A Expedição Rio Pará Vivo 2026, entre os dias 11 e 16 de maio, uniu canoagem, ciência e mobilização social ao longo da bacia hidrográfica. Promovida pelo Comitê da Bacia Hidrográfica do Rio Pará (CBH do Rio Pará), a iniciativa percorreu o rio da nascente à foz (cerca de 365km) em caiaques, conectando municípios e comunidades ribeirinhas. Na nascente do Rio Pará, foi inaugurada placa de identificação do olho d’água e realizado o plantio de mudas nativas.
A programação começou em Resende Costa, berço da nascente do Rio Pará. Na abertura oficial, assinatura de acordo de cooperação técnica e visita técnica ao olho d’água que dá origem ao rio. O acordo foi firmado entre a Prefeitura Municipal, o CBH do Rio Pará e a Agência Peixe Vivo para implantação do programa de saneamento rural nas comunidades de Jacarandira e Cajuru. O ato contou com a presença do vice-prefeito, Paulo Altivo de Moura, e de representantes das entidades envolvidas.
A previsão é construir mais de 100 sistemas individuais de tratamento de efluentes domésticos. “Nós temos uma obrigação muito grande de cuidar das águas que nascem aqui porque essas águas passam por diversas cidades até chegarem ao seu ponto final, disse Paulo Altivo Moura. “Temos a responsabilidade de fazer com que essa água saia daqui limpa e siga assim até os outros municípios e estados por onde o rio passa.”
O programa de saneamento rural tem impactos positivos para a população e a preservação ambiental, acrescentou o vice-prefeito. Esse programa vai agregar muito ao município, “principalmente na qualidade de vida e na saúde das pessoas, porque várias doenças podem surgir devido ao descarte irregular de esgoto no meio ambiente”.
Educação ambiental
O primeiro dia (11) abordou educação ambiental, cultura e preocupação com a situação do Rio Pará. Os expedicionários seguiram pelas águas do rio até Passa Tempo, onde aconteceu recepção pública por parte da comunidade, estudantes e participantes em atividades de educação ambiental e mobilização social.
Destaque para o concurso de poesia com temática voltada ao Rio Pará, incentivando reflexões sobre a importância da água e da preservação ambiental por meio da arte.
No primeiro trecho, a equipe de canoístas encontrou um cenário preocupante. “O rio está muito assoreado, com muita areia. Em alguns trechos, ele está muito largo, com 50, 70 metros de largura, mas com apenas 20 centímetros de profundidade”, alertou o presidente do CBH do Rio Pará, José Hermano Franco. Ele reforçou a necessidade de se ampliarem ações de recuperação ambiental e de conscientização da população.
Em Passa Tempo, houve apresentações culturais, concurso de poesia com estudantes da rede municipal, oficina de bombas de sementes nativas e atividades educativas. O prefeito Juscelino Rocha citou ações na área ambiental, a participação das escolas e a integração das crianças “para que elas cresçam com essa consciência e entendam a importância da água, do meio ambiente e do nosso Rio Pará”.
Carmo do Cajuru
No segundo dia (12), os caiaques da Expedição foram recebidos em Carmo do Cajuru por mais de duas centenas de pessoas. Com o apoio da Prefeitura, as atividades, na Barragem de Carmo do Cajuru, reuniram autoridades, estudantes de quatro escolas públicas municipais, representantes de instituições, comunidade local e integrantes da expedição.
A navegação ocorreu em condições mais favoráveis, com águas mais abundantes e maior profundidade ao longo do percurso. A presença de estudantes, professores e moradores mostrou a conscientização ambiental e a valorização do Rio Pará como patrimônio natural e cultural da região.
Apresentações artísticas, oficinas temáticas, exposição sobre a bacia hidrográfica, debates sobre preservação ambiental, saneamento e gestão dos recursos hídricos. “O Rio Pará representa vida, memória, pertencimento e responsabilidade”, resumiu Jéssica Bolina, da Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável.
Em Divinópolis
O terceiro dia (13), em Divinópolis, colocou em evidência um dos maiores desafios ambientais da bacia hidrográfica: o tratamento de esgoto sanitário. A entrada da expedição, temporariamente no Rio Itapecerica, mostrou a proliferação excessiva de plantas aquáticas (aguapés) diretamente associada à alta concentração de matéria orgânica, fenômeno frequentemente relacionado ao lançamento de esgoto sem tratamento. A mais desenvolvida cidade da bacia do Rio Pará, “infelizmente ainda não conta com tratamento de esgoto nem aterro sanitário adequado”, disse José Hermano Franco, presidente do CBH do Rio Pará.
Outro momento simbólico foi a análise da qualidade da água do Rio Itapecerica, realizada pelo professor da UEMG (Universidade Estadual de Minas Gerais), Adriano Parreira. Os resultados confirmaram a péssima qualidade da água no trecho urbano do rio.
Foi assinado o Acordo de Cooperação Técnica do Programa de Saneamento Rural entre o CBH do Rio Pará e a Prefeitura. A iniciativa beneficiará a comunidade rural de Branquinhos, com a implantação de 44 soluções individuais de esgotamento sanitário, contribuindo para a melhoria da qualidade de vida da população e para a redução da contaminação ambiental na bacia.
Moradores e participantes do evento destacaram a importância da expedição como ferramenta de conscientização ambiental e aproximação da população com os rios da região.
Nos dias seguintes, a expedição passou por Conceição do Pará e Pitangui, Martinho Campos e Pompéu. Acompanhe toda a jornada pelo portal https://cbhriopara.org.br/noticias/informacoes/ e no instagram cbhriopara

