Lagoa Dourada é um dos exemplos marcantes da presença dos açorianos em Minas Gerais. O mariense João de Resende Costa casou-se com uma das três ilhoas açorianas, nascidas na vila da Horta (ilha do Faial), que aportaram no Brasil em 1723 e fixaram residência em São João del-Rei. As irmãs Antônia da Graça, Júlia Maria da Caridade e Helena Maria de Jesus deram origem a tradicionais famílias mineiras, como Junqueira, Meireles, Garcia, Carvalho, Monteiro e Resende.
A viúva Maria da Conceição Nunes e as três filhas, acompanhadas do genro Manuel Gonçalves da Fonseca (marido de Antônia), encontraram morando no Rio das Mortes Pequeno (freguesia de São João del-Rei) o aparentado Diogo Garcia, também imigrante do Faial, o seu irmão João Luiz Garcia Pinheiro e André da Silveira (que fundaria Andrelândia), além de João de Resende Costa. Diogo Garcia casou-se em 1724, em São João del-Rei, com Júlia Maria da Caridade, uma das três ilhoas açorianas.
Esse fato histórico, em si, já seria suficiente para justificar a fundação da Casa dos Açores de Minas Gerais, que aconteceu somente agora (26 de julho) em Belo Horizonte. A cerimônia aconteceu no Instituto Histórico e Geográfico de Minas Gerais (IHG-MG) e foi presidida pelo diretor regional das Comunidades, José Andrade, representando a Secretaria Regional dos Assuntos Parlamentares e Comunidades do Governo dos Açores.
Na ocasião, tomaram posse os primeiros órgãos dirigentes da Casa dos Açores, presidida pelo advogado, empresário e jornalista mineiro de ascendência açoriana Cláudio Motta. Também foi assinado um protocolo de cooperação entre o Governo dos Açores e a nova entidade. Essa é a oitava Casa dos Açores do Brasil e celebra 300 anos de presença açoriana num estado com mais de 20 milhões de habitantes.
Queijo açoriano
Além de fundar cidades, como Andrelândia, a presença dos imigrantes açorianos também é marcada pelo fato de duas cidades mineiras serem geminadas (cidades-irmãs) com dois municípios dos Açores: Ouro Preto com Angra do Heroísmo (ilha Terceira) e Resende Costa com Vila do Porto (ilha de Santa Maria). Outro fato importante é que a verdadeira origem do queijo minas artesanal é o arquipélago dos Açores, mais especificamente as ilhas de Pico e de São Jorge, onde é produzido a partir do leite de vaca. Essa receita foi trazida inicialmente para a região do Campo das Vertentes pelos colonizadores portugueses vindos dos Açores.
Nos últimos três séculos, milhares de açordescendentes de sucessivas gerações têm contribuído para o desenvolvimento de um estado brasileiro constituído por 850 municípios, com dimensão equivalente ao território da França. Segundo o diretor regional das Comunidades, José Andrade*, começa agora “uma nova era desse relacionamento transatlântico, que tem raízes no passado, condições no presente e razões para o futuro. A Casa dos Açores de Minas Gerais será apoiada pelo Governo dos Açores, como as suas congêneres do Brasil e do mundo, através de um protocolo anual de cooperação financeira, mas também de apoio logístico na sua fase atual de afirmação estadual e internacional”.
A criação da Casa dos Açores de Minas Gerais vai potenciar as relações entre um dos maiores estados brasileiros e a Região Autônoma dos Açores, contribuindo para a recuperação e a preservação do legado açoriano no Brasil. A iniciativa enquadra-se na estratégia política do Governo dos Açores de aproximação e cooperação entre as nove ilhas da região autônoma e as suas comunidades de emigrantes e açordescendentes dispersas pelo mundo.
*Por Ígor Lopes, em Mundo Lusíada, 21/07/2025 Claudio Motta lidera nova Casa dos Açores em Minas Gerais
Cláudio Motta e o diretor Regional das Comunidades, José Andrade (no centro), acompanhados dos demais presidentes das Casas dos Açores do Brasil.