Uma missa em 7 de outubro, dia dedicado a Nossa Senhora do Rosário, marcou as celebrações dos 140 anos de fundação da Confraria de Nossa Senhora do Rosário. A celebração eucarística, presidida pelo padre José Bittar, contou com a participação dos membros da confraria e também dos novos irmãos e irmãs admitidos solenemente durante a celebração. Os novos irmãos e irmãs receberam o terço e vestiram suas opas e murças, símbolos da dignidade e do serviço de doação às obras e ao carisma da Confraria do Rosário Universal.
De acordo com registros históricos, a instalação da Confraria de Nossa Senhora do Rosário em Resende Costa se deu na própria capela do Rosário, quando a mesma já estava concluída na segunda metade do século XIX. “Juca Chaves (1904-1978), em seu livro Memórias do antigo Arraial de Nossa Senhora da Penha da Laje: desde os proêmios de sua existência até os dias presentes, relata que entre os primeiros a tomar parte na irmandade foram o capitão Esequiel Coelho dos Santos, coronel Francisco Pinto de Assis Resende, capitão Francisco Machado de Resende e major Joaquim Leonel de Resende. Tudo leva a crer que essas pessoas já estavam engajadas na construção da capela do Rosário e pleitearam a criação da irmandade para a manutenção do templo”, diz Gustavo Pinto, provedor da confraria. Desde os seus primórdios, a confraria enfrentou percalços, chegando a ter sua existência ameaçada, conforme relata Gustavo: “A Irmandade enfrentou percalços já nos primeiros anos de sua existência e foi reestabelecida pelo cônego Antônio Cardoso Damasceno por volta de 1916, quando ele veio gerir a paróquia de sua terra natal, Resende Costa”.
Obras
No início dos seus trabalhos na recém-emancipada Resende Costa, além da manutenção da capela do Rosário, a confraria atuou decisivamente na criação do Hospital Nossa Senhora do Rosário, um sonho acalentado pelo cônego Cardoso que se tornou realidade no início do século XX, tornando o que é hoje uma instituição de saúde de referência regional. “No ano de 1917, iniciou o vigário cônego Antônio Cardoso Damasceno a construção do Hospital Nossa Senhora do Rosário, idealizada e dirigida sob os fortes impulsos de seu coração sacerdotal inteiramente amoldado à perfeita caridade cristã. Lançando os fundamentos de tão útil instituição de relevante aspecto social e humano, por ele afagada como último anelo de sua preciosa existência, fundou, inicialmente, a Irmandade de Nossa Senhora do Rosário, com o encargo de lhe gerir os negócios”, escreveu o memorialista Juca Chaves.
O zeloso, empreendedor e piedoso sacerdote Antônio Cardoso Damasceno faleceu em Resende Costa no dia 10 de outubro de 1924, com 65 anos. Dentre as muitas obras, espirituais e materiais, realizadas enquanto vigário de Nossa Senhora da Penha de França, cônego Cardoso construiu e deixou tudo o que possuía para o Hospital Nossa Senhora do Rosário e o asilo, conforme comentário do professor e memorialista Antônio de Lara Resende, em nota de rodapé, nos datiloscritos originais da minuta do livro “Memórias do Arraial de Nossa Senhora da Penha de França da Lage” do escritor resende-costense Juca Chaves.
De irmandade a confraria
A espiritualidade que inspira e sustenta a Irmandade de Nossa Senhora do Rosário tem suas raízes no carisma da Ordem dos Pregadores, conhecida como Ordem Dominicana, fundada em 1216 por São Domingos de Gusmão. Décadas após a sua criação em Resende Costa, a Irmandade do Rosário foi elevada ao status de Confraria. O provedor Gustavo Pinto explica a diferença entre as duas condições. “Os termos irmandade e confraria são quase sinônimos. A diferença principal está na formalização dessas associações. Tanto uma confraria quanto uma irmandade são um tipo de associação pública de fiéis erigida pela autoridade eclesiástica para promover o culto, o apostolado e a caridade. No caso de Resende Costa, assume-se uma particularidade. Várias dessas associações passaram a ser conhecidas de forma popular como ‘irmandades’, sem levar em conta o termo eclesiástico presente nos seus respectivos estatutos”.
Foi o arcebispo de Mariana, dom Helvécio Gomes de Oliveira, quem elevou, em 28 de maio de 1932, a então Irmandade de Nossa Senhora do Rosário à condição de Confraria. Tal concessão passou a permitir à confraria “associar as indulgências e privilégios espirituais próprios da Confraria do Rosário Universal, ligada ao carisma da Ordem dos Pregadores – Dominicanos”, explica o provedor.
Atualmente, a Confraria de Nossa Senhora do Rosário conta com a expressiva participação de aproximadamente 70 membros. “Estamos fazendo o cadastramento e continuamos recebendo novos irmãos, como a exemplo do último dia 7 de outubro, quando foram admitidos mais 13 irmãos e irmãs que agora passam a fazer parte da Confraria”, diz Gustavo Pinto.
Ainda de acordo com o provedor, a atuação da Confraria de Nossa Senhora do Rosário de Resende Costa consiste no auxílio nas celebrações da Santa Missas e na realização das festividades e procissões realizadas na igreja do Rosário. “Tendo em seus principais compromissos, algumas cerimônias da Semana Santa e a Festa do Rosário. Essa última, a Confraria reassumiu a organização recentemente”, conclui Gustavo.


