ARTE SACRA: João Paiva, jovem escultor aposta na “experiência da fé”


Religião

José Venâncio de Resende0

fotoEscultura de São Francisco de Assis, autoria do artista são-joanense João Paiva (foto cedida pelo entrevistado).

São 50 anos acumulados de experiência na arte de esculpir imagens religiosas, fruto da soma de 40 anos de profissão do pai, Osni Paiva, e de 10 anos do filho, João Paiva, na atividade. E todo esse tempo sob a bênção do Espírito Santo. “Uma experiência que ganhei com meu pai é a seguinte: são 2% de trabalho e 98% de fé. E eu tenho certeza de que é isso mesmo. Se o santeiro não reza, a obra não vai muito longe, não tem vida.”

João Batista Paiva, 26 anos, começou a trabalhar com o pai aos 10 anos de idade. No início, cortava madeira e cuidava do acabamento (lixamento da madeira). Nessa época, ele queria ser padre e esculpir as imagens da própria paróquia. Não foi padre, mas virou escultor.

“Quando estava para entrar no seminário, entre 16 e 18 anos, comecei a fazer minhas próprias obras. A primeira imagem foi um Cristo flagelado (cerca de 30cm) esculpido, que ficou feio porque eu não tinha experiência, como, por exemplo, em proporção de anatomia.”

Cristo esculpido? Sim, porque João Paiva trabalha sob encomenda desde a imagem esculpida até a imagem de roca (de vestir); essa última, especificamente para procissão, porque é mais leve para se carregar em andor. Além de ser adequada à procissão, a imagem de roca é muito procurada para veneração ou devoção particular por causa da estética, de “ter um estilo diferente”.

Mas a maior procura pela imagem de roca não se dá apenas por causa da estética, mas também do custo. Ela tem uma estrutura feita de réguas de madeira. São esculpidos apenas o rosto e o corpo da cintura para cima. Por isso, requer menos tempo de trabalho. Para esculpir uma imagem de Santo Antônio (50 cm), por exemplo, João Paiva precisa de 20 a 25 dias de trabalho, se for de roca; cerca de dois meses, se for a imagem maciça.   

Geralmente, sai muita imagem de Nossa Senhora das Dores, conta João Paiva. “Particularmente, tenho uma vocação especial para fazer imagens da Paixão (Senhor dos Passos, Nossa Senhora das Dores) e todo o cenário que as envolve. Aliás, em 2024, o escultor fez uma imagem de roca de Nossa Senhora das Dores (1,60m) para a igreja de Santos Dumont.

A madeira utilizada por João Paiva é o cedro, que é mais firme e macio, além da longevidade. Há imagens feitas na região que já duram 300 anos.

 

Imagens esculpidas

A demanda por imagens esculpidas é muito variada, abrangendo vários tipos de devoção, tanto em termos de denominações de santos quanto de altura. As imagens esculpidas de maior tamanho em geral são encomendadas por igrejas ou capelas de paróquias. As encomendas de particulares atingem no máximo 30 cm.

Eis alguns exemplos dos trabalhos desenvolvidos por João Paiva: Santa Efigênia (70 cm), para a igreja do Rosário de Tiradentes (2021); São Francisco de Assis (80 cm), para a matriz de Santo Antônio de Tiradentes (2021); Santo Onofre (80cm), para a capela da Diocese de Oliveira (2023); São Benedito (1m), para a igreja matriz de Bom Jesus dos Perdões (SP), Diocese de Bragança (2023); e Nossa Senhora da Conceição (1m) para a Paróquia de Santo Antônio de Tiradentes (em andamento).

Tanto a imagem de São Francisco quanto a de Santo Onofre foram pintadas e policromadas por Francesco de Assis Paiva, irmão de João Paiva.

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