No escritório da Casa dos Açores-MG, em Belo Horizonte, Claudio Motta mantém, na parede, uma peça de artesanato tecida e bordada pela artista Celina Moeller. “Convivi com a Celina, tive a grata satisfação de passar quase uma tarde inteira com ela; e ela me contando as histórias da vida dela e do que Resende Costa representava na vida dela. Tive uma aula de arte, de produção de cerâmica com ela. Eu quero voltar a Resende de Costa para abraçá-la.”
A paulista Celina Moeller foi homenageada, em 2 de dezembro de 2011, pela Câmara Municipal, com o título de Cidadã Honorária de Resende Costa. A resolução, de autoria do então vereador Fábio Roberto Ferreira, considerou “os relevantes serviços prestados a Resende Costa em sua área de atuação”.
“Há 15 anos morando em Resende Costa, dona Celina, como é conhecida por todos, ajudou a escrever a história da cidade das Lajes”, diz o texto de justificativa da homenagem. Depois de visitar cidades mineiras como Ouro Preto, Mariana e São João del-Rei, “para assistir missa nas igrejas históricas ao som da Orquestra Ribeiro Bastos”, e de residir por três anos em Tiradentes após o falecimento do marido, mudou-se para Resende Costa.
“Sempre apaixonada pelas artes, abriu as portas de sua casa para compartilhar com as crianças, adolescentes e adultos os seus conhecimentos. Transformou sua residência em uma verdadeira escola de música, bordados, pinturas, oficinas de cerâmica, tudo sem cobrar nada, apenas pelo prazer de ensinar. Em um livro de registros, é possível contabilizar mais de setecentas crianças que frequentaram sua casa.”
Seu ateliê funcionava na rua Francisca Félix Vieira, onde turistas e moradores da cidade apreciavam suas artes e se deliciavam com uma boa prosa. Foi o caso de Claudio Motta.
O artista plástico e pianista Gustavo Henrique de Mendonça foi aluno de dona Celina aos 17 anos de idade. Mas ainda era criança quando teve o primeiro contato com ela: “foi em ocasiões que acompanhava meu irmão em algumas aulas de cerâmica que ele frequentava”. Algum tempo depois, procurou-a novamente para aprender a arte da cerâmica. E nesse tempo manteve com ela “momentos prazerosos de conversa, música ao piano (era estudante, porém não com ela) e um bom café”.
Gustavo aprendeu com dona Celina “os primeiros passos da cerâmica, o engatinhar dentro desse universo gigantesco de que, posso arriscar a dizer, foi ela a principal responsável por me fazer gostar a ponto de querer me profissionalizar na área”. Com os ensinamentos dela, Gustavo chegou ao ensino superior em Artes, “não cru e vazio de conhecimento e prática, mas com uma bagagem superimportante que me foi passada através das mãos e da criatividade de uma verdadeira artista”.
A artesã Rosely Antunes Pires, criadora do Real Tapete e cidadã honorária de Resende Costa (desde 2023), fazia um trabalho voluntário no Lar São Camilo – uma festa para os aniversariantes do mês - quando conheceu dona Celina. “Ela é uma pessoa maravilhosa, muito criativa, inteligentíssima.” Mesmo “institucionalizada” no Lar São Camilo, “ela continua pintando. A artista que está dentro dela é muito natural, é muito lindo”.
O lado humano de dona Celina e a consciência do seu papel artístico ao longo dos anos são ressaltados pela assistente social Clebia Maria Resende. Ela acompanhou a trajetória da artista em Resende Costa, e agora a sua estadia no Lar São Camilo. E revelou que idealiza apresentar as obras de arte do acervo de dona Celina em um espaço público.
