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Tempo ainda de esperança

29 de Julho de 2026, por João Bosco Teixeira

A questão é o tempo. Lá na Bíblia está escrito que há um tempo para tudo. E a experiência mostra que é verdade. Há, no entanto, outras verdades. Inclusive esta, que é cômica, mas é: “O mundo é talvez: e é só. Talvez nem seja talvez”. Do tempo, então, o que dizer?

Para se viver é suficiente não morrer. Isto, no entanto, é pouco. Pois o viver pede muito. Pede, inclusive, que se leve a sério o tempo. E este tem suas exigências.

Exigências que se sucedem. Umas permanecem. Outras findam. Umas se vão com lamentos e sem constrangimentos. Muitas com agradecimentos.

Hoje, já na oitava dezena de vida, vivida em sua maior parte, exigências persistem. Oriundas, na sua maior parte, do desejo de querer viver. E viver com constâncias. Algumas, por caducas, caducaram; enquanto outras, por sábias, insistem em permanecer.

Por mais que sabido, sabe-se que é preciso respeitar o tempo, quando ele exige abandonar a ideia de querer tomar banho em cinco minutos; de querer subir escada aos galopes; de querer curar gripe com mel/cachaça/limão; de querer jogar bola com os netos. O tempo lembra que não se pode mais participar de tudo na comunidade; que não faz mais sentido querer ser o primeiro a chegar nos acontecimentos, nos quais se insiste em estar presente; que não se pode mais querer sempre ter uma palavra “importante” para dizer nos encontros ou reuniões.

Oh! Que tempo aquele em que se devia responder por assuntos nos quais se tomava parte; quando era preciso ser o primeiro a dar conta de conflitos comuns; quando era dever dizer certas coisas; quando fazia sentido se lamentar por não ter sido convidado e por não ter sido contemplado na lista de pessoas citadas.

Hoje, o tempo é aquele em que não faz mais sentido reclamar porque os colegas não sabem que se anda muito ocupado, apesar de aposentado; não faz sentido sentir-se ofendido por não ter sido notado em certos ambientes e não ter sido contemplado com as próprias ideias em assuntos mais que superados. É tempo em que não se pode sofrer por não ter sido ouvido, quando, na verdade, é preciso ouvir.    

Oh! O tempo foge irreparavelmente “Fugit irreparabile tempus”. E, no entanto, o tempo continua sendo a grande riqueza que cada um tem. Ele possui novas dimensões; novas cores, pois manhãs e tardes continuam se sucedendo. E, no tempo, as esquinas continuam presentes. E, nelas, os encontros, pois, se assim não for, eliminem-se as esquinas. 

Oh! Novos lindos tempos em que sapatos caminham, ainda que numa estrada de pó, mas também de esperança.

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