Aprendi com a poesia a falar um pouco melhor sobre o amor. Mas o amor tem suas próprias noites e auroras...
O amor é eterno. Por ser eterno, ele não pode ficar. Ele dura porque não fica. Jamais se prende a histórias que são minhas ou suas. Se ele se prender, ele morre. Nós somos finitos, e o amor não. Ele é eterno porque não permanece.
Ele passa, fica um pouco... e vai. Deixa em mim, deixa em você apenas uma frágil chama, um vislumbre de que também nós podemos ser eternos... desde que não nos aprisionemos naquela maneira cruel e frustrante de tentar entendê-lo: a paixão.
O amor não começa com grandes declarações. Nem com gestos efusivos. O amor começa com pequenos gestos de doação, com silenciosas e sutis declarações.
O amor não começa no lençol compartilhado, mas no travesseiro solitário.
Ele sabe que muitas vezes a melhor presença é a ausência... que qualquer jeito não é jeito... que o momento revela o que os dias escondem...
O amor não coloca a consequência antes da causa.
O amor conhece a eloquência do silêncio.
Ah, o amor...
O amor não é aqui, ele é quando...
O amor não é agora, ele é se...
Sua alegria costuma dar medo, pois de algum modo essa alegria precisa da dor.
Sua dor costuma dar alívio, pois é típico do amor descobrir esperanças.
Começar um amor com arroubos, festas, grandes presentes, viagens inesquecíveis, gastos exorbitantes não agrada ao amor, pois ele não gosta disso em seu início. Não combina com o amor pagar mico. O amor tem classe. Ele sabe que todo arroubo é coração de bolha... um dia tudo vai se esvaziar.
O coração de quem ama não começa inchado. Ele vai se preenchendo aos poucos até ficar rico de tanto doar, sem mostrar que está doando.
O amor, quando chega, exige o melhor: nosso melhor sorriso, a melhor roupa, a melhor palavra, o melhor abraço, o melhor beijo...
O amor, quando se vai, por que não exigiria também o melhor? E exige. Nossa melhor renúncia, a melhor lágrima, a melhor paciência, a melhor volta por cima, a melhor alegria...
Pois também é típico do amor tornar melhor quem ama. É a regra do jogo do amor. Porém, ele é igual criança brincando: tem sua própria realidade e suas próprias regras. Se a gente interfere, aquela realidade acaba e tudo fica sem graça.
O amor não é ingrato. Ele é livre. Tentar aprisioná-lo é o mesmo que apertar a parte de baixo da rosa.
O amor é livre. E talvez esta seja a sua lição mais difícil: também sermos livres para vivê-lo.
Aprendi com a poesia a falar um pouco melhor sobre o amor. Mas aprendi com o amor outra coisa: perante as linhas que ele escreve, a poesia é apenas uma aprendiz.
Carla Vanessa do Nascimento - 10/07/2015
Simplesmente espetacular