Desde o dia 8 de março, o tradicional Bar do Claudionor (Bar do Kibon) é dirigido por Marcus Vinicius Ferreira de Moura, 67 anos. O Bar ficou fechado durante 15 dias, período em que Paulinho, o filho caçula de Claudionor, estava internado no Hospital Nossa Senhora das Mercês. Ele teve um problema com a válvula do coração, ficando muito debilitado, o que impediu a realização de cirurgia para implantar uma prótese.
Paulo César Ferreira de Moura, o Paulinho, faleceu em 28 de fevereiro de 2026, aos 63 anos. Ele foi sepultado no Cemitério São Gonçalo.
Nas minhas estadias em São João del-Rei, estava acostumado a parar no Bar do Claudionor, sempre muito frequentado, para tomar um café, quando então era atendido pelo sempre simpático Paulinho. Ele assumira o bar em 2020, devido à morte do pai.
Em fevereiro último, quando passei por lá, encontrei o bar com as portas cerradas. Por meio de Fernando da Banca Kibon, soube que Paulinho havia sido internado. Com a ausência do saudoso Paulinho, espero continuar a frequentar o Bar do Claudionor, agora com Marcus Vinicius no leme.
Na história
Desde a época de Claudionor, o bar é um dos principais pontos de distribuição do Jornal das Lajes, em São João del-Rei, devido à grande frequência e a uma clientela fiel. O que deverá continuar com Marcus Vinicius, o segundo mais velho de cinco irmãos.
Natural de Prados, o famoso Claudionor do Kibon era uma das personalidades mais conhecidas da cidade. Foi tropeiro e caixeiro-viajante, negociando mercadorias até lá pelos sertões de Goiás. Morou em Barroso e em Tiradentes antes de se transferir para São João del-Rei, em 1956. Um ano depois, em 1957, estabeleceu-se comercialmente na Avenida Tiradentes.
A fama de Claudionor veio com o sucesso da sorveteria do pai de Cláudia Simões, Romeu, já falecido, segundo Aluizio Barros, professor aposentado da UFSJ. “A novidade era o sorvete Kibon, que Romeu comprava no Rio de Janeiro para vender na sua sorveteria. Claudionor era seu funcionário e muito comunicativo com os fregueses, enquanto Romeu viajava para trazer do Rio o sorvete Kibon.”
Segundo Aluizio, a localização da sorveteria, na esquina da Avenida Tiradentes com a Rua Ministro Gabriel Passos, “transformou-se em ponto de encontro da juventude da cidade”. Ficava numa posição estratégica, próxima aos edifícios de apartamentos São João e Brandão e também a dois educandários: o Ginásio Santo Antônio e o Colégio Nossa Senhora das Dores.
Da esquina do Kibon – um dos pontos mais badalados da juventude são-joanense a partir do final dos anos 1950 – surgiu a lanchonete do Claudionor, que se tornou ponto tradicional de encontro memorial da região, segundo José Antônio de Ávila, membro da Academia de Letras e do Instituto Histórico e Geográfico de São João del-Rei.
Marcus Vinicius, o novo responsável pelo Bar do Claudionor, em São João del-Rei (foto José Venâncio)