Os caminhos da Estrada Real


Cultura

José Venâncio de Resende0

No início dos anos 1700, quando açorianos como Diogo Garcia, seu irmão João Luiz Garcia Pinheiro, a viúva Maria Nunes e suas três filhas Antônia, Júlia e Helena, acompanhadas do genro Manuel Gonçalves da Fonseca, João de Resende Costa e André da Silveira chegaram ao Rio de Janeiro, eles partiram em lombo de burro ou mula para São João del-Rei, em Minas Gerais, pelo “Caminho Velho” (ou “Novo”) da Estrada Real.

O Caminho Velho, também conhecido como Caminho do Ouro, no total de 700km, foi aberto no final do século XVII entre Paraty (RJ) e Ouro Preto (MG), foi a primeira via aberta oficialmente pela Coroa Portuguesa para o tráfego entre o litoral fluminense e a região mineradora. O caminho passava por Carrancas, São João del-Rei, Prados e Lagoa Dourada (ver aqui o trajeto), cidades conhecidas pela presença inicial dos açorianos.

Já o Caminho Novo foi criado no início do século XVIII, ligando a região mineradora e produtora de alimentos de Minas (Sul de Minas e Campo das Vertentes) ao porto do Rio de Janeiro, mais seguro pois evitava a rota marítima entre as cidades do Rio e de Paraty, sujeita a ataques piratas.  Por ser muito longo, tornou-se obsoleto e inadequado.

Por isso, entre 1811 e 1816, surgiu o Caminho do Comércio, também chamado de “Caminho do Rio Preto”, mais curto e econômico, para facilitar o trânsito de viajantes, comerciantes e tropeiros entre São João del-Rei (MG) e a Corte no Rio de Janeiro. A rota tinha início na localidade de Nossa Senhora da Piedade do Iguaçu (atual distrito de Nova Iguaçu-RJ), cortava a Reserva Biológica Federal do Tinguá, subia as serras, passava pelo porto de Ubá (atual Andrade Pinto, distrito de Vassouras), seguia  em direção a Valença e depois passava pelos antigos arraiais  mineiros de Rio Preto (região de Varejas e Funil), Bom Jardim (passando por Taboão), Turvo (atual Andrelândia), Madre de Deus, São Miguel do Cajuru e Rio das Mortes Pequeno, chegando finalmente à Vila de São João del-Rei depois de percorrer cerca de 280 km.

Segundo registros históricos, faziam uso da rota as tropas que partiam da Comarca do Rio das Mortes, com sede em São João del-Rei. Por uma vasta extensão de Minas Gerais, conduziam bois, porcos, toucinho, galinhas e queijos, retornando do Rio de Janeiro com produtos como sal, azeite, vinho, vinagre, bacalhau, lampiões, ferramentas e vidros. E grandes quantidades de escravos eram transportadas do litoral em direção às fazendas mineiras.

Fontes:

Instituto Estrada Real 

Livro comemora 210 anos de antiga rota de ligação entre Minas e Rio de Janeiro

Faial: terra das três ilhoas açorianas, de importantes sobrenomes brasileiros 

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