De olho na cidade

Trocas e/ou supressões de nomes de ruas em Resende Costa

29 de Abril de 2026, por Edésio Lara 0

Há em Resende Costa algumas ruas que levam o nome de cidades vizinhas. Isso é comum não só em nosso município, mas também noutros em nosso país. Se aqui temos Rua São Tiago, Rua Entre Rios de Minas e Rua São João del-Rei, vamos encontrar noutras cidades, principalmente nas vizinhas, o nome Resende Costa em alguma via pública. Há Rua Resende Costa em Tiradentes, Santa Cruz de Minas, Barroso, Desterro de Entre Rios e Barbacena. Se ampliarmos a pesquisa, outras cidades terão um logradouro com o nome da nossa Resende Costa. Em Prados, ela se chama Inconfidente Resende Costa. Em Entre Rios de Minas, há uma rua Rezende Costa, escrita com a letra “z”, em vez de “s”. Por fim, em São João del-Rei ela fica em lugar dos mais nobres: no centro histórico da cidade. Em página dedicada aos Amantes de São João Del Rei e Demais Cidades Históricas Mineiras, na internet, com 77mil seguidores, um turista destacou: a apaixonante Rua Resende Costa com a Vista para a Lindíssima Igreja de Nossa Senhora do Carmo.  Para ele, só quem ama SJDR iria compartilhar foto da maravilhosa Igreja. Nós, resende-costenses, imagino, gostamos de ver o nome da nossa cidade ali, em lugar maravilhoso, entre construções - muitas delas erigidas no século XVIII, cujo conjunto arquitetônico e urbanístico foi tombado pelo Iphan em 1938.

Nomes de ruas, praças, avenidas, homenageiam pessoas importantes, figuras históricas, lideranças comunitárias, artistas locais ou não, datas significativas, preservando a cultura local. Uma cidade, ao colocar o nome de outra em um dos seus logradouros, revela o apreço que tem por ela. Belo Horizonte, sendo a capital do estado, optou por colocar em boa parte de suas ruas, nomes de cidades do interior de Minas Gerais. O nome da nossa Resende Costa encontra-se no bairro Bomfim, que está localizado ao lado da rodoviária. Ela está entre a Rua Alberto Gualberto e a Rua Itatiaia, as três próximas do Cemitério do Bomfim e da Avenida Dom Pedro II. Quem abre o mapa da região percebe isso facilmente.

Aqui em Resende Costa, apenas três ruas acolhem nomes de cidades vizinhas: São Tiago, Entre Rios de Minas e São João del-Rei. Elas se localizam em locais que são como uma saída para as três cidades mencionadas aqui. Duas delas foram, de certa forma, encurtadas; uma prática que tem sido adotada em Resende Costa para incluir nomes de pessoas escolhidas para receber homenagens. A única que não sofreu qualquer alteração é a Rua São João del-Rei.

Até a década de 1980, era pela Rua São João del-Rei que nos dirigíamos até Coronel Xavier Chaves e, depois, a São João del-Rei. Além das três cidades citadas acima, havia outra: Rua Lagoa Dourada. Em 20 de janeiro de 1983, através da Lei Ordinária nº 1000, a Rua Dr. Gervásio Pereira passou a chamar Avenida Alfredo Penido, atualmente mais conhecida como “Rua dos Artesanatos”. Mas, como Gervásio Pereira foi pessoa influente no Arraial da Lage, de família detentora de muitos escravos e terras, seu nome passou a ser estampado em outro lugar, isto é, na chamada Rua Lagoa Dourada. O logradouro era a saída mais usada para quem se dirigia à nossa vizinha cidade de Lagoa Dourada.

Naquele momento, quando outra estrada foi asfaltada pela Construtora Serveng-Sivilsan Ltda, sediada em São Paulo, capital, de propriedade de membros da família Penido, aqui de Resende Costa, com recursos do governo do Estado de Minas Gerais, o Executivo Municipal e a Câmara dos vereadores decidiram prestar homenagem a Alfredo Penido, dando seu nome à avenida localizada na entrada da cidade. O nome de Rua Lagoa Dourada, devido às trocas, foi extinto. Será que não seria interessante escolhermos outra rua ou praça e dar-lhe o nome de Lagoa Dourada?

Nome de rua homenageia avô do poeta Abel Lara

25 de Marco de 2026, por Edésio Lara 0

Rua José Jacinto, centro de Resende Costa (foto Edésio Lara)

A rua José Jacinto localiza-se entre a Praça Dr. Costa Pinto e a Praça Coronel Souza Maia (Praça do Rosário), bem no centro da cidade. Se perguntarmos quem foi José Jacinto, poucos saberão. A Prefeitura Municipal, diferentemente da placa que traz seu nome no local, a identifica como rua José Jacinto Lara. Ela não é longa. Nela está o quartel da Polícia Militar do município, residências e comércios. E é nela que nasce a rua Dr. José de Alencar Texeira (médico que todos o chamavam de Dr. Teixeira), um dos três acessos que temos para a Laje do Rosário.

José Jacintho Lara Sobrinho nasceu no Arraial da Laje (hoje Resende Costa), naquela época pertencente a Tiradentes, em 9 de novembro de 1859 e faleceu em 12 de agosto de 1902, sendo sepultado na sua terra natal. Foi casado com Custódia Josina de Resende, que nasceu em 1863 e faleceu em 1942. Tiveram 10 filhos, sendo um deles João Evangelista Lara, este, sim, pai do poeta Abel Lara, autor do hino da nossa cidade. Ao consultar o livro “Apresentando (e recordando) um ramo da família Resende”, escrito por Gilberto Lara Resende e publicado em outubro de 1987 em Juiz de Fora/MG, notamos o tamanho expressivo das famílias Resende e Lara em nossa cidade. Não por acaso, os nomes de família Resende e Lara em Resende Costa são muitos. Por isso mesmo, seus nomes aparecem em vários logradouros do município.

Em épocas passadas, quando as famílias geralmente eram enormes, eram comuns nomes se repetirem. Aqui registramos uma dúvida: além do José Jacintho (com h) e outro sem o “h” no nome. No nome deixado nas placas colocadas na rua, apresentam o Jacinto, sem o “h”. E, ao que parece, também em sua certidão de nascimento, de acordo com pesquisa feita na internet. Dele ainda não tivemos acesso às suas certidões de batismo, casamento ou morte. Certo é que seu décimo e último filho recebeu o mesmo nome do pai: José Jacintho. Sobre pai e filho, ainda não temos qualquer história de vida deles. A respeito de suas atividades no município, qual profissão tinham ou onde trabalharam, nada sabemos. Sabe-se que o pai tinha o apelido de Zezé, e nada mais.

Nomes de ruas, praças e avenidas contribuem para contarmos a história da cidade. Compete à Câmara Municipal propor, através de projetos de lei, o nome a ser dado em vias públicas, praças e bairros da cidade. O prefeito municipal pode encaminhar sugestões, porém é de competência dos vereadores apreciar sugestões recebidas e decidir, através do voto, a escolha do nome de um logradouro. Pode ser que, para alguns, isso não seja relevante. Mas destinar o nome de alguém para identificar espaços públicos é coisa séria, importante.

Não sabemos quando nem os motivos que levaram o Legislativo Municipal a dar à via pública o nome de José Jacinto. Infelizmente, não sabemos onde foi parar o documento em que consta essa decisão. Isso é ruim, demonstra pouco apreço com a memória e a história que devemos guardar e contar às próximas gerações acerca do nascimento e do desenvolvimento da nossa cidade. Seria bom recolocar as placas com o nome de José Jacinto: José Jacinto Lara Sobrinho. E escolhendo o certo: se com o “h” ou sem ele. Para isso, precisamos ter acesso a documentos que registram de forma correta o seu nome.   

Morei com meus pais e irmãos por longo tempo nessa rua, da qual guardo ótimas lembras, muita saudade. Nossa casa era a de número 22 e tinha um quintal imenso, que se estendia até às lajes do Rosário, além de ótimos vizinhos e bons amigos.  

 

Agradeço a colaboração recebida da Stella Vale, que reside na Rua José Jacinto, e de Nair Cristina Lara, filha do poeta resende-costense Abel Lara e bisneta de José Jacinto, para a escrita desse texto. 

Jesus Barbeiro não poderia ser nome de algum logradouro?

25 de Fevereiro de 2026, por Edésio Lara 0

Foto do Jesus Barbeiro que ilustrou a galeria dos foliões homenageados no RC Folia 2026 (imagem - Produção do RC Folia 2026)

Quem participou do Carnaval de Resende Costa, encerrado recentemente, ficou perguntando o motivo de terem colocado imagens de algumas pessoas afixadas ao longo da Rua Gonçalves Pinto (que insistimos em nos referir a ela como avenida). Lá estavam: Márcio Daniel (Brizola), Camilo do Tomé (Bananeira), Deizinho, Lili Tatú, Antônio Resende (dentista prático), Laurita, Dico, Mário, Paga Luz, Galdino, Barbacena, Didi da Nina, dona Lia e Jesus Barbeiro. Sem dúvida, foram pessoas que se tornaram conhecidas devido ao jeito como tocavam a vida na cidade. Não foram políticos, líderes religiosos, professores, militares ou grandes empresários, os quais, muitas vezes são lembrados em edifícios, placas de ruas ou avenidas espalhadas pelo município com seus nomes. Alguns estão vivos, tais como Zezinho do Célio e Chiano. O Zezinho deixou de se vestir de palhaço e desfilar com sua vaca no carnaval, o que era uma para alegria das crianças, principalmente. Já o Chiano, continua firme à frente da Bateria do Rifugo, que desfila há anos durante os festejos carnavalescos de Resende Costa. Portanto, as fotos colocadas não se referem somente aos já falecidos

A imagem do Jesus Barbeiro chamou a atenção dos foliões. Seu nome: Jesus Maria José, casado que foi com dona Maria José de Jesus. Com ela teve um filho: José Constantino, que herdou do pai a barbearia até hoje instalada na Rua Gonçalves Pinto, n° 32. Zé barbeiro faleceu em 2010 e a barbearia continua funcionando, agora a cargo do seu filho Cláudio (Cláudio do Zé Barbeiro). Essa barbearia, a mais antiga da cidade, serve também como ponto de encontro de pessoas que comparecem para um bate-papo com o Cláudio, ler um jornal ou assistir a alguns vídeos de rock, gênero musical que ele aprecia. 

O avô do Cláudio foi uma pessoa especial. Muito simpático, adorava o Carnaval. Era também benzedeiro muito solicitado, que atendia pessoas sem lhes cobrar nada pelos atendimentos que fazia. Amava também o futebol, chegando a ser membro da diretoria do Expedicionários Sport Club.

Até meados da década de 1980, a cidade via desfilarem na avenida dois blocos. Um nos vinha das bandas da Rua Sete de Setembro e outro, da hoje mais conhecida como Avenida dos Artesanatos (Av. Alfredo Penido). Era uma festa linda que se encerrava com os foliões buscando entrada nos bailes carnavalescos que aconteciam no Teatro Municipal. Jesus barbeiro desfilava com a turma que vinha da região do Varginha, do Zé Padeiro (Avenida dos Artesanatos) e que tinha como destaque o Bié do Lindoufo e Darci Ramos. Dele, há uma foto de 1978, na qual desfila junto com o bloco carnavalesco que acompanhava, estando atrás de Darci Ramos, a primeira mulher a desfilar na cidade somente de biquini.  “Festeiro, Jesus Barbeiro adorava Carnaval. Solange, sua neta, lembra-se dele organizando e liderando um bloco de crianças que desfilava pelos “Quatro Cantos”, após a concentração no Teatro Municipal¨. (Cf. JL de 12 de julho de 2012, por João Magalhães).

Suas ações não se limitavam a ajudar a organizar desfiles de blocos carnavalescos. Foi pedreiro, benzedeiro e membro da diretoria do Expedicionários Sport Club, como já dito. Além disso, não deixava de participar da Festa do Rosário, acompanhando grupo de congado que ajudava a organizar. Jesus Maria José, o Jesus Barbeiro, bem que merecia ser lembrado através de um nome de prédio público, rua, praça ou avenida da cidade.

Nome de rua homenageia mãe de ex-prefeito

27 de Janeiro de 2026, por Edésio Lara 0

Foto de Maria Cândida de Andrade, a dona Candinha (foto arquivo familiar)

A rua que nasce no início da Praça Coronel Souza Maira (Praça do Rosário) e se estende até a Rua Moreira da Rocha, onde fica a Escola Municipal Conjurados Resende Costa chama-se Rua Maria Cândida de Andrade. Os que descem a rua veem à esquerda a sede da Prefeitura Municipal e, à direita, as lajes de baixo. O nome desta rua foi dado na década de 1970, época em que Ocacyr Alves de Andrade exerceu o cargo de prefeito municipal por duas vezes (1971-1972 e 1977-1982).

As lajes continuam como antigamente, apesar de que a visão que tínhamos dela vai, aos poucos, sendo ofuscada, senão impedida, com a construção de residências e prédios no seu entorno. Quanto ao espaço ocupado hoje pela Prefeitura Municipal, este era coberto por árvores, pasto, lugar onde se criavam animais. Não havia o bairro Jardim e nem o Bela Vista. É preciso notar que os limites da cidade eram estabelecidos pelo campo de futebol do Expedicionários e das quatro casas mantidas pela Sociedade São Vicente de Paulo (SSVP). Dessas casas restaram somente alguns alicerces (ruínas), bem em frente à Escola Municipal Conjurados Resende Costa.  Para além da residência do Chico Carioca – até a roça do Miro e de dona Dalila –, o espaço era repleto de pés de gabiroba, de araçá e um belo riacho de água cristalina e limpa que usávamos para beber e nadar. Mas, isso é passado.

Na década de 1970, ergueu-se ali, em frente às lajes de baixo (do Rosário), um prédio destinado à educação escolar para os que queriam continuar os estudos depois dos quatro primeiros anos realizados entre os 7 e 10 anos de idade na Escola Estadual Assis Resende. Naquela época, cursavam o “admissão”, em um ano, aqueles que se preparavam para ingressar no Colégio Nossa Senhora da Penha, para mais quatro anos do ginásio. Em 1986, com o encerramento das atividades da escola, o prédio foi adquirido pela Prefeitura Municipal para ali se instalar.  

Foi no início da década de 1980 que deram o nome de Maria Cândida de Andrade à rua onde está a sede do poder executivo municipal. Atualmente, muitos perguntam quem foi esta senhora que dá nome ao movimentado logradouro. Trata-se de dona Candinha, como era popularmente conhecida, mãe do ex-prefeito Ocacyr Alves de Andrade, muito mais conhecido por Cici da Candinha. Ela nasceu em Resende Costa em 29 de agosto de 1896 e, na cidade, faleceu em 17 de julho de 1981, com 85 anos de idade. Candinha casou-se com Antônio Alves de Andrade (1898-1961) no dia 30 de janeiro de 1918 e com ele teve seus filhos: Ida Eleonice de Andrade Maia (casada com Francisco de Assis Maia), José Conceição Andrade (mais conhecido como Gringo, excelente bombardinista da Banda de Música Santa Cecília), Maria Amelina de Andrade (Amelina do Ari, do Pau de Canela), Maria José de Andrade (Maria do Zé Evaristo), Ocacyr Alves de Andrade, Efigênia Andrade (Efigênia do Altivo, que residia em Jacarandira).  

O marido de dona Candinha era serralheiro, atividade profissional que transferiu para o filho Ocacyr. Dona Candinha, por sua vez, era do lar. Ela, ao longo de sua vida, se dedicou aos afazeres da casa e, ao lado do marido, da criação dos seus filhos. Segundo um de seus bisnetos, na foto em que dona Candinha aparece com uma bolsa, tal bolsa era cheia de balas que ela gostava de levar para os netos. Como não tivemos acesso ao documento da sessão plenária da Câmara Municipal que justificou a decisão dos vereadores municipais em homenageá-la, consideramos que seus votos indiretamente alcançaram o prefeito Ocacyr, bem como os inúmeros membros da família Andrade no município.   

 

Agradeço a colaboração recebida dos advogados Adenor Amadeu Coelho, Mateus José Resende e do Juiz de direito Dr. Marcos Alves de Andrade, para a escrita desse texto.

 

Errata: na coluna do mês passado, quando escrevi sobre a rua que leva o nome do Padre Ézio de Melo Daher, cometi um equívoco. Disse que ele era filho de dona Alzira. Na verdade, ele era filho de Maria Alacoque Melo, do primeiro casamento do senhor João Daher, tendo todos os nomes dos filhos iniciados com a letra “E”: Elmo, Élio, Ézio, Elzi, Elisa, Elaine e Edson.

Rua Padre Ézio de Melo Daher

24 de Dezembro de 2025, por Edésio Lara 0

Padre Ézio Daher, resende-costense e sacerdote salesiano (foto arquivo familiar)

A Rua Padre Ézio de Melo Daher é pequena, como tantas outras na cidade de Resende Costa, tendo início na praça onde se encontra a igreja de Nossa Senhora do Rosário e a rua Joaquim Leonel.  Filho de João Daher e de dona Alzira, ele passou seus primeiros anos de vida morando na residência de sua família que fica ao lado da rua que hoje leva seu nome. A casa, bem cuidada, guarda seus traços antigos e pertence à sua irmã Maria Alacoque Reis Daher, mais conhecida pelo apelido de Tote. A família era grande, tendo senhor João Daher dezessete filhos, sendo sete do primeiro casamento com dona Maria Alacoque Melo e outros dez, com dona Alzira Reis Daher.

Padre Ézio nasceu no dia 11 de novembro de 1924, em Resende Costa. Sua permanência no município foi curta. Ele saiu muito novo para estudar noutra cidade. Tinha doze anos de idade quando padres o levaram primeiro para Roseiras, próximo a Aparecida, Taubaté e Pindamonhangaba, em São Paulo. Ali teve início a sua formação junto aos Salesianos de Dom Bosco. Naquela primeira metade do século XX, era comum adolescentes serem encaminhados para seminários. Muitos tornavam-se sacerdotes, outros não. Os valores salesianos ele os levou até o dia da sua morte ocorrida em 23 de julho de 1986, quando estava com 62 anos de idade.

Em anotações que deixou, disse ter sido batizado no dia 30 de novembro de 1924. Treze anos depois, deu entrada em Lavrinhas/SP, em 13 de novembro de 1937. Desde a vestidura da batina até a ordenação sacerdotal em 8 de novembro de 1952, foram quinze anos de estudos, até tornar-se padre aos 30 anos de idade. Durante a primeira missa que celebrou em Resende Costa, o coro cantou: “sacerdote como és feliz, escutando grave e terno, a voz de Nosso Senhor que diz, tu és sacerdos in aeternum”. A partir de então, foram muitas as cidades que o receberam: Araxá, Cachoeira do Campo / distrito de Ouro Preto, Uberlândia, Pará de Minas e Belo Horizonte, no bairro conhecido como Cabana do Pai Tomás, um conglomerado (favela/bairro) próximo da cidade de Contagem. A pobreza do povo sofrido desta favela o entristecia, visto que, segundo dona Lúcia Daher, sua irmã, “ele tentava consertar coisas, mas, não conseguia.”

Padre Ézio, quando vinha a Resende Costa, fazia questão de visitar seus familiares. Tinha um gosto especial pela dona Hercília Reis e Sousa (Ciloca, esposa do Duque) e pelo seu amigo Oscar, (marido de dona Inácia) com o qual saía para apanhar frutas em fazendas do município. E para celebrar missa, preferia a igreja do Rosário por dois motivos: ficava ao lado da residência dos seus pais e irmãos e evitava sair a pé até a matriz de Nossa Senhor da Penha de França, devido a problemas sérios de saúde que já o atormentavam. Um persistente ferimento no tornozelo dificultava sua caminhada.

O sacerdote fez voto de pobreza; não possuía bens, patrimônio algum. Vestia-se de forma simples que chegava a incomodar seu pai, que não gostava de vê-lo com a batina remendada e desbotada. Andava com uma mala pequena, feita pelo próprio pai. Até para comprar uma clérgima (colarinho clerical), faltava-lhe dinheiro.

Em 22 de fevereiro de 1986, deixou a Cabana de Pai Tomás, tendo sido transferido para Pará de Minas, levando sua mudança em uma kombi.  Foi empossado na paróquia de Nossa Senhora Auxiliadora, no bairro Dom Bosco, como vigário paroquial em 17 de maio de 1986. Naquela época sua saúde já estava bastante comprometida.

Padre Geraldo M. Lisboa, em Pará de Minas/MG, ao apresentar aos irmãos de batina dados biográficos do padre Ézio - o inesquecível irmão - destacou-o como homem otimista e alegre. Impecavelmente ordenado, revelou-se ótimo cronista, bom sacerdote e confessor de uma paciência fora do comum. Padre Ézio foi professor de Dom José Eudes, atual bispo diocesano de São João del-Rei.

O homem simples e de voz mansa começou a luta contra os problemas cardíacos em 1971. Sofreu infarto em Araxá, extraiu a safena interna da perna direita em Ponte Nova/MG. Deixou anotado que em 1976, dia 11 de novembro, sofreu espasmo cerebral, com paralização do lado direito. Poucos dias depois, no dia 18, sofreu paralização do lado esquerdo. Esses distúrbios o acompanharam até o ano de 1986. Naquele ano, depois de uma Assembleia dos Salesianos em Cachoeira do Campo no dia 21 de julho, viajou no dia seguinte para as bodas de prata de seus amigos ex-paroquianos em Uberlândia. Lá, após um jantar, dizendo estar um pouco tonto, levantou-se da mesa para caminhar um pouco. Deu três passos e caiu, morrendo imediatamente.

Em Resende Costa seu corpo foi velado na igreja de Nossa Senhora do Rosário, da qual tanto gostava, até o dia 25 quando foi realizada missa de corpo presente, presidida pelo Monsenhor Nelson.