipal da cidade foi instalada em 2 de junho de 1912. Naquela época, o Coronel Francisco Mendes Resende tomou posse como presidente do Conselho Municipal (ou distrital), função equivalente hoje à de prefeito municipal. Quem aprecia a foto (afixada em quadro na parede da sala de reuniões da Câmara Municipal) dos membros desse conselho, identifica o Coronel ao centro do quadro, ladeado pelos conselheiros (vereadores) que tomaram posse naquele dia 2 de junho de 1912. São eles: Francisco Marcos dos Reis, Marcos de Oliveira Braga, José Joaquim Coelho, Geraldo de Rezende Mendonça, Avelino de Sousa Santos e Francisco Gonçalves Pinto.

Esses senhores, após suas mortes, tiveram seus nomes escolhidos para nomear duas praças e cinco ruas de Resende Costa. Como a cidade era muito pequena, os nomes deles aparecem mais ao centro; tudo se concentrava entre as três lages e a Matriz de Nossa Senhora da Penha de França. Atrás da matriz fica a linda praça Mendes Resende, nome de família do primeiro prefeito. O mesmo pode-se dizer da Praça Marcos Reis, que se localiza um pouco mais abaixo, onde finda a Rua Joaquim Pinto Lara, em direção ao Parque de Exposições Prefeito Gilberto José Pinto.  Marcos de Oliveira Braga, natural de Rio Preto, nas divisas de Minas Gerais com o estado do Rio de Janeiro, foi um dos fundadores do Arraial de Salvaterra, atual distrito de Jacarandira, é o nome de uma rua do bairro Bela Vista.

As ruas José Avelino e José Coelho possivelmente são de dois dos primeiros vereadores. Tudo indica que seus nomes aparecem incompletos, o que é bastante comum aqui em Resende Costa. Há muitos logradouros que não registram o nome completo nas placas afixadas em paredes pela cidade. É como nos referimos à rua Gonçalves Pinto – bem no centro da cidade – em vez de aparecer com seu nome completo Francisco Gonçalves Pinto.

Por fim, Geraldo de Rezende Mendonça foi o único a não ter sido lembrado para receber uma homenagem póstuma. Ele nasceu na Fazenda do Sumidouro de Baixo do Arraial da Lage em 22 de julho de 1871. Na Câmara, atuou como secretário da mesa diretora na legislatura inicial. Em 1918, depois de cumprir seu mandato como vereador, mudou-se com a família para o estado de Goiás, onde veio a falecer na cidade de Santa Cruz de Goiás, em data incerta. Talvez seja esse o motivo de esse senhor Capitão Geraldo de Rezende Mendonça não ter sido lembrado para dar nome a uma rua ou qualquer bem público municipal.

Devemos considerar que os nomes de pessoas nem sempre aparecem completos, como dito acima, nas placas espalhadas pela cidade. Faltam-lhes, às vezes, o prenome ou partes dos nomes de família. Muitas vezes ficamos sem saber ao certo de quem se trata, quando não aparecem seus nomes completos.  No caso dos políticos da primeira legislatura, seria bom destacar as patentes de Coronel, Major, Capitão ou Tenente, que lhes foram dadas em virtude de poder político ou de serem grandes fazendeiros, como foi o caso de Geraldo Rezende Mendonça.

Casal tem nomes de rua e até de bairro em Resende Costa

27 de Maio de 2026, por Edésio Lara 1

José Nicolau Filho (Zé Padeiro)

Mês passado, quando abordei o assunto relativo aos nomes de rua que lembram cidades vizinhas à nossa, disse do extinto nome Rua Lagoa Dourada. Noutro tempo, ela era conhecida como Cava Funda. A rua passou a receber outro nome:  Francisca Felix Vieira (1913/1954). Afinal, muitos perguntarão: Quem foi esta senhora? Trata-se da primeira esposa do senhor José Nicolau Filho (1910/1991), mais conhecido por Zé Padeiro. Localizada na saída para os povoados Barracão e Ressaca, esquina com a atual Avenida Alfredo Penido (Avenida dos Artesanatos) e seguindo até a praça Expedicionário Vicente Machado Neto, recentemente revitalizada pela Prefeitura Municipal e que tem uma linda árvore de óleo, há nela residências e estabelecimentos comerciais. A via recebe pouco trânsito de veículos e ainda guarda casario de meados do século passado.   

Zé Padeiro, descendente de italianos pelo lado paterno, e do materno, de portugueses, chegou a residir no povoado do Barracão. Não foi alfabetizado, mas era craque quando se dedicava a fazer contas. Era comerciante nato. Possuía um caminhãozinho no qual fazia viagens frequentes a São João del-Rei, circulando com produtos diversos a serem vendidos lá e cá. Outra atividade que teve foi a de plantar mandioca, laranja e receber pessoas na piscina que mandou construir no vasto terreno que tinha e que se transformou em bairro, chamado “Bairro do Zé Padeiro”. Trabalhador, Zé Padeiro, segundo Maria Rosa Vieria Castro (71), a décima quarta e última filha do casal, dedicava-se a levar pães, torradinhos e roscas para vender em Desterro de Entre Rios, antiga Capela Nova. Ia num dia e voltava noutro, transportando os produtos no lombo de um burro em duas canastras, uma de cada lado do animal. Lá ele conheceu Francisca, com quem se casou.

A jovem Francisca casou-se com ele quando completou 18 anos de idade e teve 14 filhos. Ao completar 23 anos de casada, faleceu com a idade de 41 anos. De acordo com Gisélia Vieira, sua filha, agora com 80 anos de idade, sua mãe foi uma guerreira. Natural de Desterro de Entre Rios, era dedicada ao lar, trabalhou muito e conseguiu, com os recursos financeiros provindos do seu trabalho, criar patrimônio e ajudar o marido a criar seus filhos. Era ela que ajudava a preparar e colocar para assar os pães e os biscoitos para venda. Se o marido, em momentos difíceis, às vezes deixava passar do ponto seus produtos no forno a lenha, era ela quem se incumbia de preparar as fornadas seguintes e colocar os produtos em boas condições para o consumo de seus clientes.

Pouco tempo depois do falecimento de Francisca, Zé Padeiro cuidou de buscar nova esposa. E, curiosamente, a escolhida foi Geralda Vanini Coelho, também da cidade vizinha de Desterro de Entre Rios. Segundo Maria Rosa, que perdeu a mãe quando tinha 3 meses de idade, Geralda, sobrinha de Francisca, mudou-se para Resende Costa a fim de ajudar a cuidar dos filhos mais novos da falecida tia e Zé Padeiro. Ela também era afilhada do casal. Pouco tempo depois, acabou se casando com seu padrinho Zé Padeiro e com ele teve outros 14 filhos. Gisélia e Maria Rosa me disseram que o pai, além dos 28 filhos, teve outros fora dos dois casamentos. Para Gisélia, eles são 4; porém, Maria Rosa discorda ao dizer que, na verdade, eles são 5.   

A Câmara Municipal, em dois momentos, escolheu os nomes do casal (do primeiro matrimônio) para dar nome a duas ruas da cidade: Rua José Nicolau Filho e Rua Francisca Félix Vieira, ambas no bairro Zé Padeiro. Para o bairro Zé Padeiro, foi o povo que naturalmente foi nomeando uma área da cidade onde os casais e seus filhos se estabeleceram com suas moradas e seus trabalhos.  A padaria do casal ficava no início da Rua São João del-Rei (onde hoje funciona uma hamburgueria), bem em frente a uma igreja evangélica, tendo, do outro lado, na Rua Padre Joaquim Carlos, o Lar São Camilo de Lelis (antigo asilo que teve por longo tempo o Zé Padeiro como vice-presidente da instituição). Dona Geralda (por alguns chamada de Lalada), a segunda esposa de Zé Padeiro, diferentemente da primeira, não teve seu nome destinado a uma das vias públicas da cidade.