Namorar é coisa simples.
Não é necessário realizar enormes empreitadas por causa de um namoro. Namoro não combina com grandes gastos, pois o carinho é gratuito. Namoro dispensa carro importado, pois o amor trafega no peito. Namoro não se preocupa com vaidade, pois o amor é nu. Namoro não se concentra em resultados, pois o amor é eterno presente. Namoro não combina com morrer de paixão, pois o amor é vida. Namoro não é posse, pois a alegria é livre.
Ah!... namorar!
Namorar não é desejo desenfreado, pois o prazer precisa da paciência. Namorar não é dar anel de ouro, pois o amor se encanta é com bilhetinhos improvisados. Namorar não é ficar, pois o amor exige caminhar. Namorar não é comparar idades, pois o importante é o que não envelhece e o que não é infantil.
Ah!... as marcas do namoro!
Uma pétala seca entre as páginas de uma história que não é mais contada...
Um cartão com a data do passado, mas a emoção de agora...
Uma fotografia parada, olhando fixamente para coisas que ainda se movem...
Um vermelho no pescoço... um batom na camisa... mas como é bom ter que esconder essas coisas!
Marcas concretas e palpáveis, sinalizadoras do intangível, tais como quadro de artista: palpável e concreto, porém o quadro mesmo não é o que vemos, e sim o que sentimos ao ver.
Ah!... os paradoxos do namoro!
Namorar é sentir-se único e não se sentir só.
Namorar não é prender, mas é segurar o outro na hora dele ir embora.
Namorar não é sofrer, no entanto a gente sempre chora um pouquinho.
É possível namorar no amor? É necessário, pois o amor é alimentado por idas e vindas, brigas e perdões, encontros, conquistas, planos em comum, fidelidade, doação.
É possível amar no namoro? Sim, mas apenas para os que acreditam que namorar é entrelaçar vidas, mesmo que somente as mãos andem juntas.
Namorar
13 de Junho de 2009, por José Antônio