A obra de restauro do Retrato de D. Pedro I, que se encontrava esquecido em São João del-Rei, acaba de ser apresentado ao público (dia 23 de abril) pela Secretaria Municipal de Cultura e Turismo. O trabalho foi realizado pelo artista são-joanense Carlos Magno Araújo, com recursos da própria Secretaria e do Conselho Municipal de Preservação do Patrimônio Cultural.
Um bem tombado pelo município, o quadro raro da pré-adolescência do primeiro imperador do Brasil passa a pertencer ao acervo do Museu Tomé Portes Del Rei, onde ficará em exposição permanente para ser visitado e contemplado tanto pela comunidade quanto por turistas. Trata-se de uma pintura a óleo sobre tecido aderido a papel cartão, com 51 cm x 65,5 cm (a moldura em madeira de cedro entalhada, policromada e dourada, tem 0,74 m x 1,05 m).
Carlos Magno Araújo acredita que o quadro seja contemporâneo à idade do imperador, entre 12 e 13 anos, “porque ele tinha todas as marquinhas de espinha no rosto, de erupção na pele; estava começando a ter uma penugenzinha de bigode – é muito sutil, então é um pré-adolescente”. O artista acredita que, embora não tenha assinatura no quadro, o pintor estava tête-à-tête com o imperador, “porque ele não teria como registrar com tanta precisão até esse problema de pele do rapazinho naquele momento; não teria como ele ter pintado esse quadro através de litogravuras, que era coisa comum na época”.
Trabalho meticuloso
Por meio da Solo Conservação e Restauro, Carlos Magno conduziu o processo com rigor técnico e sensibilidade histórica, garantindo que cada detalhe da obra fosse preservado para as próximas gerações. “Tanto o quadro quanto a moldura estavam bem danificados. Eu acredito que a tela foi aderida num papelão grosso e estava com muito problema de bolhas e de acidez - o papelão sempre passa acidez para a tela. Então, a tela estava totalmente ressecada; o quadro estava totalmente deformado por conta dessa adesão – eu não sei em que época isso aconteceu, mas parece que é uma época antiga porque o papelão estava bem degradado.”
O processo envolveu etapas delicadas tanto na tela quanto na moldura, como explica Carlos Magno. “Eu fiz todos os testes de remoção do verniz que estava sobre a pintura - conseguimos um resultado muito bom. E depois eu tive que fazer o faceamento do quadro, que é proteger a pintura com uma espécie de papel chamado perlon e uma cola própria pra poder tentar tirar a tela do papelão. Depois que eu consegui tirar a tela do papelão, eu fiz a limpeza do verso da tela, porque ainda tinha ficado muito fragmento de papelão; e depois preparei a tela para ser reintelada; então comprei um tecido de linho, com material específico também, e fiz o reintelamento; quer dizer, aderi a tela num outro tecido e não em papelão mais. E, a partir daí, eu fui fazer todo o trabalho necessário de obturação de pequenos furos - em algum momento eles prenderam essa tela no chassi com preguinho, então havia muitos furinhos; e tinha um trecho que era rasgado - quando conseguimos tirar a tela do papelão, dava para ver o rasgo; talvez por isso é que colaram o quadro no papelão em alguma outra época.”
A etapa seguinte foi o restauro da moldura, como explica Carlos Magno. “Então, foi um trabalho de recuperação tanto da tela, que depois foi estirada no chassi original (que encaixa direitinho na moldura), quanto da moldura. Esse trabalho todo – que não foi contínuo – durou dois meses e meio, até conseguir todo o material, fazer toda a preparação, fazer os testes.”
Veja aqui o vídeo
Obra de restauro acabada (foto: arquivo de Carlos Magno Araújo). .





