De olho na cidade

Nome de rua homenageia mãe de ex-prefeito

27 de Janeiro de 2026, por Edésio Lara 0

Foto de Maria Cândida de Andrade, a dona Candinha (foto arquivo familiar)

A rua que nasce no início da Praça Coronel Souza Maira (Praça do Rosário) e se estende até a Rua Moreira da Rocha, onde fica a Escola Municipal Conjurados Resende Costa chama-se Rua Maria Cândida de Andrade. Os que descem a rua veem à esquerda a sede da Prefeitura Municipal e, à direita, as lajes de baixo. O nome desta rua foi dado na década de 1970, época em que Ocacyr Alves de Andrade exerceu o cargo de prefeito municipal por duas vezes (1971-1972 e 1977-1982).

As lajes continuam como antigamente, apesar de que a visão que tínhamos dela vai, aos poucos, sendo ofuscada, senão impedida, com a construção de residências e prédios no seu entorno. Quanto ao espaço ocupado hoje pela Prefeitura Municipal, este era coberto por árvores, pasto, lugar onde se criavam animais. Não havia o bairro Jardim e nem o Bela Vista. É preciso notar que os limites da cidade eram estabelecidos pelo campo de futebol do Expedicionários e das quatro casas mantidas pela Sociedade São Vicente de Paulo (SSVP). Dessas casas restaram somente alguns alicerces (ruínas), bem em frente à Escola Municipal Conjurados Resende Costa.  Para além da residência do Chico Carioca – até a roça do Miro e de dona Dalila –, o espaço era repleto de pés de gabiroba, de araçá e um belo riacho de água cristalina e limpa que usávamos para beber e nadar. Mas, isso é passado.

Na década de 1970, ergueu-se ali, em frente às lajes de baixo (do Rosário), um prédio destinado à educação escolar para os que queriam continuar os estudos depois dos quatro primeiros anos realizados entre os 7 e 10 anos de idade na Escola Estadual Assis Resende. Naquela época, cursavam o “admissão”, em um ano, aqueles que se preparavam para ingressar no Colégio Nossa Senhora da Penha, para mais quatro anos do ginásio. Em 1986, com o encerramento das atividades da escola, o prédio foi adquirido pela Prefeitura Municipal para ali se instalar.  

Foi no início da década de 1980 que deram o nome de Maria Cândida de Andrade à rua onde está a sede do poder executivo municipal. Atualmente, muitos perguntam quem foi esta senhora que dá nome ao movimentado logradouro. Trata-se de dona Candinha, como era popularmente conhecida, mãe do ex-prefeito Ocacyr Alves de Andrade, muito mais conhecido por Cici da Candinha. Ela nasceu em Resende Costa em 29 de agosto de 1896 e, na cidade, faleceu em 17 de julho de 1981, com 85 anos de idade. Candinha casou-se com Antônio Alves de Andrade (1898-1961) no dia 30 de janeiro de 1918 e com ele teve seus filhos: Ida Eleonice de Andrade Maia (casada com Francisco de Assis Maia), José Conceição Andrade (mais conhecido como Gringo, excelente bombardinista da Banda de Música Santa Cecília), Maria Amelina de Andrade (Amelina do Ari, do Pau de Canela), Maria José de Andrade (Maria do Zé Evaristo), Ocacyr Alves de Andrade, Efigênia Andrade (Efigênia do Altivo, que residia em Jacarandira).  

O marido de dona Candinha era serralheiro, atividade profissional que transferiu para o filho Ocacyr. Dona Candinha, por sua vez, era do lar. Ela, ao longo de sua vida, se dedicou aos afazeres da casa e, ao lado do marido, da criação dos seus filhos. Segundo um de seus bisnetos, na foto em que dona Candinha aparece com uma bolsa, tal bolsa era cheia de balas que ela gostava de levar para os netos. Como não tivemos acesso ao documento da sessão plenária da Câmara Municipal que justificou a decisão dos vereadores municipais em homenageá-la, consideramos que seus votos indiretamente alcançaram o prefeito Ocacyr, bem como os inúmeros membros da família Andrade no município.   

 

Agradeço a colaboração recebida dos advogados Adenor Amadeu Coelho, Mateus José Resende e do Juiz de direito Dr. Marcos Alves de Andrade, para a escrita desse texto.

 

Errata: na coluna do mês passado, quando escrevi sobre a rua que leva o nome do Padre Ézio de Melo Daher, cometi um equívoco. Disse que ele era filho de dona Alzira. Na verdade, ele era filho de Maria Alacoque Melo, do primeiro casamento do senhor João Daher, tendo todos os nomes dos filhos iniciados com a letra “E”: Elmo, Élio, Ézio, Elzi, Elisa, Elaine e Edson.

Rua Padre Ézio de Melo Daher

24 de Dezembro de 2025, por Edésio Lara 0

Padre Ézio Daher, resende-costense e sacerdote salesiano (foto arquivo familiar)

A Rua Padre Ézio de Melo Daher é pequena, como tantas outras na cidade de Resende Costa, tendo início na praça onde se encontra a igreja de Nossa Senhora do Rosário e a rua Joaquim Leonel.  Filho de João Daher e de dona Alzira, ele passou seus primeiros anos de vida morando na residência de sua família que fica ao lado da rua que hoje leva seu nome. A casa, bem cuidada, guarda seus traços antigos e pertence à sua irmã Maria Alacoque Reis Daher, mais conhecida pelo apelido de Tote. A família era grande, tendo senhor João Daher dezessete filhos, sendo sete do primeiro casamento com dona Maria Alacoque Melo e outros dez, com dona Alzira Reis Daher.

Padre Ézio nasceu no dia 11 de novembro de 1924, em Resende Costa. Sua permanência no município foi curta. Ele saiu muito novo para estudar noutra cidade. Tinha doze anos de idade quando padres o levaram primeiro para Roseiras, próximo a Aparecida, Taubaté e Pindamonhangaba, em São Paulo. Ali teve início a sua formação junto aos Salesianos de Dom Bosco. Naquela primeira metade do século XX, era comum adolescentes serem encaminhados para seminários. Muitos tornavam-se sacerdotes, outros não. Os valores salesianos ele os levou até o dia da sua morte ocorrida em 23 de julho de 1986, quando estava com 62 anos de idade.

Em anotações que deixou, disse ter sido batizado no dia 30 de novembro de 1924. Treze anos depois, deu entrada em Lavrinhas/SP, em 13 de novembro de 1937. Desde a vestidura da batina até a ordenação sacerdotal em 8 de novembro de 1952, foram quinze anos de estudos, até tornar-se padre aos 30 anos de idade. Durante a primeira missa que celebrou em Resende Costa, o coro cantou: “sacerdote como és feliz, escutando grave e terno, a voz de Nosso Senhor que diz, tu és sacerdos in aeternum”. A partir de então, foram muitas as cidades que o receberam: Araxá, Cachoeira do Campo / distrito de Ouro Preto, Uberlândia, Pará de Minas e Belo Horizonte, no bairro conhecido como Cabana do Pai Tomás, um conglomerado (favela/bairro) próximo da cidade de Contagem. A pobreza do povo sofrido desta favela o entristecia, visto que, segundo dona Lúcia Daher, sua irmã, “ele tentava consertar coisas, mas, não conseguia.”

Padre Ézio, quando vinha a Resende Costa, fazia questão de visitar seus familiares. Tinha um gosto especial pela dona Hercília Reis e Sousa (Ciloca, esposa do Duque) e pelo seu amigo Oscar, (marido de dona Inácia) com o qual saía para apanhar frutas em fazendas do município. E para celebrar missa, preferia a igreja do Rosário por dois motivos: ficava ao lado da residência dos seus pais e irmãos e evitava sair a pé até a matriz de Nossa Senhor da Penha de França, devido a problemas sérios de saúde que já o atormentavam. Um persistente ferimento no tornozelo dificultava sua caminhada.

O sacerdote fez voto de pobreza; não possuía bens, patrimônio algum. Vestia-se de forma simples que chegava a incomodar seu pai, que não gostava de vê-lo com a batina remendada e desbotada. Andava com uma mala pequena, feita pelo próprio pai. Até para comprar uma clérgima (colarinho clerical), faltava-lhe dinheiro.

Em 22 de fevereiro de 1986, deixou a Cabana de Pai Tomás, tendo sido transferido para Pará de Minas, levando sua mudança em uma kombi.  Foi empossado na paróquia de Nossa Senhora Auxiliadora, no bairro Dom Bosco, como vigário paroquial em 17 de maio de 1986. Naquela época sua saúde já estava bastante comprometida.

Padre Geraldo M. Lisboa, em Pará de Minas/MG, ao apresentar aos irmãos de batina dados biográficos do padre Ézio - o inesquecível irmão - destacou-o como homem otimista e alegre. Impecavelmente ordenado, revelou-se ótimo cronista, bom sacerdote e confessor de uma paciência fora do comum. Padre Ézio foi professor de Dom José Eudes, atual bispo diocesano de São João del-Rei.

O homem simples e de voz mansa começou a luta contra os problemas cardíacos em 1971. Sofreu infarto em Araxá, extraiu a safena interna da perna direita em Ponte Nova/MG. Deixou anotado que em 1976, dia 11 de novembro, sofreu espasmo cerebral, com paralização do lado direito. Poucos dias depois, no dia 18, sofreu paralização do lado esquerdo. Esses distúrbios o acompanharam até o ano de 1986. Naquele ano, depois de uma Assembleia dos Salesianos em Cachoeira do Campo no dia 21 de julho, viajou no dia seguinte para as bodas de prata de seus amigos ex-paroquianos em Uberlândia. Lá, após um jantar, dizendo estar um pouco tonto, levantou-se da mesa para caminhar um pouco. Deu três passos e caiu, morrendo imediatamente.

Em Resende Costa seu corpo foi velado na igreja de Nossa Senhora do Rosário, da qual tanto gostava, até o dia 25 quando foi realizada missa de corpo presente, presidida pelo Monsenhor Nelson.   

Praça Coronel Souza Maia ou do Rosário

25 de Novembro de 2025, por Edésio Lara 0

Praça Coronel Souza Maia, mais conhecida pela população da cidade como Praça do Rosário, devido à presença da igreja de N. Sra. do Rosário (foto Raquel Resende)

A praça Coronel Souza Maia é uma das mais importantes e movimentadas da cidade. Ampla e com canteiro central espaçoso, nela há de tudo um pouco. Há ainda algumas residências, que têm resistido ao crescente e variado comércio instalado no lugar: supermercado, loja de eletrodomésticos, gráfica, farmácias, lojas de móveis, pequena agência bancária, distribuidora de bebidas e um trailer que serve sanduíches. Há ainda espaço para feirantes que, aos sábados, vendem mel, queijos, verduras e legumes, principalmente. A praça serve como ponto de encontro de pessoas que saem da cidade em ônibus de turismo ou mesmo para aqueles ônibus que ligam a sede do município a um povoado, como é o caso de Jacarandira. Mas, o que nela mais se destaca: a igreja de Nossa Senhora do Rosário. E é por isso mesmo que ela é mais conhecida pelo nome da santa do que pelo nome do estimado Coronel Souza Maia.

João Evangelista de Souza Maia, filho de João Evangelista de Souza (Prados/MG – 08/08/1878) e dona Francisca Maria Cristina (? / ?), pelo que sabemos, faleceu aqui em Resende Costa no ano de 1945. Para alguns, o citado coronel veio residir em Resende Costa no ano de 1901; outros, como relata o memorialista Antônio Lara Resende, a chegada dele ao Arraial da Laje se deu depois de 1903.  Souza Maia, “ao lado do doutor Domingos Alves Moreira da Rocha e do major Domingos Teodoro de Resende, participou anos antes da primeira Câmara Municipal de Tiradentes no regime republicano, vindo depois em 1903, a tomar assento no Conselho Distrital da Lage”. [1]

João Evangelista de Souza Maia, apesar do título de coronel, nunca foi militar. Durante a primeira República no Brasil (1889-1930), tornou-se comum conferir a determinadas pessoas, títulos como o de tenente, capitão, major, coronel, por exemplo, sem que elas tenham seguido carreira militar. Assim aconteceu com João Evangelista e outros munícipes que tiveram acrescentados aos seus nomes essas denominações honoríficas. Se observarmos, na cidade há ruas que receberam nomes desses conterrâneos, tidos como filhos ilustres: Tenente Francisco Marcos dos Reis, Capitão Marcos de Oliveira Braga, Major Joaquim Leonel de Resende Lara, Coronel Francisco Mendes de Resende são alguns deles.

João Evangelista de Souza Maia, portanto, mereceu ter seu nome perpetuado devido à sua habilidade em atuar como político em Resende Costa. Manteve residência nos “Quatro Cantos”, (travessa entre as avenidas Monsenhor Nelson, Prefeito Ocacyr Alves de Andrade e rua Assis Resende), tendo sua casa apelidada de “Senado”, pois era nela que muitas decisões tomadas por políticos locais eram previamente elaboradas. Atribuía-se ao coronel a habilidade em cuidar dos assuntos de interesse da comunidade, destacando-se como pessoa hábil em “desvencilhar-se das incômodas e inoportunas situações por que passam os homens públicos em face das complicações partidárias e dos pedidos de favor solicitados como troca ou compensação por prestígio político”. [2]

João Evangelista casou-se com dona Eufrásia Mendes de Resende Maia, da qual ainda não temos datas de nascimento e morte. Diz-se, no entanto, que não teve filhos. Os nomes de família Mendes, Resende e Maia também são muito presentes entre nós. Portanto, é comum vê-los estampados em placas de logradouros na cidade.  

Em se tratando da praça Coronel Souza Maia, seu nome tem sido substituído por “Praça do Rosário” ou, simplesmente “Rosário” pelo povo. Isso, sem dúvidas, tem a ver com a construção da primeira capela dedicada a Nossa Senhora do Rosário em meados do século XIX. Ir à igreja do Rosário para missas e festas prevaleceu e tornou-se mais forte e falada do que a da praça Coronel Souza Maia. O uso da Praça Coronel Souza Maia tem servido mais para os Correios ou outros órgãos públicos ligados a registros de imóveis, em virtude de Rosário não ser um nome oficial escolhido pela Câmara Municipal nem reconhecido pela Prefeitura Municipal.

 

[1] CHAVES, José Maria da Conceição. Memórias do antigo Arraial de Nossa Senhora da Penha de França da Lage, atual cidade de Resende Costa: desde os proêmios de sua existência até os dias presentes; [org. Elaine Amélia Martins, Rosalvo Gonçalves Pinto] – Resende Costa/MG: Amirco, 2014, p.229.

[2] Idem, p. 229.

Gabriel Passos: político mineiro na memória da cidade

29 de Outubro de 2025, por Edésio Lara 0

Ministro Gabriel Passos (foto divulgação)

Há em Resende Costa número expressivo de logradouros que têm nomes de pessoas ilustres. Muitas vezes, nas placas afixadas pela cidade, há o prenome seguido de um nome de família da pessoa escolhida, entre tantas, como merecedoras de serem lembradas pela comunidade por serviços prestados a ela. São nomes dados há mais tempo, tais como são os de Marcos Reis, Anderson Reis, ou Maria Celina, constituído esse último de dois nomes próprios. Muitos não são mais reconhecidos pela população, vão caindo no esquecimento. Se perguntarmos quem foram essas pessoas, até mesmo moradores dessas ruas não vão saber quem foram elas. Recentemente, a opção tem sido a de registrar nome completo da pessoa homenageada e, às vezes, acompanhado de uma função que tenha exercido no município: prefeito, professor, vereador, padre, maestro, por exemplo. 

Uma avenida no centro da cidade, que nasce na Praça Rosa Penido e termina na Rua Padre Joaquim Carlos, tem o nome de Gabriel Passos. O casarão, de número 8, agora onde funciona a Secretaria Municipal de Educação do nosso município, foi a residência da minha família: na parte de cima, dormitórios, sala de visitas, banheiro e cozinha. Em baixo, a oficina de sapateiro do meu avô Quinzinho, que tinha uma bela foto do ex-presidente, o também mineiro, Juscelino Kubitschek. A avenida termina onde ficava a residência da dona Celina.

Gabriel de Resende Passos nasceu em 1901 na cidade de Itapecerica/MG, que não fica distante de Resende Costa. Passando pela estrada de terra até São Tiago, 147 km ligam nossa cidade à terra natal dele. Gabriel Passos foi pessoa importante, de destaque no cenário político nacional. Advogado, jornalista e político, destacou-se como Secretário do Interior e Justiça, Procurador-Geral da República e Ministro de Minas e Energia. No fim da década de 1920 (1928), tornou-se redator do jornal Estado de Minas. Como ministro de estado, atuou no sentido de instalar uma refinaria de petróleo na cidade de Betim/MG, inaugurada em 1968, sete anos após sua morte, ocorrida na cidade do Rio de Janeiro no ano de 1962, quando estava com 61 anos de idade. Desde então, a refinaria da Petrobras passou a ter seu nome: Refinaria Gabriel Passos (Regap).

Gabriel Passos foi deputado federal por quatro mandatos. Candidatou-se ao governo de Minas Gerais pelo partido União Democrática Nacional (UDN), quando foi derrotado pelo seu concunhado Juscelino Kubitschek (as esposas de ambos eram irmãs), que ocupou o cargo de governador entre os anos de 1951 e 1955. 

Devido à sua atuação como político, é fácil encontrar seu nome em logradouros e edifícios ou mesmo numa grande empresa, como é o caso da Petróleo Brasileiro S. A. (Petrobras).  Ele aparece em ruas de Santa Cruz de Minas, Tiradentes e São João del-Rei, que tem a sede da prefeitura municipal localizada na Rua Ministro Gabriel Passos, 199. E, como não poderia ser diferente, a principal avenida da cidade de Itapecerica leva o nome do seu ilustre filho: Avenida Ministro Gabriel Passos.

Mas as homenagens não param por aí: seu nome está em muitas outras cidades do nosso estado, principalmente. Esperamos que o nome da nossa avenida permaneça. E que todos aqueles que quiserem saber quem foi Gabriel Passos saibam que se tratou de um mineiro que bons serviços prestou à nossa pátria. 

GERALDO MONTEIRO DE OLIVEIRA

01 de Outubro de 2025, por Edésio Lara 0

Poucos vão se lembrar de Geraldo Monteiro de Oliveira. Ele nasceu em 02/08/1915, na Fazenda do Retiro de Cima, localizada no povoado do Cajuru, zona rural do município de Resende Costa, e lá foi criado juntamente com seus nove irmãos, sendo duas meninas e oito meninos. Pois ele, na terceira década do século passado, conseguiu tornar-se técnico agrícola na cidade de Viçosa-MG antes de retornar ao Retiro de Cima, em 1937, com a idade de vinte e dois anos.

Inquieto, o jovem Geraldo Monteiro, já transitando entre sua cidade natal e a capital mineira, onde veio morar no bairro Lagoinha, bem próximo da rodoviária, se empenhou em liderar um grupo capaz de abrir caminho, isto é, uma estrada que ligasse o distrito de Jacarandira à cidade sede. É sabido que o serviço foi feito com muito esforço, fazendo cortes no chão com enxada e outras ferramentas, como enxadão, arado e pá de cavalo, que puxava a terra. Com apoio da Prefeitura Municipal, o trabalho durou quatro anos. Concluída a construção da estrada, Geraldo Monteiro foi morar na cidade do Rio de Janeiro. Na capital fluminense, ingressou na Aeronáutica e tornou-se administrador do aeroporto Santos Dumont, localizado no centro da cidade.

Essa empreitada liderada por Geraldo Monteiro contribuiu, sem dúvida, para que o jovem se envolvesse com a política em Resende Costa. Elegeu-se vereador pelo Partido Social Trabalhista (PST) e, posteriormente, a prefeito municipal, exercendo mandato entre os anos de 1951 a 1955 pela coligação da UDN (União Democrática Nacional) com o PTB (Partido Trabalhista Brasileiro), tendo Antônio da Silva Barbosa como vice-prefeito. Noutro momento, em 1972, Geraldo Monteiro de Oliveira voltou à prefeitura, tendo Aristides Coelho dos Santos como vice, desta vez pelo Movimento Democrático Brasileiro (MDB). Dois anos após ter sido eleito, renunciou ao cargo, ficando para Aristides Coelho a incumbência de assumir o Executivo nos dois anos seguintes.

Retornando a Belo Horizonte, onde trabalhou como funcionário da base aérea do aeroporto local cursou engenharia, revelou-se uma pessoa apaixonada pela aviação. O gosto por aeronaves ele o transferiu para Emerson, um de seus dois filhos (o outro chamava-se Edson). Emerson, além de pilotar pequenos aviões, fazia manutenção em aeronaves. Segundo familiares, costumava fazer testes sobrevoando áreas próximas a Belo Horizonte, às vezes chegando até Resende Costa. E foi em uma dessas viagens que veio a falecer, quando o avião que pilotava caiu na Lagoa dos Ingleses, localizada a 30km de Belo Horizonte.

Júlia Monteiro, sobrinha-neta de Geraldo Monteiro, tem algumas lembranças dele. Segundo ela, ele recebia muito bem as pessoas em casa localizada na praça Mendes de Resende e não se cansava de ajudar os outros. Era muito alegre. Gostava de andar de jeep, sem capota, quando ia cumprimentando pessoas por onde passava, independentemente de conhecê-las ou não. Júlia ouviu de familiares que seu tio-avô não gostava de beber água filtrada; preferia a natural, costume que, certamente, adquiriu morando na roça. 

Enquanto eu e Júlia conversávamos, seu primo Márcio André nos enviou uma mensagem curiosa. Segundo ele “o tio Ladico era uma pessoa que gostava de apicultura e que as pessoas achavam muito engraçado, ou curioso ele aparecer com uma roupa que mais lembrava a figura de um astronauta”. Outro caso é o de que “na construção da estrada, citada aqui, eles tinham uma máquina (possivelmente um trator) que tinha um farol muito forte. Naqueles lugares ainda intransitáveis e vistos à noite, “muitas pessoas se referiam à famosa luz como sendo fantasma, luz de pedra”.

Geraldo Monteiro faleceu em 09/07/2009, com 93 anos de idade. Para homenageá-lo, a Câmara e a Prefeitura Municipal deram o nome do ex-prefeito ao “Conjunto Habitacional Prefeito Geraldo Monteiro de Oliveira”, inaugurado no bairro Tijuco, no dia 29 de junho de 2014, e uma pequena rua, que começa na Rua Dr. Abeilard e termina na Rua Pérsio Babo de Resende, em frente à agência dos Correios. O conjunto habitacional atendeu a muitas famílias que precisavam ter casa própria e a pequena rua, de 60 passos – ou 60 metros – contados por mim, fixam na memória do povo a figura de Geraldo Monteiro de Oliveira, que amava a nossa cidade e a ela prestou importantes serviços.