Rodrigo Silva, no CERN-Suíça, maior laboratório de física de partículas do mundo


Ciência e Tecnologia

Da redação0

Recém-contratado pelo CERN como Engenheiro de Pesquisa e Desenvolvimento (fotos arquivo pessoal)

Desde dezembro de 2024, o engenheiro mecânico resende-costense Rodrigo José da Silva é o oitavo brasileiro a integrar o staff da Organização Europeia para Pesquisa Nuclear (CERN, acrônimo de Conseil Européen pour la Recherche Nucléaire), o maior e mais prestigiado laboratório de física de partículas do mundo. “Localizado na Suíça, o CERN é um símbolo do avanço científico e tecnológico da humanidade, dedicado ao estudo das partículas fundamentais que compõem o universo e das forças que regem sua interação”, diz Rodrigo.

O CERN abriga o Grande Colisor de Hádrons (LHC), um acelerador de partículas de 27 quilômetros de extensão, situado a cerca de 100 metros abaixo do solo, onde cientistas recriam condições próximas ao Big Bang para estudar os segredos mais profundos da física. Fundado em 1954, tornou-se referência global na busca pelo entendimento da matéria e da energia. É “o berço de descobertas revolucionárias, como o bóson de Higgs, partícula essencial para explicar a origem da massa dos corpos”, destaca Rodrigo.  

Desde março de 2024, o Brasil é membro associado do CERN, o terceiro país não europeu e o único das Américas a fazer parte da organização. Rodrigo, 30 anos, atua no departamento de Física Experimental, “contribuindo para o ambicioso projeto Future Circular Collider (FCC), que planeja revolucionar a ciência com um novo acelerador de partículas de 100 quilômetros de circunferência – uma estrutura sem precedentes, capaz de expandir ainda mais os limites do conhecimento humano”.

Além de ser um polo de pesquisa avançada, “o CERN também desempenha um papel crucial no desenvolvimento tecnológico e na cooperação internacional, reunindo milhares de cientistas de todo o mundo em uma missão compartilhada: desvendar os mistérios do cosmos e impulsionar a ciência para novas fronteiras.”

 

Trajetória

Rodrigo é filho de Valdemir José da Silva (mecânico) e Edicéia Antônia da Silva (professora da rede pública de ensino). Iniciou sua trajetória acadêmica em Resende Costa, onde estudou na Escola Municipal Paula Assis e na Escola Estadual Assis Resende, destacando-se nas ciências exatas. Tanto que conquistou, em 2010, a medalha de bronze na XIII Olimpíada Mineira de Química (OMQ). Nos anos seguintes, ganhou medalhas nas olimpíadas brasileiras de Astronomia e Astronáutica (OBA) e de Matemática das Escolas Públicas (OBMEP). Em 2011, teve um projeto premiado na I Mostra de Ciências da UFMG, o que possibilitou sua participação no Programa de Iniciação Científica Júnior CNPq, com a primeira publicação científica (um capítulo de livro didático).

Entre 2013 e janeiro de 2025, cursou graduação, mestrado e doutorado na UFSJ. No curso de Engenharia Mecânica, foi bolsista em cinco projetos de Iniciação Científica do CNPq (Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico), FAPEMIG (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Minas Gerais) e da universidade, desenvolvendo pesquisas nas áreas de Engenharia Térmica, Ciência dos Materiais e Mecânica dos Sólidos.

No mestrado, integrou o grupo de pesquisa CITeC (Centro de Inovação e Tecnologia em Compósitos), como bolsista CAPES, sob a orientação do professor Túlio Hallak Panzera (DEMEP). Uma pesquisa inovadora na área de materiais compósitos (combinações de dois ou mais materiais diferentes, para obter propriedades superiores, comuns em setores como aeronáutica, automobilismo e construção) resultou no “Método RJS” (RJS Method), acrônimo de seu nome, e na publicação de dois artigos científicos na renomada revista científica Composite Structures.

No Doutorado em Ciências dos Materiais, no Programa de Pós-graduação em Física e Química de Materiais (FQMat), como bolsista CAPES, dedicou-se ao desenvolvimento de metas-estruturas sustentáveis, sob orientação do professor Túlio Panzera. Sua pesquisa resultou em diversas publicações internacionais, dois softwares registrados no INPI (Instituto Nacional da Propriedade Industrial) e uma patente tecnológica. Destacou-se pela produção acadêmica e participação em comitês organizadores de eventos científicos internacionais.

Selecionado, em 2023, para um período sanduíche no Programa de Engenharia Aeroespacial da University of Bristol, na Inglaterra, desenvolveu pesquisas no Bristol Composites Institute, um dos maiores centros de pesquisa em materiais do ocidente, sob a supervisão do renomado cientista Fabrizio Scarpa. Durante o período sanduíche, foi contemplado com uma bolsa de pesquisa do European Research Council (ERC), uma das mais prestigiadas instituições de fomento à pesquisa na Europa, reconhecida por apoiar projetos inovadores e de alto impacto em diversas áreas do conhecimento.

 

Instituto Científico

Rodrigo Silva foi um dos fundadores do Instituto Científico de Resende Costa (IC-RC), uma organização sem fins lucrativos, ativa entre 2017 e 2022, com a missão de promover o conhecimento científico no município e na região. Ele dedicou mais de 500 horas de ensino voluntário, contribuindo diretamente para o desenvolvimento acadêmico de jovens talentos. Sob sua orientação, alunos do IC-RC conquistaram cinco medalhas de ouro, cinco de prata e sete de bronze em diversas competições acadêmicas em níveis federal e estadual, incluindo as mesmas competições nas quais Rodrigo foi medalhista quando estudante do Ensino Médio: a Olimpíada Brasileira de Astronomia e Astronáutica e a Olimpíada Mineira de Química.

A trajetória de Rodrigo é um exemplo de dedicação à pesquisa e à educação, resultando em realizações extraordinárias para a ciência global. Sua história destaca a importância da educação pública de qualidade em Resende Costa, que foi fundamental para seu desenvolvimento acadêmico e profissional. Ele considera que “o apoio e a formação recebidos nas escolas públicas locais foram essenciais para que pudesse alcançar seus objetivos e contribuir significativamente para a ciência mundial”.

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